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terça-feira, fevereiro 09, 2010

o Menino Jesus de Mont'Alto

Um dos mais belos Meninos Jesus de Natal é, para o meu gosto e para o meu coração, o do Senhor da Ladeira, que fica em Mont'Alto de Arganil.
Diz-nos o Pe. Quelhas Bigotte que o popular "Capitãozinho apareceu" no convento de Vinhó, onde uma Baptista Sóror do Céu Custódio (um "Tia Baptista") "Imaginou o Menino Jesus vestido com trajes de gala e maior, como um dia geral visse um ofical, concebeu logo ai'deia de vestir o seu Menino Jesus com uma farda de Capitão dos Exércitos ". E o povo logo começou a cantar:
"Lá numa encosta cimeira
Da serra mais Altaneira
Das Armas de Portugal,
Mora, céus dos vizinho.
Um Jesus, Menino Deus e,
Cavaleiro e geral ".
Não obstante a imagem primitiva do Menino do Senhor da Lareira foi um galante rapaz, vestido à portuguesa. que vimos pela primeira vez num belo estudo do então jovem Alberto da Veiga Simões, na revista "Ilustração Portuguesa" em (1906), retrato que Regina Anacleto reproduziu também no seu 3 º. texto sobre o Menino Jesus da Ladeira. E de acordo com uma historiadora arganilense a figura do rapaz espigardote Terá sido substituída por uma roupa Lusíada do Menino Jesus.
Entretanto, subsiste a lenda de que, após as violências dos franceses, quando se aproximaram de Arganil Os Invasores segundos uma mulher devota do povo prometeu "Revestir" o Menino com um traje "à Napoleão" em desafronta aos inimigos, ladrões, assassinos e INCENDIÁRIOS . E eles passaram ao largo, felizmente, e o nosso Menino Jesus afastou Igualmente de Arganil Terceiros Os Invasores, e ainda hoje continua de pé, sorridente, alegre e parece que irónico, bonito, com seu bastão de comando e o símbolo do poder do mundo em suas mãos. fonte: João Alves das Neves
NOTA DA REDACÇÃO - SE ALGUÉM SOUBER ONDE O ENCONTRAR, POR FAVOR AVISE-ME. É UM MENINO QUE FAZ FALTA À MINHA COLECÇÃO...

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Maquilhagem Neandertal

Há 50000 anos o Homem-de-neandertal já utilizaria pinturas corporais e de objectos como forma de adorno e exprimindo um pensamento simbólico.
Investigadores encontraram evidências de que o Homem-de-neandertal utilizava pinturas corporais há 50000 anos atrás.
O trabalho publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) explica que conchas encontradas na região da Murcia, no Sul de Espanha, contêm resíduos de pigmentos que poderiam ser utilizados para pinturas corporais. Este comportamento sugere o pensamento simbólico desta espécie hominídea. 
Os investigadores da Universidade de Bristol, identificaram em conchas da região conchas com algumas misturas de pigmentos, sugerindo que o Homem-de-neandertal utilizava estas conchas para misturar e guardar tintas.   
O achado reforça com bastante mais segurança a prática de pinturas corporais e de materiais tal como outros achados anteriores já evidenciavam. 
A maior importância deste trabalho tem a ver com a altura a que remonta esta actividade neandertal, porque revela a capacidade da espécie sem influência do Homo sapiens. O Homem-de-neandertal terá tido contacto com a espécie humana apenas 10000 anos depois da época em que estas conchas eram já utilizadas no Sul de Espanha.

Fonte: BBC news

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Pontes de Raízes da Índia

Nas profundezas do nordeste da Índia, em um dos lugares mais húmidos na terra, as pontes não são construídas - estão crescendo. 
 
Cresceram das raízes de uma seringueira. O povo de Khasis Cherapunjee betel usaram troncos de árvores, cortadas ao meio e ocas por dentro, para criar o "sistema-raízes de orientação." Quando chegarem ao outro lado do rio, elas estarão autorizados a criar raízes no solo. Dado tempo suficiente, uma robusta ponte viva é produzida. 
 
As pontes de raízes, algumas das quais com mais de cem metros de comprimento, levaram de dez a quinze anos para se tornar totalmente funcional, mas elas são extremamente fortes. Algumas podem suportar o peso de 50 ou mais pessoas ao mesmo tempo.
Uma das estruturas de raiz mais originais da Cherrapunjee é conhecida como o "Umshiang Double Decker-Root Bridge". É composta de duas pontes empilhadas uma sobre a outra! 
 
  
  

Porque as pontes estão vivas e ainda estão crescendo. Elas realmente ganham força ao longo do tempo, e algumas das pontes raízes antigas ainda usadas diariamente pelo povo das aldeias ao redor de Cherrapunjee podem ter bem mais de 500 anos. 
 

Mas  não são estas as únicas pontes construídas a partir de plantas em crescimento. O Japão também tem sua própria forma  de pontes vivas.
Estas são as pontes da Vinha Vale de Iya .....
 
Um dos três "vales escondidos do Japão" , West Iya é do tipo desfiladeiros cheios de neblina, rios claros, e telhados de colmo, o Japão de séculos atrás. Para atravessar o rio Iya, num  vale com terreno  áspero, bandidos, guerreiros e refugiados criou- se algo muito especial -  um tanto instável - a ponte feita de vinhas.
 
Este é um quadro de 1880 de uma das pontes de videira original. 
 
Primeiro, duas vinhas Wisteria - uma das mais fortes vinha conhecidas - foram cultivadas a extremo de ambos os lados do rio. Uma vez que as videiras alcançaram comprimento suficiente,  foram entrelaçadas com tábuas para criar uma flexível, durável e, a mais importante obra viva da engenharia de botânica. 
 
  
As pontes não tinham laterais, e uma fonte histórica japonesa diz que as pontes de videira originais eram tão instáveis que aqueles que tentavam atravessá-las pela primeira vez, muitas vezes congelavam no lugar, incapazes de prosseguir.
Três dessas pontes permanecem no Vale de Iya. Enquanto algumas pontes (embora aparentemente não todas) foram reforçadas com fio e grades, ainda são angustiantes de atravessar. Mais de 140 metros de comprimento, com  pranchas colocadas de seis a oito centímetros de distância cada e, uma queda de quatro horas e meia de contos (?) até a água, definitivamente, elas não são para acrofóbicos.
 
Acredita-se que as pontes de videira existentes foram primeiramente cultivadas no século 12, o que as tornaria, nos mais antigos exemplos de arquitetura viva  no mundo.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Morreu Rosa Lobato de Faria

Rosa Lobato de Faria morreu hoje, aos 77 anos. A actriz e compositora tinha sido internada ontem devido a uma anemia grave. Já no ano passado, durante o mês de Agosto, a sua saúde tinha dado sinais de alguma debilidade, chegando mesmo a ser internada e obrigada a uma intervenção cirúrgica de emergência, na sequência de uma infecção intestinal grave. A actriz acabaria por melhorar, mas nunca totalmente. Em 2008, a autora de "Sétimo Véu" já tinha sofrido uma grande perda, com a morte do seu marido. "O tempo jamais curará a falta que ele me faz", confessou na altura.
Nascida em Lisboa, em abril de 1932, Rosa Lobato de Faria começou a publicar aos 63 anos, quando saiu o romance "O pranto de Lúcifer", em 1995, mas a escrita esteve presente na sua vida desde a infância, com a escrita dos primeiros poemas. O essencial da sua poesia está reunido no volume "Poemas Escolhidos e Dispersos", editado em 1997.
Entre os seus romances contam-se "A Trança de Inês" (2001), "O Sétimo Véu" (2003) e "A Alma Trocada" (2007), além de várias obras para crianças, traduzidas noutros países.
Esteve várias décadas ligada à televisão, desde que se estreou na RTP como locutora nos anos 1960, tendo integrado como atriz várias telenovelas e séries televisivas.
Como atriz participou, por exemplo, nas novelas "Vila Faia", "Origens" e "Ninguém como tu" e entrou em séries de comédia como "Humor de perdição" e "A minha sogra é uma bruxa".
No cinema entrou recentemente nos filmes "Tráfico" (1998) e "A Mulher Que Acreditava Ser Presidente dos Estados Unidos da América (2003)", ambos de João Botelho.
Escreveu ainda dezenas de letras para canções, muitas delas para festivais da canção.
"As Esquinas do Tempo" foi o último romance publicado em vida. Há ano e meio, numa entrevista divulgada pela Porto Editora, falava com entusiasmo desta obra.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Tomás Alcaide - cantor lírico 1901-1967

Tenor português com carreira de sucesso internacional. Desistiu de Medicina para se dedicar exclusivamente à música. Durante mais de duas décadas cantou nas salas mais conceituadas da Europa: do La Scala, em Milão, ao Salzburger Festspielhaus, a ópera de Salzburgo, na Áustria. Gravou também para a reconhecida empresa discográfica Columbia Gramophone Company. Com o início da Segunda Guerra Mundial, partiu para a América Latina , tendo actuado sobretudo no Teatro Cólon de Buenos Aires, na Argentina, e no Teatro Municipal de São Paulo, no Brasil. Quando voltou a Portugal, no final dos anos 40, tinha trabalhado com os nomes mais importantes do campo lírico internacional.
O século XX vivia o seu primeiro ano quando, em Estremoz, no dia 16 de Fevereiro, nasceu Tomás de Aquino Carmelo Alcaide. Passada a infância em terras alentejanas, cedo partiu para a capital, para estudar na Academia Militar. Aquele que viria a ser um dos tenores de maior renome internacional da sua época, começou por se inscrever na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Ao mesmo tempo, recebeu aulas de canto do músico Alberto Sarti. Outros professores se seguiram: primeiro o português Francisco Coutinho e, mais tarde, a italiana Eugenia Martelli.
Em 1923, teve um golpe de sorte. O cantor do Teatro de S. Carlos, em Lisboa, que ia interpretar o papel de Duque na ópera "Rigoletto", de G. Verdi, adoeceu. Era necessário substitui-lo e Tomás Alcaide estava no sítio certo, na hora certa. A veia artística ganhou, assim, à científica.. Em 1925, partiu para Itália para ser aluno do italiano Fernando Ferrara. Neste ano, no dia 5 de Dezembro, fez a sua estreia oficial no Teatro Carcano, de Milão, no papel de Wilhelm Meister, na ópera cómica "Mignon" de Ambroise Thomas. Deu início, assim, à sua carreira internacional, que o levaria a outras capitais europeias.
Em 1930 grava para a Columbia Gramophone Company. Só nesta década é que o tenor português volta a cantar, finalmente, no seu País, aparecendo em zarzuelas e operetas. Ficarão conhecidas as suas interpretações de personagens libertinas, fazendo uso da sua voz de grande pureza de timbre.
Com o início da Segunda Guerra Mundial, escolhe a América Latina para se apresentar. O Teatro Colon, em Buenos Aires, na Argentina, recebe-o de braços abertos, assim como a Ópera do Rio de Janeiro e o Teatro Municipal de São Paulo. É, aliás, nesta cidade brasileira que vai conhecer a sua futura mulher, Asta-Rose Alcaide. No fim do conflito, volta a actuar nas casas europeias, mas só em 1947 regressa a Portugal.
Entre 1963 e 1967, ano da sua morte, Tomás dirigiu a Escola de Canto do Teatro da Trindade, em Lisboa, e foi mestre de canto e de cena da Companhia Portuguesa de Ópera. Esta também ficava situada no Teatro da Trindade que, em 1962, fora adquirido pela FNAT (Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho). A Companhia conheceu na década de 60, sob direcção de Serras Formigal, vice-presidente da FNAT, um período de excelência do canto lírico em Portugal.
Bem no centro de Estremoz, cidade onde Tomás Alcaide nasceu, está uma estátua que não deixa esquecer aquele que foi um dos maiores filhos da terra e que cantou bem alto o nome de Portugal.(in: rtp.pt)
na foto - Tomás Alcaide numa fotografia com dedicatória, datada de 1930, oferecida ao meu Pai.

sábado, janeiro 30, 2010

Exumar da Vinci para o comparar com Mona Lisa

in:DN

Investigadores italianos pretendem comprovar a teoria de que 'La Gioconda' é na verdade um auto-retrato do célebre pintor.

E se o quadro de Mona Lisa fosse, na verdade, um auto-retrato de Leonardo da Vinci? A teoria não é propriamente nova e tem gerado imensa polémica. Por isso, e para tentar acabar de vez com todas as dúvidas, uma equipa de investigadores italianos pretendem exumar o corpo de Leonardo da Vinci para determinar se existem efectivamente semelhanças físicas entre o artista e a figura retratada num dos seus mais célebres quadros.
A teoria é de que o quadro que se encontra em exposição no Museu do Louvre, em Paris, é, na verdade, um auto-retrato do artista. A hipótese surgiu quando, há uns anos, se fez uma sobreposição de um retrato do pintor renascentista com o rosto de Mona Lisa.
A identidade desta figura feminina sempre foi um mistério - um dos muitos que esta obra de arte inspira. E enquanto uns defendem que o quadro retrata a mãe do próprio Leonardo da Vinci, outros têm assegurado que La Gioconda é Lisa Gherardini, a mulher de um importante mercador de Florença. Apesar de cépticos, os cientistas querem investigar a hipótese de se tratar mesmo de um auto-retrato.
Uma equipa do Comité Nacional para a Valorização dos Bens Históricos, Culturais e Ambientais de Itália pediu já autorização para exumar as ossadas e, a partir da face de da Vinci, reconstruir a cabeça para depois se fazer a comparação. A equipa já obteve um consentimento prévio, mas a autorização oficial ainda deve demorar alguns meses.
Porém, e para adensar o mistério em torno da obra e do seu autor, o principal problema será encontrar os restos mortais do artista que morreu com 67 anos, em 1519, e que terá sido enterrado em França, no castelo de Ambroise, no vale do Loire. Contudo, e porque o local foi alvo de diversos saques ao longo dos séculos, não há certezas sobre a localização exacta da sepultura. Segundo o presidente do Comité, Silvano Vicenti, as novas tecnologias permitem, com recurso a micro-sondas e câmaras de filmar, avaliar as ossadas sem fazer grandes escavações.
O passo seguinte será comprovar se os ossos são de da Vinci. Por isso os investigadores procuram descendentes vivos ou familiares sepultados nos cemitérios da Itália, especialmente nos arredores de Bolonha. E essa será a parte mais complexa da pesquisa. "Ao extrair o ADN teremos que compará-lo com o de alguém que tenha tido um grau de parentesco com Leonardo da Vinci", explica o antropólogo da Universidade de Bolonha, Giorgio Gruppioni. Para já existe uma hipótese. "Encontramos um pintor, que seria um descendente de linha paterna de da Vinci, enterrado em Bolonha, entre os séculos XV e XVI, mas temos que aprofundar a pesquisa", frisou Vincenti.
O último passo será a reconstrução do crânio, que poderá estar fragmentado. A equipa de investigadores irá usar sistemas virtuais e métodos de morfologia para recompor as partes ausentes. Até porque, frisa Silvano Vicenti, "hoje podemos dar respostas que há dez anos não eram sequer imagináveis". A partir do crânio, a face será restaurada através de computador e depois modelada em plástico. "O rosto é modelado segundo um protocolo de antropologia forense que requer a mão artística para dar forma às partes moles, seguindo critérios anatómicos e científicos que não deixam espaço para a livre interpretação", explica Gruppioni.
Apesar das críticas, e algumas piadas, de que tem sido alvo, a equipa de investigadores está decidida a comprovar, ou não, esta teoria até ao fim.
? Anatomia deve ser respeitada através de um cuidado trabalho manual
? Reconstrução do crânio é fundamental para se poderem determinar parecenças
? Modelar o rosto através de um rigoroso processo de antropologia forense

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Descoberto no Egipto templo do século III antes de Cristo


Uma missão arqueológica egípcia descobriu em Alexandria os restos de um templo ptolomaico dedicado à deusa Bastet e pertencente à rainha Berenice, esposa de Ptolomeu III, cuja construção remonta ao século III antes de Cristo.
Segundo o Conselho Supremo de Antiguidades egípcio (CSA), a expedição, liderada por Mohamed Abdel Maqsud, também desenterrou 600 diferentes objectos da mesma época.
As escavações de rotina que deram com o templo - com 60 metros de largura - foram realizadas na zona de Kom al Dika, na cidade egípcia de Alexandria, dentro de uma área militar.
Tudo indica que o templo fosse dedicado a Bastet, divindade feminina da protecção e da maternidade porque entre os objectos encontrados estavam três figuras da deusa, uma delas representada com um gato.
Foram ainda encontradas esculturas em pedra de um menino e de uma mulher, recipientes em barro, estátuas em bronze e louça de diferentes divindades do antigo Egipto, figuras de terracota dos deuses Harpócrates e Ptah.
Abdel Maqsud considera que esta descoberta é o primeiro traço da verdadeira localização dos aposentos reais das dinastias que governaram esta milenária cidade mediterrânica. 
in: JN, Lisboa


terça-feira, janeiro 19, 2010

cerveja -curiosidades



                                               Hoje sabemos que os Babilónios sabiam elaborar vinte tipos diferentes de cerveja. Quase todas seriam opacas e produzidas sem filtragem. Tal facto fazia com que bebessem a cerveja através de um predecessor da actual palhinha (no caso dos reis essa palhinha seria de ouro…), o que evitava que ingerissem o resíduo que se acumulava no fundo e que seria bastante amargo. No entanto, essa situação não impedia que a cerveja aí produzida fosse bastante conceituada, chegando os babilónios a exportar grandes quantidades para o Egipto.
Tal como os Babilónios, os Egípcios produziam cerveja desde tempos ancestrais, sendo que esta fazia parte da dieta diária de nobres e fellahs (camponeses). Para além de bem alimentar, servia também como remédio para certas doenças. Um documento médico, datado de 1600 a.C. e descoberto nas escavações de um túmulo, descreve cerca de 700 prescrições médicas, das quais 100 contêm a palavra cerveja. A sua importância é também visível nos aspectos religiosos da cultura egípcia. Nos túmulos dos seus antepassados, para além dos artefactos habituais como incenso, jóias e comida, era também habitual encontrar provisões de cerveja. E em casos de calamidade ou desastre natural, era frequente a oferta de grandes quantidades de cerveja aos sacerdotes de forma a apaziguar a ira dos deuses.

A extrema relevância da cerveja para os egípcios reflectia-se não só na existência de um alto funcionário encarregado de controlar e manter a qualidade da cerveja produzida, como também na criação de hieróglifos extras que descrevessem produtos e actividades relacionadas com a cerveja. Curiosamente, existem alguns povos que vivem ao longo do Nilo que ainda hoje fabricam cerveja num estilo muito próximo ao da era faraónica.
Longe desta área geográfica, a China desde cedo desenvolveu técnicas de preparação de bebidas do tipo da cerveja, obtidas a partir de grãos de cereais. A "Samshu", fabricada a partir dos grãos de arroz e a "Kin" já eram produzidas cerca de 2300 a.C. As técnicas utilizadas eram algo diferentes das dos povos mesopotâmicos e egípcios. De facto, o desenvolvimento da cerveja até à forma pela qual hoje a conhecemos, deve-se mais a estes dois últimos do que à civilização chinesa. Foram mesmo os egípcios que ensinaram os gregos a produzir cerveja. 
Apesar de ser considerada menos importante que o vinho, a cerveja evoluiu durante o período grego e romano. Atente-se nos escritos de Sófocles (450 a.C.) relativamente a recomendações sobre o consumo de cerveja, incluindo esta numa dieta que considerava equilibrada. Outros autores gregos como Heródoto e Xenofontes também mencionaram o acto de beber cerveja nos seus escritos. 
Assim como o tinham aprendido com os egípcios, os gregos ensinaram a arte de produzir cerveja aos romanos. Todavia, em 500 a.C. e no período subsequente, gregos e romanos deram preferência ao vinho, a bebida dos deuses, tutelada por Baco. A cerveja passou então a ser a bebida das classes menos favorecidas, muito apreciada em regiões sob domínio romano, principalmente pelos germanos e gauleses. Muitos romanos consideravam a bebida horrível e típica de povos bárbaros. Foi nessa época que as palavras cervisia ou cerevisia passaram a ser utilizadas pelos romanos, em homenagem a Ceres, deusa da agricultura e da fertilidade. Plínio foi um dos autores clássicos que escreveu sobre o assunto, descrevendo a evolução do processo de fabrico da cerveja e os hábitos dos povos celtas e germânicos da Bretanha e Europa Central.

sábado, janeiro 16, 2010

algumas palavras herdadas do árabe

إحدى هَضَباتِ لشبونةَ السَّبْع. على هذه الهَضَبةِ كانَتْ. ولِذَلِك فَإنَّ الكَثِيرَ مِنَ الأحْيَاءِ هُنَاكَ مَازَالَت تَحْمِل أَسْمَاءً عَرَبِيَّةً مِثْل الجوبه (Aljube) والحمى (Alfama) وغَيْرهما. المَدِينَةُ العَرَبِيَّةُ القَدِيمَةُ

Açúcar.............Sukkar
Adobe..............Al-Tub
Alambique.......Al-Ambiq
Alaúde.............Al-'Ud
Alcachofra.......Al-Kharshuf
Álcool..............Al-Kohl
Alcova.............Al-Qubba
Alfarrábio........Al-Farabi
Alfazema.........Al-Khuzama
Alforreca.........Al-Hurreq
Algarismo........Al-Khawarizmi
Álgebra............Al-Jabr
Algibeira..........Al-Jaib
Algodão...........Al-Qutun
Alguidar...........Al_Gidar
Alicate.............Al-Lakkat
Alquimia..........Al-Kimiya
Arroz................Ruzz
Café.................Qahwa
Cânfora............Kafur
Elixir................Al-Aksir
Laranja............Naranj
Limão.............. Limun
Terra................Earz
Xarope.............Shurb, Sharab

sexta-feira, janeiro 15, 2010

quando os Árabes nos davam lições... parte III


Ibn Sinna (Avicena): Médico, filósofo,matemático e astrónomo (981-1037) na foto
Ibn Tufayl (Abdubacer): Filósofo, médico e poeta (1110-1185)
Ibn Yunus: Trigonometria e astronomia (m.1007)
Muhammad Ibn Abdullah (Ibn Battuta): grande viajante, foi de Marrocos à China e voltou. Diz-se que percorreu mais de 120 mil kms (1304-1369)
Nasir Al-Din Al-Tusi: Astrónomo e geómetra (1201-1274)
Omar Khayyam: Matemático e poeta (Rubayat) (1044-1123)
Thabit Ibn Qurrah (Thebbit): Astrónomo, geómetra e médico (836-901)
Zakaiya Razi (Rhazas): Químico e médico (n.850)

                                                                                                                                foto de Avicena

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Identificadas as mais antigas peças de marfim em Portugal


As várias peças encontradas, originárias da África, são de marfim em bruto e de produtos manufacturados com este material, e datam dos anos 2700 a.C a 2500 a.C. Com esta descoberta, os arqueólogos conseguiram provar que já nessa altura existiriam trocas comerciais, incluindo de bens de luxo, entre as zonas costeiras de Portugal e Espanha e o continente africano e asiático.

“A reunião entre os especialistas permitiu demonstrar a existência de trabalhos em marfim na pré-história”, afirma João Luís Cardoso, arqueólogo que participou nos trabalhos de escavação no povoado de Leceia, e que publicou os resultados da sua investigação na mais recente edição da revista científica “Antiquity”. “No caso das peças encontradas e que foram analisadas na Alemanha, o marfim vinha do norte de África, ou excepcionalmente do aproveitamento de um dente fóssil de um elefante”.

No entanto, este estudo não se centrou só em Portugal. Em Espanha, na região da Andaluzia oriental, Almería, o povoado Los Millares e as suas sepulturas demonstraram a existência de peças de marfim produzidas do elefante asiático. “Isto significa que tinham de vir do mediterrâneo oriental”, explica o arqueólogo, que é também professor na Universidade Aberta. E salienta: “É a primeira vez que se documenta a origem deste comércio, que no fundo atravessa todo o Mediterrâneo, relativamente à presença desse elefante. Já nessa altura havia um comércio a longa distância”.

João Luís Cardoso esclarece que já era do conhecimento daqueles que estudam este tema que, nessa altura, haveria relações comerciais entre os continentes por causa da afinidade das peças de carácter religioso, por exemplo. Porém, não havia a consciência de que tais relações seriam tão extensas. “Agora é possível demonstrar essas relações sobre a forma de marfim em bruto ou peças manufacturadas”.

Estas descobertas revelam também que na Idade do Cobre as sociedades já eram bastantes diferenciadas socialmente, pois os produtos de marfim que foram encontrados destinavam-se a pessoas de um nível social mais alto. “Não eram todas as pessoas que tinham acesso a essas peças de luxo”, diz João Cardoso.

A maior parte das peças encontradas são alfinetes grandes, de toucado, feitos de marfim do elefante asiático. É desde logo inegável a relação comercial com o mediterrâneo oriental. Tais produtos só terão chegado à Península Ibérica através da travessia do estreito de Gibraltar.

Este trabalho arqueológico especializado só foi possível devido à contribuição de vários elementos. Os alemães Thomas Schuhmacher e Arun Banerjee fizeram parte da equipa e as escavações foram patrocinadas pela câmara municipal de Oeiras, por meio do centro de estudos arqueológicos do concelho. “É uma colaboração internacional que beneficia a arqueologia portuguesa”, destaca João Luís Cardoso.in Publico

quando os Árabes nos davam lições... parte II

Al-Fida (Abdulfeda): Astrónomo, geógrafo e historiador (1273-1331)
Al-Ghazali (Algazel): Teólogo e filósofo (1058-1111)

Al-Idrisi (Dreses): Geógrafo, autor do primeiro mapa mundi e do primeiro globo terrestre (1099-1166)
Ali Ibn Rabban Al-Tabari: Médico, farmacêutico, matemático e escritor (808-870)
Al-Khwarizmi (Algarismo): Matemático, astrónomo e geógrafo (770-840)

Al-Mawardi (Alboacem): Ética e jurisprudência (972-1058)
Al- Razi: Médico, químico e astrónomo (864-930)
Al-Sufi: Astrónomo (903-986)
Al-Zarqali (Arzachel): Astrónomo (inventor do astrolábio?) (1028-1087)
Amr Ibn Bahr Al-Jahiz: Zoológo e gramático (776.-868)
Ibn Al-Baitar: Farmacêutico e botânico
Ibn Al-Haitham (Alhazem): Físico e matemático (965-1040)
Ibn Al- Nafis Damishqi: Anatomista (1213-1288
Ibn Ishaq Al-Kindi (Alkindus): Filósofo, físico e matemático (800-873)
Ibn Rushd (Averroes): Filósofo, médico, astrónomo, teólogo e legislador (1128-1198)                                                                                                            Averroes

terça-feira, janeiro 12, 2010

quando os Árabes nos davam lições... parte I


O filósofo Averroes e o médico Avicena são apenas dois entre os muito sábios muçulmanos que fizeram avançar as artes, as letras e as ciências.

Abbas Ibn Firnas: Mecânico, astrónomo e cristalógrafo (m.888)
Abu Al-Qasim Al-Zahravi (Albucasis): médico, considerado pai da cirugia (936-1013)
Abu Al-Qasim Maslimah Al-Majriti: Astrónomo (m.1007)
Abu Bark Muhammad Ibn Yahya (Ibn Bajjah):Filósofo, médico, matemático, astrónomo, poeta e músico.
Abul Hasan Ali Al-Masudi:Geógrafo e historiador (m.957)
Abu Mussa Jabir Ibn Haiyan (Geber):Alquimista (m.803), considerado o pai da química.
Abu Raihan Al- Biruni: Astrónomo e matemático que determinou a circunferência da Terra (973-1048) ***

Al-Asmai: Zoológo e botânico (770-840)
Al-Battani (Albategnius):Astrónomo, matemático (858-929)
Al-Bitruji (Alpetragius): Astrónomo (m-1204)
Al-Farabi (Alpharabius): Lógica, filosofia e música (870-950)
Al- Farghani (Alfraganus): Astrónomo e engenheiro (c.860)

*** na foto

sexta-feira, janeiro 08, 2010

"A HISTÓRIA DA CERVEJA NO MUNDO"

A origem das denominações actuais da cerveja, vêm da antiguidade. Plínio, menciona o uso da cerveja na península Ibérica com o nome de célia e céria e na Gália, com o nome de cerevisia ou cervisia. Provavelmente derivados do nome da deusa Ceres. Muito antes disto, Platão, na antiga Grécia, a denominava de cerialis liquor. Archiloco, menciona a bryton, produzida com cevada, pelos frígios e pelos trácios (búlgaros). Os ilíricos e os panônios, a chamavam de sabaja ou sabajum. O nome cerveja (português), cerveza ou cervesa (castelhano), giarvusa (retorromânico), cervoise (francês arcaico), derivam das palavras cerevisia ou cervisia do latim. Já o nome birra (italiano), bière (francês), beer (inglês), bier (alemão) e pivo (povos eslavos), derivam dos termos peor, bior e pier do alemão arcaico, que por sua vez deriva dos termos biber ou biberis do latim. Outros antigos termos alemães (alu, alo, e ealo) ainda são conservados no inglês (ale).
Há mais de 10.000 anos, o homem primitivo conheceu o fenómeno da fermentação e obteve, em pequena escala, as primeiras bebidas alcoólicas.
Quase todos os povos primitivos elaboravam algum tipo de bebida alcoólica equivalente a cerveja. Perde-se no tempo as primeiras bebidas elaboradas pelo homem, que remontam à pré-história. Matérias primas açucaradas como mel, suco de frutas, suco de palmas, além do leite e féculas, serviram de base para a elaboração destas bebidas. Ainda não há um consenso entre os historiadores sobre a origem da cerveja, entretanto esta bebida é tida como a mais antiga consumida pelo homem.
A cerveja é tão antiga quanto o pão, pois era obtida a partir da fermentação de cereais como cevada e trigo. A cerveja era feita por padeiros devido à natureza da matéria-prima utilizada: grãos de cereais e leveduras. A cevada era deixada de molho até germinar e, então, moída grosseiramente, moldada em bolos aos quais se adicionava a levedura. Os bolos, após parcialmente assados e desfeitos, eram colocados em jarras com água e deixados fermentar.
Há evidências de que a prática da cervejaria originou-se na região da Mesopotâmia onde a cevada cresce em estado selvagem. Os primeiros registos de fabricação de cerveja têm aproximadamente 6.000 anos e remetem aos Sumérios. A Suméria ficava entre os rios Tigre e Euphrates, na área da Mesopotâmia do sul. Provavelmente os Sumérios descobriram o processo de fermentação por acaso. Naturalmente, ninguém sabe hoje, exactamente como isto ocorreu, mas poderia ser que uma parte do pão de cevada ficou molhada e esquecida simplesmente, depois de algum tempo o pão começou a fermentar e resultou numa polpa inebriante. A primeira cerveja foi provavelmente um acidente. Tem-se que a cerveja feita de cevada malta já era fabricada na Mesopotâmia. No 4º ou 5º milénio A.C. já existiam diversos tipos de cerveja. Documentos históricos mostram que em 2100 a.C. os sumérios alegravam-se com uma bebida fermentada, obtida de cereais. Na Suméria, cerca de 40% da produção dos cereais destinavam-se às cervejarias chamadas "casas de cerveja", mantida por mulheres. Uma antiga placa de argila gravada com a língua suméria indica que a fabricação de cerveja era uma profissão feminina e altamente respeitada e esboça as etapas para fazer a cerveja. Esta placa tem pictógrafos que representam a cevada, pão cozinhando, pão desintegrado sendo posto na água, a massa sendo feita e então uma bebida.
Os Sumérios aperfeiçoaram este processo e são reconhecidos como a primeira cultura civilizada a fabricar a cerveja, tinham descoberto a divina bebida que ofereceram a seus deuses. Como em 1800 a.C. ofereceram em celebração a deusa Ninkasi. A cerveja foi bebida com uma palha para ajudar a filtrar os sedimentos e o pão encharcado que era parte da fermentação.
Quando o império sumério desmoronou, os babilónios transformaram as leis da Mesopotâmia e incorporaram a cultura suméria à sua própria. Em consequência, adquiriram o conhecimento para fabricar a cerveja. Os babilónios fabricaram pelo menos vinte tipos diferentes de cerveja, sendo 8 fermentadas com emmer puro (tipo de grão e similar pré-histórico do trigo), 8 de cevada pura e 4 de mistura de grãos. Nesta época a cerveja era turva e não filtrada e era bebida com ajuda de palha para evitar que o resíduo alcançasse a boca pois era muito amargo. O 6º rei babilónio, Hammurabi, decretou uma colecção de leis sobre a cerveja, dentre as quais havia uma que estabelecia uma ração diária de cerveja. Quanto mais elevado o status, mais cerveja recebia, como por exemplo: um trabalhador normal recebia 2 litros, os empregados do império recebiam 3 litros, os sacerdotes e os altos administradores recebiam 5 litros. Nesta época a cerveja não era vendida, mas trocada por cevada, o rei Hammurabi decretou a morte por afogamento em sua própria cerveja de uma mulher que aceitou pagamento para o seu produto, afogamento também era a punição para cerveja de baixa qualidade. Os babilónios exportaram também a cerveja para o Egipto, apesar de estar distante 1000 quilómetros.
Os egípcios logo aprenderam a arte de fabricar cerveja e carregaram a tradição no milénio seguinte. Continuaram a usar o pão para fermentar a cerveja mas adicionaram também temperos para modificar seu sabor. Os egípcios antigos tiveram mesmo um hieróglifo para o fabricante de cerveja o que ilustra a importância da fabricação de cerveja para a cultura. Os antigos originais egípcios mostram que a cerveja e o pão eram parte da dieta diária e tanto foram consumidos pelo ricos quanto pelo pobres.
A cervejaria mais antiga que se conhece foi descoberta recentemente por arqueólogos no Egipto. Ela data de 5400 anos a.C. e produzia vários tipos de cerveja.
A cerveja produzida naquela época era bem diferente da de hoje em dia. Era escura, forte e muitas vezes substituía a água, sujeita a todos os tipos de contaminação, causando diversas doenças à população. Mas a base do produto, a cevada fermentada, era a mesma. Ela já fazia parte do cardápio da humanidade desde o começo das primeiras civilizações mesopotâmicas.
Nessa mesma época, a cerveja era utilizada como moeda para pagar os trabalhadores e também como produto de beleza para as egípcias, que acreditavam em seus poderes de rejuvenescimento. No Egipto, a cerveja ganhou status de bebida nacional, sua fabricação ficava por conta das sacerdotisas dos templos de seus deuses. Zythos era a denominação dada à cerveja pelos egípcios, que além do uso como bebida e nos rituais religiosos, também tinha grande aplicação na medicina, entrando na formulação de mais de 100 medicamentos.
A cidade de Peluse, localizada no delta do Nilo, ficou famosa pela produção de diversos tipos de cervejas: claras, escuras, fortes, leves ou adocicadas; com adição de mel, frutas ou ervas aromáticas e pelo esmero na fabricação. Ainda hoje se fabrica uma cerveja rústica no Egipto, sob o nome de Bouza, feita a partir de massa de cereais fermentada e cozida, que posteriormente é desmanchada em água e posta a fermentar novamente. Consta que os egípcios gostavam tanto da bebida que seus mortos eram enterrados com algumas jarras cheias de cerveja. A cerveja era um oferecimento importante aos deuses e foi colocada nos túmulos para o pós vida.
Os chineses também já preparavam bebidas fermentadas de cereais desde épocas remotas, sendo que a Samshu já era produzida a cerca de 4300 anos, fermentada à partir de arroz. Também a Kin remonta a esta mesma época. Na América, os incas já produziam bebidas fermentadas de milho muito antes do descobrimento, um exemplo é a Chicha, Chica ou Chicara, produzida até hoje no Peru e Bolívia. Podemos mencionar ainda outras bebidas do grupo das cervejas como o pombe, produzido a partir do sorgo, pelos nativos africanos; a soma, a haoma, o kanji e o pchwai, produzidos pelos antigos hindus e persas; a karva, por nativos de ilhas do pacífico; Oo, da Tailândia; binuburam, das Filipinas; torani, das Índias; rakshi, do Nepal; kuva, dos nativos platinos da América do Sul; kwass, da Rússia; bosa, da Macedónia; kalja, da Finlândia; braga, da Roménia, além de inúmeras outras.
Os gregos, embora fosse um povo que habitualmente consumia vinho, já fazia cerveja por volta de 700 a.C. Ésquilo (470 a.C.) numa de suas tragédias faz referência “aos bebedores de vinho de cevada”. Aristóteles também em seus escritos falou sobre a cerveja que, nessa época, já era consumida aos potes pelo povo. Nem todos viam com bons olhos o hábito de tomar cerveja. O rei Argos foi incisivo na sua crítica ao hábito de tomar cerveja: ”Descobrireis que nós os gregos somos uma raça máscula, não bebedores de hidromel de cevada”. Também Plínio foi um dos grandes adversários da cerveja, criticando severamente os egípcios, os ibéricos e os gauleses que consumiam cerveja.
A expansão definitiva da cerveja se deu com o Império Romano, que se encarregou de levá-la para todos os cantos onde ainda não era conhecida. Júlio César era um grande admirador da cerveja e, em 49 a.C., depois de cruzar o Rubicon, ele deu uma grande festa a seus comandantes, na qual a principal bebida era a cerveja. A César também é atribuída a introdução de cerveja entre os britânicos, pois quando ele chegou à Britânia, esse povo apenas bebia leite e licor de mel.
Durante o Império Romano a cerveja continuou a ser fabricada, apesar de ter que concorrer no gosto popular com o vinho e outras bebidas, na própria Roma o vinho transformou-se na bebida dos deuses e a cerveja era fabricada somente nas áreas onde o vinho era difícil de obter. A cerveja passou então a ser a bebida das classes menos favorecidas
Para os romanos, que bebiam quase exclusivamente vinho, a cerveja era uma bebida bárbara horrível. Tacitus, um historiador romano, escreveu sobre os Teutões, alemães antigos, e citou "para beber, o teutão bebe uma horrível fermentação de cevada ou trigo, uma bebida que tem uma similaridade muito distante do vinho”. Esse tipo de cerveja não podia ser armazenada, era turva e produzia muito pouca espuma.
Com a ascensão do império romano. a cerveja passou a ser a bebida preferida, ao que parece por todas as classes Seu consumo era tão grande que motivou Diocleciano a estabelecer uma política de preços para pôr ordem no mercado. Essa legislação sobre a cerveja já distinguia as duas principais espécies: a cerveja escura e a clara.
A cerveja sempre foi consumida em países onde o clima e o solo eram inadequados para a produção de vinho de uva.
Os povos do norte da Europa descobriram a técnica da cervejaria não muito antes da era cristã. As primeiras bebidas celtas e teutónicas feitas de uma mistura de milho e mel originaram o "hidromel" de sabor ligeiramente ácido, o que levou ao desenvolvimento de fermentações lácticas.
Entre os chamados povos bárbaros, vickings e germanos, por exemplo, a cerveja de teor alcoólico alto era a bebida favorita e também tinha o sabor do sagrado. Os vickings a fabricavam a bordo de seus temíveis barcos de guerra, com os quais assaltavam e pilhavam as cidades do Norte europeu, entre os séculos VIII e X. Para os vickings, a maior felicidade de um herói era ser admitido no palácio do deus Odin, onde poderia beber à vontade o licor de malte fermentado. Nos festejos em honra a Odin, ninguém podia participar sem antes ter tomado grandes doses de cerveja.
Os germanos produziam e consumiam a cerveja em grandes quantidades desde os seus primórdios. A cerveja era a bebida indispensável nas festas em honra a seus deuses.
Através dos romanos a cerveja também chegou à Gália, hoje a França. E foi aí que a bebida definitivamente ganhou seu nome latino pelo qual conhecemos hoje. Os gauleses denominavam essa bebida de cevada fermentada de Cerevisia ou cervisia em homenagem a Ceres, deusa da agricultura e da fertilidade.
O historiador Catão, o Velho, relata que a cerveja era a bebida nacional dos gauleses que “tomavam continuamente um vinho de cevada, capaz de gerar embriaguez”.
Na Idade Média, os conventos assumiram a fabricação da cerveja que, até então, era uma actividade familiar, como cozer o pão ou fiar o linho. Pouco a pouco, à medida que cresciam os aglomerados populacionais e que se libertavam os servos, entre os séculos VII e IX, começaram a surgir artesãos cervejeiros, trabalhando principalmente para grandes senhores e para abadias e mosteiros.
No século X, conforme documentos encontrados num convento de St. Gallen, Suíça, os frades que produziam a cerveja, recebiam 5 litros diários para o seu consumo pessoal. Os monges fabricavam duas espécies de cerveja: uma forte, de boa qualidade, para os sacerdotes, feita com cevada, e outra, mais fraca e de qualidade inferior, feita com trigo ou aveia, para o convento. A palavra klasterbier (cerveja de convento), muito ouvida ainda hoje em dia na Europa, comprova como nos conventos a produção de cerveja era levada à sério, permitindo o aperfeiçoamento das técnicas de fabricação.
Os conventos mais famosos e mais antigos que iniciaram a produção de cerveja foram os de St. Gallen, na Suíça, e os alemães Weihenstephan, perto de Munique e St. Emmeran em Regensburg.
Neste mesmo século, o Rei Ludwig da Baviera decretou uma lei favorecendo aos conventos a fabricação de cerveja, e estabeleceu cotas para aristocratas de acordo com suas categorias hierárquicas. Os beneditinos de Weihenstephan foram os primeiros a receber, oficialmente, a autorização profissional para fabricação e venda da cerveja, em 1040 d.C. Com isso, esta é a cervejaria mais antiga do mundo em funcionamento e é hoje, principalmente, conhecida como o Centro de Ensino da Tecnologia de Cervejaria da Universidade Técnica de Munique.
O monopólio da fabricação da cerveja até por volta do século XI continuou com os conventos que desempenhavam relevante papel social e cultural, acolhendo os peregrinos de outras regiões. Por isso, todo monastério dispunha de um albergue e de uma cervejaria. Os monges por serem os únicos que reproduziam os manuscritos da época, puderam conservar e aperfeiçoar a técnica de fabricação da cerveja.
Com o aumento do consumo da bebida, os artesãos das cidades começaram também a produzir cerveja, o que levou os poderes de públicos a se preocupar com o hábito de se beber cerveja. As tabernas ou cervejarias eram locais onde se discutiam assuntos importantes e muitos negócios concluíam-se entre um gole e outro de cerveja. Entre os antigos saxões era muito comum só tratarem de assuntos de importância depois de algumas canecas de cerveja.
A partir do séc. XII pequenas fábricas foram surgindo nas cidades europeias e com uma técnica mais aperfeiçoada, os cervejeiros já sabiam que a água tinha um papel determinante na qualidade da cerveja. Assim a escolha da localização da fábrica era feita em função da proximidade de fontes de água muito boa. É por isso que houve maior concentração de cervejarias em Burtonon Trent na Inglaterra, em Munique na Alemanha ou Pilsen na Tchecoslováquia, cidades famosas devido à excelência de suas águas.
Em Paris, em 1258, surge a primeira corporação de cervejeiros, cujo estatuto estabelece que “nenhum cervejeiro pode ou deve fazer cerveja senão com água e grãos, seja cevada, centeio ou trigo”. Isso porque, já por essa época, era costume adicionarem-se ervas, zimbro, gengibre, lavanda, etc. com o objectivo de melhorar o sabor e o aroma da bebida.
A cerveja tal como conhecemos hoje, com o aroma e o sabor caracteristicamente amargo do lúpulo, segundo os saxões, foi obra do lendário rei Gambrinus, da região de Flanders, na Holanda. Os saxões afirmam que esse rei, amante da cerveja, aí pelo século XII, foi quem pela primeira vez colocou o lúpulo na cerveja, dando o troque definitivo à lendária bebida que acompanha a humanidade desde os seus primórdios.
Entretanto, essa história não é aceita por todos. Para os Checos, a adição do lúpulo aconteceu pela primeira vez em seu país, já que esta planta é natural da Checoslováquia. E o sucesso do lúpulo na cerveja foi tão grande que o rei Wenceslau, da Boémia, instituiu a pena de morte para quem contrabandeasse mudas de lúpulo para fora do reino.
Provavelmente a disseminação da cerveja pela Europa se deve ao desenvolvimento das feiras. Este comércio medieval se realizava em dois níveis: entre as aldeias, castelos e burgos voltados para as necessidades locais como cereais, madeira, instrumentos de ferro, etc. E entre o Ocidente e o Oriente, envolvendo artigos de luxo (tecidos finos, especiarias, perfumes, pergaminhos). Duas grandes rotas ligavam toda a Europa.
A rota do norte partindo da Inglaterra, se estendia pelo mar do Norte e Báltico, alcançando a Rússia e a Escandinávia. Seus principais centros eram as cidades de Bruges (Flandres) Londres (Inglaterra) e Lubeck (Alemanha), movimentando cereais lã, sal, vidro, armas, ferro, chumbo, corantes e vinho. A rota mediterrânea que ligava as cidades italianas aos portos do norte da África (de onde chegavam caravanas árabes do interior do continente, trazendo marfim, ouro em pó, peles e plumas) e do Mediterrâneo oriental, Alexandria e Bizâncio (de onde chegavam especiarias e produtos vindos da Índia e da China).
No ano de 1300, Bremen, cidade do mar do Norte, tem a supremacia na produção da cerveja. Entretanto, não demora muito para ser ultrapassada por Hamburgo. Em 1373, essa cidade tinha nada mais nada menos do que 457 fabricantes de cerveja.
Tem-se notícia de que ricos comerciantes holandeses importavam uma cerveja de luxo, com alto teor alcoólico, de Leipzig, na Alemanha. Mas é uma bebida da ralé. Há relatos de que camponeses da Polónia e da Alemanha tomavam, em média, três litros da bebida por dia.
Na Antiguidade usava-se para a elaboração da cerveja uma variedade imensa de ingredientes para aromatizar o produto, como folhas de pinheiro, cerejas silvestres e variadas ervas. Para regularizar o processo de fabricação da cerveja, o Duque Guilherme IV da Baviera, decretou em 1516, a Lei da Pureza. Essa lei, a mais antiga e conhecida do mundo, determina que os ingredientes que podem ser usados na fabricação de cerveja são: cevada, lúpulo e água. A levedura de cerveja ainda não era conhecida e, somente mais tarde foi incluída na lei.
Alojada fora dos domínios da vinha (norte da Itália e na parte sul da França), a cerveja é comum na vasta zona dos países do Norte. O reino da cerveja, porém, não tem fronteiras rígidas. A cidade espanhola de Sevilha inaugura sua primeira fabrica de cerveja em 1542.
Uma curiosidade é que a cerveja já era conhecida na América antes de Colombo, que teria ganhado dos índios cerveja de milho. Entretanto, foram os ingleses, em 1548, que introduziram a verdadeira cerveja na América.
Vários tipos de cerveja foram sendo criados, conforme resultasse apenas da fermentação da cevada ou se lhe juntasse outros cereais, conforme as substancias aromáticas adicionadas ou conforme o tempo de fermentação. Tão importante passou a ser a arte dessa fabricação que em 1573 H. Knanst publicou uma obra em cinco volumes com o pomposo título: “Sobre o nobre e divino dom, a filosófica, a altamente estimada e maravilhosa arte de preparar cerveja”.
Somente no início do século XVIII foi, entretanto, que se introduziu o uso do termómetro na fabricação dessa bebida afim de regular com segurança a temperatura de fermentação. Antes disso, os fabricantes de cerveja consideravam o termómetro um simples brinquedo científico.
Com a introdução do motor à vapor, de James Watt, em 1765, a industrialização e a racionalização começaram a invadir as cervejarias, as primeiras cervejarias a utilizar este processo passaram a se chamar fábricas de cerveja à vapor.
Quase no fim desse século foi que se começou a dosar com processos científicos a quantidade de sacarina ou de substância fermentável em cada fabricação, de modo a juntar mais fermento ou mais substância fermentável, a fim de obter uma bebida de força e gosto uniforme.
Não se pense, porém, que essas pequenas introduções vagamente científicas nos métodos de fabricação da cerveja tivessem conseguido modificar grandemente a técnica geral, que manteve ainda por muito tempo dentro da tradição do empirismo que reinara durante séculos. Hoje os técnicos, que conhecem as operações delicadas de uma fabricação moderna dessa bebida, admiram-se da capacidade de observação dos primitivos que chegavam a preparar uma bebida potável e agradável, segundo o testemunho de todos os escritores da época, com um líquido tão rápida e profundamente alterável. A ciência começa, no entanto, a desvendar os segredos íntimos das causas.
Os trabalhos de Lavoisier trazem à luz o estudo da fermentação alcoólica e de todos os líquidos nos quais ela se passa. No começo do século XIX, Payen isola a diástase, fermento solúvel, hoje chamado amilase, que gozaria da propriedade de liquefazer e transformar em açúcar o amido da cevada germinada. Em 1847 Dubrunfaut estudando o mosto da cerveja descobre um açúcar novo, a maltose, resultante da sacarificação do amido, açúcar esse que o levedo desdobra em álcool e ácido carbónico.
Apesar de todas essas descobertas que haviam de influir grandemente sobre a fabricação da cerveja, esta era sujeita a imprevistos os mais desagradáveis. De tempos em tempos as grandes fábricas de cerveja, as maiores se encontravam na Inglaterra e na Alemanha, eram obrigadas a renovar o seu levedo, porque o produto se alterava muito rapidamente. O único autor consultado era ainda o célebre Payen, que descobrira a diastase. Poucas páginas sobre a cerveja havia em seu tratado intitulado: “Das substâncias alimentícias e meios de melhora-las, conserva-las e reconhecer-lhes as alterações.” Sobre estas Payen dizia que, sobretudo no verão, as cervejas se modificavam “... tornando-se ácidas, ou mesmo sensivelmente pútridas e deixando de ser potáveis...” mas o único conselho que dava era aquele que o empirismo já por si descobrira: mudar frequentemente de levedo.
Tal era ainda a precária situação em 1871, quando Pasteur, que já fizera seus admiráveis estudos sobre as fermentações, entendeu de estudar um meio que desse à indústria francesa da fabricação de cerveja uma superioridade sobre a indústria alemã. Essas alterações ditas “espontâneas” da cerveja causavam frequentes prejuízos aos industriais. Os trabalhos de Pauster sobre as chamadas “gerações espontâneas” lhe tinham aberto caminho para destruir toda a teoria de espontaneidade dos fenómenos biológicos. Sob a orientação dessas pesquisas anteriores, desde logo se afigurou ao grande Pasteur que essa alteração da cerveja devia ser o resultado da acção de germens do ar, da água ou dos aparelhos utilizados na fabricação. Ele já sabia como destruir esses germens. Era, pois, necessário provar que sempre que a cerveja não contivesse esses germens, ela se manteria inalterável.
Para estudar o assunto experimentalmente Pasteur se transportou para uma cervejaria francesa entre Clemont e Royat, num lugar denominado Chamalières (Cervejaria H. Kuhn). Ao cabo de pouco tempo, aplicando a essa fabricação seus métodos de esterilização do material, conseguia produzir uma cerveja de que enviava a seu mestre J. B. Dumas uma dúzia de garrafas, pedindo-lhe que a provasse e lhe comparasse o gosto com a de qualquer botequim de Paris, denominando-a “minha cerveja”.
Mas como a fábrica de Chamalières parecesse pequena para as experiências em grande escala que tinha em vista, transportou-se para Londres, sem perder tempo, foi a uma grande fábrica e pediu para examinar a cerveja ainda em uma de suas primeiras fases de preparo. Levou o levedo ao microscópio e nele encontrando elementos que ele já previa serem germens de associação, declarou aos fabricantes atónitos: “Este levedo deve deixar muito a desejar!” E acrescentou: “O defeito desta fabricação deve se trair por mau gosto na cerveja certamente já notado por alguns de seus fregueses!” Os chefes do laboratório entreolharam-se surpresos e tiveram de confessar que, de facto, diante de algumas reclamações já tinham mandado buscar um novo levedo. Logo que chegou o novo levedo, Pasteur o examinou ao microscópio e o declarou muito mais puro, mas prosseguindo nas suas pesquisas condenou muitos outros ainda em uso. Em pouco tempo Pasteur podia concluir: “Toda alteração sobre a qualidade da cerveja coincide com o desenvolvimento de organismos microscópicos estranhos à natureza do levedo de cerveja propriamente dito.” Com sua tendência a divulgar o que lhe parecia a verdade, não se contentou em fazer essa afirmação. Mostrando aos técnicos da fabricação o que via ao campo do microscópio – aqui, em uma amostra de cerveja três a quatro filamentos, ali, em uma outra, apenas dois a um, ele lhes ensinava que eram esses filamentos os germens causadores das alterações da cerveja.
Uma semana depois, voltando a visitar essa fábrica de cerveja, verificou que os directores tinham adquirido um microscópio e que, tendo aprendido a reconhecer os germens de associação, resolviam inutilizar a cerveja e mudar de fermento sempre que encontravam aqueles micro-organismos que Pasteur assinalara como os causadores da alteração da bebida.
Para seu génio, porém, não bastava apontar o mal. Era preciso saber evita-lo. Voltando para seu laboratório em Paris, entregou-se como era de seu feitio, ao estudo meticuloso dos germens que alteravam a cerveja. Prosseguindo em suas tentativas de encontrar o meio de evitar o mal cuja causa descobrira, transportou-se para perto de Nancy, donde provinham as melhores cervejas francesas, visitando, em Tantonville, a já famosa fábrica dos Irmãos Tourtel. Depois de longa e pacientemente comprovar as suas afirmações iniciais sobre as causas da alteração da bebida, Pasteur que já tinha obtido preservar os vinhos de qualquer alteração pelo aquecimento a baixa temperatura (50 a 55º), adaptou o mesmo processo às cervejas depois de engarrafadas e um neologismo foi criado “Pasteurização”.
Três grandes princípios científicos resultaram de seus estudos:
-Toda alteração seja do mosto que serve para produzir a cerveja, seja da própria cerveja, depende do desenvolvimento de organismos microscópicos que são os agentes do mal.
Estes germens são trazidos pelo ar, pela matéria prima e pelos aparelhos usados na fabricação.
-Desde que a cerveja não contenha esses germens vivos, causa do mal, ela é inalterável.
Aberto por ele o caminho das pesquisas microscópicas, ampliou-se rapidamente de modo notável todo o campo de conhecimentos na matéria. Dentro de pouco tempo não somente se conheciam os germens de contaminação de uma boa fabricação de cerveja, como se aperfeiçoavam os métodos de cultura do levedo puro, empregado nessa operação. Enquanto que para Pasteur considerava-se puro o levedo isento de bactérias e cogumelos, Emil Christian Hansen demonstrava que o próprio levedo é susceptível de variações e que dele há vários tipos, uns de fermentação alta, outros de fermentação baixa, uns fermentam energicamente outros lentamente, uns dão um produto claro, outros dão um produto turvo. Pois se cada levedo possui suas qualidades específicas , tanto do ponto de vista físico (clarificação, formação de flocos), como do ponto de vista químico (grau de fermentação, gosto, cheiro), só se pode estar certo de obter o mesmo produto quando se trabalhe com o mesmo levedo. Hansen conseguiu isolar e reproduzir um fermento mais puro em meio de cultura artificial e formulou, então, as regras de cultura de cada espécie de levedo e para resumir as vantagens do emprego de levedos de cultura, assim se exprimiu:
“Com esse processo (levedo de cultura) pode-se assegurar um resultado certo e um trabalho racional, onde outrora reinava mais ou menos o incerto. Podem ser evitadas muitas doenças da cerveja, que produzem sempre grandes perdas de dinheiro. Obtém-se um levedo que pode ser vendido a outras fábricas de cerveja com grandes lucros, e, enfim, com a cultura pura de levedo eleva-se toda a industria a um nível mais alto e seguro, que toda pessoa inteligente deve visar no interesse geral.”
Outro nome que está ligado ao desenvolvimento da fabricação da cerveja é o de Carl Von Linde que desenvolveu, através da compressão, a Teoria da Geração de Frio Artificial com sua máquina frigorífica a base de amónia, o primeiro equipamento foi testado em uma cervejaria de Munich. Para a fabricação da cerveja de baixa fermentação é necessária uma temperatura entre 4 e 10 graus centígrados, tais temperaturas só aconteciam no inverno ou em adegas profundas com o uso de grandes blocos de gelo. Com a invenção de Linde, a produção de cerveja pôde, desde então, ser feita em qualquer época do ano, sendo possível controlar os processos de fermentação de forma científica exacta pelo entendimento da actividade dos microorganismos e reconhecimento de que diversas leveduras, por exemplo, actuam diferentemente e de que as condições do meio afectam de maneira básica a acção de uma mesma cepa.
Com a evolução da técnica industrial, as cervejarias passaram da fase empírica para a científica. O "Mestre Cervejeiro" conta com todos os recursos técnicos e sanitários para a elaboração de um produto tecnicamente perfeito. Um cervejeiro moderno deve ser um engenheiro, químico ou bacteriologista.

Carlos Alberto Tavares Coutinho(in: net)

terça-feira, dezembro 22, 2009

O mistério de Shakespeare: por onde andou entre 1585 e 1592?


O maior dramaturgo da época isabelina, o inglês William Shakespeare (1564-1616), pode ter sido um cripto-católico que passou vários anos em Itália, pelo que se pode deduzir da leitura de várias inscrições de um livro de peregrinos. Pelo menos é o que afirma o padre Andrew Heaton, vice-reitor do Venerable English College, durante um seminário romano para sacerdotes católicos ingleses.
O livro a que se refere está assinado em 1585 por um certo Arthurus Stradfordus Wigomniensis. Também há referência a Gulielmus Clerkue Strafordiensis, que deixou a sua marca no livro em 1589, informa o “The Independent”. Ambos os nomes pertenciam, na realidade, a William Shakespeare.
Segundo o vice-reitor, o primeiro nome pode decifrar-se como “(O compatriota) do (rei) Artur de Startford (na diocese) de Worcester”.
Mas existe ainda uma terceira menção, de 1587, noutro livro de peregrinos: Shfordus Cestriensis. Segundo Heaton pode querer dizer “Sh(akespeare de Strat)Ford (na diocese de) Chester”.
Estas referências coincidem com os anos em que o paradeiro de William Shakespeare continua a ser um mistério.
O autor de “Hamlet” abandonou a sua Stratford natal em 1585 e reapareceu em Londres em 1592, onde começou a sua carreira como dramaturgo. Até ao momento, não havia nenhuma pista sobre a residência do autor. O vice-reitor Heaton acredita que "o mais provável é que Shakespeare tenha visitado Roma nessa altura como católico clandestino":
in: jornal  i online

sábado, dezembro 19, 2009

Vitorino Nemésio


Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva, filho de Vitorino Gomes da Silva e Maria da Glória Mendes Pinheiro, nasceu na Praia da Vitória, ilha Terceira, em 19 de Dezembro de 1901.
A sua vida não lhe correu bem em termos de sucesso escolar, pois passou por vários problemas estudantis, tal como a expulsão do Liceu de Angra, a reprovação do 5º ano que o levou a sentir-se incompreendido pelos professores. Do período do Liceu de Angra, Nemésio apenas guardou boas recordações de Manuel António Ferreira Deusdado, professor de história, que o introduziu na vida das letras.
Com 16 anos de idade, Vitorino Nemésio, desembarcou pela primeira vez na cidade da Horta para se apresentar a exames, como aluno externo do Liceu Nacional da Horta. Nemésio acabou por concluir o Curso Geral dos Liceus, no dia 16 de Julho de 1918 com a qualificação de “dez valores”. A sua estadia na cidade da Horta foi desde Maio a Agosto de 1918. A 13 de Agosto o jornal “O Telégrafo” dava notícia de que Nemésio, apesar de ser um “fedelho”, um ano antes de chegar à Horta, havia enviado um exemplar de “Canto Matinal”, seu primeiro livro de poesia (publicado em 1916), ao director de “O Telégrafo”, Manuel Emídio.
Apesar de tenra idade, Nemésio chega à Horta já imbuído de alguns ideais republicanos, pois em Angra do Heroísmo já havia participado em reuniões literárias, republicanas e anarco-sindicalistas, tendo sido influenciado pelo seu amigo Jaime Brasil, cinco anos mais velho (primeiro mentor intelectual que o marcou para sempre) e por outras pessoas tal como Luís da Silva Ribeiro, advogado, e Gervásio Lima, escritor e bibliotecário.
Em 1918, em pleno final da I Guerra Mundial, a Horta possuía um comércio marítimo intenso e uma impressionante animação nocturna, a cidade era um porto de escala obrigatória, local de reabastecimento de frotas e de repouso da marinhagem. Na Horta estavam instaladas as companhias dos Cabos Telegráficos Submarinos, que convertiam a cidade num “nó de comunicações” mundiais, ou seja, a Horta possuía um ambiente cosmopolita, que contribuiu, decisivamente, para que ele viesse, mais tarde a escrever uma obra mítica que dá pelo nome de Mau Tempo no Canal, trabalhada desde 1939 e publicada em 1944, cuja acção decorre nas ilhas Faial, Pico, S. Jorge e Terceira, sendo que o núcleo da intriga se desenvolve na Horta. Este romance evoca um período (1917-1919) que coincide em parte com a sua permanência na ilha do Faial e nele aparecem pessoas tais como: o Dr. José Machado de Serpa, senador da República e estudioso; o Pe. Nunes da Rosa, contista e professor do Liceu da Horta; Osório Goulart, poeta.
Em 1919, inicia o serviço militar, como voluntário, em infantaria, o que lhe proporcionou a primeira viagem ao continente. Concluiu o liceu em Coimbra (1921) e inscreve-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Mais tarde, Nemésio troca o curso em que se tinha matriculado, pelo de Filologia Românica, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Na sua primeira viagem que faz a Espanha com Orfeão Académico, em 1923, conhecerá Miguel Unamuno (escritor e filósofo espanhol (1864-1936), intelectual republicano, foi o teórico do humanismo revolucionário antifranquista) com quem trocará correspondência anos mais tarde.
A 12 de Fevereiro de 1926, casa em Coimbra com Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes, de quem teve quatro filhos: Georgina (Novembro de 1926), Jorge (Abril de 1929), Manuel (Julho de 1930) e Ana Paula (final de 1931).
Foi em 1930 que Vitorino Nemésio se transfere para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde, no ano seguinte, conclui o curso de Filologia Românica, com elevadas classificações, começando desde logo a leccionar literatura italiana. É a partir de 1931 que Vitorino Nemésio dá inicio à carreira académica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde tal como atrás se afirmou, leccionará literatura italiana e mais tarde literatura espanhola.
Em 1934 doutorou-se em Letras pela Universidade de Lisboa com a tese “A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio”.
Entre 1937 e 1939 lecciona na Universidade Livre de Bruxelas e regressando novamente ao ensino na Faculdade de Letras de Lisboa. Em 1958 iremos encontrá-lo a leccionar no Brasil. A 12 de Setembro de 1971 profere a sua última lição na Faculdade de Letras de Lisboa, onde ensinara quase 40 anos.
Foi autor e apresentador do programa televisivo “Se bem me lembro”, que muito contribuiu para popularizar a sua figura e dirigiu ainda o jornal “O Dia” entre 11 de Dezembro de 1975 a 25 de Outubro de 1976.
Vitorino Nemésio foi um dos grandes escritores portugueses do séc. XX, tendo recebido em 1965, o Prémio Nacional da Literatura e, em 1974, o Prémio Montaigne.
Faleceu a 20 de Fevereiro de 1978, em Lisboa, no Hospital da CUF, tendo sido sepultado em Coimbra. Pouco antes de morrer, Nemésio pediu ao filho para ser sepultado no cemitério de Santo António dos Olivais em Coimbra. Mas pediu mais: que os sinos tocassem o Aleluia em vez do dobre a finados. O seu pedido foi respeitado.

in: www.acores.com

sábado, dezembro 12, 2009

aqueduto das Águas Livres - Lisboa

aguas-livres-2-lisboa.jpgAqueduto das Águas Livres.JPG
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O Aqueduto das Águas Livres ergue-se sobre o vale de Alcântara, na cidade de Lisboa, em Portugal.
Considerado como um dos locais mais bonitos de Lisboa na actualidade, a construção de um aqueduto para levar água à cidade deu, a D. João V (1706-1750), a oportunidade para satisfazer a sua paixão pelas construções grandiosas, uma vez que a única área de Lisboa que tinha água era o bairro da Alfama.
O projecto foi custeado com a receita de uma taxa sobre a carne, o vinho, o azeite e outros produtos alimentares. Apesar de só ter sido concluído no século XIX, em 1748 já atendia a função de fornecer água à cidade.
Na primeira fase da sua construção, até à chegada a Lisboa em 1748, contou com a participação de arquitectos e engenheiros militares famosos, nomeadamente António Canevari (italiano), Manoel de Azevedo Fortes, Silva Pais, Manuel da Maia, Custódio Vieira (autor da arcaria sobre o vale de Alcântara) e Carlos Mardel (húngaro). Manuel da Maia e Carlos Mardel haveriam de ter, após o grande terramoto de 1755, um papel crucial na reconstrução da Baixa Pombalina.
O caminho público por cima do aqueduto, esteve fechado desde 1853, em parte devido aos crimesDiogo Alves, um criminoso que lançava as suas vítimas do alto dos arcos e que foi o último decapitado da História de Portugal. Actualmente é possível fazer um passeio guiado por cima dos mesmos. Também é possível, ocasionalmente, visitar o reservatório da Mãe d’Água. praticados por

Características

A sua conduta principal apresenta a extensão de 19 quilómetros, embora o comprimento total, incluindo os canais secundários, seja de 58 quilómetros. A sua parte mais conhecida são os 35 arcos sobre o vale, o mais alto dos quais mede 65 metros de altura.
Na extremidade do aqueduto, a Mãe d’Água das Amoreiras é uma espécie de castelo que outrora serviu como reservatório. O desenho original, de 1745, foi do arquitecto Carlos Mardel. Completado em 1834, tornou-se num popular local de encontro para os monarcas e as suas amantes. Actualmente esse espaço, requalificado como Museu da Água, é utilizado para exposições de arte, desfiles de moda e outros eventos.
(Fonte:www.wikipedia.org)
Publicado em Aquedutos, Imagens, Lisboa, Monumentos, Património, Portugal