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quarta-feira, dezembro 31, 2008

ODE À PAZ

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego,
dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves Outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!

Natália Correia

A Vida e os votos de Ano Novo

Sento-me ao PC para escrever. Já estive a conviver com amigos que convidei a jantar connosco e foi mesmo bom.Quatro gerações se encontraram e a sintonia foi a mesma.Obrigada,porque nos proporcionaram momentos de pura Amizade, partilha, bem estar, na coerência dos "um" aos "sessenta" anos. Dia 31 de Dezembro de 2008.Fomos ao hospital ver minha sogra que, no dia de Natal à noite, fez um AVC (trombose).Mais uma vez me custou ver uma MÃE de quatorze filhos, MÃE a tempo inteiro, dependente de tubos, de fármacos, de cuidados alheios.Quando chegámos disse-lhe "Mãe, é a Tuka e a Jordana".Comoveu-me que a sua respiração tão difícil tivesse feito uma pausa e comoveu-me ainda que a sua respiração tão impossível se abrandasse aos nossos afagos.Neste alvor de ano novo o meu preito a quem se deu, a quem se dá e a quem se dará aos seus, aos outros.àquelas que levam a Vida tão difícil na sua ciência de Mães.
Para todos um Ano de 2009 mesmo BOM e que possamos aprender nos pequenos gestos a afectividade sincera e saudável, o dom da amizade.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Pensamento do dia

Há pessoas tão aborrecidas que nos fazem perder um dia em cinco minutos
Jules Rernard

PASSEIO NA SOLIDÃO

Passeio na solidão de mão dada com o meu fantasma. A cor é a da noite onde o rasto de pureza prateada da lua dá vida às gotas esparsas, finas, estremecidas, brilhantes. O vento do desassossego abana-me por dentro num desespero manso que o fantasma não teme. Aperto-lhe mais a mão e ele sorri-me numa perturbação inesperada.
Sentamo-nos juntos, íntimos de medos e solidariedades. A proximidade física é um conforto.
Procuro os teus olhos, outrora penetrantes de calor, e encontro o rosto indecifrável do tempo.
Porque tem de ser assim? Como pode a solidão usar sentimentos, reconvertê-los, reincarná-los, ao ponto de parar o universo?
Na lentidão recortada solto-te a mão e deixo-te ir gritando que fiques, olhando-te, na despedida do reencontro.

População Portuguesa não encolhia desde a pneumónica

Os dados são do Instituto Nacional de Estatística e reportam-se a 2007. Nesse ano registou-se um saldo natural negativo - morreram mais 1,5% de portugueses que no ano anyterior, sem que o número dos que vieram ao mundo, durante o mesmo período, conseguisse contrabalançar a perda. Mas o que torna mais curiosa esta informação do INE é que se trata da primeira vez que ocorre um saldo natural negativo desde 1918, quando começou a pneumónica, também chamada de gripe espanhola.
In "Visão"

domingo, dezembro 28, 2008

Geração Vinil III - Whitney Houston & Natalie Cole

Valores versus Educação

É vulgar de Lineu falar-se nestas quadras festivas dos Valores das pessoas e das coisas e isto, sobretudo, acerca do "Espírito do Natal".

Lembro que li em tempos numa entrevista a um psicólogo e sobre o tema dos valores e da educação, em que ele referia que as crianças que perderam o afecto dos familiares na 1ª Infância (1-5 anos), facilmente recuperariam dessa carência, com influências e afectos de terceiros. Já na 2ª infância, pré adolescência e adolescência, as crianças que "em casa", nos internatos ou instituições são omissas dessa afectividade parental, reservam para a sua vida de adulto traumas que se traduzem em agressividade ou em gestos de retracção.

Dizia ainda que, da década de 60 para cá, havia uma alteração na evolução familiar, com as Mães a deixar aos Avós o cargo educacional, pela importância que a necessidade do trabalho feminino tinha no orçamento familiar. Na década de 80, com a massificação da escolaridade a partir da 1ª infância e a colocação das crianças em Amas, onde todos são iguais e tudo é de todos, sem privacidade, não admiraria que a evolução dessas crianças fosse mais emocional nas suas atitudes.

Então, e se o facto é provado, talvez que se apostasse mais numa boa educação de berço – que nada tem a ver com Instrução -, talvez se pudesse minimizar as "cenas" que vemos em centros comerciais e/ou restaurantes com crianças, ou nas relações sociais com os que já hoje são adultos.

É necessário um grande esforço, mas todos somos agentes educacionais porque vivemos em sociedade, e esse esforço também nos pertence. Quem sabe se o "Espírito de Natal" seria mais bem aplicado?

quarta-feira, dezembro 24, 2008

O significado do Natal


O Natal é a data em que o Mundo Cristão festeja, a 25 de Dezembro, o nascimento de Jesus.As primeiras comunidades festejavam o Natal a 22 de Maio, mas a Igreja primitiva não se preocupou muito com a questão temporal.O próprio texto do Evangelho pode levar a acreditar que Jesus não nasceu no Inverno, pois refere que os pastores andavam pelos campos com os animais, algo improvável na Galileia da época, cujos campos se cobriam de neve durante o período mais frio do ano.
A data foi escolhida por causa do solstício de inverno, em que se celebravam as Saturnálias dos romanos e as festas célticas dos germânicos, festividades pagãs.Foi o Papa Julio I que fixou a data de 25 de dezembro, cristianizando deste modo as festividades. Só no século IV d.c. é que se começou a festejar o Nascimento de Jesus.Algumas zonas optaram por festejar o acontecimento em 6 de Janeiro, contudo, gradualmente esta data foi sendo associada à chegada dos Reis Magos(Epifania) e não ao nascimento de Jesus.
O Natal é, assim, dedicado pelos cristãos a Cristo, que é o verdadeiro Sol de Justiça (Mateus 17,2; Apocalipse 1,16), e transformou-se numa das festividades centrais da Igreja, equiparada desde cedo à Páscoa.
Apesar de ser uma festa cristã, o Natal, com o passar do tempo, converteu-se numa festa familiar com tradições pagãs, em parte germânicas e em parte romanas. E muito consumistas!
Sob influência franciscana, espalhou-se, a partir de 1233, o costume de, em toda a cristandade, se construírem Presépios, já que estes reconstituíam a cena do nascimento de Jesus. A árvore de Natal surge no século XVI, sendo enfeitada com luzes símbolo de Cristo, Luz do Mundo. Uma outra tradição de Natal é a troca de presentes, que são dados pelo Pai Natal ou pelo Menino Jesus, dependendo da tradição de cada país.
Apesar de todas estas tradições serem importantes (o Natal já nem pareceria Natal se não as cumpríssemos), a verdade é que não nos podemos esquecer que o verdadeiro significado de Natal prende-se com o nascimento de Cristo, que veio ao Mundo com um único propósito: o discurso do Amor.

terça-feira, dezembro 23, 2008

BOAS FESTAS um ANO MUITO FELIZ E PRÓSPERO

Tal como o rapazinho do tambor deste belo cântico, que cada um dê o seu melhor.Abraço.

Celebração de Natal



Presépio em osso de camelo, origem Egipto, oferta do meu filho Nuno, Natal 2008

A luz que há dois mil anos raiou no mundo
Não se reduziu à simples forma de criança rosada,
Em noite de geada,
Sob olhar amoroso de Mãe.
Não foi a correria apressada de pastores e reis
Que deu o nome a Belém !
Naquele humílimo estábulo nasceu um Deus
E da forma gloriosa de vida,
À vida de Nazareno ignorada,
À mensagem chocante do Amor,
Amor perene, há dois mil anos doado,
Iniciado naquele humílimo estábulo,
Até à Cruz,
Nasceu para todos nós, Jesus.



segunda-feira, dezembro 22, 2008

RENAS


Os mamíferos que, no imaginário natalício, puxam o trenó do Pai Natal. O autor norte-americano Clement Moore, no seu poema Visita de S.Nicolau, foi o criador desta fantasia.São oito as renas originais do Pai Natal: Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Blitzen e Donder.A estas juntou-se a rena Rudolpoh, de nariz vermelho, depois de uma música célebre de Gene Autry.

domingo, dezembro 21, 2008

SÃO NICOLAU


Este bispo de Mira, actualmente na Turquia, deu origem à imagem actual do Pai Natal.

S.Nicolau, no século IV, foi perseguido e preso pelos romanos devido à sua ideologia cristã. Os seus antecedentes de mártir levaram-no a ajudar os pobres e os desfavorecidos, a quem oferecia dinheiro, comida e milagres. Daí a associação da sua figura à de Santa Claus, o Pai Natal. É o santo padroeiro da Rússia, de Amesterdão, de Bari, dos marinheiros, das criançãs e...dos estudantes.

SINOS


Outro ritual herdado das festas pagãs.(E ainda dizem que os pagãos não têm coisas boas....)

Os sinos eram usados pelos pagãos pré-cristãos para afastar os espíritos e faziam parte das festividades de inverno. Hoje, servem para chamar os crentes para a Missa do Galo (e não só), enfeitam presentes e as portas de casa, sendo elemento decorativo presencial do Natal.

VELAS


Conta uma lenda que um velho sapateiro alemão colocava sempre uma vela à janela, para iluminar o caminho dos viajantes solitários.Veio a guerra e a cidade empobreceu.

Na véspera de Natal, todos imitaram o sapateiro e colocaram uma vela à janela. Nessa noite chegou a notícia de que a guerra tinha acabado.

A partir daí, as velas passaram a marcar a presença em todas as noites de Natal. Contudo, é mais provável que o uso das velas esteja relacionado com a luminosidade sugerida pelo nascimento de Cristo.

sábado, dezembro 20, 2008

LUTAR

"Há homens que lutam um dia e são bons; há outros que lutam um ano e são melhores; há aqueles que lutam muitos anos e são muito bons;porém há os que lutam toda a Vida - estes são os imprescindíveis"
Bertold Brecht

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Canção da Árvore de Natal

A Árvore de Natal


É um pinheiro ou um abeto especialmente iluminado e decorado para a celebração Natalícia.

A tradição da Árvore é anterior ao próprio Natal.Em Dezembro, os Romanos enfeitavam as árvores em honra de Saturno, deus da agricultura.

Os egípcios levavam um ramo de palmeira para casa no dia mais curto do ano.Os celtas tinham o costume de decorar velhos carvalhos com maças douradas. No século VII,na Alemanha, S.Bonifácio passou a usar o perfil triangular dos abetos como símbolo sa Santíssima Trindade.

Diz-se que foi Martinho Lutero(1483-1546), autor da reforma protestante, que após um passeio pela floresta, numa noite de inverno de céu limpo e estrelas brilhantes, trouxe essa imagem à família sob a forma de Árvore de Natal, com uma estrela brilhante no topo e decorada com velas.Esta era a sua visão do Céu na altura do Nascimento de Jesus.

O hábito massificou-se na Europa Central, mas só chegou a outros países depois de ter sido adoptado pela família real inglesa no século XIX e pela Csa Branca no sécula XX.

NATAL

Estremeci, todos os cinco sentidos estremeceram e, pior do que isso, estremeceu também o meu sexto sentido num espasmo gélido que me deixou queda, hirta. Respirei fundo e logo uma corrente de ar fria percorreu o meu sistema respiratório; nem ousei abrir a boca temendo não voltar a fechá-la!
Abri os olhos - oh impossível - uma luz crua de um fluorescente eléctrico tão à moda feriu-me a visão, aquecendo-a um pouco. Apenas volvi o olhar apercebi-me dos cinzentos cambiantes da paisagem. A noite era cinza escura, a linha do horizonte cinza mescla e o chão era cinza de sombras sobre o branco. Eram cinzentas as formas tapadas das árvores e arbustos que os meus olhos, já mais habituados, ousavam apalpar. Afinal não passava de uma fria noite de Dezembro com paisagem de Natal a preto e branco.
Recuperei do espanto e fui recuperando a vida: senti o cheiro húmido e frio, leve e puro, de um ar estranhamente rarefeito. Conseguia ouvir múrmurios de brisas, adivinhava ventos nas montanhas, colecções de estrelas no céu. Abstive-me a supôr coisa nenhuma sabendo que o que estava a acontecer era fascínio e magia. Decidi esperar e, esperando, fui conhecendo de cor aquelas formas. Um magnetismo me prendia como a calma dos sem destino até que ouvi um som arrastado do além que, de vez, me arrancou ao torpôr.
O que pensei ser um pequeno avião, no céu, sob os meus olhos tomou forma. Disparam a adrenalina e pulsações, de puro medo. Esfrego os olhos e de pouco resulta! A figura de um carro de renas com Pai Natal incluído tomava a forma que eu não acreditava. Dei um passo atrás abrindo terreiro ao porto necessário de aterragem.
Sem travagens nem chios, sem campainhas, sininhos, apercebi-me da imobilidade de um carro em madeira nobre e escura, de uma figura trajando o vermelho da tradição e, vejam bem, quatro alvíssimas renas de olhos negros bafejavam, pesada, cinzentamente.
A figura mexeu-se, com lentidão tropical, desceu do mal aparelhado trenó, sacudiu a cabeça e virou-se, encarando-me. "Shoking" diria Byron! A palavra que me ocorreu foi, vernaculamente, mais complexa se bem que mais usual e corriqueira. Temendo perder a razão decidi-me a olhar, de baixo para cima.
Dois pés grandinhos calçavam sandálias de largas tiras de couro querendo ser, talvez, um novo modelo de descartáveis. As calças, não admira, eram vermelhas como o era o casacão e a T-Shirt que o vestiam. As mãos, enormes, deixaram cair umas luvas imaculadas e surgiam, palmas brancas ao céu, unhas estranhamente rosadas e costas nervosas e negras. Daí, saltou-me o olhar para a dentadura dentifricamente branca e matematicamente correcta como eu jamais vira. O branco dos olhos era branco e tudo o mais era cinzento e castanho, quase negro.
A fotografia da minha estupidez desarmada deve tê-lo divertido e a gargalhada que soltou provocou, em redor, um tremor de terra.
Encomendei-me; morrer é assim!
Fechei os olhos, à espera, mas no espaço de segundos senti conforto, uma temperatura amena soltou-me os sentidos, a voz, devolveu-me inteira à terra dos inteligentes.
A paisagem derretera, cobria-se de côres quentes, verdes e amarelos e o azul do céu era imenso, intenso.
O Pai Natal parecia agora um atleta dos NBA, de T-Shirt e calções, desapertando os sacos de carga e espalhando-a pelo chão. Coisitas de plástico coloridas, pequenos pedaços de panos berrantes, bolas de ping-pong, berlindes, doces, pulseiras e colares eram o seu tesouro.
Esperei qualquer palavra, qualquer gesto, mas só o sorriso me respondia e contagiava. Entrou em mim, encheu-me a alma e compreendi que, ao menos uma vez neste ano acontecia a Justiça. As árvores de Natal ficariam acesas de luzes, de bolas e espiguilhas, anjos e anjinhas e todo aquele calçado polido, novo, determinadamente colocado e ...vazio. Olhei-o uma vez mais, tentei imaginar a barba branca, a farta cabeleira. Impossível!,Gorro algum se apegaria àquela carapinha transpirada, na testa esfíngica.
Já vejo mãozitas àgeis, adejando, olhos brilhantes - hoje de alegria - a acolherem a diferença. Momentos suficientes, bastantes, para esquecer a dôr, a fome, os sem família, a corrida e a fuga, as balas, o medo, a razão para não viver.
Tão pouco e dispensável para uns, tão imensamente necessário para outros
E embrulhando as mil e uma coisitas espalhadas pelo chão na beleza do carinho, da presença, do Amor, assim se fez um Natal negro e quente, humano e inteligente.
Desde este dia decidi que, para mim, nunca mais haveria Natal Branco.








quinta-feira, dezembro 18, 2008

Os “papões”

Nunca tive medo do "papão". Lembro-me até, em pequena, de adormecer ao som terno do "ó-ó-papão vai embora, de cima desse telhado...". Este mesmo canto, terno e cuidado, dei aos meus filhos.
Mas hoje já não se usa e proliferam "papões" graúdos que se avantesmam em orgias, de importâncias, véniazedas e onde se colam numa disposição de permanência.
E é vê-los, fato e gravata, senão vestidos de marca, e com eles as loiras eternas, pavoneando-se uns e outros, em círculos tontalhados. Vede como eles se amam! Findos os meetings, as cerimónias, inaugurações e beberetes, dispersam em pequenos grupos. Tira-se a gravata, para o à-vontade e o polimento recolhe ao bolso direito do casaco. Papam-se mais uns copos com língua maliciosa. Uns vão, outros ficam, inchados, vermelhos, contentes.
Nada fizeram, nada disseram.
São os papões da Madeira Nova.

Mesmo a propósito!


"Acredito que as Instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades, do que o levantamento dos exércitos. Se o Povo Americano alguma vez permitir que Bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos, despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no Continente que os seus pais conquistaram"


Thomas Jefferson, 1802