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segunda-feira, março 14, 2011

A Tristeza dos Portugueses



Porque é que os portugueses são tristes? Porque estão perto da verdade. Quem tiver lido alguns livros, deixados por pessoas inteligentes desde o princípio da escrita, sabe que a vida é sempre triste. O homem vive muito sujeito. Está sujeito ao seu tempo, à sua condição e ao seu meio de uma maneira tal que quase nada fica para ele poder fazer como quer. Para se afirmar, como agora se diz, tão mal.
Sobre nós mandam tanto a saúde e o dinheiro que temos, o sítio onde nascemos, o sangue que herdámos, os hábitos que aprendemos, a raça, a idade que temos, o feitio, a disposição, a cara e o corpo com que nascemos, as verdades que achamos; mandam tanto em nós estas coisas que nos dão que ficamos com pouco mais do que a vontade. A vontade e um coração acordado e estúpido, que pede como se tudo pudéssemos. Um coração cego e estúpido, que não vê que não podemos quase nada.
Aí está a razão da nossa tristeza permanente. Cada homem tem o corpo de um homem e o coração de um deus. E na diferença entre aquilo que sentimos e aquilo que acontece, entre o que pede o coração e não pode a vida, que muito cedo encontramos o hábito da tristeza. Habituamo-nos a amar sem nos sentirmos amados e a esse sentimento, cortado por surpresas curtas, passamos a chamar amor. E com verdade. No mundo das ausências, onde a tristeza vem de sabermos muito bem o que nos falta, a nós e àqueles que nos rodeiam, a bondade, que nos torna vulneráveis aos sofrimentos daqueles que nos acompanham e nos faz sofrer duas vezes mais do que se estivéssemos sozinhos, é o preço que pagamos por não sermos amargos. É graças à bondade que estamos tristes acompanhados. Há uma última doçura em sermos tristes num mundo triste. Igual a nós.

Miguel Esteves Cardoso, in 'As Minhas Aventuras na República Portuguesa'

domingo, março 13, 2011

as crianças da era informática...

"Peidos de freira" ou Filhoses no forno - Açores

Ingredientes para 20-24 unidades

Massa
  • 250 g de farinha
  • 5 ovos
  • 250 ml de leite
  • 250 ml de água
  • 1 colher (sobremesa) de fermento em pó
  • 1 boa pitada de sal fino
  • óleo e farinha para as formas
Creme
  • 1/2 l de leite
  • 2 colheres (sopa) de amido de milho (Maizena)
  • 1 ovo + 4 gemas
  • 250 g de açúcar
  • casca finamente ralada de 1 limão grande

Preparação

Pré-aquecer o forno a 240ºC. Untar forminhas de alumínio - tipo formas de empadas - com óleo e polvilhar com farinha. Reservar.

Preparar a massa, batendo os ovos até ficarem esbranquiçados, fofos e espumosos. Juntar a farinha aos poucos, envolvendo delicadamente entre cada adição.

Adicionar o fermento e o sal; misturar. Juntar o leite e a água. Bater até obter um preparado liso e homogéneo (é normal a massa ficar líquida).

Encher as forminhas com a massa até aos 3/4. Colocar as forminhas sobre o tabuleiro do forno e levar a cozer a 240ºC até obter bolinhos altos, fofos e dourados (+/- 20-25 minutos).

Retirar o tabuleiro do forno e deixar arrefecer antes de desenformar delicadamente os bolinhos.

Entretanto, preparar o creme. Colocar o amido de milho num tacho pequeno e dissolver este numa pequena quantidade de leite frio. Juntar o ovo, as gemas, o açúcar e a raspa de casca de limão. Adicionar o leite restante e misturar muito bem com uma vara de arames.

Levar o tacho ao lume. Cozinhar em lume brando até o preparado se apresentar cremoso, homogéneo e consistente, sem nunca parar de mexer com a vara de arames. Retirar o tacho do lume e deixar arrefecer por completo.

Abrir um pequeno orifício em cada bolinho com a ponta de uma faca. Distribuir o creme pelos bolinhos com o auxílio de um saco de pasteleiro ou de uma seringa, tendo o cuidado de não encher demasiado para não rasgar a massa. 

Servir bem fresco, com chá ou café a acompanhar.
 
in:www.planetaacores.com

sábado, março 12, 2011

Buuuhhhhh

rec. por email
 

Monumentos de todo o mundo desligam as luzes dia 26

HORA DO PLANETA
Monumentos e símbolos arquitectónicos de diversos países, como Alhambra, Torre de Tóquio ou Cristo Rei juntam-se à iniciativa Hora do Planeta e desligam as luzes às 20:30 de 26 de Março para alertar contra o aquecimento global.
O objectivo da Hora do Planeta, que será entre as 20:30 e as 21:30, é levar os cidadãos a desligarem as luzes, assinalando o seu compromisso com o planeta, partilharem histórias e acções que beneficiem a Terra, através da internet, e adoptarem comportamentos diários sustentáveis, como explica a WWF, a associação ambientalista promotora da iniciativa.
Gateway of India ou o Cristo Redentor, no Brasil, Torre Eiffel, em França, Ponte da Liberdade, na Hungria, a Sinfonia de Luzes de Hong Kong (maior luz permanente do mundo) são exemplos de pontos de referência mundiais que se associam à defesa do planeta, enquanto em Portugal a WWF refere centenas de monumentos de 40 cidades.(....) fonte DN, Lisboa
Em Lisboa, a Ponte 25 de Abril, as estações do Rossio e de Santa Apolónia, o Aqueduto das Águas Livres, o Teatro D. Maria II, a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos estarão às escuras.
"Aqueles pontos de referência irão juntar-se a centenas de milhões de pessoas, de empresas, comunidades e governos, em todo o mundo, que desligarão as luzes durante a Hora do Planeta, transcendendo as barreiras de raça, religião, cultura, sociais, geracionais e da geografia, numa celebração global do compromisso com a protecção da única coisa que nos une a todos - o planeta", salienta um comunicado da WWF.
Nepal, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Vietname, Finlândia, África do Sul, Japão, China, Turquia, Hungria são outros países onde será visível a participação na iniciativa

foto do dia

foto da net

Sobre a Beleza

 

(...) a beleza, a verdadeira beleza, acaba onde principia a expressão inteligente. A inteligência em si é uma espécie de exagero; desmancha a harmonia de qualquer rosto. A partir do instante em que nos metemos a pensar, vamos ficando só olhos, ou só testa, ou qualquer outro horror. Olhe para os homens que vencem em qualquer dos ramos do saber. São inteiramente hediondos!(...) 

Oscar Wilde

Tumbalalaika, um momento especial

(sinagoga portuguesa em Amsterdam)

sexta-feira, março 11, 2011

tempo....

«Para tudo há um momento e um tempo para tudo o que se deseja debaixo do céu:

Tempo de nascer e tempo de morrer,
tempo de plantar e tempo de arrancar plantas,
tempo de matar e tempo de curar,
tempo de destruir e tempo de edificar,
tempo de chorar e tempo de rir,
tempo de lamentar e tempo de dançar,
tempo de atirar pedras, e tempo de as ajuntar,
tempo de abraçar e tempo de evitar o abraço,
tempo de procurar e tempo de perder,
tempo de guardar e tempo de atirar fora,
tempo de rasgar e tempo de coser,
tempo de calar e tempo de falar,
tempo de amar e tempo de odiar,
tempo de guerra e tempo de paz.

Que proveito tira das suas fadigas aquele que trabalha?

Eu vi a tarefa que Deus impôs aos filhos dos homens para que dela se ocupem.

Todas as coisas que Deus fez, são boas a seu tempo. Até a eternidade colocou no coração deles, sem que nenhum ser humano possa compreender a obra divina do princípio ao fim.

Eu concluí que nada é melhor para o homem do que folgar e procurar a felicidade durante a sua vida.
Todo o homem que come e bebe e encontra felicidade no seu trabalho, tem aí um dom de Deus.»

Rei Salomão, Livro do Eclesiastes 3, 1-8

uma viagem mais...

Que seja de ida e volta.
Hoje, dia 11, meu filho Nuno regressa ao Cairo. Esperemos que por pouco tempo
Complexo City Stars, Heliopolis, CAIRO (local de trabalho)

a tabuada dos 9

quinta-feira, março 10, 2011

foto do dia

instantes da tomada de posse de "Moahmad Cavaco"

a arte de ser feliz


Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

quarta-feira, março 09, 2011

poema de uma 4ª feira de Cinzas


Entre a turba grosseira e fútil
Um pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
feita de sonho e de desgraça…

o seu delírio manso agrupa
atrás dele os maus e os basbaques.
Este o indigita, este outro apupa…
indiferente a tais ataques,

Nublaba a vista em pranto inútil,
Dolorosamente ele passa.
veste-o uma túnica inconsútil,
Feita de sonho e de desgraça…

Manuel Bandeira

como eu vejo a ilha

terça-feira, março 08, 2011

como eu vejo a ilha

Paúl da Serra, Madeira

aleluia

Era a mulher — a mulher nua e bela,
Sem a impostura inútil do vestido
Era a mulher, cantando ao meu ouvido,
Como se a luz se resumisse nela...
Mulher de seios duros e pequenos
Com uma flor a abrir em cada peito.
Era a mulher com bíblicos acenos
E cada qual para os meus dedos feito.
Era o seu corpo — a sua carne toda.
Era o seu porte, o seu olhar, seus braços:
Luar de noite e manancial de boda,
Boca vermelha de sorrisos lassos.
Era a mulher — a fonte permitida
Por Deus, pelos Poetas, pelo mundo...
Era a mulher e o seu amor fecundo
Dando a nós, homens, o direito à vida!


Pedro Homem de Mello, in "Miserere"

gravura de Álvaro Cunhal

RECEITA DE MULHER

Vínicius de Moraes

segunda-feira, março 07, 2011

pobres dos nossos ricos


A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.

Mas ricos sem riqueza.

Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.


Rico é quem possui meios de produção.

Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.

Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.

A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".

Aquilo que têm, não detêm.

Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.

É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. 

Vivem na obsessão de poderem ser roubados.

Necessitavam de forças policiais à altura.

Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia.

Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.

Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem.

 Mia Couto

o tempo passa...

O tempo passa,
está sempre a passar,
como diz o calendário...
Mas não o deixes sumir
sem ter feito uma dádiva
de amizade, de compreensão,
de carinho ou afecto.
Não o deixes passar sem ver
a beleza dos dias na luz
que o sol amanheceu, acesa.
Ou o anoitecer com o brilho das estrelas
e da lua reflectida nas águas
caminhos de mais além.
LUISA DACOSTA