GOVERNO DA REPÚBLICA PORTUGUESA
Decreto-Lei n.º 1166-AB/2012 de 11 de Abril
Estabelece a junção de Feriados
O GOVERNO DA REPUBLICA PORTUGUESA decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte:
TÍTULO I
Disposições gerais e comuns
CAPÍTULO I
Objecto e âmbito
Por imperativo nacional, tendo em vista um aumento da produtividade e consequente desenvolvimento da economia, traduzindo-se a curto prazo na consolidação das contas públicas conforme os compromissos com os parceiros Internacionais, nomeadamente Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional, designados por Troika, compromissos esses, acordados no ano de 2011, o Conselho de Ministros do Governo da República Portuguesa, decreta:
O Feriado de 10 Junho, comemorativo do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, passa a designar-se por:
10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões, das Comunidades Portuguesas, de Carnaval, de Natal e da Revolução dos Cravos.
A fim de, no mesmo dia se comemorar com pompa e circunstância as várias comemorações, o Governo da República Portuguesa manda que se cumpra:
CAPÍTULO II
Cronograma das comemorações
08.00h – Hastear Bandeira na Praça do Rossio, ao mesmo tempo que se toca o Hino Nacional. No fim do hastear da bandeira, perante o corpo diplomático creditado em Portugal, lê-se o 1º e 2º Canto dos Lusíadas de Luis Vaz de Camões. (Nota: Os assessores de Sua Excelência o Presidente da República devem informar com antecedência, o Sr. Presidente da República, quantos Cantos têm os Lusíadas, para este não se sentir desconfortável).
10.00h – Haverá uma pausa de 30 minutos para todos os convidados se mascararem e iniciarem o desfile de carnaval que terá início às 11.00h e deve dar duas voltas à Praça do Rossio, ao som de escolas de samba de vários pontos do país, previamente convidadas para o efeito.
12.00h – Pausa nas comemorações. É aconselhável que todos os presentes se dirijam às suas casas a fim de comemorarem o Natal em Família. Como se processará também a troca de presentes, as comemorações do feriado, serão retomadas às 15.00h.
15.00h – Início da comemoração da revolução dos cravos, anteriormente designada por 25 de Abril. Haverá um Comício com o PCP e o Bloco de Esquerda. O PSD e o CDS/PP estão dispensados. É a única altura do dia em que se pode falar mal do governo. Obrigatoriamente estes comícios têm de terminar às 17.00h, uma vez que com a restrição orçamental, não há hipótese de pagar horas extraordinárias aos membros do governo.
CAPÍTULO III
Revogação
São revogados:
- O Feriado do 25 de Abril, a terça-feira de carnaval e o 25 de Dezembro.
- É ainda mudado o nome da Ponte 25 de Abril para Ponte 10 de Junho.
- Em todas as cidades e vilas do País, as ruas 25 de Abril devem ser mudadas para Ruas 10 de Junho. Caso já haja uma rua designada de 10 de Junho, passará a designar-se rua 10 de Junho B.
A presente lei entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
Aprovada em 8 de Abril de 2012.
Promulgada em 10 de Abril de 2012.
Publique -se.
O Presidente da República, ANÍBAL CAVACO SILVA.
Referendada em 11 de Abril de 2012.
O Primeiro -Ministro, Pedro Passos Coelho
segunda-feira, maio 14, 2012
domingo, maio 13, 2012
sábado, maio 12, 2012
bolo de côco
2 chávenas de açúcar (deite menos 1 dedo em cada chávena)
2 chávenas de farinha
1 colher de sopa (+ ou - rasa) de fermento Royal
1 chávena de leite
1 chávena de óleo
2 chávenas de côco ralado
Bata o açúcar com as gemas. Adicione o leite, depois o óleo. Junte a farinha com o fermento, o côco e por fim as claras em castelo.
Dica - depois de bater as claras aproveite o batedor e bata o bolo durante 2 minutos, antes de adicionar as claras. Coze em forma grande, untada.
coze 45 a 55 minutos
quarta-feira, maio 09, 2012
terça-feira, maio 08, 2012
AMIGO
Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!Amigo é um sorriso
De boca em boca,Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
in No Reino da Dinamarca
domingo, maio 06, 2012
segunda-feira, abril 30, 2012
O Espírito
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Natália Correia, in “Poesia Completa”
domingo, abril 29, 2012
'Diazepam'*
No dia da assinatura da venda do BPN ao BIC, a preço de saldo, o indivíduo bem-disposto sentado ao lado do eng.º. Mira Amaral disse: "Os portugueses estão mais tristes que qualquer angolano de calções e chinelo no pé". Se, de início, tal declaração me pôs a paciência em franja certo é que hoje começo a alavancar (promover) que a ideia não é errada. Senão vejamos: o subsídio de Natal criado em 1972 por Marcello Caetano e os subsídios de férias e desemprego de 1974, andam na boca e na miragem dos portugueses. Depois da mística data de 13 de Setembro de 2013 para o regresso aos mercados temos agora o ano 2017 em vista, como ano da devolução.
Criados, os dois primeiros, para compensar os baixos salários então praticados, não se esperava que quarenta anos depois e mantendo o nível de salários sempre baixo para o grosso da população, o subsídio de férias e o de Natal, assim fossem "gasparizados".
Num país que hoje é governado por pessoas que não parecem conversar entre si, é fácil despedir, é barato e não precisa de aviso prévio.
O parto sigiloso da suspensão das reformas antecipadas demonstra a insegurança do Governo e o desprezo que têm pelos sindicatos e parceiros sociais.
O país, de dia para dia, empobrece, esvazia-se de quadros jovens que emigram à procura de um futuro, deixando a zona de desconforto a que não tencionam voltar. O país envelhece sem o acesso à saúde e aos medicamentos, anda ansioso, sem a capacidade de criar anticorpos às convulsões sociais previsíveis.
O Estado vende, a qualquer preço, os bens do país mesmo que sejam empresas de serviço público, sem retorno possível num qualquer futuro.
Não me admiraria de ver a estátua do Marquês de Pombal numa praça angolana ou o Fernando Pessoa de perna cruzada na China…
A depressão cerra fileiras e aos manifestantes de Abril, a pouco e pouco, vão-se juntando mais alguns descontentes e desiludidos, enchendo as praças e avenidas.
Outros, não aguentando o peso e o ritmo da vida sem a panaceia de um qualquer Diazepam, mesmo se genérico, põe termo aos problemas numa solução radical.
Reinstalou-se o medo, o falar à boca pequena, a denúncia, a pobreza, a mendicidade de um país intervencionado.
Não admira que o estado geral da população activa, que hoje já não tem subsídios ou garantia de emprego certo, somando os desempregados desesperados e os idosos onerados, precisem de sedativos que lhes mitiguem a ansiedade e a precariedade de vida, contrastando com os que auferem ou acumulam boas pensões.
O desemprego flagela famílias e as normas do governo atiram-nas para organizações de apoio alimentar, um "take-away dos pobres" como disse o ministro. Umas, porque outras hão-de recorrer a meios ilegais para garantir a sobrevivência.
Aproveitemos pois o 1.º de Maio para celebrar o trabalho e os trabalhadores, para fazer ouvir o direito ao trabalho e para descansar num feriado que dificilmente será retirado, gozando os verdes da Laurissilva, olhando o oceano azul, na descontracção do convívio e, por que não?, saboreando uma 'cuba libre'!
*Diazepam - fármaco da família dos bezodiazepínicos (ansiolítico, sedativo)
Diário de Notícias
MARIA TERESA GÓIS
quarta-feira, abril 25, 2012
terça-feira, abril 24, 2012
"carta aberta ao venerando chefe de estado a que isto chegou"
Senhor Presidente,
Há muito, muito tempo, nos dias depois que Abril floriu e a Europa se abriu de par em par, foi V.Exa por mandato popular encarregue de nos fazer fruir dessa Europa do Mercado Comum, clube dos ricos a que iludidos aderimos, fiados no dinheiro fácil do FEDER, do FEOGA, das ajudas de coesão(FUNDO DE COESÃO) e demais liberalidades que, pouco acostumados, aceitámos de olhar reluzente, estranhando como fácil e rápido era passar de rincão estagnado e órfão do Império para a mesa dos poderosos que, qual varinha mágica, nos multiplicariam as estradas, aumentariam os direitos, facilitariam o crédito e conduziriam ao Olimpo até aí inatingível do mundo desenvolvido.
Havia pequenos senãos, arrancar vinhas, abater barcos, não empatar quem produzisse tomate em Itália ou conservas em Marrocos, coisa pouca e necessária por via da previdente PAC, mas, estando o cheque passado e com cobertura, de inauguração em inauguração, o país antes incrédulo, crescia, dava formação a jovens, animava a construção civil , os resorts de Punta Cana e os veículos topo de gama do momento.
Do alto do púlpito que fora do velho Botas, V.Exa passaria à História como o Modernizador, campeão do empreendedorismo, símbolo da devoção à causa pública, estóico servidor do povo a partir da marquise esconsa da casa da Rua do Possôlo. Era o aplicado aluno de Bruxelas, o exemplo a seguir no Mediterrâneo, o desbravador do progresso, com o mapa de estradas do ACP permanentemente desactualizado.
O tecido empresarial crescia, com pés de barro e frágeis sapatas, mas que interessava, havia pão e circo, CCB e Expo, pontes e viadutos, Fundo Social Europeu e tudo o que mais se quisesse imaginar, à sombra de bafejados oásis de leite e mel, Continentes e Amoreiras, e mais catedrais escancaradas com um simples cartão Visa.
Ao fim de dez anos, um pouco mais que o Criador ao fim de sete, vendo a Obra pronta, V.Exa descansou, e retirou-se. Tentou Belém, mas ingrato, o povo condenou-o a anos no deserto, enquanto aprendizes prosseguiam a sanha fontista e inebriante erguida atrás dos cantos de sereia, apelando ao esbanjamento e luxúria.
No início do novo século, preocupantes sinais do Purgatório indicaram fragilidades na Obra, mas jorrando fundos e verbas, coisa de temerários do Restelo se lhe chamou. À porta estava o novo bezerro de ouro, o euro, a moeda dos fortes, e fortes agora com ela seguiríamos, poderosos, iguais.
Do retiro tranquilo, à sombra da modesta reforma de servidor do Estado, livros e loas emulando as virtudes do novo filão foram por V.Exa endossados , qual pitonisa dos futuros que cantam, sob o euro sem nódoa, moeda de fortes e milagreiro caminho para o glorioso domínio da Europa.
Migalha a migalha, bitaite a bitaite, foi V.Exa pacientemente cozendo o seu novelo, até que, uma bela manhã de nevoeiro, do púlpito do CCB, filho da dilecta obra, anunciou aos atarantados povos estar de volta, pronto a servir.
Não que as gentes o merecessem, mas o país reclamava seriedade, contenção, morgados do Algarve em vez de ostras socialistas.
Seria o supremo trono agora, com os guisados da Maria e o apoio de esforçados amigos que, fruto de muito suor e trabalho, haviam vingado no exigente mundo dos negócios, em prol do progresso e do desenvolvimento do país.
Salivando o povo à passagem do Mestre, regressado dos mortos, sem escolhos o conduziram a Belém, onde petiscando umas pataniscas e bolo-rei sem fava, presidiria, qual reitor, às traquinices dos pupilos, por veladas e paternais palavras ameaçando reguadas ou castigos contra a parede.
E não contentes, o repetiram segunda vez, e V. Exa, com pungente sacrifício lá continuou aquilíneo cônsul da república, perorando homilias nos dias da pátria e avisando ameaçador contra os perigos e tormentas que os irrequietos alunos não logravam conter.
Que preciso era voltar à terra e ao arado, à faina e à vindima, vaticinou V.Exa, coveiro das hortas e traineiras; que chegava de obras faraónicas, alertou, qual faraó de Boliqueime e campeão do betão; que chegava de sacrifícios, estando uns ao leme, para logo aconselhar conformismo e paciência mal mudou o piloto.
Eremita das fragas, paroquial chefe de família, personagem de Camilo e Agustina, desprezando os políticos profissionais mas esquecendo que por junto é o profissional da política há mais anos no poder, preside hoje V.Exa ao país ingrato que, em vinte anos, qual bruxedo ou mau olhado, lhe destruiu a obra feita, como vil criatura que desperta do covil se virou contra o criador, hoje apenas pálida esfinge, arrastando-se entre a solidão de Belém e prosaicas cerimónias com bombeiros e ranchos.
Trinta anos, leva em cena a peça de V.Exa no palco da política, com grandes enchentes no início e grupos arregimentados e idosos na actualidade.
Mas, chegando ao fim o terceiro acto, longe da epopeia em que o Bem vence o Mal e todos ficam felizes para sempre, tema V.Exa pelo juízo da História, que, caridosa, talvez em duas linhas de rodapé recorde um fugaz Aníbal, amante de bolo-rei e desconhecedor dos Lusíadas, que durante uns anos pairou como Midas multiplicador e hoje mais não é que um aflito Hamlet nas muralhas de Elsinore, transformado que foi o ouro do bezerro em serradura e sobrevivendo pusilâmine como cinzento Chefe do estado a que isto chegou, não obstante a convicção, que acredito tenha, de ter feito o seu melhor.
Há muito, muito tempo, nos dias depois que Abril floriu e a Europa se abriu de par em par, foi V.Exa por mandato popular encarregue de nos fazer fruir dessa Europa do Mercado Comum, clube dos ricos a que iludidos aderimos, fiados no dinheiro fácil do FEDER, do FEOGA, das ajudas de coesão(FUNDO DE COESÃO) e demais liberalidades que, pouco acostumados, aceitámos de olhar reluzente, estranhando como fácil e rápido era passar de rincão estagnado e órfão do Império para a mesa dos poderosos que, qual varinha mágica, nos multiplicariam as estradas, aumentariam os direitos, facilitariam o crédito e conduziriam ao Olimpo até aí inatingível do mundo desenvolvido.
Havia pequenos senãos, arrancar vinhas, abater barcos, não empatar quem produzisse tomate em Itália ou conservas em Marrocos, coisa pouca e necessária por via da previdente PAC, mas, estando o cheque passado e com cobertura, de inauguração em inauguração, o país antes incrédulo, crescia, dava formação a jovens, animava a construção civil , os resorts de Punta Cana e os veículos topo de gama do momento.
Do alto do púlpito que fora do velho Botas, V.Exa passaria à História como o Modernizador, campeão do empreendedorismo, símbolo da devoção à causa pública, estóico servidor do povo a partir da marquise esconsa da casa da Rua do Possôlo. Era o aplicado aluno de Bruxelas, o exemplo a seguir no Mediterrâneo, o desbravador do progresso, com o mapa de estradas do ACP permanentemente desactualizado.
O tecido empresarial crescia, com pés de barro e frágeis sapatas, mas que interessava, havia pão e circo, CCB e Expo, pontes e viadutos, Fundo Social Europeu e tudo o que mais se quisesse imaginar, à sombra de bafejados oásis de leite e mel, Continentes e Amoreiras, e mais catedrais escancaradas com um simples cartão Visa.
Ao fim de dez anos, um pouco mais que o Criador ao fim de sete, vendo a Obra pronta, V.Exa descansou, e retirou-se. Tentou Belém, mas ingrato, o povo condenou-o a anos no deserto, enquanto aprendizes prosseguiam a sanha fontista e inebriante erguida atrás dos cantos de sereia, apelando ao esbanjamento e luxúria.
No início do novo século, preocupantes sinais do Purgatório indicaram fragilidades na Obra, mas jorrando fundos e verbas, coisa de temerários do Restelo se lhe chamou. À porta estava o novo bezerro de ouro, o euro, a moeda dos fortes, e fortes agora com ela seguiríamos, poderosos, iguais.
Do retiro tranquilo, à sombra da modesta reforma de servidor do Estado, livros e loas emulando as virtudes do novo filão foram por V.Exa endossados , qual pitonisa dos futuros que cantam, sob o euro sem nódoa, moeda de fortes e milagreiro caminho para o glorioso domínio da Europa.
Migalha a migalha, bitaite a bitaite, foi V.Exa pacientemente cozendo o seu novelo, até que, uma bela manhã de nevoeiro, do púlpito do CCB, filho da dilecta obra, anunciou aos atarantados povos estar de volta, pronto a servir.
Não que as gentes o merecessem, mas o país reclamava seriedade, contenção, morgados do Algarve em vez de ostras socialistas.
Seria o supremo trono agora, com os guisados da Maria e o apoio de esforçados amigos que, fruto de muito suor e trabalho, haviam vingado no exigente mundo dos negócios, em prol do progresso e do desenvolvimento do país.
Salivando o povo à passagem do Mestre, regressado dos mortos, sem escolhos o conduziram a Belém, onde petiscando umas pataniscas e bolo-rei sem fava, presidiria, qual reitor, às traquinices dos pupilos, por veladas e paternais palavras ameaçando reguadas ou castigos contra a parede.
E não contentes, o repetiram segunda vez, e V. Exa, com pungente sacrifício lá continuou aquilíneo cônsul da república, perorando homilias nos dias da pátria e avisando ameaçador contra os perigos e tormentas que os irrequietos alunos não logravam conter.
Que preciso era voltar à terra e ao arado, à faina e à vindima, vaticinou V.Exa, coveiro das hortas e traineiras; que chegava de obras faraónicas, alertou, qual faraó de Boliqueime e campeão do betão; que chegava de sacrifícios, estando uns ao leme, para logo aconselhar conformismo e paciência mal mudou o piloto.
Eremita das fragas, paroquial chefe de família, personagem de Camilo e Agustina, desprezando os políticos profissionais mas esquecendo que por junto é o profissional da política há mais anos no poder, preside hoje V.Exa ao país ingrato que, em vinte anos, qual bruxedo ou mau olhado, lhe destruiu a obra feita, como vil criatura que desperta do covil se virou contra o criador, hoje apenas pálida esfinge, arrastando-se entre a solidão de Belém e prosaicas cerimónias com bombeiros e ranchos.
Trinta anos, leva em cena a peça de V.Exa no palco da política, com grandes enchentes no início e grupos arregimentados e idosos na actualidade.
Mas, chegando ao fim o terceiro acto, longe da epopeia em que o Bem vence o Mal e todos ficam felizes para sempre, tema V.Exa pelo juízo da História, que, caridosa, talvez em duas linhas de rodapé recorde um fugaz Aníbal, amante de bolo-rei e desconhecedor dos Lusíadas, que durante uns anos pairou como Midas multiplicador e hoje mais não é que um aflito Hamlet nas muralhas de Elsinore, transformado que foi o ouro do bezerro em serradura e sobrevivendo pusilâmine como cinzento Chefe do estado a que isto chegou, não obstante a convicção, que acredito tenha, de ter feito o seu melhor.
Respeitoso e Suburbano, devidamente autorizado pela Sacrossanta Troika,
António Maria dos Santos
sobrevivente(ainda) do cataclismo de 2011
recebido por e-mail
António Maria dos Santos
sobrevivente(ainda) do cataclismo de 2011
recebido por e-mail
segunda-feira, abril 23, 2012
domingo, abril 22, 2012
sexta-feira, abril 20, 2012
Fucking não consegue mudar de nome
A aldeia austríaca de Fucking vive dias conturbados. Cansados de serem motivo de piadolas fáceis dos turistas de língua inglesa e de pagarem do seu bolso a substituição das placas da localidade constantemente roubadas pelos visitantes, os “fuckinguenses” decidiram mudar o nome da terra para Fugging. Mas, afinal, já existe uma terra com esse nome no país e não está disposta a partilhá-lo. As autoridades terão agora de desempatar a contenda.
Tudo indica, portanto, que o calvário desta terra amaldiçoada pela linguística vá continuar por mais uns tempos. Baptizada com um nome totalmente inofensivo em alemão por causa de um lorde, Focko, que terá fundado o povoado no século VI, Fucking começou a dar nas vistas após a II Guerra Mundial, quando se tornou ponto de peregrinação obrigatório para as tropas britânicas e norte-americanas estacionadas ali perto, em Salzburgo.
Começou aí a fama da aldeia com nome em vernáculo. E depois vieram os turistas. Roubavam as placas, fotografavam-se e filmavam-se junto a elas, por vezes tirando a roupa e cumprindo o desígnio indicado pela palavra que em inglês – e traduzindo de forma civilizada – quer dizer “praticar o acto sexo sexual”. Para mais, num dos locais onde existe placa toponímica, esta está acompanhada por um sinal de trânsito, com a imagem de duas crianças e a mensagem “Mais devagar, por favor”...
Os cidadãos locais (e são cerca de uma centena) não achavam graça nenhuma a isto. Principalmente porque cada placa custa à volta de 300 euros e o seu roubo constitui o único item da lista de crimes cometidos na terra. A primeira medida, tomada em 2005, foi substituir as placas normais por outras à prova de roubo – leia-se: em aço e ancoradas numa sapata de betão. Mesmo assim, elas desapareciam. A seguir instalaram câmaras de vigilância para dissuadir os mais ousados.
Por esta altura, já havia quem estivesse a ver a coisa por outro prisma. Um cidadão local criou um site e passou a vender t-shirts com a mensagem “I like Fucking in Áustria”. O negócio corria bem, mas os vizinhos levaram a mal e a pressão da opinião pública matou a iniciativa. Outras surgiram: em 2008, realizava-se o Festival das Fuck Bands, que contou com as participações de grupos como os Fucked Up, Holy Fuck, Fuck e Fuck Buttons.
Talvez tudo isto sejam em breve memórias de uma era desaparecida. Mas, ao anunciar a intenção de mudar de nome, os responsáveis da aldeia podem ter desencadeado uma reacção adversa. Muitos turistas estarão a dizer neste momento: “Vamos a Fucking enquanto é tempo!”in Publico
Começou aí a fama da aldeia com nome em vernáculo. E depois vieram os turistas. Roubavam as placas, fotografavam-se e filmavam-se junto a elas, por vezes tirando a roupa e cumprindo o desígnio indicado pela palavra que em inglês – e traduzindo de forma civilizada – quer dizer “praticar o acto sexo sexual”. Para mais, num dos locais onde existe placa toponímica, esta está acompanhada por um sinal de trânsito, com a imagem de duas crianças e a mensagem “Mais devagar, por favor”...
Os cidadãos locais (e são cerca de uma centena) não achavam graça nenhuma a isto. Principalmente porque cada placa custa à volta de 300 euros e o seu roubo constitui o único item da lista de crimes cometidos na terra. A primeira medida, tomada em 2005, foi substituir as placas normais por outras à prova de roubo – leia-se: em aço e ancoradas numa sapata de betão. Mesmo assim, elas desapareciam. A seguir instalaram câmaras de vigilância para dissuadir os mais ousados.
Por esta altura, já havia quem estivesse a ver a coisa por outro prisma. Um cidadão local criou um site e passou a vender t-shirts com a mensagem “I like Fucking in Áustria”. O negócio corria bem, mas os vizinhos levaram a mal e a pressão da opinião pública matou a iniciativa. Outras surgiram: em 2008, realizava-se o Festival das Fuck Bands, que contou com as participações de grupos como os Fucked Up, Holy Fuck, Fuck e Fuck Buttons.
Talvez tudo isto sejam em breve memórias de uma era desaparecida. Mas, ao anunciar a intenção de mudar de nome, os responsáveis da aldeia podem ter desencadeado uma reacção adversa. Muitos turistas estarão a dizer neste momento: “Vamos a Fucking enquanto é tempo!”in Publico
Balada dos Aflitos
Irmãos humanos tão desamparados
a luz que nos guiava já não guia
somos pessoas - dizeis - e não mercados
este por certo não é tempo de poesia
gostaria de vos dar outros recados
com pão e vinho e menos mais valia.
Irmãos meus que passais um mau bocado
e não tendes sequer a fantasia
de sonhar outro tempo e outro lado
como António digo adeus a Alexandria
desconcerto do mundo tão mudado
tão diferente daquilo que se queria.
Talvez Deus esteja a ser crucificado
neste reino onde tudo se avalia
irmãos meus sem valor acrescentado
rogai por nós Senhora da Agonia
irmãos meus a quem tudo é recusado
talvez o poema traga um novo dia.
Rogai por nós Senhora dos Aflitos
em cada dia em terra naufragados
mão invisível nos tem aqui proscritos
em nós mesmos perdidos e cercados
venham por nós os versos nunca escritos
irmãos humanos que não sois mercados.
Manuel Alegre
a luz que nos guiava já não guia
somos pessoas - dizeis - e não mercados
este por certo não é tempo de poesia
gostaria de vos dar outros recados
com pão e vinho e menos mais valia.
Irmãos meus que passais um mau bocado
e não tendes sequer a fantasia
de sonhar outro tempo e outro lado
como António digo adeus a Alexandria
desconcerto do mundo tão mudado
tão diferente daquilo que se queria.
Talvez Deus esteja a ser crucificado
neste reino onde tudo se avalia
irmãos meus sem valor acrescentado
rogai por nós Senhora da Agonia
irmãos meus a quem tudo é recusado
talvez o poema traga um novo dia.
Rogai por nós Senhora dos Aflitos
em cada dia em terra naufragados
mão invisível nos tem aqui proscritos
em nós mesmos perdidos e cercados
venham por nós os versos nunca escritos
irmãos humanos que não sois mercados.
Manuel Alegre
quinta-feira, abril 19, 2012
efeméride....
"Sou mais velho do que o Tempo e o Espaço, porque sou consciente. As coisas derivam de mim; a Natureza inteira é a primogénita da minha sensação.
Busco-não encontro. Quero, e não posso.
Sem mim o sol nasce e se apaga; sem mim a chuva cai e o vento geme. Não são por mim as estações, nem o curso dos meses, nem a passagem das horas.
Dono do mundo em mim, como de terras que não posso trazer comigo, ..."
In: "O livro do Desassossego"
FERNANDO PESSOA
no dia em que passam 80 anos da data da sua morte
terça-feira, abril 17, 2012
sábado, abril 14, 2012
Cientistas contam milhares de pinguins a partir do espaço
Um novo estudo usou satélites para descobrir que existem 595.000 pinguins-imperador na Antárctida, ou seja, duas vezes mais do que se pensava. As conclusões da investigação sobre o impacto das alterações do Ambiente nas populações desta ave icónica foram publicadas na revista PLoS ONE.
“Ficámos encantados por sermos capazes de localizar e identificar tantos pinguins-imperador”, disse o principal autor do estudo, Peter Fretwell, e membro do British Antarctic Survey (BAS). “Contámos 595.000 aves, quase o dobro das estimativas anteriores, entre 270.000 e 350.000 animais. Este é o primeiro censo completo de uma espécie, feito a partir do espaço”, acrescentou.
Uma equipa internacional de cientistas utilizou imagens de satélite de muito alta resolução para estimar o número de pinguins em cada colónia em redor da zona costeira da Antárctida. Com uma nova tecnologia que permite aumentar a resolução das imagens de satélite, a equipa conseguiu diferenciar aves, gelo, sombras e fezes de pinguins (chamado guano). Para calibrar a análise das populações, os cientistas fizeram contagens no terreno e tiraram fotografias aéreas.
O pinguim-imperador nidifica em áreas que são muito difíceis de estudar porque são muito remotas e muitas vezes inacessíveis, com temperaturas que podem descer até aos 50ºC negativos.
“Os métodos que usámos são um enorme avanço na ecologia da Antárctida, porque podemos fazer investigação de forma segura e eficiente, com poucos impactos ambientais”, disse Michelle LaRue, co-autora do trabalho e investigadora da Universidade do Minnesota.
No gelo, estes pinguins com a sua plumagem branca e preta destacam-se no branco da neve e as colónias são claramente visíveis nas imagens de satélite. Isto permitiu à equipa analisar 44 colónias de pinguim-imperador em torno da costa da Antárctida, descobrindo sete até agora desconhecidas.
Os cientistas estão preocupados que, em algumas regiões da Antárctida, Primaveras que chegam mais cedo estejam a fazer desaparecer o gelo no mar, habitat dos pinguins. “As investigações científicas actuais sugerem que as colónias de pinguim-imperador serão gravemente afectadas pelas alterações climáticas”, acrescentou o biólogo Phil Trathan, do BAS, e outro co-autor do estudo. “Um censo rigoroso à escala do continente pode ser facilmente repetido regularmente para nos ajudar a monitorizar os impactos das mudanças futuras nesta espécie icónica.”
A investigação resultou da colaboração do BAS, da Universidade do Minnesota/National Science Foundation, do Instituto de Oceanografia Scripps e da Divisão Antárctida Australiana. fonte:PUBLICO
sexta-feira, abril 13, 2012
perdoem-me
Devido a ter o meu computador avariado não tenho mantido o "tukakubana" com deve ser. Peço desculpa mas prometo retomar, logo que possível, a edição. Entretanto, ouçam....
terça-feira, abril 10, 2012
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