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segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Sabia que a burka é proibida no Algarve desde MDCCCXCII?

Este decreto foi anterior ao da Turquia


A nossa costela árabe a funcionar...

Uso da burka ou do chador proibido no Algarve

«Faço saber que pelo regulamento policial d’este Governo Civil, de 6 do corrente mês, com execução permanente, aprovado pelo governo, determino o seguinte:

Artigo 32º – É proibido nas ruas e templos de todas as povoações deste distrito o uso dos chamados rebuços ou biôcos de que as mulheres se servem escondendo o rosto.

Artigo 33º – As mulheres que, nesta cidade, forem encontradas transgredindo o disposto no precedente artigo serão, pelas vezes primeira e segunda, conduzidas ao comissário de polícia ou posto policial mais próximo, e nas outras povoações à presença das respectivas autoridades administrativas ou aonde estas designarem, a fim de serem reconhecidas; o que nunca terá lugar nas ruas ou fora dos locais determinados; e pela terceira ou mais vezes serão detidas e entregues ao poder judicial, por desobediência.

Parágrafo único – Esta última disposição será sempre aplicável a qualquer indivíduo do sexo masculino, quando for encontrado em disfarce com vestes próprias do outro sexo e como este cobrindo o rosto.

Artigo 34º – O estabelecido nos dois precedentes artigos não terá lugar para com pessoas mascaradas durante a época do Carnaval, que deverá contar-se de 20 de Janeiro ao Entrudo; subsistirão, porém, as mesmas disposições durante a referida época, em relação às pessoas que não trouxerem máscara usando biôco ou rebuço.

Artigo 41º – O presente regulamento começa a vigorar, conforme o disposto no
Artigo 403º do código administrativo, três dias depois da sua publicação por editais – Governo Civil de Faro, 28 de Setembro de 1892. – Júlio Lourenço Pinto.»

O biôco (ou biuco) – Algarve

Raul Brandão escreve a propósito do biuco no seu livro "Os Pescadores", em 1922:

"Ainda há pouco tempo todas (as mulheres de Olhão) usavam cloques e bioco. O capote, muito amplo e atirado com elegância sobre a cabeça, tornava-as impenetráveis.

É um trajo misterioso e atraente. Quando saem, de negro envoltas nos biocos, parecem fantasmas. Passam, olham-nos e não as vemos. Mas o lume do olhar, mais vivo no rebuço, tem outro realce... Desaparecem e deixam-nos cismáticos. Ao longe, no lajedo da rua ouve-se ainda o cloque-cloque do calçado - e já o fantasma se esvaiu, deixando-nos uma impressão de mistério e sonho.

É uma mulher esplêndida que vai para uma aventura de amor? De quem são aqueles olhos que ferem lume?... Fitou-nos, sumiu-se, e ainda - perdida para sempre a figura -, ainda o som chama por nós baixinho, muito ao longe-cloque..."

Trata-se de uma capa que cobre inteiramente quem a usava. A cabeça era oculta pelo próprio cabeção ou por um rebuço feito por qualquer xaile, lenço ou mantilha. As mulheres embiocadas pareciam “ursos com cabeça de elefante”

Oficialmente a sua extinção ocorreu em 1882 e por ordem de Júlio Lourenço Pinto, então Governador Civil do Algarve, foi proibido nas ruas e templos, embora continuasse a ser usado em Olhão até aos anos 30 do século XX em que foram vistos os últimos biocos.

 

domingo, fevereiro 15, 2015

Por falar em mudanças....

     


Fevereiro tem tido dias particularmente frios, de brisas cortantes, humidades impiedosas, que nos chegam aos ossos. Todos reclamam e “cramam”. Até a Natureza parece cansada desta falta de sol e calor que faça medrar as sementes já lançadas à terra. É necessário que o tempo mude e que se mudem os tempos!
      Um é mandado pela batuta de S. Pedro segundo dizem, os outros devem ser obra de homens de pés bem assentes na terra.
      Uma obra pensada, planeada, equacionada, transmitida e admitida, para ser concretizada. É assim que eu entendo as mudanças.
      Os próximos dias, sobretudo nos fins de semanas, serão palcos, parlatórios de promessas, de ataques, jogos de empurra, de propostas desonestas porque ou são irrealizáveis ou têm os mesmos interlocutores. Claro que me refiro às eleições na Madeira mas, se olharmos ao país ou à Europa, tudo está em convulsão, em mudança.
      Na nação, segundo se apregoa, está melhor o país e a sua população. Mas depois, depois chegam os relatórios internacionais, as estatísticas nacionais e vemos os rácios, as curvas sinuosas, as percentagens, as comparações com outros anos e chegamos à conclusão de que estamos a ser ludibriados. Começa a ser banal a confissão pública de economistas enganados!
      O sentimento europeu fracassou junto dos povos da Europa, fomentou radicalismos, acentuou desigualdades. Morre o ideal europeu, a paz e regressa a noção de ter fronteiras.
      A UE funciona em função de tratados (e de tratantes) e o custo social destas políticas liberais ficará na história e, segundo estudos, estamos bem pior do que em 2008.
      Mas hoje há um país que ousa demonstrar liderança em vez de subserviência, que tem orgulho da sua nação e honra, sem se separar do continente europeu, da sua identidade. Quão diferente da governação lusa, sem anéis nem dedos, sem brios e patriotismos…
      Subscrevo Eça quando dizia: “Hoje crédito não temos, dinheiro também não – pelo menos o estado não tem – e homens não os há ou os que há são postos na sombra pela política.” (“Correspondência”, 1891).
      Sou descrente, portanto, em relação às mudanças regionais. Vejo continuidade na política dominante, com raras e boas alterações e não entendo a insegurança de não ver um PS concorrer só.
     No plano nacional é urgente uma mudança de mentalidade antes que o país desapareça e não me admiraria se, antes das legislativas, víssemos um bazar chinês instalado na Torre de Belém.
      Já quanto à Europa algo há-de mudar pela força da envolvência e diversidade internacionais. Aproximam-se tempos inquietos.



Maria Teresa Góis


terça-feira, fevereiro 03, 2015

expressão popular "Voltemos à vaca fria"


A origem da expressão "voltar à vaca fria" possui vários significados, muitos deles relacionados com lendas urbanas ou histórias populares. 
Uma das hipóteses mais aceitáveis para o surgimento desta expressão na língua portuguesa, está no francês "revenons à nos moutons", que literalmente significa "voltando aos cordeiros". A frase foi originalmente utilizada em uma narrativa que conta a história de Pierre Pathelin, um advogado do século XIV que fazia longas divagações sobre assuntos sem importância na tentativa de defender os seus clientes. 
A história conta que, em um caso específico sobre o roubo de uns cordeiros de seu cliente, o advogado começou a falar sobre os assuntos mais absurdos e diversos, como a mitologia grega e romana.  O juiz cansado dos devaneios de Pierre, sempre dizia: "Tudo isso é muito bonito, mas voltemos aos cordeiros"
A palavra "vaca" substitui o termo "carneiro" ("moutons", da expressão original em francês) na língua portuguesa. Essa troca talvez possa ser explicada por causa do costume que existia em Portugal de servir, antes das refeições, um prato frio feito com carne de gado.

domingo, janeiro 18, 2015

A palavra eleita em 2014

“Não há como a vox populi que tanto brada contra os ladrões, para depois ser profundamente indiferente à corrupção concreta.”  
Pacheco Pereira, in “Público”



 1 - O honroso 31º lugar que Portugal ocupa entre 175 países, segundo os dados da organização Transparency International de Dezembro passado, não leva em conta os casos dos vistos Gold, Sócrates, Duarte Lima, a PT, o BES e associadas. Talvez nem pondere as consequências BPN ou BPP, os Submarinos e o Cuba Livre arquivados e tantos outros processos que por aí proliferam sem culpas nem culpados, sem justiça ou jurisdição.
A escolha desta palavra só demonstra o contentamento luso em relação a quem governa. Ao “Público” disse um dia José Manuel Fernandes: “é o poder excessivo do Estado que alimenta a corrupção”.
Num ano em que somos, por obrigação cívica e até moral, solicitados a escolher quem nos governa, será óptimo não ser indiferente ou abstencionista. Verdade que é no quotidiano que encontramos as comparações e é nessas comparações que encontramos as afirmações na corda bamba da contrariedade.
Corrupção vem do latim “corruptus” (conforme pesquisei) que significa partido em pedaços e cuja forma verbal em si quer dizer “tornar pútrido”. Não admira as vagas de maus cheiros que assolam este pequeno país…
É na saúde, na educação, é na justiça, na fiscalidade, na arrogância ou moralidade com que nos falam ou nos arranjos partidários que sinto viva e ameaçadora essa corrupção.

 2 – Os acontecimentos regionais recentes não me entusiasmaram. A saída do Dr. Alberto João teria de acontecer mais cedo ou mais tarde. Mas sempre pensei que uma renovação de quadros iria ao encontro da “batalha” de há dois anos para cá, justificando um triunfo. Mas não, vejo os mesmos, os que bateram palmas, os que bateram palmadas, os que comeram e beberam juntos, os que amuaram ou ameaçaram, sentados nas mesmas cadeiras sem o respeito pela vassalagem outrora prestada, como se tivessem regressado da Diáspora 40 anos depois.
Estranho que o actual líder do PSD se lembrasse de celebrar o 01 de Julho com todos os partidos e esquecesse a celebração do 25 de Abril, razão que lhe dá, a si e aos seus pares, a legalidade de eleição.
Como não me entusiasma, e até me desgosta, ver uma oposição anémica, impreparada, que não tem em consideração o quanto pesam estes quarenta anos de “Jardinismo” na Madeira, sobretudo pelo impacto que teve e talvez ainda tenha, a nível de preenchimento de lugares e empregos.
Março ou Abril estão já aí – medeia apenas o tempo de fazer as malassadas…


Maria Teresa Góis

in:

domingo, dezembro 21, 2014

Ó meu Menino Jesus

Ó meu Menino Jesus

Boquinha de requeijão
Dai-me da Vossa merenda
Que a minha mãe não tem pão.
Ó meu Menino Jesus
Boquinha de marmelada,
Dai-me da Vossa merenda
Que a minha mãe não tem nada. 

                                                                                        Cântico tradicional Natal, Beira Baixa    


Nunca como nos dias de hoje estes versos singelos tiveram tanto peso, tanto significado.
Nos dados do INE relativos a 2012 a pobreza aumentou 19% tendo Portugal dois milhões e meio de habitantes pobres e mais 23% em taxa de risco de pobreza. Referente a 2012 pois, de lá para cá, a União Europeia baixou o marcador, sendo menor o índice com que se mede o rendimento médio das famílias mais baixo (409€).
 Que dados teremos até 2014?
Há oito mil crianças em instituições, crianças que bem podem cantar estas estrofes ao Menino Jesus, apesar da solidariedade portuguesa ser constante, consciente e activa. Apesar de tudo…
Se a pobreza infantil aumentou de 2012 para 2013 em 30%, que futuro teremos para esses pré-adolescentes, esses jovens, esses futuros adultos? Enquanto o povo partilha, o corte de prestações sociais no Orçamento para 2015 é de 272 milhões podendo chegar aos 372, aos 400. Reduz-se 2,8milhões no RSI, 6,7 milhões no complemento a idosos, 6,5 milhões no abono de família, 243 milhões no subsídio de desemprego e as apregoadas cantinas “take-away” ficaram no pregão, no show de tv.
São dados frios, calculistas mas são dados reais. São os dados que nos envergonham, que nos fazem regressar a décadas passadas que não podendo ser apagadas bem podiam ser esquecidas.
O contraste é o despesismo deste governo pelos dados que os próprios e o Tribunal de Contas, publicam.
Arrogantes, frios, incompetentes, hão-de ditar votos de boas festas, prosperidade para o novo ano, quiçá com lareiras ardentes em pano de fundo, esquecendo os aumentos de luz, de transportes, de impostos que nos destinaram, esquecendo o Espírito de Esperança de Natal porque votaram metade da população portuguesa a um empobrecimento determinado, sem que nada no país tenha melhorado.
Eu não os esqueço nem os perdoo, mesmo nesta quadra!
Do orgulho e da indiferença com que tratam os mais desfavorecidos não poderão sentir a Humildade, a Pobreza, a simplicidade, mas também a grandeza, o calor fraterno e universal, a mensagem de igualdade que emana do Presépio.
Que estes amargos de boca sejam breves como seja breve esta legislatura antes que o país desapareça do mapa com a nacionalidade lusa em leilão.
E porque não é repetitivo desejar Boas Festas, assim as desejo – com partilha, harmonia, saúde e muito poder de encaixe e de luta.


Maria Teresa Góis

domingo, novembro 23, 2014

Catarina de Bragança



Quando alguns Nobres portugueses chegaram à conclusão de que o negócio da venda da coroa de Portugal aos Filipes, tinha deixado de ser rendoso e tinha atingido a falência, resolveram mudar de rei.


Infelizmente, esqueceram-se de tomar providências quanto a uma previsível reacção do rei deposto que, por um conjunto de circunstâncias, era, também, rei de Castela e de mais uns quantos territórios.
A guerra foi uma consequência lógica e o novo rei de Portugal, que precisava de aliados, encontrou a solução no casamento de uma das suas filhas com o rei Carlos II de Inglaterra.
A negociação do casamento foi difícil!
Carlos II tinha motivos para desejar mas, também, para temer tal casamento: desejava-o, porque a princesa era bonita e o dote poderia encher os seus falidos cofres; mas, também, receava que isso pudesse reacender a guerra com Espanha.
Resistiu até o dote da princesa ser irrecusável: foi o maior dote de que há memória no Ocidente! Portugal ficou falido, o rei português ganhou um aliado para a guerra com Espanha,  e a Inglaterra ganhou um capital que se transformou no mais rentável investimento da sua história: o império britânico!
Hoje, diríamos que Carlos II deu o “golpe do baú” !
A cerimónia do casamento realizou-se em Maio de 1662.
Assim, começou a parte infeliz da vida de Catarina de Bragança, uma princesa nascida e criada no seio de uma família com cultura, educação e hábitos tradicionais portugueses que, por sua infelicidade, foi desterrada para uma corte que, contrariamente ao que alguns escritores e cineastas de pacotilha nos querem fazer crer, era rude e atrasada em relação à restante Europa.
Catarina, teve um papel importantíssimo na modernização da Inglaterra e na alteração da filosofia de vida dos ingleses pelo que,  embora não suficientemente, ainda hoje é admirada e homenageada.
Provocou uma autêntica revolução na corte de Inglaterra, apesar de ter sido sempre hostilizada por ser diferente mas nunca desistiu da sua maneira de ser, nem consentiu que as damas portuguesas do seu séquito o fizessem.
Tinha uma personalidade tão forte que conseguiu que aqueles (principalmente aquelas) que a criticavam, em breve, passassem a imitá-la.
E assim, se derem grandes alterações na corte inglesa:

O conhecimento da laranja

Catarina adorava laranjas e nunca deixou de as comer graças aos cestos delas que a mãe lhe enviava.

O costume do “CHÁ DAS 5”

Costume que levou de casa e que continuou a seguir organizando reuniões com amigas e inimigas. Este hábito generalizou-se de tal maneira que, ainda hoje, há quem pense que o costume de tomar chá a meio da tarde é de origem britânica.

A compota de laranja

Que os ingleses chamam de “marmalade”, usando, erradamente, o termo português marmelada, porque a marmelada portuguesa já tinha sido introduzida na Inglaterra em 1495.
Catarina guardava a compota de laranjas normais para si e suas amigas e a de laranjas amargas para as inimigas, principalmente, para as amantes do rei.

Influenciou o modo de vestir

Introduziu a saia curta. Naquele tempo, saia curta era acima do tornozelo e Catarina escandalizou a corte inglesa por mostrar os pés, o que era considerado de mau-gosto e que não admira devido aos pés enormes das inglesas. Como ela tinha pés pequeninos, isso arranjou-lhe mais inimigas.
Introduziu o hábito de vestir roupa masculina para montar.

O uso do garfo para comer

Na Inglaterra, mesmo na corte, comiam com as mãos, embora o garfo já fosse conhecido, mas só para trinchar ou servir. Catarina estava habituada a usá-lo para comer e, em breve, todos faziam o mesmo.

Introdução da porcelana

Estranhou comerem em pratos de ouro ou de prata e perguntou porque não comiam em pratos de porcelana como se fazia, já há muitos anos, em Portugal. A partir de aí, o uso de louça de porcelana generalizou-se.
Música
Do séquito que levou de Portugal fazia parte uma orquestra de músicos portugueses e foi por sua mão que se ouviu a primeira ópera  em Inglaterra.

Mobiliário

Catarina também levou consigo alguns móveis, entre os quais preciosos contadores indo-portugueses que nunca tinham sido vistos em Inglaterra.

O nascimento do “Império Britânico”

Como já se disse, o dote de Catarina foi grandioso pela quantia em dinheiro mas, muito mais importante para o futuro, por incluir  a cidade de Tânger, no Norte de África e a ilha de Bombaim, na Índia.
Traindo os Tratados que tinham assumido e com a desculpa de que o rei de Portugal era espanhol, os ingleses conseguiram, apesar do controle da Marinha Portuguesa, navegar até à Índia onde criaram um entreposto em Guzarate.
Em 1670, depois de receber Bombaim dos portugueses, o rei Carlos II autorizou a Companhia das Índias Orientais a adquirir territórios. Nasceu, assim, o Império Britânico!

Hoje, há pouca gente que saiba a importância que a Rainha Catarina teve para os ingleses e o carinho que eles tiveram por ela. A sua popularidade estendeu-se até à América, onde um dos cinco bairros de Nova Iorque (Queens) foi baptizado em sua homenagem.

Em 1998, a associação “Friends of Queen Catherina” fez uma colecta de fundos para lhe erguer uma estátua; não o conseguiu, devido à oposição de alguns movimentos cívicos que acusaram Catarina de ser uma das promotoras da escravidão.

Mais uma vez, a ignorância venceu!...

Autoria: Arnaldo Norton

domingo, novembro 16, 2014

A Praça do Povo

“A praça é do povo! como o céu é do condor”.
É o antro onde a liberdade
cria águias em seu calor.
Senhor, pois quereis a praça?
Desgraçada a população!
Só tem a rua de seu...
Ninguém vós rouba os castelos,
Tende palácios tão belos...
Deixai a terra ao Anteu.
Mas embalde...que o direito
Não é pasto de punhal
Nem a patas de cavalo
Se faz um crime legal...
Ah! não há muitos Setembros!
Da plebe doem-se os membros
No chicote do poder,
E o momento é malfadado
Quando o povo ensanguentado
Diz: já não posso sofrer.
Castro Alves
(1847-1871)

Começam a rarear as inaugurações fulgurantes; já não se vê o vinho seco e a espetada em doses avulsas.
A democracia madeirense elegeu, por décadas, um líder querido que, segundo nos anunciou, em breve se despede. Na festa, em Dezembro próximo, não faltará uma queima de artifício de precisamente 1.046.679,48 € para encher de cor, barulho e fumo a festa da despedida.
Nessa noite os sem-abrigo da cidade do Funchal serão uns entre tantos, sem nada a celebrar e, quem sabe, incomodados com a invasão da “sua” nocturna propriedade.
A recém inaugurada Praça do Povo estará cheia de cor, alegria, promessas de amor, votos de prosperidade numa Babel de sentimentos.
Sob as lajes e os detritos de um temporal (porque a memória e a história não podem ser apagadas) muitos recordarão a tragédia de um dia de Fevereiro que parece já esquecido, a menos que a Natureza dê sinal de vida e no-lo recorde. Na praça 20 de Fevereiro!
“O governo assenta em duas coisas; refrear e enganar” diz Fernando Pessoa no seu desassossego lúcido.
Por cá engana-se sem refrear. As últimas notícias são férteis quer em providentes proponentes a queridos líderes quer em actos de alçada judicial. É um massacre noticioso e quotidiano de personagens que depressa esqueceram os trabalhos ciclópicos destas décadas e surgem hoje, como pitonisas, com carradas de soluções e projectos sistematizados, fadados a usar as moradias dos antecessores, com os mesmos vícios, as mesmas mobílias.
A praça enchesse-se sem o preito de uma sagração ou uma vontade una de mudança que abale as cenas carnavalescas com que somos brindados e convidados, sem opção de voluntarismo, a contribuir.
À beira mar sabe bem a brisa, o horizonte desconhecido prenhe de luz. Velhos e novos desfrutam o sol, o cheiro aromático de ervas, a novidade do espaço, a silhueta dos navios e o beijo violento do oceano; o chão frio, branco, irregular em tudo, atrai a multidão em festa.
E que um poeta não lembre, esquecendo o povo em festa, o som da praça vazia.

Maria Teresa Góis

foto: Danilo Matos

http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/opiniao/481259-a-praca-do-povo

sábado, novembro 15, 2014

os últimos a chegar à coleção






à esquerda o dia 24 Dezembro, do lado direito o dia 25 já com a imagem do Menino.
(feito sobre uma pinha, com produtos naturais)





Presépio feito numa semente de jacarandá


Presépio em cortiça (autor António Luz)











Um agradecimento especial à minha amiga e comadre Quita.

quarta-feira, outubro 22, 2014

eis a crise.....

Os padeiros não têm massa
Os padres já não comem como abades
Os relojoeiros andam com a barriga a dar horas.
Os talhantes estão feitos ao bife
Os criadores de galinhas estão depenados
Os pescadores andam a ver navios
Os vendedores de carapau estão tesos
Os vendedores de caranguejo vêem a vida a andar para trás.
Os desinfestadores estão piores que uma barata
Os fabricantes de cerveja perderam o seu ar imperial
Os cabeleireiros arrancam os cabelos
Os futebolistas baixam a bolinha
Os jardineiros engolem sapos
Os cardiologistas estão num aperto
Os coveiros vivem pela hora da morte
Os sapateiros estão com a pedra no sapato
As sapatarias não conseguem descalçar a bota
Os sinaleiros estão de mãos a abanar
Os golfistas não batem bem da bola
Os fabricantes de fios estão de mãos atadas
Os coxos já não vivem com uma perna às costas
Os cavaleiros perdem as estribeiras
Os pedreiros trepam pelas paredes
Os alfaiates viram as casacas
Os almocreves prendem o burro
Os pianistas batem na mesma tecla
Os pastores procuram o bode expiatório
Os pintores carregam nas tintas
Os agricultores confundem alhos com bugalhos
Os lenhadores não dão galho
Os domadores andam maus como as cobras
As costureiras não acertam as agulhas
Os barbeiros têm as barbas de molho.
Os aviadores caem das nuvens
Os bebés choram sobre o leite derramado
Os olivicultores andam com os azeites
Os oftalmologistas fazem vista grossa
Os veterinários protestam até que a vaca tussa
Os alveitares pensam na morte da bezerra
As cozinheiras não têm papas na língua
Os trefiladores vão aos arames
Os sobrinhos andam "Ó tio, ó tio"
Os elefantes andam de trombas
SÓ OS POETAS CONTINUAM COMO SEMPRE...
TESOS MAS MARAVILHOSOS!

domingo, outubro 19, 2014

Cada vez mais pobres…

“A ironia fúnebre que há no sorriso de certos governantes! Dir-se-ia que se defendem já do juízo da História com a carapaça escarninha de uma náusea que abrange os próprios historiadores futuros.” Miguel Torga
In: Diário VII, 02 de Maio de 1954





Escrevo no dia mundial para a erradicação da Pobreza.

São doentios e muito preocupantes os números revelados. Não me referirei ao estado mundial pois bastam-me, tão só, os dados que o INE revela para o nosso país.

29,3% da população infantil encontrava-se, em 2013, em privação material ou seja, dos nove bens essenciais têm acesso a três. A Pobreza num agregado de um adulto com uma criança atinge 33,1% e se considerarmos dois adultos com três crianças os valores são de 40,4%

É nesta semana que foi parido um orçamento dito “pró família “por quem o elaborou. Assim sendo temos inscrito um corte de mais de 700 milhões no que respeita às verbas para a escolaridade obrigatória, um corte nos subsídios sociais sabendo que mais de metade dos desempregados não recebe qualquer subsídio de desemprego e que em 2015 menores serão as hipóteses de receber o RSI ou obterem trabalho.

As taxas ditas verdes em nada beneficiam à preservação do ambiente e servem para agravar no bolso de todos os portugueses custos do quotidiano, como os combustíveis, mas adejam como financiadoras das famílias com filhos. Quem os teve, já os criou e dado o estado do país os continua a criar neste conceito, já não será Família. São só 148 milhões a sacar…

Diz a Caritas e todas as outras organizações congéneres que há cada vez mais pedidos de auxílio. Pudera! Se um em cada quatro portugueses está em risco de Pobreza e, mesmo o salário mínimo e paupérrimo de hoje comparado a 1974, descontada a inflação, é inferior em 12 euros.

Mas também sabemos que este governo “pró família” entre 2012 e 2014 na despesa dos 56 membros que o compõem, gastou “apenas” mais 4,3 milhões de euros. Para quem queria ser poupadinho, é obra.

O PR acordou do seu mutismo e disse que o espectro político no país estava em risco de implodir. Crato já implodiu o ministério da educação e a meio do 1º período lectivo ainda há escolas sem professores; na Justiça a implosão não chegou a acontecer mas, segundo averiguações em curso, rolarão mais cabeças.

Por cá, no dia 08, a mega-super-notícia de que o processo “Cuba Livre” tinha sido arquivado.

Por feitio ou por defeito não me surpreendi. Revoltei-me, simplesmente, considerei ser obsceno. Quando declarações públicas de governantes ou de políticos encheram jornais acerca do caso, confirmando verbas escondidas, danças ocultas e manigâncias diversas, quando o desemprego, a emigração, a Pobreza e até os assaltos e roubos, a violência, se instalaram na Região por força consequente, assistimos ao arquivamento do processo. Volto a dar razão ao PR e, afinal, a Justiça também implodiu. É assim que acontece o 3º perdão da dívida fiscal da Madeira!

Há neste país uma casta de políticos transgénicos que merecem toda a repulsa. Não fazem bem à saúde e esgotam a terra onde semeiam. Nem o “delfinário” da sucessão consegue aprender com os erros cometidos e dá gozo ver as “virgens impolutas” a derramar virtudes nos “media”. Quando haverá limite de decência e responsabilização política?

E porque nem tudo é “reles” na nossa vida, assinalar os 138 anos do Diário de Notícias da Madeira. Há 43 anos que filio a máxima de que “dia sem Diário não é dia”.

Apesar de pressões e perseguições, boicotes e da crise económica que também o afecta, lá vai singrando, dependente dos seus leitores, de emigrantes, da publicidade, do empenho diário da sua equipa, dando ao quotidiano a paleta de cores informativa da Região e do Mundo, sem tiques esclavagistas. Bem hajam!

Maria Teresa Góis

domingo, setembro 21, 2014

Referendar

“Sabiá de Setembro tem orvalho na voz. De manhã ele recita o sol.”
Manoel de Barros

        Setembro referenda o Outono.

     Nos frios ainda pequenos, nas nuvens brancas, nos pingos grossos que adivinham chuvadas rápidas e vigorosas, no Sol que baixa e nos reduz os dias. Após um Verão recente, demasiado quente, demasiado seco, sabe bem voltar ao frescor das manhãs e dos fins de tarde.

     No mundo dos bípedes vivos há electricidades do mesmo nome que se repelem, sem nada deverem às leis da física, com ditos e atitudes que demonstram e bem, as respectivas personalidades.
Torga afirma que “a lusitana raça é barroca até no espaço pedagógico” e se analisarmos as polémicas actuais, políticas e nacionais, vemos que há um vazio irremediável feito de arrogâncias. Quem os acredita?
     Tudo, no nosso dia-a-dia, é efémero, incalculável ou promíscuo. Vemos uma correria de políticos, borrados de ambição, indiferentes ao povo, correndo em busca do palanque que antecipadamente reservaram.
    Moderno, agora, é pedir desculpa usando-a como um antinódoas público.
     Projecta-se, inventa-se, imagina-se sem pensar nas consequências, olhando às “poupanças” de um Estado que tem a mão larga para as elites, numa complicada e secreta alquimia.
      Talvez daqui a uns anos, se não prescreverem, as possamos perceber.
    Moderno, agora, é referendar, agitar as massas em nome de uma autonomia fiscal ou política. Referendar, aqui,  só se for em apneia!
    Por mim referendava a dívida da Região (quer a conhecida quer a oculta), referendava as obras inúteis que todos pagamos, o desemprego, a fome e a miséria, a emigração, a atribuição de subsídios e da sua necessidade, a eficácia da saúde e da educação.
     Referendava porque subiram os impostos na Madeira, porque é maior o custo de vida, as passagens aéreas, tendo o termo comparativo na Região Autónoma dos Açores que tem nove ilhas, terá oito ou nove aeroportos, vários hospitais, vários barcos de inter- ligações, mas que tem produção de lacticínios brilhante, de chás, de frutos, de vinhos e licores, de bordados e outras artes e dívida pública reduzida.
    Referendava ainda o horizonte de vida dos jovens, a solidão dos velhinhos, o desânimo dos que teimam em lutar!
    Também faria um referendo sobre a possibilidade de auferir, em simultâneo, mais do que um vencimento acumulativo ou pensão em tempo de vacas magras.

Nota - Não referendava o humor ou a estupidez natural porque são indispensáveis à boa relação humana…


Maria Teresa Góis

 http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/opiniao/470426-referendar

domingo, agosto 24, 2014

A gosto ou talvez não...

Se o desonesto conhecesse as vantagens de ser honesto, seria honesto ao menos por desonestidade.”
Sócrates, filósofo grego, séc. V,  a.C.


Um mês atípico em que as altas temperaturas e um céu azul puxado de lustro se alternou com cinzentas nortadas feitas de poeiras e arrepios.
Compensado por situações estranhas acabou por abanar um país adormecido, indiferente que em certos dias terá feito zapping na hora das novelas para ver telejornais. Externamente, as guerras de Gaza e Ucrânia dividem opiniões e escondem verdades que, recuando séculos na História, merecem uma análise aos factos e aos interesses vários das potências instaladas e obreiras de conflitos.
Internamente o caso GES é o mais preocupante. Depois da incredulidade e surpresa vivo certa revolta de como se pode brincar com milhares de postos de trabalho, com a média e pequena economia já tão débil, com as poupanças das pessoas e com o risco sistémico que a situação representa para a banca em geral e contribuintes. Que houve laxismo, compadrio, fugas de informação parece evidente pelas notícias que nos chegam, diariamente.
Entretanto temos em estudo e no horizonte próximo (para além da alienação total dos CTT) mais vendas de património global a estrangeiros, “a bem da nação” e perdemos o vínculo da portugalidade a uma velocidade espantosa! Destrói-se em poucos anos trabalhos de décadas!
Em Agosto todo o Portugal pula, bebe, “curte”, às dezenas de milhares, em festivais de Verão: gostaria de os poder ver “curtir” numa manifestação a bem da estabilidade dos próprios, dos progenitores e dos restantes habitantes do país.
Já que falei em música li que a Christina Aguilera decidiu chamar à filha recém-nascida Summer Rain (chuva de Verão).Não tarda teremos nascituros com nomes de Nuvem Cinzenta, Pingo de Chuva ou Raio de Sol, a lembrar a boa maneira apache.
Por cá, ou não fosse Agosto de areal a preço da uva mijona, vi um político regional criticar a mediocridade da classe política portuguesa (leia-se “continental”), sobretudo após o 25 de Abril, a tal data por sinal nunca celebrada pelas instaladas autoridades madeirenses, chamando-os de “chulos” e com “educação abandalhada”.
É obra, para a posterior história da Madeira, sobretudo quando em Agosto vem a público um buracão de 100 milhões à Segurança Social regional. Se isto não é mediocridade e chulice decerto será uma situação abandalhada.
Aconteceram as decisões constitucionais e já o governo central se afadiga em reinventar mais leis substitutas mas com o mesmo fim: lixar-nos.
Podemos assim dizer que não foi um Agosto silly mas há-de ser de certeza um ano em crescendo de PIB, de deficits, de impostos a curto prazo, de controvérsias e omissões.
De uma coisa tenho a certeza - da maneira como a saúde trata dos utentes se algum caso de Ébola for no luso território sinalizado, não haverá problema: tratam-lhe logo da saúde!

* por decisão da autora este texto não respeita o novo acordo ortográfico

 http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/opiniao/465713-a-gosto-ou-talvez-nao%E2%80%A6

domingo, julho 27, 2014

Ponto, parágrafo

1-    Famigerada a prova de avaliação aos professores e a intenção subjectiva que a precede de, sacudindo a culpa própria, conservar no desemprego pessoas aptas e necessárias ao país. Defendo provas de avaliação para o desempenho político. E não querendo ser “incrata” acho também que “o que nasce torto tarde se indireita” como figurava no ponto 25 do enunciado. Só que sou mais pelo verbo de origem: endireitar.
2- O genocídio em Gaza perante um mundo que cruza os braços e umas quantas boas “intenções” sem que nada de concreto se realize. Desde 2007 que um apertado bloqueio oprime a Palestina, sem fronteiras de fuga, ladeada por muros de cimento no seu próprio território.
Aí vive um Povo, um povo a eliminar no dizer e fazer dos opressores, sem recursos hídricos ou energéticos, que vê os hospitais, escolas e mesquitas serem bombardeados, mesmo se acolhidos sob a protecção da ONU.
Tal como no Iraque, os EUA disponibilizam 47 milhões de US$ para a reconstrução, que nunca aconteceu, e em sede das Nações Unidas têm o único voto divergente.
A diferença no número de baixas dá-nos bem o fiel da balança e o motivo de tanto silêncio mundial.
3- A nova CPLP. Em cerimónias insólitas assistimos à eleição da Guiné Equatorial para este organismo. Avento já que se seguirá o assalto aos PALOP.
Um país de pena de morte ou, numa versão “light”, de execuções extrajudiciais, em que não se fala português, sem votação sequer, é eleito.
Falaram mais alto os interesses geoeconómicos, perante a “surpresa” do primeiro-ministro e do presidente da república de Portugal.
Posteriormente, surge a declaração que “Portugal não podia estar só”. Mas já esteve! Para levar Timor à libertação da Indonésia. E custou-me ver um Xanana que não conheço, que já esqueceu o chinelo de plástico que tantas vezes calçou, que tanto lutou pelo seu povo e tão oprimido foi, levar um ditador pela mão.
4- No passado dia 23 os EUA voltaram a executar com uma injecção letal um prisioneiro. Em vez de morrer em 10 minutos dizem que levou 2 horas. Talvez sejam mais “eficientes” na terra de Obiang.
5- Condeno o abatimento do avião civil na Ucrânia. Como todos, aguardo a leitura das caixas negras, espero que se faça justiça internacional e que seja este um ponto de partida para a finalização do conflito, deixando de fora os interesses de quem nem pertence à Europa.
São estas interferências economicistas que fomentam a guerra.
6- Os portugueses são dos cidadãos europeus mais insatisfeitos e pessimistas sendo que 96% considera “má” a situação económica do país e que o pior ainda está para vir. 38% receia cair numa situação de pobreza e 85% manifesta pouca confiança no governo. O estudo é do Eurobarómetro e foi publicado a 25 deste mês.
7- A anedota da imparcialidade do Jornal da Madeira seja em tempo de eleições, de festarolas na herdade, ou na época do Natal.
Ponto final parágrafo.

Maria Teresa Góis

 http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/opiniao/461393-ponto-paragrafo

domingo, junho 29, 2014

Quanto baste - “q. b.”

Foi através da culinária, nos meus primeiros tempos, que me familiarizei
com esta sigla. Dei-lhe atenção devida, no início, mas a ideia e preocupação foi-se diluindo pelo tempo; a prática, o paladar e a tolerância deixaram-na cair no esquecimento.
Hoje em dia, porém, e pondo a culinária de parte, encontro todo o peso destes dois sinais gráficos nos mínimos momentos quotidianos.
Vejamos o que se passa na comunicação social, os media. Refiro-me à credível e isenta, que tenta trazer ao leitor ou ouvinte a informação “limpa” em cima da hora, sem histerismos. A esta tentam travá-la, despedem profissionais ao abrigo de uma contratação dita moderna e colectiva, descartam-nos por meros interesses políticos ou por grandes interesses económicos. Não usam o “lápis azul”, usam qualquer cor da caixa.
E temos a informação “q. b.”
Esta semana, contrariando o milenário invento da democracia, a fresca porque recente e luminosa ideia de quatro andantes que sempre defenderam e apoiaram o Apocalipse na Madeira, de renovar, anular, suprimir, substituir ou adulterar a Constituição Portuguesa, num sonho antigo de alguém importante, fechando de vez o Tribunal Constitucional.
Já agora, porque não fechar o Tribunal de Contas, porque não despedir com justa causa a Profª. Drª. Teodora Cardoso tão acutilante na crítica de certas opções deste governo?
E temos políticos regionais q. b.
É anunciado ao país o fecho obrigatório de mais de 300 escolas do 1º ciclo, processo nem em todos os casos acordado ou do conhecimento das Autarquias. Teremos crianças entre os 6 e 11 anos deslocadas a 20 km ou mais de casa, sem almoço familiar, com regresso às 19h. Encerramento à custa da desertificação de aldeias, despedimento de professores e de pessoal auxiliar, do sacrifício infantil e parental e em troca de um quadro interactivo ou de um pavilhão fechado numa escola superlotada, tal como as cadeias portuguesas.
Gestão social e educacional do Estado q. b.
Terminado que foi o “épico” passeio da selecção portuguesa à Copa (sem direito a passar na cozinha), numa prestação sem fôlego nem pernas, não sei se serão recolhidas as centenas ou milhares de bandeiras Nacionais “made in China” que neste curto período forraram montras, janelas, voaram em carros, na ponta de canas-vieira nos galinheiros, nas varas de feijão, ou se estarão à mercê do tempo, desbotando e esfarrapando até ao próximo europeu.
Patriotismo q. b.
Enquanto o governo nacional ainda nos surpreende com atitudes anti democráticas, anti sociais e contraditórias entre ministros, no PS tenta-se, perdendo ética, “aclarear” um futuro político para o País, um país até agora passivo e não pacificante.
Política e governo nacional q.b.
E porque é este o período, a todos boas férias, se as têm. Q. b.

Maria Teresa Góis