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domingo, novembro 01, 2009

indecisão


A indecisão, desde que se torne uma atitude frequente na vida ou uma característica de personalidade é, só e apenas, uma atitude de fracasso.
Há pessoas indecisas por ponderação - não me refiro a estas.
Há as que são inibidas, lentas no raciocínio e acção, potenciais filhas da angústia.
Daí que seja tão fácil a manipulação social, política ou religiosa de massas, quando estas deixam que outros decidam e pensem.
Onde grassa o medo da indecisão, grassa a comodidade do "carneirismo"

Maria Teresa Góis

sexta-feira, outubro 23, 2009

do "ser" ao "parecer" e vice-versa

Todos queremos "estar bem", "parecer bem", "viver bem".
O padrão de escolha humano, nos tempos de hoje, maravilha-se ante o indivíduo "normal": magro, alegre, bem parecido, bem sucedido, o que convive socialmente e parece estar bem de vida e com a vida. Quem não EXIBIR estes padrões corre o risco de ser posto de lado, o que em mentes mais tacanhas ou menos preparadas, pode gerar sentimentos de derrota, falta de auto-estima, depressões.
Quem pode outorgar essa definição, dita de "normal", sobre a vida dos outros? Ninguém!
É bem melhor que cada um aprenda a se aceitar tal como é, seja gordo ou magro, cabeludo ou careca, feio ou bonito, mas que seja autêntico, prestável, útil, vivendo de uma forma íntegra, simples e sincera.
Esta  é a verdadeira diferença!
Maria Teresa Góis, 22.10.2009

segunda-feira, outubro 19, 2009

1º ANIVERSÁRIO DO tukakubana.blog

Amigos,
Quando me atazanaram a cabeça que fizesse um blog pensei que o alimentaria, só e apenas, com os meus próprios escritos. Impossível; não passamos pelo Mundo de cabeça no ar e é compartilhando ideias, cultura, pensamentos, poesia, humor, fotografias e opiniões que nos socializamos, que nos enriquecemos e que crescemos, também.
A todos vocês que por aqui andarilham, o meu obrigada.
Aos meus visitantes do Brasil "aquele abraço", pois são fiéis, diários, assíduos q. b. Pena que não ponham nos "seguidores" a sua foto para que os possa conhecer...

Deixem as vossas sugestões.
Ajudem-me a fazer melhor.

A todos, conhecidos e desconhecidos,mas todos amigos,só posso dizer, OBRIGADA.
tukakubana

POR IMPOSSIBILIDADE DE ENVIO DE COMENTÁRIO, JOSÉ LUIS RODRIGUES ESCREVEU:Parabéns.Porque um aninho faz sempre bem comemorar. O seu blog é uma frescura no horizonte sombrio e tão sem graça que nos rodeia. Bem haja e muita força para continuar. Conte comigo.

quinta-feira, outubro 15, 2009

negação


Raiada a madrugada,
O anúncio de uma chuva estéril

E um vento que não arranca sinfonias.

Surpresa, a passarada não voa

E os galos permanecem afónicos.

Há o miado pungente nos gatos

E o ganido uivante dos cães.
As nuvens não quiseram que o sol as aquecesse

E o mar desviou-se dos rochedos.
No ventre da Mãe, hoje sem sorriso,
A criança ignorou a vida.

Na rua, cruzada,

O Homem ignorou a realidade

Porque hoje,

Logo hoje,
Não há solidariedade.

autor: Maria Teresa Góis, 

Porto Moniz

quarta-feira, outubro 14, 2009

Não será fascinante…



Não será fascinante pararmos e imaginar, um pouco, como seria a vida dos nossos antepassados?
Como olhariam eles o firmamento, que pensariam das estrelas cintilantes, do fogo, das trovoadas? Sentiriam medo, adoração, misticismo?

Medo quando sonoras trovoadas troavam, incendiadas de raios e incendiando a Natureza, medo do precário abrigo não ser suficiente, do susto dos animais, medo do que ficaria para além do momento.
Contudo, conhecem-se hoje os primórdios das mitologias e sabemos da diversidade de adoração então existente. Adoração, submissão, curiosidade…

Mas a evolução fazia-se através das mãos primitivas, ignorantes de capacidades, contrariando o mistério para além do mistério.
Penso que assim terá nascido a Ciência.



Maria Teresa Santos Tavares Góis
Porto Moniz, 13 Outubro 2009

quarta-feira, outubro 07, 2009

a imagem peregrina de MARIA

“A oração é algo natural do homem, como falar ou suspirar, ou olhar, ou como latejar do coração enamorado. Na realidade é também uma queixa. A nossa oração não é mais do que estabelecer contacto com Deus. É uma comunicação com Deus e não necessita ser com palavras e nem mesmo com a mente.Podemos comunicar com o olhar, com o sorriso, os suspiros, contemplar o céu, ou beber a água.
De facto todos os nossos actos corporais são Oração. O nosso corpo formula uma profunda acção de graças em suas entranhas, quando sedento, recebe um copo de água. Quando, num dia de calor, mergulhamos num rio fresco, toda nossa pele canta o hino de acção de graças ao Criador, ainda que esta seja uma oração irracional, que se faz sem nosso consentimento e às vezes mesmo, apesar de nós. O trabalho é uma oração existencial. Deus envolve-nos por todos os lados como a atmosfera.
A razão pela qual a não costumamos experimentar a presença de Deus é por estarmos acostumados a que toda experiência nos venha de fora, e essa experiência é de dentro. Estamos voltados para o exterior, pendentes da sensação de fora e então, passam-nos inadvertidos os toques e as vozes de dentro”. (Thomas Merton)

NOTA DA REDACÇÃO -

VEM ESTE TEXTO A PROPÓSITO DA VINDA DA IMAGEM PEREGRINA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA À ILHA DA MADEIRA A 12 DE OUTUBRO. CONSTITUEM-SE COMISSÕES, FAZEM-SE REUNIÕES A TODOS OS NÍVEIS, ELABORAM-SE CALENDÁRIOS. AS IGREJAS VÃO ABARROTAR DE GENTE FERVOROSA, SE CALHAR VÃO-SE VENDER UMAS CENTENAS DE TERÇOS E MILHARES DE IMAGENS E PAGELAS, ENFIM, O COSTUME. O COMÉRCIO RELIGIOSO QUE, COMO UMA LAPA, SE COLA A TODAS AS MANIFESTAÇÕES RELIGIOSAS, EXPLORANDO O LADO MAIS FRACO DOS FIÉIS QUE SENTEM A SUA FÉ ASSIM AUMENTADA. MAS ANTES, ANTES DAS AGLOMERAÇÕES PENITENCIAIS, QUE PREPARAÇÃO SE FEZ, QUE ENRIQUECIMENTO RELIGIOSO E DE ÂMBITO PESSOAL SE COMUNICOU, QUE ESSÊNCIA SE TRANSMITIU DA FIGURA ÍMPAR DE MARIA? OU QUERERÁ A IGREJA CONTINUAR A SER UMA IGREJA DE MASSAS, DE TERÇOS PAPAGUEADOS DE OLHOS FECHADOS, DE IMAGENS QUE NÃO PASSAM DE ISSO MESMO, IMAGENS, E DE UMA DIMENSÃO ESPIRITUAL RESTRITA, SEM DÚVIDAS, SEM BUSCAS, SEM A CAMINHADA INSEGURA QUE É A DO CAMINHO DA FÉ, EM QUE O VERBO "PEDIR" TEM PRIMAZIA SOBRE O VERBO "ACEITAR", EM QUE A CURA NÃO IDENTIFICA A DOENÇA...

AO TRANSCREVER O TEXTO DE THOMAS MERTON, UM MESTRE NA PARTILHA DO SENTIDO DA ORAÇÃO E DO SILÊNCIO, NÃO PRETENDI SENÃO O APOIO A ESTE DESABAFO OPINATIVO.

Maria Teresa Góis, 01 Outubro 2009


domingo, outubro 04, 2009

04 Outubro, dia de S. Francisco Assis

Não me vou debruçar sobre a história da vida de São Francisco.
Não vou, também, lembrar a oração sobejamente papagueada e muito pouco introspectiva na sua essência, vendida em pagelas e muito pouco posta em prática e que começa com a invocação:"Senhor, fazei-me instrumento da Vossa Paz..."
Do homem que viveu na renúncia, na Pobreza feliz, depois de ter conhecido a abundância pelo seu nascimento, quero retirar e apenas, o exemplo da simplicidade, do homem ecológico quando ainda se não falava em ambiente ou biosfera.
O Amor à Natureza deu-lhe a Sabedoria dela tirar pleno proveito e sustento, sem danificar, sem prejudicar terceiros.
Precisamos de HOMENS FRANCISCANOS na política e no quotidiano que implementem o respeito à natureza e a sua protecção.
Ao escrever estas linhas vem-me à ideia que todos os nascidos neste dia que com a minha vida cruzaram caminhos, eram, os que já partiram e são, os que por cá felizmente ainda andam, pessoas muito humanas, amigas do natural, da transparência e da simplicidade, da Natureza.
Especial abraço, neste dia, aos meus cunhados gémeos, Jorge e Francisco, por partilharem deste espírito e o tentarem incutir por onde passam. Têm, sem dúvida, costela Franciscana...
Porto Moniz, 04 Outubro 2009

quinta-feira, outubro 01, 2009

dia internacional do Idoso


Envelhecer com dignidade e qualidade de vida é o objectivo natural de qualquer pessoa.
O estatuto do idoso confere-lhe o direito à saúde física e mental, ao seu contínuo aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.
O Estado, a Família e até a Sociedade, têm o dever de amparar o idoso, protegendo-o de qualquer atentado aos seus direitos, seja por acção ou por omissão.
São também os idosos, além das grávidas e deficientes, os que devem ter estatuto prioritário no atendimento urgente e transportes, por exemplo.
Qualquer pessoa testemunha da violação destes direitos, deveria sentir a obrigação moral de os denunciar.
Contudo, e por mais celebrações que se façam, continuamos a ser bombardeados com notícias de violência, de abandono hospitalar, de desprezo. Há imensos idosos abandonados, dependentes de terceiros chegam a esperar um dia ou mais por uma higiene atempada ou uma chávena de leite quente.
Todos nascemos, crescemos e a lógica da vida é envelhecermos.
Saibamos na juventude e na maioridade dignificar a Vida e os que cruzam os nossos caminhos, para que a vida nos ampare na sementeira que havemos de colher na velhice.

MARIA TERESA S TAVARES GÓIS, 02 OUTº 09

quarta-feira, setembro 30, 2009

Lágrimas


Esparsas,
Finas gotas

Caem no horizonte.
Vencidas,
As súplicas
Jazem adormecidas.
Esparsas
Finas lágrimas,
Rolam-te incontidas.
Vencidas,
Não retidas,
Regam-te a vida.

autor: MARIA TERESA GÓIS

política de trazer por casa

Ouço as pessoas dizerem "odeio política", "já não posso ouvir falar de política", como se a política se pudesse descartar do nosso dia a dia.
Todos, queiramos ou não, somos políticos - todas as nossas pequenas decisões têm um cunho político ou um cunho espiritual.
O dia de reflexão que antecede o acto eleitoral deveria ser feito todos os dias, no que sofremos e gozamos na pele, no que entendemos e vivemos, no que projectamos, num olhar crítico e actual.
Fernando Pessoa disse:"Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura". Já Brecht descrevia o analfabeto político (já publicado neste blog) entre outras coisas como o que"...é tão burro que se orgulha e enche o peito, dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, corrupto e subserviente das empresas nacionais e multinacionais...".
Usemos pois, em liberdade, o nosso direito de cidadania em pleno.
autor: MARIA TERESA GÓIS

Comentário de José Luís Rodrigues, por impossibilidade de publicação directa
Que pena ouvir-se tanto desabafo negativo sobre a política... Mas, bem haja o sistema político que nós temos, permite tais debafos, ainda bem e só por isso devemos valorizá-lo. Gosto muito da frase do churchill, «a Democracia foi o pior sistema político que se inventou, mas nunca ninguém conseguiu inventar um melhor do que este». Vamos todos participar na política nem que seja com o simples gesto de ir votar. Está nas mãos de todos contribuir para que as coisas melhorem...


José Luís, P.

quinta-feira, setembro 24, 2009

o homem civilizado, hoje, e o poder


O Homem moderno civilizado criou o Estado de Direito mas não conseguiu impedir a criação do Estado de Injustiça.
Criou o conceito do Estado Natureza mas não conseguiu, com ele, formar uma aliança.
A poluição, química e biológica, ameaçou o equilíbrio do estado de Direito e do estado Natureza.
O homem moderno, dito civilizado, descobre, inventa, desequilibra e destrói.
O homem deveria ser um ser integrado, respeitador, muitas vezes dependente da Natureza, perdeu a sábia visão dela tirar proveito e, provocando alterações, devasta os possíveis elos, desfragmentando a ligação do homem ao ambiente.
A política, seja de esquerda seja de direita, totalitária ou democrática, luta "ad infinitum" pelo poder, pelo domínio.
Com as alterações ambientais, climáticas que, já hoje, experimentamos, não é fácil prever que serão vencidas por um inimigo que desprezaram: a Natureza, explorada e desequilibrada.

AUTOR - MARIA TERESA S T GÓIS, 18.09.09

sábado, agosto 15, 2009

Arraial


Era Agosto, hora da canícula. Dois planos marcavam a luminosidade da tarde - o cinzento do alcatrão e o azul do céu. Tudo o mais era, ali, calor e zumbido infernal de insectos. Subimos em direcção ao Arraial. Cordões de flores de plástico ladeavam a estrada presas em varas pintadas de branco e enfeitadas de ramos de loureiro. Ouvia-se, longe, o responder do povo vestido de festa e apinhado na Igreja engalanada.

Doía a passividade quente, o fervor e a indiferença de algum espectador demasiado bêbado para sentir qualquer coisa.

Vista do adro a paisagem gentil e consoladora mergulhava no mar de prata.

Finalmente estala o fogo no ar ! A vozearia, os olhares femininos acesos de bisbilhotices e aquela mole colorida vertendo pelos espaços, indicavam o final da cerimónia.

Ataca a banda, a vinhaça nas barracas e aviva-se o braseiro das espetadas. Desapertam-se nós de gravatas, mulheres correm a casa no passo apressado que deixa ver calcanhares e os miúdos fazem rali na multidão que, a custo, dispersa.

Quando o tom solar for mais ameno voltar-se-ão a juntar para ouvir o conjunto e, quem sabe, dançar.

O palco está pronto; crianças improvisam saltos e momices próprias de canalha. Sob o tabuado, um vulto encolhido nada vê, nada ouve. Descansa.

É o "Primo", figura conhecida e sempre o primeiro a chegar com os enfeites, a provar o vinho. A sua felicidade é dançar, falar só, "Primo" de todo o mundo, inofensivo no falar, ofensivo no álcool, apagado na vida. Aproveitam-lhe a pensão de invalidez os amigos. O mais ele percorria a pé, como a pé eram todos os seus passos.

Regressa o povo vestido de à-vontade, petiscado, pronto para a tarde, pronto para a noite até que dê...

No palco afinam-se instrumentos e abre-se o sentido das crianças, esbugalhadas. Um ou outro olha o vulto imóvel e comenta – que bebedeira ! As colunas de som debitam foleiradas da rádio e o povo aproveita, ávido, a quentura da tarde, o fogo de estalo, os cheiros no ar enfim, a sua última festa de verão.
Só aquele vulto jaz, não reage, não participa. A Padroeira tinha-o chamado...

Maria Teresa Góis (sobre facto verídico passado Ribª da Janela, Porto Moniz)

quarta-feira, agosto 12, 2009

Conheço…


Conheço quem viva na solidão e no silêncio. Quem exista em vez de viver, quem sobreviva

Mais que as carências alimentares que, no social em que vive ainda não se sentem muito, doem as carências afectivas.

Silêncio não é solidão quando o escolhemos para nos encontrarmos, para organizarmos o nosso eu, seja qual for a intensidade. A solidão leva ao ruído, à falta do ruído da PRESENÇA, da fala, do afago. Leva, tantas vezes, ao ruído do choro. Noutros casos, ao ruído da revolta.

Há demasiadas pessoas em solidão. Faltam pessoas em silêncio.

Maria Teresa Góis, 07.08.2009

domingo, agosto 09, 2009

A força da mudança


Mesmo que não queiramos, tudo muda, tudo se transforma, deixa de ser o que é para passar a ser outra coisa qualquer. Ontem, hoje, no amanhã se ele existir, há sempre um tempo de mudança.
Mudam-se os tempos e com eles as mentalidades. para que a excepção cumpra a regra, sempre fica algum "velho do Restelo" a acenar na praia eterna.
Há quem faça mudanças radicais - a casa, o carro, o marido, o emprego, os amigos, a religião; encontra-se sempre um porquê ou uma culpa para mudar.
O tempo muda, as paisagens transformam-se mudando o dia a dia para a evolução ou para a degradação.
Mudam-se as certezas, as vontades, o que hoje é verdade muda para a mentira, amanhã.
O que dantes mudava em décadas, hoje muda no todos os dias!
Muda-se ao envelhecer e já não há pessoas sempre iguais a si próprias; a sociedade obriga-nos a mudar.
Eu mudo, tu mudas, ele muda...
Até o silêncio que se ouve, antes pequeno, muda em silêncio cada vez maior !

Maria Teresa Góis, 07.08.2009

quarta-feira, agosto 05, 2009

O Homem individual e individualista

Desde o dia em que foi instalado, não mais se desligou o computador.

As pessoas deixaram de existir, o diálogo passou a ser o som das teclas. A luz, através da janela, projectava a alegria exterior mas incomodava, no reflexo do ecrã. Fecham-se as cortinas e, com elas, as "janelas". Todos os ruídos incomodam! As portas fecham-se e só se abrem ao extremamente necessário.
As horas das refeições passaram a prato pousado à esquerda ou à direita do teclado e, assim, se simplificam as refeições.

É este o perigo que hoje se corre – o da ignorância das pessoas, do uso da vida, do diálogo, da alimentação equilibrada, da perda da vista, em suma, da dependência.

Toda a dependência, seja ela qual for a sua origem ou fim, diminui o ser humano!


Maria Teresa Góis, 05.08.09




Tapa Sóis


Os tapa sóis
São persianas
Que, mal fechadas
Ou mal abertas,
Lembram gaiolas
Indiscretas.


Maria Teresa Góis
Porto Moniz

sábado, agosto 01, 2009

O meu infinito é grande


Aproveitei um pedaço do meu infinito
para desenhar.
E o que havia eu de lembrar,
da lei perpendicular,
Senão de desenhar um degrau e uma porta.
Desenhei,
E como não sei fazer mais nada,
Aí me sentei.


Maria Teresa Góis
Porto Moniz

quinta-feira, julho 30, 2009

O sítio onde moro....


...é um sítio lindo de um concelho da costa norte da Ilha da Madeira que é, numa vertente, batido pelo sol e pelo mar e, no outro limite, pelo sol, o vento e a serra.
É aqui que eu vivo, entre verdes, ventos, sóis e nevoeiros. Aqui criei raízes ao construir a casa, aqui liguei cordões umbilicais ao ter os filhos e ao aqui viver mais de metade da minha vida e aqui quero continuar. As gentes são boas, porque, como dizia uma ex-vizinha minha, a Tia Jacinta dona de oito décadas de sabedoria, "o mundo é composto com tudo - tem de haver tontos e sabidos". E eu, filha adoptiva da terra, tanto sou tonta como sabida! E todos os dias aprendo, todos os dias há coisas novas a arrecadar.São generosas, agradáveis.
E vem isto a propósito da fotografia que ilustra o texto: um caixote de ameixas.
Ontem, porque o meu marido foi colher amoras de silvado para fazer o doce caseiro, quando fui comprar o açúcar perguntaram-me se era para doce de ameixa. Disse que era para o de amora, pois não tinha ameixas e a resposta foi pronta:"deixe estar que eu arranjo-lhe umas amexinhas". Cá estão,em quantidade industrial para uma casa de família pequena (que eu vou ter de repartir) túrgidas e cheirosas, de polpa e sumo, num convite à prova imediata. Deleitem-se, mas não babem; chamam-lhe, por cá, "ameixas pêssegas"!

terça-feira, julho 14, 2009

" O homo eleitus"


Quando oiço dizer que grassa a impunidade, sorrio. Amargamente, é certo, mas sorrio. Se abundam os corruptos onde estarão os honestos? Se a mentira é premiada, será a verdade esquecida? Se a subserviência e o "lambe-botismo" progridem, é decerto o declínio do Homem sapiens como ser autónomo, inteligente, responsável! Num mundo ao contrário a contaminação passa a ser uma forma de higiene e a sujidade uma espécie de limpeza. A mediocridade prolifera, rastejante, oca, plena de vazio mental, porque não podem ter voz própria. Em tempos eleitorais, ressurgem estes tipos de personagens, avivados pelo oportunismo, ansiosos por um lugar que lhes confira a importância que a sua figura humana, em sociedade, nunca teve.

Porto Moniz, 13/07/09 Maria Teresa Góis