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domingo, abril 28, 2013

Quero Abril de volta!

 
"Há sempre um zarolho ou um esperto que nos governa."
José Saramago

Sim, quero "Abril" de volta. Não aquele que nos traz a pujança da Primavera, de nascentes áureos e poentes ensanguentados, mas o ABRIL da Alegria, do abraço ao desconhecido, da Esperança, da Liberdade, dos direitos e deveres de Cidadão.
Quero Abril de volta para que as nossas crianças não deixem de viver a infância, os jovens não enterrem os sonhos e os mais velhos não se amortalhem demasiado cedo.
As troupes de espertos e zarolhos multiplicam-se com a facilidade de coelhos; tresanda a incompetência destes políticos de algibeira que, mesmo travando pelejas internas, acabam num coro uníssono para tramar o povo.
Pensam-se detentores da verdade, ditam oráculos, com falência crescente nas profecias. Assim, avolumam a tragédia do homem comum e pacato, desesperado de salvação, faminto de justiça e de comida, perseguido, emigrante involuntário.
Começa a ser perigoso nascer em Portugal! Não só pela incapacidade de apoio à saúde e à educação, à assistência social, pelas condições de pobreza a que 1/3 da população está votada, mas também pelo retrocesso de décadas. Ouvimos todos os dias os ditames de um governo que nos odeia só por existirmos, por comermos, por termos filhos e netos, por sermos sadios ou doentes, um governo que ameaça, que absurdamente cerceia qualquer poeira de esperança.
Pérfidos, inventaram uma dialéctica de palavras importadas, re-adaptadas, para assim justificarem o cadeirão onde assentam o fundo das costas.
Quero Abril de volta, íntegro nos direitos então conquistados! Contra a pobreza e o alheamento participativo, pelo direito maior ao voto consciente e filho de uma lucidez democrática, não prometido e manipulado.
Quero Abril de volta, quero que as vozes do ressentimento se transformem na voz que exige a dignidade, a igualdade de tratamento e de oportunidade, para que não se corra o perigo eminente de substituir a beleza e o perfume dos cravos, símbolo dos valores de Abril, pelo direito insatisfeito de revolta que, a acontecer, não será pacífica.
E, se não chegar a volta de Abril, tentemos o 1º de Maio!


Maria Teresa Góis


domingo, março 31, 2013

Na Senda da Esperança?

                                                            
"Não deixem que vos roubem a esperança, ouviram?"
Papa Francisco, 5ª Feira Santa


A Esperança é a diferença entre o presente que vivemos baseados na aprendizagem do passado, na angústia quotidiana e no futuro aberto ao desconhecido. Mesmo se absurda, a esperança é sagrada e impele-nos à vida dando-nos as forças para enfrentar o esforço de fazer renascer dentro de nós um sentido de vida melhor quando somos, ciclo após ciclo, atacados pelas agruras da vida.
Olho à volta e tudo me parece podre: governos, autarquias e suas firmas, grandes empresas, associações… Qualquer bom marceneiro dirá que de madeira podre não se fará boa obra. Mas é assim que se pretende descontinuar este país. Até quando? Esta inocência crónica que afecta governantes, presidentes e administrações já mete nojo.
Em dia de Páscoa, dia de alegria, dia de esperança e de família, não me quero deixar dominar por pensamentos láparos…
A Fé que no Evangelho move montanhas andaria esquecida, talvez em mim, mas o novo Papa eleito trouxe à Igreja até então opulenta e rica a tendência ao olhar dos Evangelhos.
Congar disse um dia: "o Papa não está acima da Igreja, o Papa está dentro da Igreja."
Assim parece querer fazer este papa da esperança que me lembra João XXIII que na altura espanejou muita da poeira assente no Vaticano desde os tempos de Constantino.
Revive na esperança esta Igreja que celebra a Páscoa do Ressuscitado e humaniza-se. "Não devemos ter medo da bondade e da ternura - Papa Francisco". Esta afirmação é o sinal com que exortou a mesma Igreja à Alegria.
São estes os sinais do tempo que neste texto prevalecem e que vos deixo em desejo de uma feliz Páscoa, hoje numa prosa curta e desinspirada, fruto de uma gripe que se me colou ao corpo, que o domina e que torna doloroso qualquer simples pensamento. Até o sino da Capelinha vizinha, tão alegre, provoca, ritmadamente e de quarto em quarto de hora, um tremor de terra com epicentro na minha cabeça…
Tenhamos então Esperança e saibamos limpar as pragas que nos rodeiam, num momento cívico que apenas há umas dezenas de anos conquistámos.



Maria Teresa Góis

 http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/opiniao/378221-na-senda-da-esperanca

sexta-feira, março 08, 2013

porquê 08 de Março?


Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".

domingo, março 03, 2013

Um país a preto e branco

Diário de Notícias
 

Portugal está puído mas não vejo artesãos que lhe possam deitar os remendos

Maria Teresa Góis
 
"As liberdades essenciais são três: liberdade de cultura, liberdade de organização social, liberdade económica…"
Agostinho da Silva


Por aqui e por ali já vão assobiando os ares da Primavera: nos verdes, nos campos cavados, nas flores que despontam, no corre-corre dos melros pretos e nos trinados dos pássaros, sempre apressados e felizes. Como os invejo!
Enquanto isto o meu País é um filme a preto e branco, um filme triste em que um em cada cinco portugueses está desempregado, em que um quarto das crianças está em situação de pobreza ou exclusão segundo um relatório internacional, um país de economia retraída à beira dos 4%, em que os jovens ou emigram ou são uma geração adiada, os que querem estudar não o podem fazer, as liberdades começam a ser cerceadas, o Estado não cumpre a função social inscrita na Constituição, os cortes viram "poupanças" e o povo, desiludido, desesperançado e amargurado mantém-se à tona fazendo do humor e chiste à política a sua bandeira e da "Grândola Vila Morena" o seu hino.
Impressiona saber que pelos cemitérios das grandes cidades há corpos vertidos nas valas, não por tradição fúnebre mas por falta de dinheiro que possa pagar o serviço de ter quatro simples tábuas no leito pós morte. Não pelo desconforto de um corpo que regressa ao pó da terra, mas pelo significado da extrema pobreza que fere as tradições cultuais e religiosas de um povo e que deixará, talvez, a revolta na devoção dos que ficam.
Portugal está puído mas não vejo artesãos que lhe possam deitar os remendos!
É público o corte nos medicamentos essenciais, da pressa com que se despacha para casa um doente a meia alta numa negação evidente ao direito à saúde. Há também "poupanças" nas escolas mas que se amenizam na juventude tolerante dos alunos e se agravam no stress continuado dos professores.
Neste mês a "poupança" expressa nos recibos de vencimentos ou reformas aumentou a indignação e a ginástica contabilística das famílias.
A repetitiva força renovadora da Primavera não abrange o reino em que vivemos! Nela viceja o que em nós morre, nela se acentuam as cores que em nós esmorecem.
Só há um caminho e o único que conheço é apear este grupo de impreparados arvorados em deuses de salvação nacional. É uma atitude radical? Será, sem dúvida, mas será talvez a única maneira de salvar a dignidade de uma nação com história, impedir a emigração e suicídio de um povo, de banir a desilusão sem viver na ilusão, de pensar global mas agir local.
E pelos recortes da Ilha também não vamos bem e os desmandos começam a perturbar as hostes devotas do regime.
As "poupanças" forçadas estão por todos os concelhos: nas estradas esburacas, no lixo acumulado em contentores, nos caminhos municipais arruinados de matagal, miradouros lixados por que não limpos e cuidados, nas frestas que o cimento cede à teimosia das humidades e até no bolor que o povo simples vai descobrindo nos políticos. Precisamos de aproveitar o iodo, o iodo atlântico da Liberdade.
Fevereiro de 2013 ficará nos anais da História com as palavras "renúncia" e "resignação". As renúncias não foram as necessárias e é tempo de acabar com a atitude resignada de quem se deixa explorar por quem não vale um coelho esfolado…

domingo, fevereiro 03, 2013

As máscaras

"A terceira idade serve para alguma coisa para o Estado, que é para votar, mas de resto não produz e a ideia de quem não produz é que não serve."D. Teodoro de Faria, Funchal 20/01/2013


Com origem religiosa, muitos pensam que a máscara é exclusiva do Carnaval mas o seu uso é indistinto.
Temos as máscaras anti-gás, as de soldador, de oxigénio, de esgrima ou outro desporto, as dos artistas sobretudo no Teatro e para abreviar, as dos políticos. Máscaras de Carnaval e políticas são de simbiose fácil. São uma arma e sob elas oculta-se quer o Bem quer o Mal.
Nos dias que correm temos demasiados arlequins transvertidos de púdicas e virtuosas personagens. Estes, nem uma lágrima deitam!
Veja-se a publicidade ofensiva como se oferecem cantinas ou verbas para centros de apoio à Pobreza, num discurso impostor e medíocre. Não há dúvida; o poder degrada mas quanto mais o homem sobe mais perto está da vertigem ao chão.
A avaliar o trato deste coligado governo, só nos faltará usar uniforme…
Num limite decadente ajoelham e recebem ordens estrangeiras, praticam uma política que chamarei, bondosamente, de arqueológica pois está a levar o país à ruína.
Atabalhoados, juraram ontem o que hoje desdizem e perjuram para o amanhã o que sabem ser impossível. Caem as máscaras e o povo vai-se apercebendo disso, sentindo o bolso leve e a paciência pesada.
O Carnaval trará toda a vida política penetrantemente ridicularizada para a rua, num divertimento cativo de dois ou três dias. O puritanismo chegou ao ponto de querer anular as tradições, velhas de séculos, de 3ª feira de Carnaval.
Mesmo a custo, continuo a acreditar na História (acontecimento) e por isso espero que os tartufos de hoje sintam um dia o cilindro da justiça e que as gerações sofridas possam ver o castigo que este ultraneoliberalíssimo merece.
Lamento que os duzentos mil que já abandonaram Portugal não possam exercer o direito de voto, num ano que já mexe para eleições.
Não haverá tantas ou novíssimas máscaras, fruto dos apertos financeiros, e bem que desejaria que os que então se candidatam falassem e agissem no interesse dos seus Concelhos, sem paternidades castrantes e partidárias, sentindo na sua própria pele as carências e dificuldades dos habitantes que lhes poderão ser confiados. Como até aqui não tem sido assim, resta a esperança que num assomo de dignidade caiam as máscaras.
Entretanto vivemos mais uma ingerência inconstitucional deste governo: o "FarmVille" na RTP! É Carnaval…


Maria Teresa Góis

in: Diário de Notícias, Funchal, 03 de Fevereiro de 2013

sexta-feira, janeiro 25, 2013

lendo...

Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai estradas, fazei caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? - Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis.
Almeida Garrett, in «Viagens na minha Terra» (1846)

lux aeterna

LUX AETERNA from Cristóbal Vila on Vimeo.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Revelada composição de pílula com 2000 anos

Cientistas italianos reconstituíram, por assim dizer, a bula de um medicamento datado do século II antes da nossa era.
Ano de 140 a.C, aproximadamente. Um médico viaja a bordo de um barco vindo da Grécia e com destino ao porto etrusco de Populónia, Toscana. Mas o navio afunda-se a 18 quilómetros da costa – e só será descoberto em 1974, perto da praia de Pozzino.
Entre os objectos recuperados no Relitto del Pozzino (nome dado aos destroços), várias caixinhas cilíndricas em latão, 136 frasquinhos de madeira, um pequeno pilão de pedra, um vaso de bronze "com uma forma peculiar, típica de uma ferramenta médica usada para fazer sangrias", escrevem Erika Ribechini, da Universidade de Pisa, Itália, e colegas, na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Isto "sugere que um médico estaria a viajar no mar com o seu equipamento profissional", salientam.
Uma das latinhas revelou conter seis comprimidos redondos e cinzentos de quatro centímetros de diâmetro e um de espessura e levou os cientistas a realizarem análises químicas, mineralógicas e botânicas para determinar a composição do que parecia ser um medicamento com mais de 2000 anos. "Em arqueologia", escrevem, "é muito raro descobrir-se medicamentos antigos e conhecer-se a sua composição química." Mas, desta vez, foi possível reconstituir a bula deste medicamento "fóssil".
Composição: compostos de zinco, amido, cera de abelha, resina de pinheiro, gorduras de origem vegetal e animal, carvão, fibras de linho, pólen de oliveira e de trigo, entre outros. Substâncias activas (prováveis): os compostos de zinco e talvez o carvão.
Excipientes: azeite, resina de pinheiro (antioxidante e antibacteriano), cera de abelha, fibras de linho (reforçam os comprimidos).
Indicações: colírio contra problemas oculares. "A composição e a forma dos comprimidos de Pozzino parecem indicar que eram usados em oftalmologia", escrevem os cientistas, acrescentando que o nome latino collyrium (gotas para os olhos) vem de uma palavra grega que significa "pãezinhos redondos".
em cima, a latinha e o seu conteúdo (à direita); em baixo, um comprimido visto de frente e de lado
fonte:PUBLICO