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domingo, novembro 15, 2020

A origem do Magusto


 A ORIGEM DO MAGUSTO

A origem da palavra “magusto” vem do latim “magnus ustus” que significa grande fogueira, que hoje designa

tão-só as castanhas assadas, mas que antigamente definia a própria fogueira onde as ditas eram assadas.
As tradições, embora com alguns pontos comuns, constituíam verdadeiras refeições comunitárias.
No início do século XIX, em algumas regiões do Norte, o magusto realizava-se no dia de S. Simão e S. Judas
Tadeu, a 28 de Outubro, prolongando-se até ao S. Martinho, enquanto nalgumas regiões de Trás-os-Montes
se aproveitava o Dia de Todos os Santos, o dia 1 de Novembro para festejar o “Magusto dos Santos”.
Segundo alguns etnólogos, como Leite de Vasconcelos, o Magusto dos Santos é uma reminiscência de
antiquíssimos rituais fúnebres pagãos, festivais que comemoravam o início do Inverno, segundo a tradição
celta, durante os quais se faziam oferendas em géneros alimentares às almas dos mortos. Em Barqueiros, no
Minho, era tradição à meia-noite, pôr uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer;
ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam “babadas dos defuntos”.
A celebração do magusto também está associada a uma lenda, que remonta ao século IV, a qual dizia que
um soldado romano de nome Martinho de Tours (mais tarde conhecido como São Martinho), ao passar
a cavalo por um mendigo quase nu, como não tinha nada para lhe dar, cortou a sua capa ao meio com a sua
espada; estava um dia chuvoso e diz-se que, neste preciso momento, parou de chover, derivando daí a
expressão: "Verão de São Martinho".
Assim, nesta altura do ano, o tempo frio e chuvoso, típico da estação, dá lugar a um dia de sol para desfrutar
de um grande magusto com castanhas assadas, água-pé e jeropiga.

sábado, outubro 20, 2018

ser feliz



Toda criança, em seu misto de inocência e alegria, é também um pouco, ou muito, de POESIA
Amanda Bonatti

terça-feira, junho 05, 2018

anotações

Coimbra, 13 de Fevereiro de 1979

Greves. Reivindicações sucessivas a torto e a direito. Um povo subserviente, que recebia e agradecia de chapéu na mão, como favores concedidos, os próprios direitos, exige agora o possível e o impossível, numa desforra serôdia. É o ressentimento. Estamos a vingar no presente a resignação dos nossos avós. As revoluções em Portugal, em vez do triunfo de ideais novos, são ajustes de contas velhas.

sábado, dezembro 23, 2017

Natal sem Luzes





Natal sem luzes.
Natal sem pão, sem calor, sem  abrigo ou tecto, sem família.
Natal dos doentes, dos marginalizados, dos violentados ou oprimidos, dos escravizados no século XXI.
Natal sem luz.
Natal de um Menino que nem era louro nem tinha olhos azuis, que não sabemos o dia certo do seu nascimento e que o ano se referencia pelo fenómeno astral da estrela de Belém.
Natal de todos, afinal.
Que Ele nasceu é facto histórico, para os que crêem e para os que duvidam. Algo então mudou no Mundo dos homens.
Que de toda a luz, de todo o esplendor que possamos ter em casa fique um rasgo de lembrança para os que não podem ter Natal.
Boas Festas

domingo, outubro 01, 2017

a saga da destruição

    


 Dói ver a destruição consentida do Património da Madeira. Dói olhar as ribeiras varadas de cimento, outrora floridas e postal turístico para todos. Dói agora ver o Paúl da Serra ser esventrado eliminando a paisagem e o desejo de passeio.

     Não será para captação de água porque a mesma a verificar-se será numa cota mais elevada na Ribeira do Alecrim e no Lajeado. E é preciso que haja água! As águas do Rabaçal e da Rocha Vermelha hão-de ser retidas em barragem e daí bombeadas para a grande lagoa no Pico da Urze. Imagino já o impacto, as toneladas de cimento vertidas no que era uma paisagem pitoresca, fresca, procurada.

     Os lençóis freáticos agora rasgados, alimentados pelas humidades dos serenos e dos nevoeiros, serão veias secas no subsolo. Espécies endémicas, segundo li, correm o risco de extinção e consenso técnico  parece não haver.

     Mas será que não havia outra solução?

     Há-de ser mais uma decisão política ao serviço (sempre) dos mesmos interesses e a Madeira sofre mais um atentado que, na minha simples opinião, é irremediável.

     Olhando o Paúl e as eólicas, pergunto se os produtores de energia eólica e fotovoltaica a entregam LIMPA como se faz em toda a Europa, ou seja, sem picos e flutuações, ou se esse encargo é da EEM, encargo que depois se reflecte no custo de energia ao consumidor.

     Esquecem a realidade das alterações climáticas, as nascentes hoje já escassas, o paralelo da Madeira, a desertificação que o crescente aumento de temperaturas trará.

     E o silêncio da Assembleia Regional? É sepulcral!



Maria Teresa Santos Tavares Góis

in Diário Notícias da Madeira, 01/10/2017