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quinta-feira, agosto 09, 2012

Estatuetas descobertas no Alentejo têm 4500 anos e cabem na palma da mão

São de marfim, cabem na palma da mão e têm pormenores delicados, que surpreendem. António Valera, o arqueólogo que dirige as escavações na Herdade dos Perdigões, em Reguengos de Monsaraz, fala com entusiasmo das estatuetas de marfim que ontem apresentou aos jornalistas como "descoberta única" em Portugal.

"Difunde-se muito a ideia de que o homem pré-histórico era rude, um brutamontes, graças ao cinema", diz Valera. "Mas o que povoados como o dos Perdigões mostram, com toda a sua simbiose com o mundo natural, é algo que estas esculturas vêm reforçar - nesta Pré-História havia um grande grau de sofisticação que está muito longe do preconceito."

Com 4500 anos, as 20 esculturas em miniatura (com tamanho entre os 12 e os 15 centímetros), "pelo menos nove das quais muito realistas", começaram a ser encontradas no ano passado, quando os arqueólogos escavavam um fosso onde, depois de cremados, foram depositados vários corpos. Para os investigadores da Era, a empresa que há 15 anos trabalha nos Perdigões, a herdade que a Finagra (actual Esporão S.A.) comprou para plantar vinha, mas que acabou por transformar num campo arqueológico com 16 hectares, encontrar representações humanas de marfim, "com grande qualidade estética e de execução", foi "emocionante", embora não tenha sido uma surpresa completa.

Estatuetas semelhantes são relativamente frequentes na Andaluzia, região com a qual o Sul do país forma uma unidade territorial na Pré-História. Como escavaram apenas uma área muito reduzida deste complexo arqueológico em que descobriram já mais de 500 peças e fragmentos de marfim, entre elas algumas representações de animais muito pormenorizadas, Valera e a sua equipa acreditavam que, mais cedo ou mais tarde, poderiam vir a dar com esculturas antropomórficas. "O que surpreendeu foi o rigor realista de algumas das figuras, que terá exigido grande capacidade técnica", explica.

Para Vítor Gonçalves, catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, especialista em Pré-História, a grande singularidade das estatuetas humanas dos Perdigões é simplesmente o facto de terem sobrevivido milhares de anos às agressões do solo alentejano. "Temos poucas figurações antropomórficas de marfim na Pré-História portuguesa, mas ainda menos no Alentejo, porque lá a terra é tão ácida que destrói tudo", explicou ao PÚBLICO pelo telefone, não tendo visto ainda ao vivo as peças da herdade. A descoberta, que considera "impressionante", é para este arqueólogo mais uma das originalidades dos Perdigões, a juntar ao facto de ser um "complexo mágico-religioso alentejano em que os sepulcros não são antas".

Conhecido desde 1983, o sítio dos Perdigões só começou a ser escavado em 1997, depois de um estudo geotérmico, que fez uma espécie de radiografia à paisagem, ter identificado uma série de fossos concêntricos, mais ou menos circulares, e outras estruturas: possíveis cabanas, silos e sepulturas.

O que os trabalhos têm revelado nos últimos anos, explica Valera, é que o povoado, que começou por ser construído por comunidades neolíticas (c.5500 anos), teria grande importância na região, tendo sido, possivelmente, lugar de festas cerimoniais e de rituais associados ao culto dos mortos. O cromeleque perto da necrópole, já fora dos limites do povoado, reforça esta teoria.

"Estas povoações, das antigas sociedades camponesas, eram já capazes de construir obras públicas de envergadura, como estes fossos. Identificámos 12 e fizemos sondagens em quatro. Para fazer estes quatro estimamos que terão sido retiradas 60 mil toneladas de rocha, impressionante para as ferramentas rudimentares da época", diz Valera.

Em seguida, os arqueólogos vão aprofundar os estudos dos materiais nas valas e nas sepulturas com a ajuda de antropólogos da Universidade de Coimbra e fazer sondagens nos fossos para determinar a idade de cada um e a dinâmica de ocupação do povoado. Pelo meio, há que continuar a analisar as "miniesculturas". Para já as perguntas são muitas e as certezas quase nulas. Porque são tão realistas numa altura em que a representação da figura humana é essencialmente estilizada, como prova a maioria das 20 estatuetas? Serão deuses? Porque têm algumas o género tão bem definido e outras são assexuadas?
Têm o corpo esguio, com as nádegas e o tronco bem delineados, nariz e orelhas definidas, tatuagens faciais, cabelos a cobrirem as costas, olhos grandes que poderiam ter incrustações e as mãos sobre a barriga, segurando o que parece ser um bastão. "Nesta fase só podemos lançar hipóteses, especular", reconhece Valera. "São todas muito parecidas e o facto de serem realistas faz-nos pensar que podem querer comunicar uma ideia muito específica. A própria postura do corpo pode ter um significado, como quando nos ajoelhamos na igreja. Podem representar um estatuto social, um grupo dentro da comunidade ou até mesmo uma família." Mas também podem ser divindades, teoria que parece mais provável a Vítor Gonçalves, que conhece as estatuetas da Andaluzia. "Muitas das representações humanas neste período, como as das placas de xisto portuguesas, estão ligadas à deusa-mãe. Depois, progressivamente, chegamos a outras de um deus jovem."

Os arqueólogos dos Perdigões vão também estudar o marfim de que são feitas. Dos 500 fragmentos encontrados nos Perdigões analisaram apenas 15 e concluíram que se trata de marfim de elefante africano, o que prova que o povoado mantinha contactos com regiões distantes. Mas entre os restantes pode haver elefante asiático, marfim fóssil (de quando havia elefantes na Península) e até osso de outros animais, explica Valera. Na península de Lisboa, acrescenta Gonçalves, já foram encontrados fragmentos de cachalote.

Muitos dos enigmas das esculturas dos Perdigões vão ficar por decifrar, diz o director das escavações, mas os problemas que elas colocam, associados às práticas funerárias, sobre a concepção do corpo são só por si fascinantes. E se para o homem que viveu no Alentejo pré-histórico o corpo não fosse uma unidade? "É difícil saber o que vai na cabeça das pessoas de há 5000 anos." Mas vale a pena pensar nisso.

FONTE: PUBLICO

segunda-feira, agosto 06, 2012

a propósito de...MAPAS

Com o desenvolvimento de conceitos geométricos, novos instrumentos de medir a superfície terrestre foram desenvolvidos. Os Egípcios (cerca de 1300 a.C.) inventaram o côvado, um instrumento utilizado para demarcar terras, pois era preciso saber quanto de terras do faraó produziam. Os Gregos usaram as teorias da geometria para inferir que a forma da terra seu tamanho e os conceitos de latitude e longitude para demarcar as posições relativas de distintas feições (cidades, ilhas, montanhas). O matemático grego Pitágoras estabeleceu uma escola filosófica em Crotona (hoje Calábria), e criou a hipótese de que a Terra era redonda, a partir da observação de sua sombra na lua e da altura das estrelas. Eratóstenes (220.A.C.) foi quem calculou o raio da Terra através de observações ao Sol. Apesar de os antigos chineses terem um sistema bem definido para o mapeamento, a Cartografia actual vem das técnicas e conhecimentos estabelecidos pelos gregos onde se dava ênfase as relações espaciais e, desde então, os mapas tornaram-se instrumentos deste tipo de análise. Os romanos herdaram e ampliaram esse conhecimento, aplicando-os na construção dos seus mapas, deixando-nos um legado de mapas clássicos.
Reconstrução do mapa de Eratóstenes feito por A. Forbiger, 1775. Eratóstenes, o geógrafo de Cirene, concebeu o mundo habitado como uma ilha – Europa, Ásia e África – e antecipou a possibilidade da rota da península Ibérica às Índias margeando o continente africano, que Vasco da Gama depois percorreria.
Mapa Mundi de atlas coreano anónimo que teve grande circulação e cuja origem remonta ao século XI, apesar do atlas ser posterior ao século XV é, sem dúvida de procedência chinesa. A China ocupa o centro e o seu redor gira um continente em forma de anel. Numerosos países e ilhas nele assinalados são nomes de lugares fictícios mencionados no “Shan-haiChing” (livro das montanhas e dos mares), um clássico chinês das tradições geográficas antigas. O mapa foi talhado em madeira; o original sem data pertence à colecção da Prof. Nanba, de Nishinomiya (Japão).

O mapa Universal de El-Edrici, ou “Tábua Rogeriana”, do século XII, conforme a composição geral de todas suas cartas, por Konrad Miller. Nele é possível ver uma retícula formada por dez meridianos e oito paralelos, que determinam as correspondentes zonas climáticas. Dentro do tom correto da carta, é clara a deformação da península italiana, e dos mares Negro e Cáspio. A África está desenhada conforme o esquema dos mapas de Ptolomeu. A visão de El-Edrici é completa, e sem dúvida muito mais atinada que a de todos os mapas ocidentais da mesma época, pelo acerto e objectividade das formas, e abundância de topónimos incluídos.

in:"saiba mais, mapas antigos. br"

quinta-feira, agosto 02, 2012

"Garota de Ipanema" 50 anos

A música mais emblemática da bossa nova, “Garota de Ipanema”, foi interpretada pela primeira vez a 02 de agosto de 1962 num clube do Rio de Janeiro, celebrando hoje 50 anos de um sucesso que ultrapassou fronteiras.

Nesse dia, estiveram no palco o compositor da música António Carlos Jobim (mais conhecido por Tom Jobim), o cantor João Gilberto, o poeta Vinicius de Moraes, o baterista Milton Banana e o contrabaixista Otávio Bailly.

A letra da música, escrita por Vinicius a pedido do amigo Jobim, nasceu com o nome “Menina que passa”, mas acabou por ser reformulada e deu lugar ao título hoje conhecido por várias gerações, explicou, em declarações à agência espanhola EFE, o professor de literatura, melómano e especialista em bossa nova, Carlos Alberto Afonso.

A história do tema tem como ponto de partida o Bar do Veloso, na antiga rua Montenegro (atualmente rua Vinicius de Moraes), local onde o poeta e o compositor Tom Jobim se refugiavam no início dos anos 1960, com a companhia inebriante do whisky, para admirar o “doce balanço” das ancas de uma jovem carioca.

Em 1965, Vinicius de Moraes confessou que a musa que inspirou o tema foi a adolescente Heloísa ‘Helô’ Pinheiro, atualmente com 67 anos.

“Nunca respondi aos seus piropos, só entrava no bar para comprar cigarros para os meus pais ou passava por lá para ir gozar o sol nos meus dias de férias”, afirmou Helô Pinheiro, numa recente entrevista à agência EFE.

Três meses depois da primeira apresentação no Rio de Janeiro, a música foi interpretada pelos mestres da bossa nova na famosa sala de concertos Carnegy Hall, em Nova Iorque, dando início à internacionalização do tema.

A canção seria posteriormente gravada em inglês por Astrud Gilberto, versão que ficou marcada pela célebre interpretação do saxofonista norte-americano Stan Getz.

Segundo o professor Carlos Alberto Afonso foi a bossa nova que influenciou o jazz, e não o contrário, “porque nessa época as melodias de Cole Porter já estavam desgastadas”.

Para o especialista, a adesão dos norte-americanos à bossa nova também teve contornos políticos, afirmando que os Estados Unidos quiseram na altura contrariar os ritmos sedutores da salsa proveniente de Cuba com o tropicalismo brasileiro.

Em 1967, a música ganhava uma dimensão internacional com a interpretação do emblemático cantor norte-americano Frank Sinatra.

Ipanema, um dos bairros nobres e mais conhecidos do Rio de Janeiro, é hoje paragem obrigatória para os amantes do jazz, da bossa nova e da música em geral.

Nas ruas deste bairro pode encontrar-se, entre outros pontos de interesse, a casa onde Jobim viveu grande parte da sua vida e o bar que foi local de encontro dos dois autores, atualmente com uma programação diária dedicada à bossa nova.

O bar chama-se hoje Garota de Ipanema e tem a partitura da canção pintada na parede, em homenagem a Vinicius e Jobim.

quarta-feira, agosto 01, 2012

o azulejo de TOLEDO


e esta é a tradução para português:

A SOCIEDADE É ASSIM:
O POBRE TRABALHA
O RICO EXPLORA-O
O SOLDADO DEFENDE OS DOIS
O CONTRIBUINTE PAGA PELOS TRÊS
O VAGABUNDO DESCANSA PELOS QUATRO
O BÊBADO BEBE PELOS CINCO
O BANQUEIRO "ESFOLA" OS SEIS
O ADVOGADO ENGANA OS SETE
O MÉDICO MATA OS OITO
O COVEIRO ENTERRA OS NOVE
O POLÍTICO VIVE DOS DEZ

domingo, julho 29, 2012

lendo....Miguel Torga


Pitões das Júnias, Barroso, 8 de Setembro de 1983 - Só vistas, a aspereza deste ermo e a pobreza do mosteiro desmantelado. Mas canta dia e noite, a correr encostado às fundações do velho cenóbio beneditino, um ribeiro lustral. E o asceta e o poeta que se degladiam em mim, de há muitos peregrinos desta solidão, mais uma vez se conciliam no mesmo impulso purificador, a invejar os monges felizes que aqui humildemente penitenciaram o corpo rebelde e pacificaram a alma atormentada. O corpo a magoar-se contrito no cilício quotidiano da realidade e a alma a ouvir de antemão, enlevada, a música da eternidade.

MIGUEL TORGA, in "Diário XIV"

domingo, julho 22, 2012

os diabinhos negros...

                                                                             "…não vou pôr porcaria na ventoinha…."                                                                          Pedro Passos Coelho, debate da Nação, 11/07/2012  


Eles andam aí… Antes que a prosa me corra para os acontecimentos actuais quero mencionar o desassombro, claro, frontal, inteligente e lúcido de D. Januário Torgal Ferreira. Acutilante faz a análise da Pobreza, do uso indevido de dinheiros públicos, com palavras fortes que escandalizaram ministros, os porta-vozes das direitas que quais virgens ofendidas de média idade, vieram vomitar a sua indignação. Falasse D. Januário em processos no DCIAP ou no Ministério Público e, talvez, se sentissem menos ofendidos. Bem-haja D. Januário por não querer uma Igreja amorfa, acomodada, afastada dos valores há mais de dois mil anos proclamados.
Há sim, muitos diabinhos negros, desses chifrudos de olhos grandes, com passinhos mansos, leves, cheirando a incensos diluídos em pó, comprando a essência da experiência e da credibilidade avulso.
A Madeira arde, há dias. Uma vez mais, pintam-se de preto paisagens outrora verdes.
Não se aprende a lição, grassa a incúria, desdenha-se a lei. Num tempo em que as Câmaras Municipais tanto precisam de verbas, não limpam, fiscalizam ou fazem cumprir a lei no que respeita à limpeza obrigatória de matagal em perímetro de edifícios públicos ou habitações.
Ainda este mês, duas vezes em duas semanas, reclamei a quem de direito da urgência de desmatar a zona envolvente da Capela dos Lamaceiros, século XVIII, parte do raro Património do concelho.
Se olharem o boletim paroquial que é público e chega a três Paróquias, vemos impresso, a pedido, o aviso da Câmara Municipal do Porto Moniz sobre o requerimento para a colocação de barracas na Festa do Senhor do Seixal, paróquia que este boletim não abrange.
Nunca vi que saísse da Edilidade um aviso de proibição de queimadas, de churrascos, de uso de fogo-de-artifício, lei existente no território Continental. É esta leveza de atitudes que condeno, que reclamo, numa região cada vez menos agricultada, com terrenos abandonados à praga das canas vieira, do silvado e da feiteira. Dirão que os donos não podem, que estão ausentes, que são de herdeiros….Apareça o Governo Regional a expropriar esses terrenos ou uma proposta choruda de compra que os herdeiros aparecessem aos magotes.
A Madeira ardeu e arde não por um fenómeno natural e talvez nem sequer por fogo posto. É a incúria que queima a Madeira, que alaga a Madeira quando chove demasiado. É a incúria que dá a conhecer a Madeira pelas piores razões quando outrora era uma pérola do Atlântico.
Deixem, senhores governantes, de procurar alibis e perseguições fantasmas. Assumam os erros, as limitações, sentem-se com todos os de boa vontade e discutam soluções - para o bem da Madeira. Façam cumprir a lei, eduquem o povo se necessário, mesmo aplicando as coimas previstas. Só assim enfrentaremos os picos de calor ou de invernia, só assim protegeremos a "Pérola do Atlântico".
Já basta de pôr porcaria na ventoinha…


Maria Teresa Góis

Diário de Notícias

sexta-feira, julho 20, 2012

Maior barragem dos maias descoberta na cidade de Tikal

No meio de uma floresta tropical da Guatemala parece pouco provável que a água tenha sido um problema para o crescimento de uma civilização. Mas foi - e a engenharia é que permitiu à cidade de Tikal, uma das mais importantes da civilização maia, abastecer as suas casas, os seus palácios e templos ao longo de 1500 anos, utilizando um sistema de recolha e transporte de água complexo. A última prova desses feitos de engenharia está na descoberta da maior barragem construída pelos maias, revelada na última edição da revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences. Era a Barragem do Palácio.

As ruínas de Tikal podem ser visitadas, revelando a imponência da antiga cidade-Estado dos maias, que misteriosamente entrou em declínio no final do século IX d.C. Mas quem não soubesse dificilmente encontraria hoje as ruínas da cidade perdida no meio da floresta luxuriante, no Norte da Guatemala, com alguns templos em forma da pirâmide a ultrapassarem a altura da vegetação.

Antes dos problemas sociais ou de anos seguidos de seca terem esgotado a resistência desta e de outras cidades maias - duas das possíveis causas do declínio desta civilização, que séculos mais tarde ainda teve de enfrentar a chegada dos espanhóis -, estima-se que 120.000 pessoas tenham chegado a viver na região central de Tikal, num círculo com um raio de 12 quilómetros.

Como é que esta cidade se abastecia de água potável? O antropólogo Vernon Scarborough e colegas, da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, e da Universidade de San Carlos da Guatemala, entre outros, procuraram uma resposta. Tikal fica no meio da floresta de Petén, na Península do Iucatão, numa zona de grutas, onde a água se infiltra facilmente e desaparece terra adentro. Os maias tiveram de se adaptar a essa situação e construíram um sistema de recolha e transporte de água.

"O sistema de água de Tikal foi um dos maiores, mas não sabemos se foi o maior [da civilização maia]. Funcionava por gravidade e tinha uma série de reservatórios, tanques de assoreamento, sistemas de filtragem, barragens e pequenos canais", explica ao PÚBLICO Vernon Scarborough.

O sistema dependia completamente das chuvas. Perto do centro da cidade, o depósito de água mais alto que a equipa estudou, o Reservatório do Templo, ficava a quase 250 metros de altura. Tinha capacidade para 27.140 metros cúbicos, o equivalente a um cubo com 30 metros de lado.

"As grandes superfícies pavimentadas do centro ficavam no topo de um monte. Pátios rebocados, praças, campos onde se jogava à bola, pirâmides, todas estas construções foram concebidas para a água escorrer para antigos poços de pedreiras, que foram convertidos em reservatórios", descreve o antropólogo. "Deste modo, a água era contida nestes tanques, situados em altitude, e depois era libertada na encosta, para abastecer os residentes durante as temporadas de seca."

A ocupação de Tikal ter-se-á iniciado por volta de 600 a.C. e manteve-se durante mais de um milénio, com um período de crise pelo meio, também devido à falta de água, no século III d.C., quando a civilização maia passou do chamado período pré-clássico para o clássico.

Aquela região, refere o artigo científico, poderá ter atraído os primeiros habitantes da cidade devido às nascentes de água nas regiões de maior altitude. Depois, a urbanização terá alterado a paisagem.

Entre os seis reservatórios estudados, um deles, o do Palácio, é o segundo mais alto de Tikal, a quase 240 metros de altitude. E foi ao escavar esta zona que os cientistas encontraram aí aquela que é a maior barragem maia conhecida até agora. Os maias aproveitaram uma escarpa para construir a Barragem do Palácio, com pedras, cal e terra. Atingia dez metros de altura e armazenaria 14.000 metros cúbicos de água.

A equipa quis perceber como era utilizado cada um dos reservatórios durante a ocupação maia, analisando para tal os sedimentos depositados ao longo dos tempos. "O sistema de reservatórios e de desvios de água ficou concluído no fim do período pré-clássico, quando se iniciou uma época mais seca. Provavelmente, esta adaptação ajudou Tikal e outros centros urbanos a sobreviver, enquanto muitos outros foram abandonados", explicam os cientistas no artigo.

O trabalho também permitiu descobrir que o sistema tinha vários tanques de filtragem - com areia -, para limpar a água, embora os investigadores pensem que seria depois fervida pela população.
Apesar de todo este sistema de abastecimento estar muito longe da tecnologia actual, Scarborough defende que é importante olharmos para estas construções maias para reflectir sobre a forma como esta civilização resolveu um problema essencial: a necessidade de ter água potável. "As regiões tropicais podem ser especialmente complicadas devido ao grande número de doenças infecciosas que aparecem quando a água não é filtrada. No entanto, os antigos maias desenvolveram um sistema inteligente de recolha e transporte de água. Logo desde o início da ocupação, estavam preocupados em recolher e ter água potável."
    
fonte: Público                       

sexta-feira, julho 13, 2012

lendo..... "SÚPLICA"


O que não pude erguer nunca se ergueu.
Rasas, as coisas são anãs, sem mim.
E quando as olho como agora, assim
Desiludido,
A vida não tem força, nem sentido,
E é um calvário vivê-la.

Vê se brilhas no céu, ó minha estrela
De poeta!
Sem ti, como há-de ser?
Como darei, com esta luz de asceta,
Grandeza ao que é preciso engrandecer?


In. "Penas do Purgatório" - MIGUEL TORGA

quarta-feira, julho 11, 2012

lendo....



...."Leiam um jornal. O jornal condensa todo o drama.Pelo jornal reconstituir-se-á mais tarde a nossa época inteira.
Nada mais doloroso do que este noticiário da Vida, que enche todos os dias as colunas dos periódicos. Esta folha de papel amachucada, cheirando a tinta de impressão, traz consigo saburras de desgraça, risos, lodos, gritos, a alma humana estateladsa e a sangrar. O jornal é um drama bem mais vivo e doloroso, do que os que se arrastam para o tablado. Desde a última coluna dos anúncios até ao primeiro artigo, toda ela grita misérias, ambições, sonhos, raivas e torturas. É a alma humana contada numa forma gelada e banal, - como quem diz a  tragédia balbuciada.
O homem indiferente lê e passa para a luta, bem cheio da sua própria desgraça, para se importar com a desgraça dos outros. Egoísta, agarrado ao sonho, mal entrevê, através da tinta negra, quantos gritos, quanta aflição contém aquela folha ainda húmida que amarrota no bolso.
É que a vida moderna é exasperada e feroz. Para a frente!para a frente!Parar é morrer;parar é a gente sentir-se calcado pelos que vêm atrás, ofegantes,de unhas afiadas, prontos a despedaçar, contanto que cheguem mais depressa aos seus fins. É uma correria de seres borrados de ambição, agatanhando-se, metendo os ombros, com as mãos suadas, cerrados os dentes, prestes a tudo, até a matar, desde que consigam deitar os gadanhos ao que desejam. O céu agora é a terra, rapaziada!...
Neste áspero combate da vida é preciso dormir-se, não como os antigos cavaleiros, de armadura vestida, mas, o que é pior, com cérebro afiado-e, sobretudo, não ter coração. Endurecê-lo, emp+ederni-lo, torná-lo mais seco que a secura, e mais duro que o aço. Parar, para ouvir gritos dos que tombam, é ser esmagado; ter piedade do sofrimento alheio, dos pobres, dos fracos, dos sonhadores, é arriscar-se a gente a ficar sob os pés dos que caminham e calcam furiosamente."....

in: "O Padre", Raul Brandão

terça-feira, julho 10, 2012

10 de JULHO, DIA DA pizza

A história da pizza começou com os egípcios. Ao contrário do conhecimento popular, apesar de tipicamente italiana, os babilónios, hebreus e egípcios já misturavam o trigo e amido e a água para assar em fornos rústicos há mais de 5000 anos. A massa era chamada de "pão de Abraão", muito parecida com os pães árabes actuais, e recebia o nome de piscea.

Os fenícios, três séculos antes de Cristo, costumavam acrescentar coberturas de carne e cebola ao pão; os turcos muçulmanos adoptavam esse costume durante a Idade Média e por causa das cruzadas essa prática chegou à Itália pelo porto de Nápoles, sendo em seguida incrementada dando origem à pizza que conhecemos hoje.

No início de sua existência, somente as ervas regionais e o azeite de oliva eram os ingredientes típicos da pizza, comuns no quotidiano da região. Os italianos foram os que acrescentaram o tomate, descoberto na América e levado a Europa pelos conquistadores espanhóis. Porém, nessa época a pizza ainda não tinha a sua forma característica, redonda, como a conhecemos hoje, mas sim dobrada ao meio, feito um sanduíche ou um calzone.

A pizza era um alimento de pessoas humildes do sul da Itália, quando, próximo do início do primeiro milénio, surge o termo "picea", na cidade de Nápoles, considerada o berço da pizza. "Picea", indicava um disco de massa assada com ingredientes por cima. Servida com ingredientes baratos, por ambulantes, a receita objectivava "matar a fome" principalmente da parte mais pobre da população. Normalmente a massa de pão recebia como sua cobertura toucinho, peixes fritos e queijo.

A fama da receita correu o mundo e fez surgir a primeira pizzaria que se tem notícia, a Port'Alba. http://en.wikipedia.org/wiki/Antica_Pizzeria_Port'Alba

segunda-feira, julho 09, 2012

Execução sumária de mulher afegã


Najiba tinha 22 anos e foi morta a tiro, à queima-roupa, por adultério. Os juízes talibãs nem sequer ouviram a sua versão.

As imagens são horríveis e duram poucos segundos. A mulher tinha 22 anos, chamava-se Najiba. Era afegã e vivia numa aldeia da província de Parwan, a uma centena de quilómetros da capital, Cabul. O julgamento tribal durou menos de uma hora e ninguém se interessou pela versão da vítima, que era acusada de adultério.
Ela está sentada, ouve a sentença e não se move, sendo executada a tiro de kalashnikov, à queima-roupa. O executor (talvez o seu marido) está vestido de branco e vem por trás, nervoso, grita 'Deus é Grande' e dispara, mas os primeiros tiros não a atingem. Depois, um tiro em cheio na cabeça. Najiba cai para trás, mas o atirador continua a disparar. Alguém diz que já chega e os tiros param. As imagens de telemóvel mostram dezenas de homens numa falésia ou junto a casas de uma aldeia pobre. Só homens.
O vídeo com a execução desta mulher afegã passou na televisão do país e está a chocar o mundo. Najiba, filha de Sar Gul, irmã de Mustafa e esposa de Juma Khan, era acusada de "adultério", após ter estado um mês fora da sua aldeia. As circunstâncias são desconhecidas e alguns especulam que a mulher possa ter sido vítima de uma questão tribal ou da rivalidade entre diferentes grupos de talibãs.
Os seus acusadores eram talibãs e, não lhe dando qualquer hipótese de se explicar, condenaram-na à morte dizendo que ela tinha fugido com Zemarai, um comandante insurrecto. Entretanto, Najiba foi capturada pelos mujahidine, certamente por um grupo rival do de Zemarai, o que talvez explique a acusação de adultério. As autoridades afegãs lançaram entretanto uma operação para tentar prender os executores. (fonte DN)

Nota da redacção - Em pleno século XXI assistimos à barbárie aplaudida e consentida.Para onde vai a Humanidade?

domingo, julho 08, 2012

o que é o Amor?


O amor não é aquilo que ilumina o seu caminho.
O nome disso é candeeiro.

O amor não é aquilo que supera barreiras.
O nome disso é "golo" na marcação de um livre.

O amor não é aquilo que faz coisas que até Deus duvida.

O nome disso é Lady Gaga.

O amor não é aquilo que traça o seu destino.
O nome disso é GPS.

O amor não é aquilo que te dá forças para superar os obstáculos.
O nome disso é tracção às quatro rodas.

O amor não é aquilo que mostra o que realmente existe dentro de você.
O nome disso é endoscopia.

O amor não é aquilo que atrai os opostos.
O nome disse é íman.

O amor não é aquilo que dura para sempre.
O nome disso é Manuel de Oliveira.

O amor não é aquilo que surge do nada e em pouco tempo está mandando em
você.
O nome disso é Miguel Relvas.

O amor não é aquilo que te deixa sem fôlego.
O nome disso é asma.

O amor não é aquilo que não te deixa ver as coisas como elas são.
O nome disso é miopia.

O amor não é aquilo que faz os feios ficarem pessoas maravilhosas.
O nome disso é dinheiro.

O amor não é aquilo que o homem faz na cama e deixa a mulher louca.
O nome disso é esquecer a toalha molhada.

O amor não é aquilo que toca as pessoas lá no fundo.
O nome disso é exame de próstata.

O amor não é aquilo que faz a gente dizer coisas de que depois se arrepende.
O nome disso é vodka.

O amor não é aquilo que faz você passar horas ao telefone.
O nome disso é promoção da ZON ou da MEO...

O amor não é aquilo que te deixa com água na boca.
O nome disso é copo de água.

Amor não é aquilo por que você reza para que não acabe.
O nome disso é férias.

O amor não é aquilo que entra na sua vida e muda tudo de lugar.
O nome disso é empregada nova.

O amor não é aquilo que te deixa meio pateta, rindo à toa.
O nome disso é excesso de álcool.

O amor não é aquilo que se cola em você mas quando vai embora arranca
lágrimas.
O nome disso é cera quente.


Aprendeu ?
(recebido por email)

quarta-feira, julho 04, 2012

contra o Acordo Ortográfico

no apanhado que se segue, analisem a origem das palavras e o assassinato que se pretende fazer à Língua Portuguesa:

domingo, julho 01, 2012

lendo: "Trás-os-Montes"

"...Teodoro mantinha o fascínio pela luz eléctrica, desde a altura em que instalaram os postes de iluminação no Largo da Lameira. Em casa dele também já havia luz, mas o avô mantinha ainda várias lanternas de bolso, para se orientar no caminho do estábulo ou do celeiro, nas tardes curtas de Inverno.
Por vezes, Oscar conseguia esgueirar-se de casa com a espingarda de pressão do avô e Teodoro ficava encarregue de levar a lanterna. Edgar aparecia mais tarde, para acertar nos pássaros que dormiam nas tílias ao fundo do Largo.Oscar apontava a lanterna para o alto e um disparo fazia estremecer as folhas até à queda de um corpo morto.
   Quando regressava a casa, com a lanterna do avô, Teodoro tinha uma vontade terrível de experimentar o brilho dessa lâmpada directamente nos olhos. Uma noite encostou a boca da lanterna ao olho direito e depois carregou no botão e accionou a luz que o iluminou por dentro. Mal desligou a lanterna entrou em pânico porque não conseguia ver nada, mas aquele terror de cegueira temporária passou e aos poucos recuperou a visão. Quando se preparava para entrar em casa percebeu que não alcançava como dantes o puxador da porta, porque havia um desiquilíbrio entre o olho esquerdo e o olho lesionado.Pore isso decidiu  aplicar a mesma dose de luz sobre o olho esquerdo para calibrar a visão e depois dirigiu-se a cambalear até ao burro encostado à manjedoura.Apontou o foco para aqueles olhos grandes e castanhos do animal, enquanto recuperava do efeito daquela espécie de mutilação. O burro assustou-se e começou a roçar-se contra a parede e a tentar resistir ao feixe de luz que lhe apontavam. Teodoro levou um empurrão do burro e depois correu pelas escadas até ao quarto, arrumou o foco no lugar e deitou-se vestido.À sua volta pequenos fogos rebentavam e impediam-no de adormecer, a pulsação não baixava e começou a contar os batimentos com uma preocupação crescente. A mãe e a avó estavam no balcão com as outras vizinhas, a aproveitar o freso da noite, mas não podia ir pedir ajuda ou queixar-se que o seu coração ia rebentar, por isso resistiu entre os pensamentos malignos e o receio de uma escuridão futura."....

TIAGO PATRÍCIO nasceu no Funchal em 1979 e viveu em Carviçais, Torre de Moncorvo.Licenciado em Ciências Farmac~euticas e estuda Literatura e Filosofia na Universidade de Lisboa.Venceu vários prémios de poesia e teatro."Tras-os-Montes" é o seu primeiro romance e foi Prémio Literário Agustina Bessa-Luís 2011


domingo, junho 24, 2012

As homenagens

Diário de Notícias

As homenagens

Não basta ser brasonado de nome; é preciso merecê-lo

Maria Teresa Góis
 
 
"Caminhais em direcção da solidão. Eu, não, eu tenho livros."Marguerite Duras (1914-1996)

É costume que no dia 10 de Junho, dia de Portugal, o Presidente da República ou quem o representa, homenageie pessoas que por uma ou outra razão tenham contribuído para a sociedade com actos e obras valorosas e dignificantes.
Os nomes ou entidades são acordados por mútuo acordo dos governos e no caso da Madeiradeduzo que prevaleça a opção de escolha regional.
As pessoas podem ser mais ou menos simpáticas, mais ou menos populares, mais ou menos figuras politizadas. O que não podem deixar de não ter é obra feita, reconhecida como útil, necessária e influente no meio.
Em 05 de Novembro de 2011, subscrita por 327 identidades, sendo professores de diversos graus, editoras, livreiros, escritores e outros, foi dirigida aos senhores Presidente da República, Primeiro-ministro, Secretário de estado da Cultura, representante da República para a RAM, Presidente do Governo Regional da Madeira e ao Secretário Regional de Educação e Cultura da RAM, uma carta na qual se pedia que no dia 10 de Junho deste ano, meritoriamente, fosse distinguido o senhor Jorge Figueira de Sousa.
Este, livreiro de profissão, herdou de seu avô Jacintho Figueira de Sousa (1860) e depois de seu pai, a Livraria Esperança.
Deu-lhe vida, deu-lhe o primeiro lugar, no país, em número de diversidade de títulos, deu-lhe o empenho e trabalho diário, junto com a esposa e colaboradores.Foi eleito livreiro do ano de 2012, a nível nacional, e foi-lhe atribuído o prémio LER/Booktailors 2012.
Hoje com 80 anos e após seis décadas no meio dos livros, não sendo fácil manter a porta aberta e a actualização de títulos, tudo isso consegue.
Desprezar a obra, o vulto e a riqueza que representa para a Região termos, entre nós, a "Livraria Esperança", mesmo se à distância de um clique, é um acto cobarde ou de pura e adulta ignorância.
Assim se trata a cultura, a arte nobre de divulgar a literatura pela mão de um filho desta terraque muito lutou para dar continuidade a um sonho de séculos.
Não basta ser brasonado de nome; é preciso merecê-lo.

quarta-feira, junho 20, 2012

dia mundial dos Refugiados

Perseguidos por razões raciais, tribais, religiosas, políticas ou sociais, deixam as suas terras perdendo bens, laços familiares e afectividades, rumo a um país de acolhimento, quase sempre sem retorno.
Um flagelo que já vem do século XX e que se agrava nos nossos dias perante a passivividade e indiferença das potências mundiais.


segunda-feira, junho 18, 2012


Azinhaga do Ribatejo - 16 de Novembro de 1922
Lanzarote (Canárias) - 18 de Junho de 2010

BIBLIOGRAFIA :
 "O Ano da Morte de Ricardo Reis" (1988), "A Jangada de Pedra" (1988), "História do Cerco de Lisboa (1989), "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (1991), “Manual de Pintura e Caligrafia” (1992), "In Nomine Dei" (1993), “Objecto Quase” (1994), "Ensaio sobre a Cegueira" (1995), "A Bagagem do Viajante (1996),"Memorial do Convento" (1996), "Cadernos de Lanzarote" (1997), "Todos os Nomes" (1997), "Viagem a Portugal" (1997), "Que Farei com Este Livro?" (1998), "O Conto da Ilha Desconhecida" (1998), "Cadernos de Lanzarote II" (1999), "A Caverna" (2000), "A Maior Flor do Mundo" (2001), "O Homem Duplicado" (2002), "Ensaio sobre a Lucidez" (2004), "As Intermitências da Morte" (2005), "Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido" (2005), "A Jangada de Pedra" (2006, edição de bolso), "As Pequenas Memórias" (2006),"A Viagem do Elefante" (2008), "O Caderno" (2009) e "Caim" (2009).

sexta-feira, junho 15, 2012

Desiderata


” Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se que há sempre paz no silêncio.

Tanto quanto possível, sem humilhar-se, viva em harmonia com todos os que o cercam.

Fale a sua verdade mansa e claramente, e ouça a dos outros, mesmo a dos insensatos e ignorantes: eles também têm a sua própria história.

Evite as pessoas agressivas e transtornadas: elas afligem o nosso espírito.

Se você se comparar com os outros, tornar-se-á presunçoso e magoado, pois haverá sempre alguém inferior e alguém superior a você.

Viva intensamente o que já pode realizar, mantenha-se interessado em seu trabalho, ainda que humilde: ele é o que de real existe ao longo de todo o tempo.

Seja cauteloso nos negócios, porque o mundo está cheio de astúcia, mas não caia na descrença. A virtude existirá sempre.

Muita gente luta por altos ideais, em toda parte a vida está cheia de heroísmo.

Seja você mesmo. Não simule afeição nem seja descrente do amor, porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto ele é tão perene quanto a relva.

Aceite com carinho o conselho dos mais velhos, mas, seja compreensivo aos impulsos inovadores da juventude.

Alimente a força do espírito que o protegerá no infortúnio inesperado e não se desespere com perigos imaginários: muitos temores nascem do cansaço e da solidão.

À despeito de uma disciplina rigorosa seja gentil consigo mesmo.

Assim como as estrelas e as árvores, você é filho do Universo, merece estar aqui, e, mesmo que você não possa perceber, o Universo segue cumprindo o seu destino.

Esteja em paz com Deus, como quer que você o conceba. Quaisquer que sejam os seus trabalhos e aspirações, da fatigante jornada pela vida, mantenha-se em paz com sua própria alma.

Acima da falsidade, do desencanto e das agruras, o mundo ainda é bonito.

Seja prudente e faça tudo para ser feliz!

Max Ehrmann (1872-1945)

quarta-feira, junho 13, 2012

lendo....

"-É artista?pintor?poeta?
-Não;sou simplesmente um atónito.
Ergui a cabeça e olhei-o sem responder.
-Para mim, continuou ele, o facto essencial e pasmoso das coisas é elas realmente serem.O facto de qualquer coisa ser é milagroso. O outro facto milagroso é estar eu aqui, a ter a consciência que elas são. Gozo este horror com todas as formas da minha alma. Conheço bem que nem as coisas são o que parecem, nem eu o que me sinto ser.A natureza transcende-se a si próprioa.Eu sou muito mais do que sou.Se isto lhe parece um paradoxo, a culpa é do Universo, que é paradoxal.-A Natureza é espírito, porque é uma ideia minha. Mas é uma ideia minha de uma realidade de que essa ideia é uma ideia.Por mais ligeira que seja à vista, só vê o lado da realidade que está criado para ela.
     Para mim, a Natureza é alma. A aurora, a tarde, a noite-o próprio dia-são para mim fenómenos espirituais.Olho-os como coisas minhas.Se na minha vista parcial dela é tão bela a natureza, como não será em solidez espiritual?
     Cada hora é para mim uma revelação.Dou cada minuto grças a Deus de ter esse minuto por meu."....

in:"O Mendigo e Outros Contos", Fernando Pessoa

terça-feira, junho 12, 2012

arte de rua, na R. de Santa Maria, Funchal I

A Rua de Santa Maria no Funchal é, talvez, das  primeiras artérias a ter o nome de rua.Situada na zona velha da cidade do Funchal, as casas centenárias estavam degradadas dando um ar lúgubre à rua estreita. Em boa hora o desafio à arte criativa foi feito e aceite.O resultado é este, sendo quase 200 as portas assim recuperadas.




sábado, junho 09, 2012

Descoberta a pérola mais antiga do mundo


No Golfo Pérsico, em tempos pré-históricos, estes objetos eram apreciados e faziam parte de rituais funerários
Arqueólogos franceses descobriram a pérola fina mais antiga de que há conhecimento, 7500 anos, fazendo recuar em 2500 anos a antiguidade deste tipo de objeto. A descoberta foi efetuada a escavação de uma povoação neolítica, nos atuais Emirados Árabes Unidos, em Umm al-Quwain, na costa do Golfo Pérsico.
A demonstração da antiguidade foi feita através de datação por Carbono 14. A pérola mais antiga do mundo, até agora, datava de 3000 anos antes da nossa Era e fora encontrada numa povoação pré-histórica no Japão. Os arqueólogos afirmam que a pérola de Umm al-Quwain estava na sepultura de um indivíduo e tinha clara ligação a ritos funerários.
Segundo os cientistas, a prática de pesca das ostras produtoras de pérolas é pré-histórica no Golfo Pérsico e Oceano Índico e fazia parte da identidade cultural da região. Em outros locais, foram encontradas pérolas colocadas sobre o rosto dos defuntos, nomeadamente sobre o lábio superior.

in: DN, Lisboa

quarta-feira, junho 06, 2012

curioso....

1. Fixa o olhar no ponto vermelho do nariz da rapariga durante 30 segundos certos.
2. Olha agora para uma superfície plana (o tecto ou parede vazia).
3. Pestaneja repetidamente e rapidamente. Diz lá !

terça-feira, maio 29, 2012

O Mundo - análise muito divertida


Li uma vez que a Argentina não é nem melhor, nem pior que a Espanha, só que mais jovem. Gostei dessa teoria e aí inventei um truque para descobrir a idade dos países baseando-me no 'sistema cão'. Desde meninos nos explicam que para saber se um cão é jovem ou velho, deveríamos multiplicar a sua idade biológica por 7.
No caso de países temos que dividir a sua idade histórica por 14 para conhecer a sua correspondência humana. Confuso? Neste artigo exponho alguns exemplares reveladores.
A Argentina nasceu em 1816, assim sendo, já tem 190 anos. Se dividimos estes anos por 14, a Argentina tem 'humanamente' cerca de 13 anos e meio, ou seja, está na pré-adolescência. É rebelde, não tem memória, responde sem pensar e está cheia de acne.
Quase todos os países da América Latina têm a mesma idade, e como acontece nesses casos, eles formam gangues. A gangue do Mercosul é formada por quatro adolescentes que têm um conjunto de rock. Ensaiam numa garagem, fazem muito barulho, e jamais gravaram um disco.
A Venezuela, que já tem peitinhos, está querendo unir-se a eles para fazer o coro . Em realidade, como a maioria das mocinhas da sua idade, quer é sexo, neste caso com Brasil.
O México também é adolescente, mas com ascendente indígena. Por isso, ri pouco e não fuma nem um inofensivo baseado, como o resto dos seus amiguinhos. Mastiga coca, e se junta com os Estados Unidos, um retardado mental de 17 anos, que se dedica a atacar os meninos famintos de 6 anos em outros continentes.
No outro extremo, está a China milenária. Se dividirmos os seus 1.200 anos por 14 obtemos uma senhora de 85, conservadora, com cheiro a xixi de gato, que passa o dia comendo arroz porque não tem - ainda - dinheiro para comprar uma dentadura postiça. A China tem um neto de 8 anos, Taiwan , que lhe faz a vida impossível. Está divorciada faz tempo de Japão, um velho chato, que se juntou às Filipinas, uma jovem pirada, que sempre está disposta a qualquer aberração em troca de grana.
Depois, estão os países que são maiores de idade e saem com o BMW do pai. Por exemplo, Austrália e Canadá. Típicos países que cresceram ao amparo de papai Inglaterrae mamãe França, tiveram uma educação restrita e antiquada e agora se fingem de loucos.
A Austrália é uma babaca de pouco mais de 18 anos, que faz topless e sexo com a África do Sul.
O Canadá é um mocinho gay emancipado, que a qualquer momento pode adoptar o bébé da Groenlândia para formar uma dessas famílias alternativas que estão de moda.
A França é uma separada de 36 anos, mais prostituta que uma galinha, mas muito respeitada no âmbito profissional. Tem um filho de apenas 6 anos: Mónaco, que vai acabar virando gay ou bailarino... ou ambas coisas. É a amante esporádica da Alemanha, um caminhoneiro rico que está casado com a Áustria, que sabe que é chifruda, mas que não se importa.
A Itália é viúva faz muito tempo. Vive cuidando de São Marino e do Vaticano, dois filhos católicos gémeos idênticos. Esteve casada em segundas núpcias com Alemanha (por pouco tempo e tiveram a Suíça), mas agora não quer saber mais de homens. A Itália gostaria de ser uma mulher como a Bélgica: advogada, executiva independente, que usa calças e fala de política de igual para igual com os homens (a Bélgica também fantasia de vez em quando que sabe preparar esparguete).
A Espanha é a mulher mais linda de Europa (possivelmente a França se iguale a ela, mas perde espontaneidade por usar tanto perfume). É muito tetuda e quase sempre está bêbada. Geralmente se deixa enganar pela Inglaterra e depois a denuncia. A Espanha tem filhos por todas as partes (quase todos de 13 anos), que moram longe. Gosta muito deles, mas a perturbam quando têm fome, passam uma temporada na sua casa e assaltam sua geladeira.
Outro que tem filhos espalhados no mundo é a Inglaterra. Sai de barco de noite, transa com alguns babacas e nove meses depois, aparece uma nova ilha em alguma parte do mundo. Mas não fica de mal com ela. Em geral, as ilhas vivem com a mãe, mas a Inglaterra as alimenta.
A Escócia e a Irlanda, os irmãos da Inglaterra que moram no andar de cima, passam a vida inteira bêbados e nem sequer sabem jogar futebol. São a vergonha da família.
A Suécia e a Noruega são duas lésbicas de quase 40 anos, que estão bem de corpo, apesar da idade, mas não ligam para ninguém. Transam e trabalham, pois são formadas em alguma coisa. Às vezes, fazem trio com a Holanda (quando necessitam maconha, haxixe e heroína); outras vezes cutucam a Finlândia, que é um cara meio andrógino de 30 anos, que vive só em um apartamento sem mobília e passa o tempo falando pelo celular com a Coreia.
A Coreia (a do sul) vive de olho na sua irmã esquizóide. São gémeas, mas a do Norte tomou líquido amniótico quando saiu do útero e ficou estúpida. Passou a infância usando pistolas e agora, que vive só, é capaz de qualquer coisa. Estados Unidos, o retardadinho de 17 anos, a vigia muito, não por medo, mas porque quer pegar as suas pistolas.
Irão e Iraque eram dois primos de 16 que roubavam motos e vendiam as peças, até que um dia roubaram uma peça da motoca dos Estados Unidos e acabou o negócio para eles. Agora estão comendo lixo.
O mundo estava bem assim até que, um dia, a Rússia se juntou (sem casar) com a Perestroika e tiveram uma dúzia e meia de filhos. Todos esquisitos, alguns mongolóides, outros esquizofrénicos.
Faz uma semana, e por causa de um conflito com tiros e mortos, os habitantes sérios do mundo descobriram que tem um país que se chama Kabardino-Balkaria. É um país com bandeira, presidente, hino, flora, fauna... e até gente! Eu fico com medo quando aparecem países de pouca idade, assim de repente. Que saibamos deles por ter ouvido falar e ainda temos que fingir que sabíamos, para não passarmos por ignorantes.
Mas aí, eu pergunto: por que continuam nascendo países, se os que já existem ainda não funcionam?
E Portugal?
Por esta ordem de ideias Portugal será um "cota" de 62 anos, que não quer saber dos filhos que fora de horas teve em África de uma mãe trintona (todos agora com por volta dos dois anos e meio) enquanto se perde de amores pela enteada catorzinha que do outro lado do Atlântico se insinua emergente e tesuda ao som do Samba. Proxeneta por tradição, sendo o mais velho na Europa acha que os outros têm obrigação de o sustentarem, e para tal usa de todos os estratagemas e de chantagem emocional: quando necessário até canta o Fado.
Fabulosa localização com... "aquela janela virada para o mar"! Já para não falar das vinhas ancestrais que lhe crescem nas traseiras do quintal, do azeite das oliveiras que bordejam a propriedade, do peixinho fresco que só falta conhecer o caminho para o assador para ser perfeito!
Ah! À sua custa vivem duas belas filhas solteironas já quarentonas: uma toda virada para a ecologia, com uns olhos azuis lindos como lagoas; e a outra, muito rebelde, a ameaçar casar sempre que a mesada tarda. Ambas com um temperamento assaz vulcânico, prometem ainda dar que falar: a primeira tem sempre a cama feita para um jovem ricaço que a visita amiude de avião; e a segunda, de tão bela, dá-se ao luxo de nem se depilar da sua floresta laurissilva, recentemente eleita para Património Mundial da Humanidade.
NOTA SOBRE O AUTOR:
Hernán Casciari nasceu em Mercedes ( Buenos Aires ), a 16 de Março de 1971.
Escritor e jornalista Argentino. É conhecido por seu trabalho ficcional na Internet, onde tem trabalhado na união entre literatura e blog, destacado na blognovela. Sua obra mais conhecida na rede, 'Weblog de una mujer gorda', foi editada em papel, com o título: 'Más respeto, que soy tu madre'.
recebido por email

domingo, maio 27, 2012

O respeitável público

"A paciência dos Povos é a manjedoura dos tiranos"
DemetrioPianelli

"Senhoras e senhores, meninos e meninas, respeitável público". Era assim que começavam as matinées de Circo e a estas palavras mágicas do começo, crianças esbugalhavam os olhos e batiam palmas sem cansaços.
Os adultos que as acompanhavam olhavam tanta satisfação e alegria,aderindo com entusiasmo.
A curiosidade de ver ursos de bicicleta, leões obedientes e saltitantes, elefantes dançantes, trapezistas voadores em nada ofuscava a expectativa dos palhaços. Aí, era o delírio!
Da nobre arte, velha de séculos, temos hoje quotidianas imitações políticas que nos entram pela porta dentro sem pedir licença, queiramos ou não, dominam debates e chatsfacebookianos e até pululam nos adros das igrejas.
"Deve-se julgar da opinião e carácter dos povos, dos seus eleitos e predilectos" (Marquês de Maricá). Concordo plenamente pois se vivemos em democracia, teremos de aceitar as escolhas sufragadas ainda que deixem muitos travos de amargura. Deste estado vamos, a pouco e pouco,tomando o conhecimento.
Na Roma antigaos "César" de então não deixavam o povo passar fome e tédio: panem et circenses.
Hoje o circo também acontece; actuam palhaços e a ignorância ouve e bate palmas mal sabendo que o pão não será de novo distribuído, antes rareará. Assim são as ostentações de poder na tentativa, algo frustrada, de desculpa, de verdade escondida, de culpa não assumida. Nada voltará a ser como antes: a Madeira agita-se, já não tem medo, não se envergonha de discordar e no livro enorme da História, começa a virar a folha.
Quando o poder é incomodado é célere a recrutar novos soldados. Imberbes de política, tantas vezes de Educação, refugiam-se na grosseria de actos e palavras sob um tecto de falsas verdades cujo estampido não fará vítimas.
É com tristeza que vejo no panorama político português uma hoste de "jotas" sem experiência, rasos de incompetência, ávidos de importância, balofos de maus saberes. Não é com "políticos" destes que se ultrapassam crises, que se diluem carências, que se enfrentam adversidades.
A Madeira tem excelentes condições de turismo, um clima óptimo, um povo hoje menos risonho mas acolhedor. Não será com insultos e procedimentos cabotinos que se ultrapassará, com esperança, os tempos difíceis que só agora se vislumbram ao respeitável público.

Maria Teresa Góis
Diário de Notícias, 27 de Maio de 2010

http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/opiniao/326534-o-respeitavel-publico