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quarta-feira, abril 20, 2011

como eu vejo a ilha

Elogio do Trabalho

" Há no trabalho, segundo a natureza da obra e a capacidade do trabalhador, todas as gradações, desde o simples alívio do tédio às satisfações mais profundas. Na maior parte dos casos, o trabalho que as pessoas têm de executar não é interessante, mas ainda em tais circunstâncias oferece grandes vantagens. Em primeiro lugar, preenche uma boa parte do dia sem haver necessidade de decidir sobre o que se há-de fazer. A maioria das pessoas, quando estão em condições de escolher livremente o emprego do seu tempo, têm dificuldade em encontrar o que quer que seja suficientemente agradável para as ocupar. E tudo o que decidam deixa-as atormentadas pela ideia de que qualquer outra coisa seria mais agradável. Ser capaz de utilizar inteligentemente os momentos de lazer é o último degrau da civilização, mas presentemente muito poucas pessoas o atingiram. Além disso, a acção de escolher é fatigante. Excepto para os indivíduos dotados de extraordinário espírito de iniciativa, é muito cómodo ser-se informado do que se tem a fazer em cada hora do dia, desde que tais ordens não sejam desagradáveis em demasia.
A maior parte dos ricos occiosos sofrem de um inexprimível aborrecimento em paga de se terem libertado dum trabalho penoso. Às vezes encontram alívio numa caçada aos animais ferozes, em África, ou na volta ao mundo em avião, mas o número de tais sensações é limitado, especialmente depois de passar a juventude. Por isso, os homens ricos mais inteligentes trabalham quase tão afincadamente como se fossem pobres, enquanto as mulheres ricas ocupam o tempo com um sem número de bagatelas e estão firmemente persuadidas de que tais bagatelas têm extraordinária importância para o mundo inteiro
."

Bertrand Russell, in 'A Conquista da Felicidade'

terça-feira, abril 19, 2011

eu e o meu velho....

hoje, no Fanal, após a espetada do pic-nic da Marta...

como eu vejo a ilha

censos 2011

Pensar o Meu País



Pensar o meu país. De repente toda a gente se pôs a um canto a meditar o país. Nunca o tínhamos pensado, pensáramos apenas os que o governavam sem pensar. E de súbito foi isto. Mas para se chegar ao país tem de se atravessar o espesso nevoeiro da mediocralhada que o infestou. Será que a democracia exige a mediocridade? Mas os povos civilizados dizem que não. Nós é que temos um estilo de ser medíocres. Não é questão de se ser ignorante, incompetente e tudo o mais que se pode acrescentar ao estado em bruto. Não é questão de se ser estúpido. Temos saber, temos inteligência. A questão é só a do equilíbrio e harmonia, a questão é a do bom senso. Há um modo profundo de se ser que fica vivo por baixo de todas as cataplasmas de verniz que se lhe aplicarem. Há um modo de se ser grosseiro, sem ao menos se ter o rasgo de assumir a grosseria. E o resultado é o ridículo, a fífia, a «fuga do pé para o chinelo». O Espanhol é um «bárbaro», mas assume a barbaridade. Nós somos uns campónios com a obsessão de parecermos civilizados. O Francês é um ser artificioso, mas que vive dentro do artifício. O Alemão é uma broca ou um parafuso, mas que tem o feitio de uma broca ou de um parafuso. O Italiano é um histérico, mas que se investe da sua condição no parlapatar barato, na gritaria. O Inglês é um sujeito grave de coco, mas que assume a gravidade e o ridículo que vier nela. Nós somos sobretudo ridículos porque o não queremos parecer. A politiqueirada portuguesa é uma gentalha execranda, parlapatona, intriguista, charlatã, exibicionista, fanfarrona, de um empertigamento patarreco — e tocante de candura. Deus. É pois isto a democracia?

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 2'

segunda-feira, abril 18, 2011

o real casamento, assim, seria menos sisudo....

Quiche (aproveitamentos)

 

l embalagem de massa de piza refrigerada (não congelada) ou de massa folhada. Desenrole e ponha na forma. Seleccione os aproveitamentos que tem (restos de frango, delicias do mar, atum, miolo camarão, cogumelos, etc). Aos aproveitamentos pode adicionar courgete picada miudinha, cebolinho ou salsa. Junte cebola e alho picado. À parte utilize um pacote de natas, bata dois ovos inteiros, duas colheres de sopa (não muito cheias) de farinha, sal e pimenta (preta) moída a gosto. Deite-lhe "a mistela" da outra taça, mexa e verta sobre a embalagem. Leve a forno cerca de 45m a 1 hor. Acompanhe com verdura cozida ao vapor ou uma boa salada.

A culpa é …

A culpa é do pólen dos pinheiros

Dos juízes, padres e mineiros
Dos turistas que vagueiam nas ruas
Das strippers que nunca se põe nuas
Da encefalopatia espongiforme bovina
Do Júlio de Matos do João e da Catarina
A culpa e dos frangos que tem HN1
E dos pobres que já não têm nenhum
A culpa é das putas que não pagam impostos
Que deviam ser pagos também pelos mortos
A culpa é dos reformados e desempregados
Cambada de malandros feios, excomungados
A culpa é dos que tem uma vida sã
E da ociosa Eva que comeu a maçã
A culpa é do Eusébio que já não joga a bola
E daqueles que não batem bem da tola
A culpa e dos putos da casa Pia
Que mentem de noite e de dia
A culpa é dos traidores que emigram
E dos patriotas ficam e mendigam
A culpa é do Partido Social Democrata
E de todos aqueles que usam gravata
A culpa é do BE do CDS e do PCP
E dos que não querem o TGV
A culpa até pode ser do urso que hiberna
Mas não será nunca de quem governa.




desconheço o autor

domingo, abril 17, 2011

VASSILI KANDINSKI



VIDA
Pintor russo, Vassili Kandinski nasceu em Moscou em 1866 e morreu em Neuilly-sur-Seine em 1944. Decidindo-se pela pintura, parte para Munique em 1896, ali estudando. Viaja pela França (contacto com os fauvistes), Itália e Tunísia. Retornando a Munique em 1908, preside uma associação de artistas novos e edita, em 1912, Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), juntamente com Franz Marc. Entre 1914 e 1921 reside em Moscou, onde dirige a academia de artes da U.R.S.S. De volta à Alemanha em 1921, torna-se membro importante do Bauhaus, primeiro em Weimar e depois em Dassau. Fechado o Bauhaus pelo regime nazista, transfere-se para Paris em 1934, ali passando seus dez últimos anos de vida.
CARACTERIZAÇÃO
A posição de Kandinski na arte moderna é não somente a de um inovador, mas a de um dos principais teóricos do Abstracionismo na pintura, cujas concepções, entretanto, só foram aceitas por uma parcela reduzida de adeptos das novas tendências. Dentro do quadro das vanguardas artísticas, Kandinski sustentou uma posição quase isolada de teórico do espiritualismo nas artes, em contraste flagrante com as tendências materialistas, pragmáticas e funcionais, que foram dominantes na primeira metade do século. Exceptuando o Expressionismo do grupo Der Blaue Reiter, Kandinski não se integrou inteiramente em nenhum dos grupos de vanguarda em que actuou, mas influenciou a arte moderna em geral, descrevendo em suas actividades de teórico e realizador, um complexo roteiro evolutivo.
ACTIVIDADES
Em 1895 Kandinski viu uma exposição dos impressionistas em Moscou, que lhe revelam, no uso da cor, o caminho para a independência da arte em relação à natureza. Entre 1906 e 1909 cria paisagens expressionistas de cores fortes e gravuras estilizadas que lembram a arte dos ícones. Após 1910 oscila entre a representação figurativa e o abstracto. Concebe uma pintura não-figurativa, mas o seu conceito de abstracção, expresso em "Sobre o elemento espiritual na arte", 1911, envolve uma compreensão místico-metafísica das cores, às quais atribui propriedades simbólicas.
Até 1914 Kandinski evolui, passando por cinco fases: Naturalismo (até 1900), Impressionismo, Fauvismo, Expressionismo e Abstraccionismo. Sua arte será, a partir daí, só de abstracção. Mas sua abstracção, que prefere chamar de 'pintura concreta', não tem sentido exclusivamente plástico. Entretanto, a experiência do Construtivismo russo e, depois, do funcionalismo do Bauhaus, influenciam-no no sentido de uma explicação mais técnica e menos metafísica da arte, no livro "Ponto  e linha até a superfície", 1926.
Embora afastado do pragmatismo do Bauhaus, Kandinski incorpora sua lição construtiva em telas como "Oval nº 2", "No Círulo negro" e outras, entre 1923 e 1925. Essa fase de construção geométrica coincide com o seu desempenho pedagógico no Bauhaus. entre 1925 e 1928 sucede-se a 'época dos círculos', uma dança geométrica, com surpreendente invenção de ritmos e cores. Em seus anos parisienses concebe uma síntese lírica, em telas como "Conjunto multicolor", "Contraste acompanhado nº 613" etc., entre a composição racional e a intuição poética livre.
Fonte:


Enciclopédia Mirador Internacional, vol. 12, pág.6594, São Paulo, SP






sábado, abril 16, 2011

aviso do ano

sem depois


Todas as vidas gastei
para morrer contigo.

E agora
esfumou-se o tempo
e perdi o teu passo
para além da curva do rio.

Rasguei as cartas.
Em vão: o papel restou intacto.
Só meus dedos murcharam, decepados.

Queimei as fotos.
Em vão: as imagens restaram incólumes
e só meus olhos
se desfizeram, redondas cinzas.

Com que roupa
vestirei minha alma
agora que já não há domingos?

Quero morrer, não consigo.
Depois de te viver
não há poente
nem o enfim de um fim.

Todas as mortes gastei
para viver contigo.


Mia Couto

desvendado mistério da invenção da roda....

terça-feira, abril 12, 2011

Já foi formalizado o pedido de ajuda de Portugal...

folar da Páscoa


20gr de fermento padeiro ou um pacote de fermipan - 2,5 dl de leite morno - 100 gr de farinha
Amasse e reserve até dobrar de volume.

650 gr de farinha - 180 gr de açúcar - 80 gr de manteiga - 4 ovos inteiros - sal fino q. b. 
Misture a farinha com o açúcar e o sal. Depois vá deitando os ovos um a um e a manteiga amolecida. Misture bem. Junte a mistura com o fermento, bata bem e deixe em sítio morno até dobrar, mais ou menos, o volume.
Tenda em forma de folar, pincele com ovo batido e coze entre 45m a 1 hora.
Nota - se a massa ficar muito mole, que foi o que hoje me aconteceu, coza em formas previamente untadas.
Bom apetite. Ah, a receita da foto é a receita a dobrar.

as coisas importantes


As coisas importantes só olhas uma vez
mas sua imagem se repete muitas vezes dentro de ti
como um eco.

As coisas importantes que estão dentro de ti
e se repetem constantemente
já não estão presas ao que olhaste atento
mas no silêncio que tens dentro
se libertaram e tornaram incertas.

As coisas importantes no teu dentro
só já a ti pertencem
e nada do que está fora de ti as lembra agora.

As coisas importantes metes numa caixa
que com paciência vais abrindo aos poucos
para esqueceres as muralhas de outro tempo.


Jall Sinth Hussein

segunda-feira, abril 11, 2011

Texto mais antigo da Europa encontrado na Grécia

Foi encontrado numa antiga lixeira de Peloponeso, na Grécia, aquele que é considerado o texto decifrável mais antigo da Europa.
Michael Cosmopoulos, investigador norte-americano, da Universidade de Missouri, garante que a placa de argila cozida, encontrada durante as escavações realizadas numa antiga lixeira situada na colina de Iklena, a 300 quilómetros de Atenas, na Grécia, tem mais de três mil anos, representando, pelo menos, mais um século do que as descobertas feitas até agora.

“Esta placa sugere que a escrita é muito mais antiga do que aquilo que se acreditava até ao momento", explicou o investigador à AFP.

Ao que tudo indica, a placa terá sido um documento financeiro, proveniente de uma antiga cidade do período micénico. “Num dos lados da peça podem-se ver nomes e números, e do outro lado um verbo relativo à confecção”, acrescentou Michael Cosmopoulos.

As escavações, sob a supervisão da Escola de Arqueologia de Atenas, começaram em 2006 e desde então ja revelaram algumas descobertas, como uma enorme estrutura com grandes muralhas datada dos anos 1550-1440 a.C. Segundo Cosmopoulos, o local foi destruído provavelmente no ano 1400 a.C., antes de ter sido invadido pelo reino de Pilos, cujo rei, Nestor, é mencionado na Ilíada. fonte Publico

foto do dia

a minha gata "Cesária", ao amanhecer. Estou a pensar usá-la para o anúncio da Duracell....

a arca de Noé

domingo, abril 10, 2011

O poeta beija tudo

O poeta beija tudo, graças a  Deus… E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade…
E diz assim: “É preciso saber olhar…”
E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos…
E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás…
E perde tempo (ganha tempo…) a namorar uma ovelha…
E comove-se com coisas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de sol depois de um dia chuvoso…
E acha que tudo é importante…
E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim…
E reparou que os homens estavam tristes…
E escreveu uns versos que começam desta maneira: “O segredo é amar…”

Sebastião da Gama

10.04.1924/07.02.1952

como eu vejo a ilha

sábado, abril 09, 2011

a grande fraude

É, sem dúvida, uma grande fraude: a enorme fraude de não haver após décadas de pseudo democracia, liberdade de expressão na Madeira.
Um autor, neste caso Artur Ribeiro Cardoso, quer lançar um livro, um livro histórico que lhe levou anos a reunir dados e que hoje partilha connosco. "Jardim, a grande fraude - uma radiografia da Madeira Nova".
Não se conseguiu encontrar sala que acolhesse o evento de lançamento do livro mas, uma vez editado, será com toda a certeza "o" livro de cabeceira de milhões de portugueses. Antevejo já edições esgotadas.
Compreenderão agora como é possível dever 85 milhões às farmácias pondo em risco a comparticipação aos utentes: compreenderão os aluviões que põem a nu as irresponsabilidades de engenheiros de meia tigela, de empreiteiros sugadores e irresponsáveis, do porquê de marinas destruídas, de praias arrasadas, do porto do Funchal ser o mais caro do país e de sermos, presentemente, penalizados com a supressão de um barco cargueiro para o Funchal, de estádios mega milionários inacabados e ilegais.....
Será que a "Madeira das flores" (importadas, como na Festa da Flor), dos "bailhinhos" , das inaugurações a todo o custo mesmo se mal feitas e inacabadas, não vai sair penalizada? Do Único Importante já todos sabem como funciona a sua deselegância, a falta de educação, a verborreia reles que tanta vez usa, seja contra o presidente da República, o Estado ou as Forças Armadas.
Esta Madeira é sim uma grande fraude; há mais "pides" que no século passado, tem pajens e histriões que a tudo se prestam numa vassalagem nauseabunda!
O livro poderá não ser aqui lançado, mas não deixará de ser TOP de vendas nas Feiras dos Livros, nas livrarias e na própria editora.
E ainda se fala de um qualquer Kadhafi africano quando, na Europa, temos......disto!

Maria Teresa Góis

como eu vejo a ilha

as serras do Paúl, vistas da Levada da Ribeira da Janela

feijões ou problemas?

Reza a lenda que um monge, próximo de se aposentar, precisava encontrar um sucessor.
Entre seus discípulos, dois já haviam dado mostras de que eram os mais aptos, mas apenas um poderia sucede-lo. Para sanar as dúvidas, o mestre lançou um desafio, para colocar a sabedoria dos dois à prova: ambos receberam alguns grãos de feijão que deveriam colocar dentro dos sapatos, para então empreender a subida de uma grande montanha.

Dia e hora marcados, começa a prova.
Nos primeiros quilómetros, um dos discípulos começou a mancar.
No meio da subida, parou e tirou os sapatos. As bolhas em seus pés já sangravam, causando imensa dor.
Ficou para trás, observando seu oponente sumir de vista.

Prova encerrada, todos de volta ao pé da montanha, para ouvir do monge o óbvio anúncio.
Após o festejo, o derrotado aproxima-se e pergunta ao escolhido como é que ele havia conseguido subir e descer com os feijões nos sapatos.
- Antes de coloca-los no sapato, eu os cozinhei - foi a resposta.

Carregando feijões ou problemas, há sempre um jeito mais fácil de levar a vida. 

Problemas são inevitáveis. Já a duração do sofrimento é você quem determina...
APRENDA A COZINHAR SEUS FEIJÕES!

Não esquecendo jamais que Deus é maior do que todos os nossos problemas...

sexta-feira, abril 08, 2011

batem leve, levemente....



Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
É o FMI

Vem aí o vendaval

mas há pouco, há poucochinho,
nem uma notinha havia
nos cofres da mordomia
deste nosso Portugal

Quem bate, assim, nestas gentes

com tanta desfaça…teza?
Ès tu politico que mentes
Não és homem, nem és gente
És corrupto concerteza

Fui ver. O povo caía

do azul amarelado do céu,
com a fome e misé…ría
como tordos em dia de caçaria
E que pesadelo, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.

E vejo tudo negrinho
E… só tenho esta carcaça
Que comida tão escassa
que tenho para o caminho
vou ver se a fome me passa
eles vão acabar-nos com a raça
e com o nosso dinheirinho

Fico pensando nesses animais

Que estoiraram a nossa poupança
Bancos, políticos e outros que tais
Que nos roubaram demais
E, pagamos nós esta dês---grança


E já descalços, e fodidos

Inda conseguimos vê-los
Com fatos caros vestidos
Os políticos pervertidos
Os grandessíssimos camelos

Que o politico gastador

sofra tormentos... enfim!
Mas este povo, Senhor,
Vem cá a baixo por favor
E não peço só p’ra mim

E uma infinita tristeza,

Se apossa do meu coração
Pois podem ter a certeza
Se eu tivesse riqueza
Punha-os todos só a pão


rec por email 

pensamento do dia






Sócrates foi considerado o melhor sogro do ano....deixou tudo à nora!

foto do dia

o meu pão de centeio, antes e....depois!

como eu vejo a ilha

hoje, às 07h30, a minha oração da manhã!

Caminho


Tenho sonhos cruéis: n'alma doente
sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
embebido em saudades do presente... 

Saudades desta dor que em vão procuro
do peito afugentar bem rudemente,
devendo, ao desmaiar sobre o poente,
cobrir-me o coração de um véu escuro!... 

Porque a dor, esta falta d'harmonia,
toda a luz desgrenhada que alumia
as almas doidamente, o céu d'agora,
sem ela o coração é quase nada:

um sol onde expirasse a madrugada,
porque é só madrugada quando chora.

Camilo Pessanha

quinta-feira, abril 07, 2011

Canção autobiográfica


aos quarenta e dois anos, com um cão e o silêncio
da sua pata cúmplice, a solidão é uma
destreza atormentada; e o coração o incerto secretário
de agonia e desejo, variantes da alma.
aos quarenta e dois anos, com um cão e o silêncio.

canção, canção que nunca acabarias
de te escrever, vaivém das
tantas coisas.

Vasco Graça Moura

quarta-feira, abril 06, 2011

Geração à rasca foi a minha!

Geração à rasca foi a minha
Geração à rasca foi a minha. Foi uma Geração que viveu num país vazio de
gente por causa da emigração e da guerra colonial, onde era proibido ser
diferente, pensar que todos deveriam ter acesso à saúde, ao ensino e à
segurança social.

Uma Geração de opiniões censuradas a lápis azul. De mulheres com poucos
direitos, mas de homens cheios deles. De grávidas sem assistência e de
crianças analfabetas. A mortalidade infantil era de 44,9%. Hoje é de 3,6%.

Que viveu numa terra em que o casamento era para toda a vida, o divórcio
proibido, as uniões de facto eram pecado e filhos sem casar uma desonra.
Hoje, o conceito de família mudou. Há casados, recasados, em união de facto,
casais homossexuais, monoparentais, sem filhos por opção, mães solteiras
porque sim, pais biológicos, etc.

A mulher era, perante a lei, inferior. A sociedade subjugava-a ao marido, o
chefe de família, que tinha o direito de não autorizar a sua saída do país
ou de ler-lhe a correspondência.

Os televisores LED, ou a 3 dimensões eram uns caixotes a preto e branco onde
se colocava à frente do ecrã um filtro colorido, mas apenas se conseguia
transformar os locutores em ET's desfocados.

Na rádio ouviam-se apenas 3 estações - a oficial Emissora Nacional, a
católica Rádio Renascença e o inovador Rádio Clube Português. Não tínhamos
então os Gato Fedorento, mas dava-nos imenso gozo ouvir Os Parodiantes de
Lisboa, ou a Voz dos Ridículos.

As Raves da época eram as festas de garagem, onde se ouvia música de vinil e
se fumava liamba das colónias. Nada de Bares ou Danceterias.
As Docas eram para estivadores, e O Jamaica do Cais do Sodré para marujos.

A "Night" era para os boémios. Éramos a geração das tascas, das casas de
fado e das boites de fama duvidosa. Discotecas eram lojas que vendiam
discos, como a Valentim de Carvalho ou a Vadeca.

As Redes Sociais chamavam-se Aerogramas, cartas que a nossa juventude
enviava lá da guerra aos pais, noivas, namoradas ou madrinhas de guerra.
Agora vivem na Internet, ora alimentando números de socialização no
Facebook, ora cultivando batatas no Farmville. Os SMS e E-Mails cheios de k
e vazios de assentos eram as nossas cartas e postais ou papelinhos
contrabandeados nas aulas.

As viagens Low-Cost na nossa Geração eram feitas por via marítima.
Quem não se lembra do Niassa, do Timor, do Quanza, do Índia entre outros,
tenebrosos navios que, quando embarcávamos, só tínhamos uma certeza - a
viagem de ida, quer fosse para Angola, Moçambique ou Guiné.

Ginásios? Só nas coletividades. Os SPAS chamavam-se Termas e só serviam
doentes. Coca-Cola e Pepsi? Eram proibidas. Bebia-se laranjada, gasosa ou
pirolito.

Na minha geração, dos jovens só se esperava que fossem para a tropa ou
emigrassem.
Na minha Geração o país, tal como as fotografias, era a preto e branco.



rec.por email

Abril de Abril


Era um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.

Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.

Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.

Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.

Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.

Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.

Manuel Alegre

domingo, abril 03, 2011

Ofício de ler...


 
"Onde se queimam livros, cedo ou tarde se queimam Homens." 
Heinrich-Heine   1797-1856

Farta das diatribes políticas e das iras ambientais, falo-vos hoje de um gosto muito pessoal: ler.
Creio que o primeiro livro que tive era de pano e da Majora.
Depois, mesmo antes de saber ler, devo ter roído os cantos a alguns dos livros das minhas irmãs. Foi daí, talvez, que me ficou o gosto de ler.
Lembro-me da "guerra" de quem primeiro apanhava o novo livro dos Cinco ou outros que meu Pai trazia, da corrida, ao sábado, à chegada do jornal na porta de casa para primeiro ter na mão o "Cavaleiro Andante" ou o "Mundo de Aventuras"…
Fui crescendo e da biblioteca caseira saíram os textos que me alimentaram paixões, desilusões, o ócio, o fastio do estudo, o prazer.
Por entre as folhas numeradas, criei amigos inseparáveis com que ainda hoje privo.
Pegar num livro, sentir a textura do papel, o cheiro, ler a informação do autor, ou o tópico do texto, é um desafio.
Hoje, também, é urgente abrir o livro e ler, ser transportado nas letras, parar no tempo que nos emociona e viver a história que não é nossa.
Porque a história propriamente dita do Livro, é a da humanidade e da sua evolução.
Dos pergaminhos escritos, aos rolos de papiro e à impressão rápida e económica de hoje, medeiam séculos. Jorge Luiz Borges dizia que "de entre os instrumentos inventados pelo homem, o mais impressionante é, sem dúvida, o livro…é uma extensão da memória e da imaginação".
Cada país tem as suas referências nos autores que imortalizaram ou imortalizam a sua língua - é um veículo de divulgação de cultura, de enriquecimento pessoal, é democrático porque lemos o que queremos quando queremos, privando de perto com a sensibilidade do autor, suas ideias e ideais.
Saramago disse que "é ainda possível chorar sobre as páginas de um livro, mas sobre um disco rígido, não."
Não aceito pois que a formação de um jovem não inclua, desde cedo, os bons hábitos de leitura e cheguem às obras leccionadas e obrigatórias com a apreciação de "uma ganda seca".
Sinais dos tempos da era informática, global, que isola, sujeita e condiciona a um simples ecrã horas sem fim.
Ler é crescer, é projectar perspectivas, pensamentos e opiniões.
Ler completa-nos, abre-nos os braços, humaniza-nos.
Quintana dizia que "os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem".
Só num livro podemos virar a folha a bel-prazer, folhear, voltar atrás e espreitar o próximo capítulo ou o enredo final.
Na vida, não.

Maria Teresa Góis
publicado Diário Notícias da Madeira, hoje, Opinião/Sinais dos Tempos

pensamento do dia

sexta-feira, abril 01, 2011

Para casamento Real, real souvenir

fonte i online
A menos de um mês do primeiro casamento Real do século, Buckingham prepara-se para o acontecimento. Enquanto o Palácio se ocupa dos pormenores para a boda, a indústria trata de fazer com que a data não passe em branco. E há objectos para todos os gostos...

caixabanco

novo sistema financeiro português...

breve história do 1º de Abril

Há muitas explicações para o 1 de abril ter se transformado no dia das mentiras ou dia dos bobos. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de abril.
Em 1564, depois da adopção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1 de Abril. Gozadores passaram então a ridiculariza-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.
Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day, "Dia dos Tolos [de Abril]"; na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, literalmente "peixe de abril".
No Brasil, o primeiro de abril começou a ser difundido em Minas Gerais, onde circulou A Mentira, um periódico de vida efémera, lançado em 1º de abril de 1848, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. A Mentira saiu pela última vez em 14 de Setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de Abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente.

Origem: Wikipédia
NOTA DA REDACÇÃO - Durante este mês estarei ausente. Vou à Venezuela visitar, finalmente, a família do meu marido. Mas irei manter o blog. Fiquem bem.