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domingo, agosto 19, 2012

"Silly season"

"Posso mudar se me penso mudado"
Agostinho da Silva                                          
  É Agosto.
 Um Agosto quente e dormente convidativo de sombras, bebidas frescas, cavaqueira fácil e molezas diversas. Uma chuva perpendicularmente doce veio serenar ânimos e a Terra agradeceu.
Na Madeira foram muitos os que abdicaram das passeatas no areal e dos mergulhos atlânticos, pela sombra gratuita do bananal.
E a "silly season" é bode expiatório a um povo que não cresceu nem amadureceu, que esqueceu o amor-próprio e o sentido de cidadania do Estado - veja-se as férias dos deputados! Um povo que assiste ao patinhar no atoleiro político, em passos descontrolados e frustração cívica.
Tantos anos de inquietude e esperança volvidos e nada mudou. Há uma indiferença sem remorsos, uma maldade inocente que nos leva a caricaturar, ao detalhe, a arte nobre da política.
Não será por acaso que esta se reacende na "silly season", sob a espreguiçadeira do Verão. Afinam-se glotes para as conquistas, come-se carne assada com salada nas grandes reuniões e os salvadores da Pátria renovam promessas em propaganda ruidosa que violenta a boa-fé.
Por apenas três semanas não ouvimos falar em "crise". "troika" e "deficit". Não ouvimos mas o povo não teve férias nem mordomias, olhou o mar com o sufoco de um náufrago, olhou o céu com o medo do infinito e na montanha viu horizontes de precipício.
Atravessar a Ilha é uma dor de alma. A paisagem outrora fresca e verde da Encumeada é hoje uma negrura satânica que dói e incomoda, que se prolonga ao planalto da serra e acentua o somatório de cidadãos sem laços de cidadania.
Troam foguetes e girândolas no ar abafando o estalar doloroso das vagens torturadas pelo sol.
Machado de Assis (1939-1908) dizia que "a moral é uma, os pecados são diferentes".
Na verdade, na vida real, o herói passa de mito a simples mortal enquanto o diabo esfrega um olho…
Que a "season" consentida acabe e despertem as consciências, reagindo aos direitos sonegados e à violência imposta, se bem que não para todos.

Maria Teresa Góis

Diário de Notícias

sexta-feira, agosto 10, 2012

Mandala de arroz

Monges Tibetanos realizam a grande Mandala com arroz por 6 dias. No 7º jogam a Mandala feita à água do rio para demonstrar que não se deve ser ligado e dependente das coisas terrenas. Admire....

Tudo feito com arroz colorido: Paciência, Arte e Beleza


quinta-feira, agosto 09, 2012

Estatuetas descobertas no Alentejo têm 4500 anos e cabem na palma da mão

São de marfim, cabem na palma da mão e têm pormenores delicados, que surpreendem. António Valera, o arqueólogo que dirige as escavações na Herdade dos Perdigões, em Reguengos de Monsaraz, fala com entusiasmo das estatuetas de marfim que ontem apresentou aos jornalistas como "descoberta única" em Portugal.

"Difunde-se muito a ideia de que o homem pré-histórico era rude, um brutamontes, graças ao cinema", diz Valera. "Mas o que povoados como o dos Perdigões mostram, com toda a sua simbiose com o mundo natural, é algo que estas esculturas vêm reforçar - nesta Pré-História havia um grande grau de sofisticação que está muito longe do preconceito."

Com 4500 anos, as 20 esculturas em miniatura (com tamanho entre os 12 e os 15 centímetros), "pelo menos nove das quais muito realistas", começaram a ser encontradas no ano passado, quando os arqueólogos escavavam um fosso onde, depois de cremados, foram depositados vários corpos. Para os investigadores da Era, a empresa que há 15 anos trabalha nos Perdigões, a herdade que a Finagra (actual Esporão S.A.) comprou para plantar vinha, mas que acabou por transformar num campo arqueológico com 16 hectares, encontrar representações humanas de marfim, "com grande qualidade estética e de execução", foi "emocionante", embora não tenha sido uma surpresa completa.

Estatuetas semelhantes são relativamente frequentes na Andaluzia, região com a qual o Sul do país forma uma unidade territorial na Pré-História. Como escavaram apenas uma área muito reduzida deste complexo arqueológico em que descobriram já mais de 500 peças e fragmentos de marfim, entre elas algumas representações de animais muito pormenorizadas, Valera e a sua equipa acreditavam que, mais cedo ou mais tarde, poderiam vir a dar com esculturas antropomórficas. "O que surpreendeu foi o rigor realista de algumas das figuras, que terá exigido grande capacidade técnica", explica.

Para Vítor Gonçalves, catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, especialista em Pré-História, a grande singularidade das estatuetas humanas dos Perdigões é simplesmente o facto de terem sobrevivido milhares de anos às agressões do solo alentejano. "Temos poucas figurações antropomórficas de marfim na Pré-História portuguesa, mas ainda menos no Alentejo, porque lá a terra é tão ácida que destrói tudo", explicou ao PÚBLICO pelo telefone, não tendo visto ainda ao vivo as peças da herdade. A descoberta, que considera "impressionante", é para este arqueólogo mais uma das originalidades dos Perdigões, a juntar ao facto de ser um "complexo mágico-religioso alentejano em que os sepulcros não são antas".

Conhecido desde 1983, o sítio dos Perdigões só começou a ser escavado em 1997, depois de um estudo geotérmico, que fez uma espécie de radiografia à paisagem, ter identificado uma série de fossos concêntricos, mais ou menos circulares, e outras estruturas: possíveis cabanas, silos e sepulturas.

O que os trabalhos têm revelado nos últimos anos, explica Valera, é que o povoado, que começou por ser construído por comunidades neolíticas (c.5500 anos), teria grande importância na região, tendo sido, possivelmente, lugar de festas cerimoniais e de rituais associados ao culto dos mortos. O cromeleque perto da necrópole, já fora dos limites do povoado, reforça esta teoria.

"Estas povoações, das antigas sociedades camponesas, eram já capazes de construir obras públicas de envergadura, como estes fossos. Identificámos 12 e fizemos sondagens em quatro. Para fazer estes quatro estimamos que terão sido retiradas 60 mil toneladas de rocha, impressionante para as ferramentas rudimentares da época", diz Valera.

Em seguida, os arqueólogos vão aprofundar os estudos dos materiais nas valas e nas sepulturas com a ajuda de antropólogos da Universidade de Coimbra e fazer sondagens nos fossos para determinar a idade de cada um e a dinâmica de ocupação do povoado. Pelo meio, há que continuar a analisar as "miniesculturas". Para já as perguntas são muitas e as certezas quase nulas. Porque são tão realistas numa altura em que a representação da figura humana é essencialmente estilizada, como prova a maioria das 20 estatuetas? Serão deuses? Porque têm algumas o género tão bem definido e outras são assexuadas?
Têm o corpo esguio, com as nádegas e o tronco bem delineados, nariz e orelhas definidas, tatuagens faciais, cabelos a cobrirem as costas, olhos grandes que poderiam ter incrustações e as mãos sobre a barriga, segurando o que parece ser um bastão. "Nesta fase só podemos lançar hipóteses, especular", reconhece Valera. "São todas muito parecidas e o facto de serem realistas faz-nos pensar que podem querer comunicar uma ideia muito específica. A própria postura do corpo pode ter um significado, como quando nos ajoelhamos na igreja. Podem representar um estatuto social, um grupo dentro da comunidade ou até mesmo uma família." Mas também podem ser divindades, teoria que parece mais provável a Vítor Gonçalves, que conhece as estatuetas da Andaluzia. "Muitas das representações humanas neste período, como as das placas de xisto portuguesas, estão ligadas à deusa-mãe. Depois, progressivamente, chegamos a outras de um deus jovem."

Os arqueólogos dos Perdigões vão também estudar o marfim de que são feitas. Dos 500 fragmentos encontrados nos Perdigões analisaram apenas 15 e concluíram que se trata de marfim de elefante africano, o que prova que o povoado mantinha contactos com regiões distantes. Mas entre os restantes pode haver elefante asiático, marfim fóssil (de quando havia elefantes na Península) e até osso de outros animais, explica Valera. Na península de Lisboa, acrescenta Gonçalves, já foram encontrados fragmentos de cachalote.

Muitos dos enigmas das esculturas dos Perdigões vão ficar por decifrar, diz o director das escavações, mas os problemas que elas colocam, associados às práticas funerárias, sobre a concepção do corpo são só por si fascinantes. E se para o homem que viveu no Alentejo pré-histórico o corpo não fosse uma unidade? "É difícil saber o que vai na cabeça das pessoas de há 5000 anos." Mas vale a pena pensar nisso.

FONTE: PUBLICO

segunda-feira, agosto 06, 2012

a propósito de...MAPAS

Com o desenvolvimento de conceitos geométricos, novos instrumentos de medir a superfície terrestre foram desenvolvidos. Os Egípcios (cerca de 1300 a.C.) inventaram o côvado, um instrumento utilizado para demarcar terras, pois era preciso saber quanto de terras do faraó produziam. Os Gregos usaram as teorias da geometria para inferir que a forma da terra seu tamanho e os conceitos de latitude e longitude para demarcar as posições relativas de distintas feições (cidades, ilhas, montanhas). O matemático grego Pitágoras estabeleceu uma escola filosófica em Crotona (hoje Calábria), e criou a hipótese de que a Terra era redonda, a partir da observação de sua sombra na lua e da altura das estrelas. Eratóstenes (220.A.C.) foi quem calculou o raio da Terra através de observações ao Sol. Apesar de os antigos chineses terem um sistema bem definido para o mapeamento, a Cartografia actual vem das técnicas e conhecimentos estabelecidos pelos gregos onde se dava ênfase as relações espaciais e, desde então, os mapas tornaram-se instrumentos deste tipo de análise. Os romanos herdaram e ampliaram esse conhecimento, aplicando-os na construção dos seus mapas, deixando-nos um legado de mapas clássicos.
Reconstrução do mapa de Eratóstenes feito por A. Forbiger, 1775. Eratóstenes, o geógrafo de Cirene, concebeu o mundo habitado como uma ilha – Europa, Ásia e África – e antecipou a possibilidade da rota da península Ibérica às Índias margeando o continente africano, que Vasco da Gama depois percorreria.
Mapa Mundi de atlas coreano anónimo que teve grande circulação e cuja origem remonta ao século XI, apesar do atlas ser posterior ao século XV é, sem dúvida de procedência chinesa. A China ocupa o centro e o seu redor gira um continente em forma de anel. Numerosos países e ilhas nele assinalados são nomes de lugares fictícios mencionados no “Shan-haiChing” (livro das montanhas e dos mares), um clássico chinês das tradições geográficas antigas. O mapa foi talhado em madeira; o original sem data pertence à colecção da Prof. Nanba, de Nishinomiya (Japão).

O mapa Universal de El-Edrici, ou “Tábua Rogeriana”, do século XII, conforme a composição geral de todas suas cartas, por Konrad Miller. Nele é possível ver uma retícula formada por dez meridianos e oito paralelos, que determinam as correspondentes zonas climáticas. Dentro do tom correto da carta, é clara a deformação da península italiana, e dos mares Negro e Cáspio. A África está desenhada conforme o esquema dos mapas de Ptolomeu. A visão de El-Edrici é completa, e sem dúvida muito mais atinada que a de todos os mapas ocidentais da mesma época, pelo acerto e objectividade das formas, e abundância de topónimos incluídos.

in:"saiba mais, mapas antigos. br"

quinta-feira, agosto 02, 2012

"Garota de Ipanema" 50 anos

A música mais emblemática da bossa nova, “Garota de Ipanema”, foi interpretada pela primeira vez a 02 de agosto de 1962 num clube do Rio de Janeiro, celebrando hoje 50 anos de um sucesso que ultrapassou fronteiras.

Nesse dia, estiveram no palco o compositor da música António Carlos Jobim (mais conhecido por Tom Jobim), o cantor João Gilberto, o poeta Vinicius de Moraes, o baterista Milton Banana e o contrabaixista Otávio Bailly.

A letra da música, escrita por Vinicius a pedido do amigo Jobim, nasceu com o nome “Menina que passa”, mas acabou por ser reformulada e deu lugar ao título hoje conhecido por várias gerações, explicou, em declarações à agência espanhola EFE, o professor de literatura, melómano e especialista em bossa nova, Carlos Alberto Afonso.

A história do tema tem como ponto de partida o Bar do Veloso, na antiga rua Montenegro (atualmente rua Vinicius de Moraes), local onde o poeta e o compositor Tom Jobim se refugiavam no início dos anos 1960, com a companhia inebriante do whisky, para admirar o “doce balanço” das ancas de uma jovem carioca.

Em 1965, Vinicius de Moraes confessou que a musa que inspirou o tema foi a adolescente Heloísa ‘Helô’ Pinheiro, atualmente com 67 anos.

“Nunca respondi aos seus piropos, só entrava no bar para comprar cigarros para os meus pais ou passava por lá para ir gozar o sol nos meus dias de férias”, afirmou Helô Pinheiro, numa recente entrevista à agência EFE.

Três meses depois da primeira apresentação no Rio de Janeiro, a música foi interpretada pelos mestres da bossa nova na famosa sala de concertos Carnegy Hall, em Nova Iorque, dando início à internacionalização do tema.

A canção seria posteriormente gravada em inglês por Astrud Gilberto, versão que ficou marcada pela célebre interpretação do saxofonista norte-americano Stan Getz.

Segundo o professor Carlos Alberto Afonso foi a bossa nova que influenciou o jazz, e não o contrário, “porque nessa época as melodias de Cole Porter já estavam desgastadas”.

Para o especialista, a adesão dos norte-americanos à bossa nova também teve contornos políticos, afirmando que os Estados Unidos quiseram na altura contrariar os ritmos sedutores da salsa proveniente de Cuba com o tropicalismo brasileiro.

Em 1967, a música ganhava uma dimensão internacional com a interpretação do emblemático cantor norte-americano Frank Sinatra.

Ipanema, um dos bairros nobres e mais conhecidos do Rio de Janeiro, é hoje paragem obrigatória para os amantes do jazz, da bossa nova e da música em geral.

Nas ruas deste bairro pode encontrar-se, entre outros pontos de interesse, a casa onde Jobim viveu grande parte da sua vida e o bar que foi local de encontro dos dois autores, atualmente com uma programação diária dedicada à bossa nova.

O bar chama-se hoje Garota de Ipanema e tem a partitura da canção pintada na parede, em homenagem a Vinicius e Jobim.

quarta-feira, agosto 01, 2012

o azulejo de TOLEDO


e esta é a tradução para português:

A SOCIEDADE É ASSIM:
O POBRE TRABALHA
O RICO EXPLORA-O
O SOLDADO DEFENDE OS DOIS
O CONTRIBUINTE PAGA PELOS TRÊS
O VAGABUNDO DESCANSA PELOS QUATRO
O BÊBADO BEBE PELOS CINCO
O BANQUEIRO "ESFOLA" OS SEIS
O ADVOGADO ENGANA OS SETE
O MÉDICO MATA OS OITO
O COVEIRO ENTERRA OS NOVE
O POLÍTICO VIVE DOS DEZ

domingo, julho 29, 2012

lendo....Miguel Torga


Pitões das Júnias, Barroso, 8 de Setembro de 1983 - Só vistas, a aspereza deste ermo e a pobreza do mosteiro desmantelado. Mas canta dia e noite, a correr encostado às fundações do velho cenóbio beneditino, um ribeiro lustral. E o asceta e o poeta que se degladiam em mim, de há muitos peregrinos desta solidão, mais uma vez se conciliam no mesmo impulso purificador, a invejar os monges felizes que aqui humildemente penitenciaram o corpo rebelde e pacificaram a alma atormentada. O corpo a magoar-se contrito no cilício quotidiano da realidade e a alma a ouvir de antemão, enlevada, a música da eternidade.

MIGUEL TORGA, in "Diário XIV"

domingo, julho 22, 2012

os diabinhos negros...

                                                                             "…não vou pôr porcaria na ventoinha…."                                                                          Pedro Passos Coelho, debate da Nação, 11/07/2012  


Eles andam aí… Antes que a prosa me corra para os acontecimentos actuais quero mencionar o desassombro, claro, frontal, inteligente e lúcido de D. Januário Torgal Ferreira. Acutilante faz a análise da Pobreza, do uso indevido de dinheiros públicos, com palavras fortes que escandalizaram ministros, os porta-vozes das direitas que quais virgens ofendidas de média idade, vieram vomitar a sua indignação. Falasse D. Januário em processos no DCIAP ou no Ministério Público e, talvez, se sentissem menos ofendidos. Bem-haja D. Januário por não querer uma Igreja amorfa, acomodada, afastada dos valores há mais de dois mil anos proclamados.
Há sim, muitos diabinhos negros, desses chifrudos de olhos grandes, com passinhos mansos, leves, cheirando a incensos diluídos em pó, comprando a essência da experiência e da credibilidade avulso.
A Madeira arde, há dias. Uma vez mais, pintam-se de preto paisagens outrora verdes.
Não se aprende a lição, grassa a incúria, desdenha-se a lei. Num tempo em que as Câmaras Municipais tanto precisam de verbas, não limpam, fiscalizam ou fazem cumprir a lei no que respeita à limpeza obrigatória de matagal em perímetro de edifícios públicos ou habitações.
Ainda este mês, duas vezes em duas semanas, reclamei a quem de direito da urgência de desmatar a zona envolvente da Capela dos Lamaceiros, século XVIII, parte do raro Património do concelho.
Se olharem o boletim paroquial que é público e chega a três Paróquias, vemos impresso, a pedido, o aviso da Câmara Municipal do Porto Moniz sobre o requerimento para a colocação de barracas na Festa do Senhor do Seixal, paróquia que este boletim não abrange.
Nunca vi que saísse da Edilidade um aviso de proibição de queimadas, de churrascos, de uso de fogo-de-artifício, lei existente no território Continental. É esta leveza de atitudes que condeno, que reclamo, numa região cada vez menos agricultada, com terrenos abandonados à praga das canas vieira, do silvado e da feiteira. Dirão que os donos não podem, que estão ausentes, que são de herdeiros….Apareça o Governo Regional a expropriar esses terrenos ou uma proposta choruda de compra que os herdeiros aparecessem aos magotes.
A Madeira ardeu e arde não por um fenómeno natural e talvez nem sequer por fogo posto. É a incúria que queima a Madeira, que alaga a Madeira quando chove demasiado. É a incúria que dá a conhecer a Madeira pelas piores razões quando outrora era uma pérola do Atlântico.
Deixem, senhores governantes, de procurar alibis e perseguições fantasmas. Assumam os erros, as limitações, sentem-se com todos os de boa vontade e discutam soluções - para o bem da Madeira. Façam cumprir a lei, eduquem o povo se necessário, mesmo aplicando as coimas previstas. Só assim enfrentaremos os picos de calor ou de invernia, só assim protegeremos a "Pérola do Atlântico".
Já basta de pôr porcaria na ventoinha…


Maria Teresa Góis

Diário de Notícias

sexta-feira, julho 20, 2012

Maior barragem dos maias descoberta na cidade de Tikal

No meio de uma floresta tropical da Guatemala parece pouco provável que a água tenha sido um problema para o crescimento de uma civilização. Mas foi - e a engenharia é que permitiu à cidade de Tikal, uma das mais importantes da civilização maia, abastecer as suas casas, os seus palácios e templos ao longo de 1500 anos, utilizando um sistema de recolha e transporte de água complexo. A última prova desses feitos de engenharia está na descoberta da maior barragem construída pelos maias, revelada na última edição da revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences. Era a Barragem do Palácio.

As ruínas de Tikal podem ser visitadas, revelando a imponência da antiga cidade-Estado dos maias, que misteriosamente entrou em declínio no final do século IX d.C. Mas quem não soubesse dificilmente encontraria hoje as ruínas da cidade perdida no meio da floresta luxuriante, no Norte da Guatemala, com alguns templos em forma da pirâmide a ultrapassarem a altura da vegetação.

Antes dos problemas sociais ou de anos seguidos de seca terem esgotado a resistência desta e de outras cidades maias - duas das possíveis causas do declínio desta civilização, que séculos mais tarde ainda teve de enfrentar a chegada dos espanhóis -, estima-se que 120.000 pessoas tenham chegado a viver na região central de Tikal, num círculo com um raio de 12 quilómetros.

Como é que esta cidade se abastecia de água potável? O antropólogo Vernon Scarborough e colegas, da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, e da Universidade de San Carlos da Guatemala, entre outros, procuraram uma resposta. Tikal fica no meio da floresta de Petén, na Península do Iucatão, numa zona de grutas, onde a água se infiltra facilmente e desaparece terra adentro. Os maias tiveram de se adaptar a essa situação e construíram um sistema de recolha e transporte de água.

"O sistema de água de Tikal foi um dos maiores, mas não sabemos se foi o maior [da civilização maia]. Funcionava por gravidade e tinha uma série de reservatórios, tanques de assoreamento, sistemas de filtragem, barragens e pequenos canais", explica ao PÚBLICO Vernon Scarborough.

O sistema dependia completamente das chuvas. Perto do centro da cidade, o depósito de água mais alto que a equipa estudou, o Reservatório do Templo, ficava a quase 250 metros de altura. Tinha capacidade para 27.140 metros cúbicos, o equivalente a um cubo com 30 metros de lado.

"As grandes superfícies pavimentadas do centro ficavam no topo de um monte. Pátios rebocados, praças, campos onde se jogava à bola, pirâmides, todas estas construções foram concebidas para a água escorrer para antigos poços de pedreiras, que foram convertidos em reservatórios", descreve o antropólogo. "Deste modo, a água era contida nestes tanques, situados em altitude, e depois era libertada na encosta, para abastecer os residentes durante as temporadas de seca."

A ocupação de Tikal ter-se-á iniciado por volta de 600 a.C. e manteve-se durante mais de um milénio, com um período de crise pelo meio, também devido à falta de água, no século III d.C., quando a civilização maia passou do chamado período pré-clássico para o clássico.

Aquela região, refere o artigo científico, poderá ter atraído os primeiros habitantes da cidade devido às nascentes de água nas regiões de maior altitude. Depois, a urbanização terá alterado a paisagem.

Entre os seis reservatórios estudados, um deles, o do Palácio, é o segundo mais alto de Tikal, a quase 240 metros de altitude. E foi ao escavar esta zona que os cientistas encontraram aí aquela que é a maior barragem maia conhecida até agora. Os maias aproveitaram uma escarpa para construir a Barragem do Palácio, com pedras, cal e terra. Atingia dez metros de altura e armazenaria 14.000 metros cúbicos de água.

A equipa quis perceber como era utilizado cada um dos reservatórios durante a ocupação maia, analisando para tal os sedimentos depositados ao longo dos tempos. "O sistema de reservatórios e de desvios de água ficou concluído no fim do período pré-clássico, quando se iniciou uma época mais seca. Provavelmente, esta adaptação ajudou Tikal e outros centros urbanos a sobreviver, enquanto muitos outros foram abandonados", explicam os cientistas no artigo.

O trabalho também permitiu descobrir que o sistema tinha vários tanques de filtragem - com areia -, para limpar a água, embora os investigadores pensem que seria depois fervida pela população.
Apesar de todo este sistema de abastecimento estar muito longe da tecnologia actual, Scarborough defende que é importante olharmos para estas construções maias para reflectir sobre a forma como esta civilização resolveu um problema essencial: a necessidade de ter água potável. "As regiões tropicais podem ser especialmente complicadas devido ao grande número de doenças infecciosas que aparecem quando a água não é filtrada. No entanto, os antigos maias desenvolveram um sistema inteligente de recolha e transporte de água. Logo desde o início da ocupação, estavam preocupados em recolher e ter água potável."
    
fonte: Público                       

sexta-feira, julho 13, 2012

lendo..... "SÚPLICA"


O que não pude erguer nunca se ergueu.
Rasas, as coisas são anãs, sem mim.
E quando as olho como agora, assim
Desiludido,
A vida não tem força, nem sentido,
E é um calvário vivê-la.

Vê se brilhas no céu, ó minha estrela
De poeta!
Sem ti, como há-de ser?
Como darei, com esta luz de asceta,
Grandeza ao que é preciso engrandecer?


In. "Penas do Purgatório" - MIGUEL TORGA

quarta-feira, julho 11, 2012

lendo....



...."Leiam um jornal. O jornal condensa todo o drama.Pelo jornal reconstituir-se-á mais tarde a nossa época inteira.
Nada mais doloroso do que este noticiário da Vida, que enche todos os dias as colunas dos periódicos. Esta folha de papel amachucada, cheirando a tinta de impressão, traz consigo saburras de desgraça, risos, lodos, gritos, a alma humana estateladsa e a sangrar. O jornal é um drama bem mais vivo e doloroso, do que os que se arrastam para o tablado. Desde a última coluna dos anúncios até ao primeiro artigo, toda ela grita misérias, ambições, sonhos, raivas e torturas. É a alma humana contada numa forma gelada e banal, - como quem diz a  tragédia balbuciada.
O homem indiferente lê e passa para a luta, bem cheio da sua própria desgraça, para se importar com a desgraça dos outros. Egoísta, agarrado ao sonho, mal entrevê, através da tinta negra, quantos gritos, quanta aflição contém aquela folha ainda húmida que amarrota no bolso.
É que a vida moderna é exasperada e feroz. Para a frente!para a frente!Parar é morrer;parar é a gente sentir-se calcado pelos que vêm atrás, ofegantes,de unhas afiadas, prontos a despedaçar, contanto que cheguem mais depressa aos seus fins. É uma correria de seres borrados de ambição, agatanhando-se, metendo os ombros, com as mãos suadas, cerrados os dentes, prestes a tudo, até a matar, desde que consigam deitar os gadanhos ao que desejam. O céu agora é a terra, rapaziada!...
Neste áspero combate da vida é preciso dormir-se, não como os antigos cavaleiros, de armadura vestida, mas, o que é pior, com cérebro afiado-e, sobretudo, não ter coração. Endurecê-lo, emp+ederni-lo, torná-lo mais seco que a secura, e mais duro que o aço. Parar, para ouvir gritos dos que tombam, é ser esmagado; ter piedade do sofrimento alheio, dos pobres, dos fracos, dos sonhadores, é arriscar-se a gente a ficar sob os pés dos que caminham e calcam furiosamente."....

in: "O Padre", Raul Brandão

terça-feira, julho 10, 2012

10 de JULHO, DIA DA pizza

A história da pizza começou com os egípcios. Ao contrário do conhecimento popular, apesar de tipicamente italiana, os babilónios, hebreus e egípcios já misturavam o trigo e amido e a água para assar em fornos rústicos há mais de 5000 anos. A massa era chamada de "pão de Abraão", muito parecida com os pães árabes actuais, e recebia o nome de piscea.

Os fenícios, três séculos antes de Cristo, costumavam acrescentar coberturas de carne e cebola ao pão; os turcos muçulmanos adoptavam esse costume durante a Idade Média e por causa das cruzadas essa prática chegou à Itália pelo porto de Nápoles, sendo em seguida incrementada dando origem à pizza que conhecemos hoje.

No início de sua existência, somente as ervas regionais e o azeite de oliva eram os ingredientes típicos da pizza, comuns no quotidiano da região. Os italianos foram os que acrescentaram o tomate, descoberto na América e levado a Europa pelos conquistadores espanhóis. Porém, nessa época a pizza ainda não tinha a sua forma característica, redonda, como a conhecemos hoje, mas sim dobrada ao meio, feito um sanduíche ou um calzone.

A pizza era um alimento de pessoas humildes do sul da Itália, quando, próximo do início do primeiro milénio, surge o termo "picea", na cidade de Nápoles, considerada o berço da pizza. "Picea", indicava um disco de massa assada com ingredientes por cima. Servida com ingredientes baratos, por ambulantes, a receita objectivava "matar a fome" principalmente da parte mais pobre da população. Normalmente a massa de pão recebia como sua cobertura toucinho, peixes fritos e queijo.

A fama da receita correu o mundo e fez surgir a primeira pizzaria que se tem notícia, a Port'Alba. http://en.wikipedia.org/wiki/Antica_Pizzeria_Port'Alba