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terça-feira, junho 05, 2018

anotações

Coimbra, 13 de Fevereiro de 1979

Greves. Reivindicações sucessivas a torto e a direito. Um povo subserviente, que recebia e agradecia de chapéu na mão, como favores concedidos, os próprios direitos, exige agora o possível e o impossível, numa desforra serôdia. É o ressentimento. Estamos a vingar no presente a resignação dos nossos avós. As revoluções em Portugal, em vez do triunfo de ideais novos, são ajustes de contas velhas.

sábado, dezembro 23, 2017

Natal sem Luzes





Natal sem luzes.
Natal sem pão, sem calor, sem  abrigo ou tecto, sem família.
Natal dos doentes, dos marginalizados, dos violentados ou oprimidos, dos escravizados no século XXI.
Natal sem luz.
Natal de um Menino que nem era louro nem tinha olhos azuis, que não sabemos o dia certo do seu nascimento e que o ano se referencia pelo fenómeno astral da estrela de Belém.
Natal de todos, afinal.
Que Ele nasceu é facto histórico, para os que crêem e para os que duvidam. Algo então mudou no Mundo dos homens.
Que de toda a luz, de todo o esplendor que possamos ter em casa fique um rasgo de lembrança para os que não podem ter Natal.
Boas Festas

domingo, outubro 01, 2017

a saga da destruição

    


 Dói ver a destruição consentida do Património da Madeira. Dói olhar as ribeiras varadas de cimento, outrora floridas e postal turístico para todos. Dói agora ver o Paúl da Serra ser esventrado eliminando a paisagem e o desejo de passeio.

     Não será para captação de água porque a mesma a verificar-se será numa cota mais elevada na Ribeira do Alecrim e no Lajeado. E é preciso que haja água! As águas do Rabaçal e da Rocha Vermelha hão-de ser retidas em barragem e daí bombeadas para a grande lagoa no Pico da Urze. Imagino já o impacto, as toneladas de cimento vertidas no que era uma paisagem pitoresca, fresca, procurada.

     Os lençóis freáticos agora rasgados, alimentados pelas humidades dos serenos e dos nevoeiros, serão veias secas no subsolo. Espécies endémicas, segundo li, correm o risco de extinção e consenso técnico  parece não haver.

     Mas será que não havia outra solução?

     Há-de ser mais uma decisão política ao serviço (sempre) dos mesmos interesses e a Madeira sofre mais um atentado que, na minha simples opinião, é irremediável.

     Olhando o Paúl e as eólicas, pergunto se os produtores de energia eólica e fotovoltaica a entregam LIMPA como se faz em toda a Europa, ou seja, sem picos e flutuações, ou se esse encargo é da EEM, encargo que depois se reflecte no custo de energia ao consumidor.

     Esquecem a realidade das alterações climáticas, as nascentes hoje já escassas, o paralelo da Madeira, a desertificação que o crescente aumento de temperaturas trará.

     E o silêncio da Assembleia Regional? É sepulcral!



Maria Teresa Santos Tavares Góis

in Diário Notícias da Madeira, 01/10/2017

terça-feira, julho 11, 2017

a origem da palavra SALOIO

Etnografia-ORIGEM DA PALAVRA SALOIO

Designa-se como saloio o habitante natural das zonas rurais do início do século XX em volta de Lisboa, a região saloia. A região saloia compreende vários concelhos, sendo os seus limites discutíveis. Alguns autores definem como região saloia os concelhos de Alenquer, Amadora,Arruda dos Vinhos, Cadaval, Loures, Mafra, Odivelas, Sintra, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras.


ORIGEM DA PALAVRA SALOIO
 Quando D. Affonso Henriques conquistou Lisboa aos mouros, para não despovoar a terra, deixou-os ficar de posse de seus bens e casas, impondo-lhes certos tributos. Este beneficio e tolerancia, que a politica e a humanidade aconselhavam, se estendeu aos logares circunvisinhos da cidade. Esta foi logo augmentando em população christã, que em si absorveu a mourisca pelo decurso dos tempos, o que não era tão facil no campo. Dizem que a estes mouros dos arredores davam antigamente o nome de Çaloyos ou Saloios, tirado do titulo da reza que repetem cinco vezes no dia, chamada çala. Ficou subsistindo o nome, ainda depois de povoados esses logares por christãos; e talvez da mesma origem proviesse um antigo tributo que se pagava do pão cosido em Lisboa e seu termo, e que era conhecido pela denominação de çalayo.
in O Panorama, 21 de Abril de 1838( O panorama : jornal litterário e instructivo da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis)


Saloias, por Silva Porto(1850-1893))