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terça-feira, agosto 04, 2015

a origem da palavra LARÁPIO

Segundo consta....


Na Roma dos Césares havia um cônsul da Cirenaica de nome Lucius Amarus Rufus Apius, que gozava de grande popularidade pelas suas preclaras virtudes cívicas e morais.

Mas, como neste mundo não há nada perfeito, também Lucius Amarus Rufus Apius tinha um pequeno defeito, aliás bastante comum nos homens públicos dos nossos dias  e que consistia em confundir muito a miúdo o património alheio com o próprio. 

Por isso, quando alguém era apanhado em flagrante delito de apropriação, o criminoso era comparado a Lucius Amarus Rufus Apius. 
Mas como o nome fosse muito comprido o cônsul assinava: L.A.R.Apius...

fonte:net

domingo, agosto 02, 2015

Em lume brando

“O oportunismo é, porventura, a maispoderosa de todas as tentações…”
Agostinho da Silva


A folha pautada do bloco, ainda em branco, tem de ser preenchida.

Em plena “silly season”, a morrinha húmida que vai caindo transforma o ar numa sauna abafada, doentia. O dia cinzento não lembra o Verão e os pássaros, sempre tão esvoaçantes e ruidosos, andam nas bagas de folhado, nas amoras túrgidas precocemente adocicadas por este tempo quente. Pesa na atmosfera uma natureza adormecida…
Já a noite se enche de sons. Neste fim-de-semana toda a Ilha borbulha e se agita, sacode e remexe, em eventos de Verão, sem horas nem tempo que não seja o das férias, o da cerveja ou mesmo o do engate.
Engatados estarão os governos; o regional porque nem passou, em cem dias, pelo estado de graça e o nacional porque não sai do estado da desgraça. É também engate o assédio político e tendencioso dos telejornais, debates, mesas redondas e afins. O tempo eleitoralista promete horizontes risonhos, fartos, filhos de cofres cheios e pleno emprego. Os pobres deixam essa qualidade e passam a remediados temporários da ilusão, os desempregados dependem dos fundos europeus, da falácia política, das estatísticas balanceadas e anedóticas.
Charlot dizia “Somos todos amadores. Não vivemos o suficiente para podermos ser outra coisa.” Grande lição!
Agosto depressa passará porque este ano “outros valores mais altos se levantam” e adivinho que o tempo de descanso se converterá num tempo de bravatas e liças de oratórias cheias de energia.
É capaz de encapotar mais um desaire, já iniciado, na colocação de professores, fará esquecer que este governo tenciona gastar, dar do que é de todos, cinquenta e três (53) milhões ao ensino privado, afogando ainda mais a Escola Pública na qual prevalece a austeridade com redução de estabelecimentos, de professores de ensino especial, aumento de número de alunos por turma, falta dos mínimos exigíveis à eventual higiene, constrangimentos de verbas nas cantinas que deveriam assegurar refeições equilibradas e saudáveis, para além do espectro da dispensa do pessoal dito excedente.
Da saúde temos as notícias nos casos do dia e da semana e apenas refiro que li, hoje, que 15% das sete (7) milhões de receitas prescritas não são levantadas nas farmácias. E quantas serão aviadas pela metade?
Na ética do país sucedem-se os casos, avolumam-se na enorme secretária de um super juiz, vão alimentando capas de periódicos e pasquins, notícias bombásticas na televisão. E seria este o tal período de silly season…
Resta-me a esperança de que o povo não é insensível nem tapado e se o oportunismo não for a mola poderosa das intenções, havemos de dar a volta e ressurgir na estação mais bela do ano que é o Outono, porque mais colorida e poética.


Maria Teresa Góis


quarta-feira, julho 29, 2015

Foi encontrado monge mumificado com 200 anos que poderá estar em meditação profunda!

O corpo do monge foi encontrado muito bem preservado na Mongólia, e os estudiosos budistas garantem que este não está morto, mas sim em transe!
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Um académico budista diz que um monge com 200 anos encontrado na Mongólia, cujo corpo está muito bem preservado, não está morto mas sim num estado de transe meditativo. De acordo com o jornalSiberian Times, o budista Barry Kerzin, consultor do Dalai Lama, afirma que o monge se encontra num estado de tuksam, um transe profundo.
O corpo do monge foi encontrado no norte da Mongólia, na posição de lótus e vestido com peles de animais. Especula-se, segundo a BBC, que a preservação do corpo se deva ao clima frio da Mongólia e ao que o monge vestia.
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Os estudiosos budistas propõem uma alternativa, porém: que o corpo esteja preservado porque o monge está vivo, encontrando-se em tuksam, um estado de transe que pode levar uma pessoa a alcançar o estado de buda. “Se o meditador conseguir ficar neste estado de meditação, pode tornar-se um Buda. Chegar a um tal nível espiritual também vai ajudar as outras pessoas”, garantiu Kerzin ao jornal.
O monge, encontrado dia 27 de janeiro, foi descoberto pela polícia mongol numa caixa, tendo sido roubado por um homem que tinha intenções de o vender no mercado negro. Foi levado para o Centro Nacional de Perícia Forense, na Mongólia, onde está a ser guardado e analisado para compreender melhor como se conservou durante tanto tempo.
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Não se sabe quem é o homem, embora haja suspeitas de que seria um Lama, um professor do budismo tibetano. Foi sugerido, segundo o jornalThe Independent, que poderá tratar-se de um professor do budista Itigilov, nascido em 1852, que morreu em 1927 enquanto meditava. O corpo de Itigilov foi exumado em 1955 e 1973 e, de acordo com relatos da época, permanecia na posição de lótus e muito bem conservado. Em 2002 o corpo voltou a ser exumado e encontrava-se, segundo uma reportagem da época publicada no New York Times, ainda preservado.
 
fonte:net

domingo, julho 05, 2015

Entre aflitos e aliviados

“Em Portugal, as pessoas são imbecis ou por vocação, ou por coacção, ou por devoção.”
Miguel Torga, Diários 1948
Poucos foram os que não reagiram aos “alívios” de um magistrado da Nação,
sobre a privatização da TAP. O que para a maioria é sinal de discórdia e aflição é assim um lenitivo para outros. Mas não foi o único alívio ou invocação já que em Maio de 2013 atribuía a Nossa Senhora de Fátima o bom termo da 7ª avaliação da troika para em Abril passado agradecer a Deus a rede de instituições de solidariedade e cantinas take-away sociais que possuímos, graças a pobreza gerada por políticas cegas.
Neste país é moda aliviar os serviços públicos a favor dos privados, a preço da pataca, fazendo o eco um vice que corre mundo, graças aos contribuintes, falando no nome de Portugal e gritando “vender, vender, vender”. Outro personagem que se sentiu aliviado em Fevereiro de 2003 atribuindo à Senhora de Fátima o facto da maré negra do “Prestige” ter escolhido as costas espanholas em vez das portuguesas.
Também a ministra da agricultura num período de seca invocou poderes divinos esperando que chovesse; mas logo acrescentou de que persistiria na sua fé apesar da canícula.
Podemos então concluir que a maioria da classe política não acredita nas suas aptidões de simples humanos e, quando mais lhe convém, banaliza o que deve ser de foro íntimo.

- Em Espanha vigora desde o dia 01 deste mês a lei que os nuestros hermanos apelidam de “lei da mordaça” e que consiste numa série de restrições. Não se pode fotografar polícias (lembram-se de Guimarães, no futebol?), não há manifestações em frente ao parlamento, não se pode impedir um despejo selvagem de uma família infeliz a quem o Estado tira a habitação coercivamente, não se pode protestar em varandas de prédios ou terraços, não se pode opor resistência às forças policiais sentando-se pacificamente no chão e também não se pode incitar, nas redes sociais, ao protesto ou à manifestação. Deve haver mais alíneas de certeza pois o instinto fascista-liberal não se contenta com meias dúzias.
   Será que dará tempo, até ao fim da legislatura, que se aprove em Portugal lei similar?

- Não sei qual será o resultado do referendo na Grécia. Sei que me sinto mais grega que portuguesa, neste momento.
   Dos 240 mil milhões que a Grécia recebeu ao longo de anos de intervenção, apenas pôde aplicar 10% nas suas reformas internas e dinamização económica porque o restante capital alimentou bancos estrangeiros e pagou juros usurários a instituições.
Hoje, e ainda que digam que o governo grego recuou, é a Europa que se aflige, que treme, que faz contas, são os dirigentes europeus que temem dizer nos seus países o quanto custará a capitulação da Grécia. Chamar recuo à salvaguarda dos direitos de um povo, é vergonhoso.
E nas notícias diárias vemos quem cede e recua, oferendo prolongamentos, perdões, taxas acessíveis, mudando a voz grossa da infantilidade para uma voz mais serena de maturidade.
Lá como cá, os povos não devem estar de joelhos perante políticas que não servem a democracia ou o voto. Não é possível deitar um país abaixo em quatro meses ou em seis anos.
É preciso desenrolar a História e reconhecer os erros.

Maria Teresa Góis


domingo, junho 07, 2015

Cortesias e chapeladas

      “Nunca se mente tanto como em vésperas  de eleições,  durante a guerra e depois da caça.”

Otto Bismarck




 Ao fim de quase quatro anos e a escassos meses de eleições, o primeiro ministro de Portugal descobriu a Madeira.
Com o amigo Miguel no poder e fora dos venenos de Alberto João Jardim, sentiu-se em segurança para visitar uma parte do país que, década a década, tem sido a sala de chutos do seu partido. Só assim se chega às verbas astronómicas regionais de sinal menos que são do conhecimento público. E, sem qualquer pejo, diz nunca ter sido convidado. E desde quando um político consciente precisa de convite para visitar o país? Convites são para as queijarias…
Mas ei-lo, bem-disposto, cheio de consensos, de novidades. A Madeira tremeu? Não, os sismos tinham-se verificado dias antes lá para as bandas das Desertas e nem sequer os sentimos!
Começo pelos transportes. Por mar: comissão de análise para lançar um concurso público internacional. Não tem o Governo Regional capacidade de diálogo e de o fazer poupando uns bons milhares à Madeira? Enquanto o pau vai e volta, podemos esquecer o curto, talvez mesmo o médio prazo. Por ar: tarifas de ida e volta inferiores a 90 €. Compreendem as taxas, as bagagens, a futura privatizada TAP será obrigada com a mesma frequência a este serviço público? Será o Governo Regional a suportar, tal como nos Açores, o diferencial de custo? Ninguém sabe, mesmo que todos os Madeirenses sonhem. Ou seja, todas estas decisões poderão cair de bandeja no regaço de um próximo governo que poderá não ser do mesmo quadrante político. Assim é fácil, é como o crente que faz as promessas à espera de primeiro ver realizado o pedido e só depois o paga.
O Hospital tão necessário, tão prioritário, apesar dos cofres cheios, é mais um assunto para a futura legislatura que há-de, depois, conhecer outros argumentos adiáveis.
Os juros da dívida regional mantêm-se sem apelo nem agravo, apesar das taxas correntes serem bem mais baixas. E que dizer do IVA, que tanto onerou a vida de todos os madeirenses? Do subsídio de insularidade, vigente nos Açores, que aqui caiu em buraco fundo?
Mas, apesar de tudo, vamos ter “casório” com direito a fraque e chapéu alto. Tudo o que o CDS tem vindo a defender, a apontar, a criticar, ao longo dos últimos anos, virou acordo pré-nupcial. Talvez seja essa a única maneira de certas figuras ambiciosas e contestadas, terem lugar na Assembleia da República.
E o líder do CDS ainda hoje (dia 04) afirmou “não querer regressar ao passado da dívida do governo Sócrates e dos governos Socialistas.” Será que a dívida do país é menor, será que os portugueses estão melhor, será que a canga da austeridade virá a ser menor? E aconselho, a quem tenha dúvidas, pesquisar como nasceu e aumentou essa dívida rolante, mesmo antes do último governo.
Portugal perdeu todas as empresas chave, toda a economia independente. Hoje estamos na mão de estrangeiros e há várias gerações obrigadas a ir para o estrangeiro. Os que cá ficaram sujeitos às leis liberais aprovadas, sofrem a incerteza da condição digna de vida, da certeza de continuidade de um emprego. Os que o têm.
O país não está melhor não. A classe política reinante talvez, ainda que o PR e a ministra das Finanças se queixem dos magros e esticados salários auferidos.

Maria Teresa Góis

 

domingo, maio 10, 2015

Pessimismo

“Há campanhas que podem ser poesia mas governar
é uma prosa.”                                                                         



José Sócrates



Não sou pessimista de formação ou por opção, costumo racionalizar e interiorizar as realidades procurando a famosa “ponta por onde se lhe pegue”. Mas há dias que não pode ser assim…
Portugal é o 4º país com mais desemprego jovem (OCDE 13/04/15) – gerações comprometidas, futuro civil do país comprometido. É o 11º com maiores impostos sobre o trabalho (idem 15/04/15), é o 3º com mais mortes por pneumonia (idem 05/05/15). O Observatório sobre Crises Alternativas (27/03/15) estima que a taxa de desemprego real teria chegado aos 29% no caso de não ter acontecido a emigração recente. Do governo, todos os dias, salta a palavra competitividade e esta semana foi abanada a bandeira da criação de cento e trinta mil empregos (precários, diga-se em abono da verdade) esquecendo virar a folha do apontamento para referir os quase 464 mil postos de trabalho destruídos em três anos.
São datas muito próximas que nos dão a clareza do estado péssimo e pessimista do país.
Mais, somos o 11º país do mundo com mais idosos em percentagem de população, idosos a quem minguam a pensão, o acesso à saúde, à qualidade de vida e agora, se internados num lar (IPSS) terão de pagar mais. Não tendo posses o mesmo pagamento terá de ser suportado pelos netos, sobrinhos, enfim, talvez até à 5ª geração. E são já quarenta mil, segundo os dados desta semana da GNR, os que em território do Continente vivem sós, milhares deles completamente isolados.
A crise é tão grande que “Quina”, a carteirista mais antiga do Porto, de 85 anos, assaltou outra idosa de 92  aproveitando a confusão da queima das fitas. De certeza que não tem meios ou razões para se reformar, continuando em plena actividade.
Pois se a maioria da população não crê na honestidade política e é confrontada com casos todos os meses, todas as semanas, que exemplos têm as “Quinas” deste país?
A meses de eleições gostava que o povo que resta se mobilizasse e fosse espremer e exprimir a sua preferência. Estou pessimista quanto à cobertura dos tempos de antena vários pois o governo já aproveita para aparecer, diariamente, em comunicados, festas de aniversários, visitas e feiras. Como sabemos as tendências patronais dos diversos órgãos de informação eu, pessoalmente, não acredito nessa isenção. É tal qual o Jornal da Madeira que, preso por um contracto blindado nos vai levar bem perto de mais dois milhões de euros este ano. Se não podem alterar o preço de capa, alterem o preço do miolo! Não percebo como o JM tem, em média, tiragem de 15 mil exemplares (enquanto o DN tem 10 mil) e vejo pelos cafés, às resmas e muitas vezes ainda em atados, todos os dias serem jogados no lixo. Não podem descontar o desperdício e fazer tiragens mais pequenas, reduzindo os custos? E, afinal, quem “tramou” o JM? A própria Diocese e o Presidente do Governo Regional cessante.
“É a vida”…

Maria Teresa Góis

 

terça-feira, abril 28, 2015

A LETRA "P" (apenas a língua portuguesa permite assim escrever)

A língua portuguesa, junto com a francesa, são as ÚNICAS línguas neolatinas na face da Terra que são completas em todos os sentidos... Quem fala português ou francês de
nascimento, é capaz de fazer proezas como esse texto com a letra "P". Só o português e o francês permitem isso...  A língua inglesa, se comparada com a língua portuguesa, é de uma pobreza de palavras sem limites..

Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.

Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para Papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris. Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los.

Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas. Pisando Paris, permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se.
Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo... Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses. Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo.

Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir. Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas.
 Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias? Papai proferiu Pedro Paulo, pinto porque permitiste, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.

Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando.

Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus. Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro. Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito.

Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo. Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas. Pobre Pedro Paulo. Pereceu pintando...

Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar... Para parar preciso pensar. Pensei. Portanto, pronto pararei.


recebido por email


quarta-feira, abril 15, 2015

Canal americano reconstitui "Ira de Deus" que destruiu Lisboa no sismo de 1755

Os vídeos do Smithsonian Channel mostram como o terramoto, maremoto e incêndio devastaram Lisboa, e uma das medidas mais drásticas do Marquês de Pombal. Primeiro o terramoto que transformou as ruas da cidade numa "paisagem infernal", depois o maremoto que matou centenas de pessoas, e por fim a "cruel reviravolta do destino" que fez com que Lisboa se incendiasse. Um vídeo reconstitui e mostra cada passo do desastre que fez dezenas de milhares de mortos em 1755. O Smithsonian Channel dedicou um episódio da sua série de documentários sobre catástrofes, Perfect Storms, ao terramoto de Lisboa em 1755. O episódio God's Wrath (em português, Ira de Deus) foi emitido em novembro, mas um dos seus excertos, que mostra a reconstituição do desastre, tornou-se viral recentemente. Um outro vídeo lançado pelo canal permite também conhecer uma das medidas mais drásticas do Marquês de Pombal após a devastação. No vídeo que foi publicado no YouTube pelo canal norte-americano, uma parceria entre a cadeia televisiva CBS e o grupo de museus Smithsonian, é possível ver como, por volta das 9.40 da manhã de 1 novembro de 1755, a atividade tectónica provocou o terramoto de 8.5 na escala de Richter, que destruiu grande parte da cidade que estava "no centro de um império mundial". O Smithsonian Channel reconstitui como, após os primeiros momentos de destruição causados pelo terramoto, os sobreviventes procuraram escapar para espaços mais abertos, junto ao rio Tejo, onde foram surpreendidos pelo maremoto que se seguiu."Numa cruel reviravolta do destino", acrescenta o locutor do documentário, "horas antes do terramoto, milhares de velas tinham sido acesas em Lisboa para comemorar a festa de Todos os Santos". O recuar das águas permitiu que as chamas se espalhassem pela cidade. Após a catástrofe, Lisboa "já não é uma cidade de ouro, mas sim um repositório de ossos carbonizados", termina o vídeo. Além do vídeo que se tornou viral, é possível ver online um outro excerto do episódio God's Wrath da série documental Perfect Storms. Esse excerto descreve como, após a devastação causada pela catástrofe, não havia "nem abrigo, nem segurança, nem comida". Quando o terramoto danificou as prisões lisboetas, os criminosos começaram a organizar-se e a pilhar os destroços. Coube ao Marquês de Pombal, conta o documentário, "salvar Lisboa de si própria, substituindo um reinado de terror por outro". fonte DN, Lisboa

domingo, abril 12, 2015

Ai Abril, Abril

“ De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse


e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.”  


José Carlos Ary dos Santos


 Reza a informação que o nome “Abril” deriva do Latim Aprilis que significa “abrir” numa referência à germinação das culturas em época primaveril.
Abril lembra-me um povo que se sacudiu, que se libertou, que veio para a rua exorcizando os medos acumulados, que acabou com uma guerra que nos levava a juventude para o número de mortos ou para a emigração. Lembra-me que os livros, a música e até a simples Coca-cola tiveram alforria de pleno consumo, lembra-me que o singelo cravo vermelho ganhou outra importância, outro significado e novos apaixonados. Abril lembra-me que a Escola, a Saúde, o direito ao voto cívico, lembra-me a igualdade adquirida em tantos casos …
Quarenta e um anos depois quanto já nos foi retirado deste “25 de Abril” em nome de uma política que agride a própria Constituição? E, o pior, em actos cometidos por indivíduos insignificantes.
Pagam-se caro os gestos incompetentes e insensatos e o povo português sente bem na pele esta frieza suicida. Feita a experiência do erro podemos reencontrar caminhos, serenidades e estabilidades possíveis. Foi-nos prometida uma “campanha alegre” mas o procedimento triste tem de nos levar à escolha: recusa ou aceitação na continuidade.
São precisas mudanças e renovações com toda a força do significado que as palavras encerram; nada de paredes caiadas onde se desenhem grafitis com a assinatura dos mesmos autores.
É preciso que os mais novos conheçam a realidade do país antes de Abril de 1974, um país isolado e atrasado que muito recuperou três décadas depois, para que os “jotinhas” de vida facilitada tenham a noção do quanto as gerações anteriores sofreram e lutaram.
Quero ABRIL de volta; na alegria, na esperança, no convívio sem medos, na Liberdade!
E lembro alguns dos que em Abril de 2015 nos deixaram e contribuíram para essa Liberdade: Herberto Hélder, Manoel de Oliveira, Silva Lopes, Tolentino Nóbrega. Todos foram construtores reconhecidos que nem atraiçoaram a sua personalidade ou o seu povo, nem o grito de Abril.


Maria Teresa Góis

 

quarta-feira, março 18, 2015

a Bíblia tinha razão...

Os Nefelins - Um achado arqueológico ESPANTOSO
 "Também vimos ali gigantes, filhos de Anaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos e assim também éramos aos seus olhos." Números 13.33
"Então saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era Golias, de Gate, que tinha de altura seis côvados e um palmo [ 3,15 metros]." 1 Samuel 17.4



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domingo, março 15, 2015

O canto da sereia e o canto do cisne

“Os verdadeiros democratas não são aqueles histéricos que exigem isto e reivindicam aquilo, que dizem que precisamos de não sei quê e que vamos todos morrer estúpidos se não fizermos não sei que mais. São os que vivem e deixam viver. São os que respeitam as opiniões, as excentricidades e as manias dos outros, sem ceder à tentação de os desconvencer à força” 
Miguel Esteves Cardoso   


Estamos a caminho das urnas! Tétricamente falando é este o termo certo que nos levará ao dia 29 de Março próximo.
E já ouvimos o canto da sereia que embeleza a realidade, promete futuros novos mais leves e navegáveis.
E há-de haver os que encantados, sem um Ulisses que os aconselhe, não porão cera ou silicone a tapar os ouvidos, para que não percam a tramontana. 
Ninguém será fielmente amarrado a qualquer mastro (poderia ser do ARMAS, não?) a fim de não sucumbir a tal encanto.
Os figurantes, na história pretensamente democrática da Madeira, são exactamente os mesmos. Uns terão mais experiência política (ou politiqueira) outros, se agora afastados, em breve reocuparão espaços porque, “há sempre lugar para mais um”…
De cantilena em cantilena, chegamos ao IVA mais elevado de Portugal, ao custo de vida mais elevado de Portugal numa pequena região onde o desemprego é o maior, malgrado as obras faraónicas cimentadas no terreno regional sendo que muitas delas inúteis.
Mas também temos o canto do cisne.
Hoje sabemos que a metáfora não significa a morte do artista mas a expressão derradeira de um gesto, de um esforço final de um desempenho que, à partida, poderá correr mal.
Saramago, sabiamente, deixou escrito que “o trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro.”
Por isso, num processo eleitoral, muito gostaria que os eleitores pensassem nos últimos anos, ouvissem os avisos de que a “austeridade é para manter”, não na contenção das despesas do governo mas nos bolsos dos contribuintes, analisassem porque não há trabalho para uns mas há emprego para outros, porque demora um exame médico, porque, porque, porque…
Quem levantou a voz a favor dos mais desfavorecidos ou quem denunciou compadrios que só beneficiaram alguns, terá com certeza menos votação porque não tem jackpots de euros para propaganda dominical, mas terá a consciência mais tranquila porque sempre defendeu e protegeu o mais desfavorecido. Na habitação, transportes ou coisas tão simples como ter água potável na sua residência.
Já é tempo de atingir a maturidade quarenta anos depois do direito sagrado de escolha através do voto. A cidadania é também arcar com a consciência e consequência de uma escolha. A bem da Região! 

Maria Teresa Góis 


quinta-feira, fevereiro 26, 2015

VATICANO - 86 ANOS do ESTADO FUNDADO POR ACORDO COM MUSSOLINI

A assinatura do “Tratado de Latrão”, em 11 de Fevereiro de 1929, com a presença de representantes do papa e o próprio Mussolini, legitimou o ditador fascista aos olhos do mundo católico, vindo a formar uma bizarra aliança entre um regime que exaltava a guerra e a violência com uma religião que pregava a paz e a tolerância. E do Duce, apesar de nunca se terem dado bem, disse Pio XI dez anos depois, apesar de tudo o que fez o ditador:
"Il più grande uomo da me conosciuto, e senz’altro tra i più profondamente buoni" (Foi o maior homem que conheci, e sem dúvida um entre os mais intrinsecamente bons).
"VATICANO - 86 ANOS do ESTADO FUNDADO POR ACORDO COM MUSSOLINI (Parte1 - amanhã, a conclusão)

A assinatura do “Tratado de Latrão”, em 11 de Fevereiro de 1929, com a presença de representantes do papa e o próprio Mussolini, legitimou o ditador fascista aos olhos do mundo católico, vindo a formar uma bizarra aliança entre um regime que exaltava a guerra e a violência com uma religião que pregava a paz e a tolerância. E do Duce, apesar de nunca se terem dado bem, disse Pio XI dez anos depois, apesar de tudo o que fez o ditador:
"Il più grande uomo da me conosciuto, e senz’altro tra i più profondamente buoni" (Foi o maior homem que conheci, e sem dúvida um entre os mais intrinsecamente bons).

Em Setembro de 1870, quando as tropas de Vittorio Emanuelle II, proclamado rei da recém-unificada Itália, subjugaram e anexaram a cidade de Roma, o papa Pio IX enclausurou-se nos muros do Vaticano. A essa altura, o “Risorgimento” italiano já havia tomado a maioria dos estados papais, e o pontífice, para não se submeter à nova ordem política, rompeu relações com a monarquia e declarou-se um prisioneiro do poder laico.
Este mal-estar permanente entre o estado e a Igreja aparentemente chegou ao fim em Fevereiro de 1929, faz hoje 86 anos, quando Pio XI e Benito Mussolini, "Il Duce", assinaram o “Tratado e a Concordata de Latrão”, que determinou a criação do estado soberano do Vaticano, sendo o catolicismo reconhecido como religião oficial da Itália e ainda tendo garantido à Santa Sé uma choruda compensação financeira pelas anexações dos rincões papais.
Tendo a garantia da indemnização da administração italiana à vista, no montante de 750 milhões de liras, e de um bilião de liras em títulos do governo, o chefe da Igreja Católica começou a estruturar toda uma pesada aparelhagem estatal – boa parte dela, ao seu serviço imediato.
Para além de um diário oficial, o “L’Osservatore Romano”, Pio XI planeou estruturar num futuro próximo uma rádio oficial para difundir o catolicismo e, evidentemente, a palavra papal. O maior candidato para a empreitada era Guglielmo Marconi.
Estava em circulação a moeda corrente do Vaticano, a “lira vaticana”, com a efígie do sumo pontífice, também aceite em Itália e com valor igual ao da lira italiana. O serviço postal foi inaugurado ainda em Fevereiro e tanto o Corpo da "Gendarmarie" Pontifícia como o Corpo da Guarda do Papa, com as suas coloridas fardas desenhadas no séc.XVI por Michelangelo, ganharam ainda mais liberdade dentro do novo Estado para assegurar a protecção do recém chefe de estado Pio XI.

- um texto de opinião de Jorge P. Guedes, 11 Fev. 2015 (Por opção, não escrevo segundo o mais recente A. O.)" Em Setembro de 1870, quando as tropas de Vittorio Emanuelle II, proclamado rei da recém-unificada Itália, subjugaram e anexaram a cidade de Roma, o papa Pio IX enclausurou-se nos muros do Vaticano. A essa altura, o “Risorgimento” italiano já havia tomado a maioria dos estados papais, e o pontífice, para não se submeter à nova ordem política, rompeu relações com a monarquia e declarou-se um prisioneiro do poder laico.
Este mal-estar permanente entre o estado e a Igreja aparentemente chegou ao fim em Fevereiro de 1929, faz hoje 86 anos, quando Pio XI e Benito Mussolini, "Il Duce", assinaram o “Tratado e a Concordata de Latrão”, que determinou a criação do estado soberano do Vaticano, sendo o catolicismo reconhecido como religião oficial da Itália e ainda tendo garantido à Santa Sé uma choruda compensação financeira pelas anexações dos rincões papais.
Tendo a garantia da indemnização da administração italiana à vista, no montante de 750 milhões de liras, e de um bilião de liras em títulos do governo, o chefe da Igreja Católica começou a estruturar toda uma pesada aparelhagem estatal – boa parte dela, ao seu serviço imediato.
Para além de um diário oficial, o “L’Osservatore Romano”, Pio XI planeou estruturar num futuro próximo uma rádio oficial para difundir o catolicismo e, evidentemente, a palavra papal. O maior candidato para a empreitada era Guglielmo Marconi.
Estava em circulação a moeda corrente do Vaticano, a “lira vaticana”, com a efígie do sumo pontífice, também aceite em Itália e com valor igual ao da lira italiana. O serviço postal foi inaugurado ainda em Fevereiro e tanto o Corpo da "Gendarmarie" Pontifícia como o Corpo da Guarda do Papa, com as suas coloridas fardas desenhadas no séc.XVI por Michelangelo, ganharam ainda mais liberdade dentro do novo Estado para assegurar a protecção do recém chefe de estado Pio XI.


"VATICANO - 86 ANOS DO ESTADO FUNDADO POR ACORDO COM MUSSOLINI (conclusão)
 
4 meses depois, em Junho, foi promulgada a “Lei Fundamental do Estado do Vaticano” que dava ao papa a plenitude dos poderes legislativo, executivo e judicial no enclave de 0,44 km2 a norte de Roma e em mais doze edifícios espalhados pela cidade, incluindo o Palácio de Castelgandolfo.
Os bens da Santa Sé, a sua administração, a biblioteca, o arquivo, a livraria e a tipografia também ficaram directamente subordinados à vontade do pontífice. Tal lei criou a figura do governador, que podia criar regras para a ordem pública na cidade-estado, com a anuência do Conselho. Porém, a sua escolha era da competência exclusiva do papa e podia ser revogada por ele a qualquer momento de forma sumária.
Qualquer semelhança com os plenos poderes de Mussolini não é mera coincidência – ao menos para os cartunistas locais, que não se cansavam de desenhar caricaturas retratando Pio XI com a camisa negra do fascismo e o Duce com a tiara papal na sua careca.

Os dois poderosos homens, aliás, trocaram algumas farpas durante o ano – Mussolini dizendo à Câmara dos Deputados que "a Igreja é soberana apenas no Reino da Itália, e não no Estado italiano", com a resposta de Pio XI lamentando as declarações hereges do fascista.
Nos recentes anos, os conflitos entre o poder papal e o estado parece terem-se agudizado de novo.
No início de 2009, Bento XVI decidiu não incorporar de forma automática as leis civis e criminais no direito do Vaticano e, entretanto, outras disposições legais em matérias como o divórcio, as uniões de facto, o casamento entre homossexuais ou a eutanásia são fortemente contestadas e não aceites pelo Vaticano.
Haverá brevemente novos Tratados?
E a sociedade civil italiana estará disposta a manter os enormes privilégios concedidos ao papa e ao Estado de que ele é chefe supremo e vitalício?
Será que aos olhos das novas gerações se justifica este Estado dentro do Estado apenas porque a Igreja católica se reclama de direitos divinos na Terra e difusora "oficial" dos ideais cristãos?

Os tempos mudam e a época é de profundas alterações em muitos conceitos tomados como verdades absolutas e incontornáveis. O papa Francisco, ao que parece, veio trazer uma lufada de ar fresco à Igreja de Roma mas a sua empreitada é sem dúvida pesada e mexe com vários poderes instituídos e cimentados ao longo de séculos de conluio do Vaticano com o poder económico e político e algumas poderosas organizações marginais. Não será por acaso que Francisco pede sempre aos fiéis que rezem por ele.

- imagem : postal ilustrado comemorativo com o rei Vittorio Emanuele III°, o papa PIO XI e Benito Mussolini  (Pax Laetitia – A paz de Leticía - foi o nome dado ao Tratado, sendo que Laetitia era uma deusa menor  romana da Alegria e da Felicidade). Esta “trindade” celebra a nova união entre o poder temporal e o espiritual. Contudo, a “paz de Letícia” ajudou a legitimar o regime policial fascista italiano que em 1929 já espalhara o terror através dos tribunais militares, de assassínios políticos e de raides da “milizia volontaria per la sicurezza nazionale”, os vulgarmente chamados “camicie nere”.

- texto : Jorge P. Guedes, 11/12 Fev 2015 (Por opção, não escrevo segundo o mais recente A. O.)"
4 meses depois, em Junho, foi promulgada a “Lei Fundamental do Estado do Vaticano” que dava ao papa a plenitude dos poderes legislativo, executivo e judicial no enclave de 0,44 km2 a norte de Roma e em mais doze edifícios espalhados pela cidade, incluindo o Palácio de Castelgandolfo.
Os bens da Santa Sé, a sua administração, a biblioteca, o arquivo, a livraria e a tipografia também ficaram directamente subordinados à vontade do pontífice. Tal lei criou a figura do governador, que podia criar regras para a ordem pública na cidade-estado, com a anuência do Conselho. Porém, a sua escolha era da competência exclusiva do papa e podia ser revogada por ele a qualquer momento de forma sumária.
Qualquer semelhança com os plenos poderes de Mussolini não é mera coincidência – ao menos para os cartunistas locais, que não se cansavam de desenhar caricaturas retratando Pio XI com a camisa negra do fascismo e o Duce com a tiara papal na sua careca.
Os dois poderosos homens, aliás, trocaram algumas farpas durante o ano – Mussolini dizendo à Câmara dos Deputados que "a Igreja é soberana apenas no Reino da Itália, e não no Estado italiano", com a resposta de Pio XI lamentando as declarações hereges do fascista.
Nos recentes anos, os conflitos entre o poder papal e o estado parece terem-se agudizado de novo.
No início de 2009, Bento XVI decidiu não incorporar de forma automática as leis civis e criminais no direito do Vaticano e, entretanto, outras disposições legais em matérias como o divórcio, as uniões de facto, o casamento entre homossexuais ou a eutanásia são fortemente contestadas e não aceites pelo Vaticano.
Haverá brevemente novos Tratados?
E a sociedade civil italiana estará disposta a manter os enormes privilégios concedidos ao papa e ao Estado de que ele é chefe supremo e vitalício?
Será que aos olhos das novas gerações se justifica este Estado dentro do Estado apenas porque a Igreja católica se reclama de direitos divinos na Terra e difusora "oficial" dos ideais cristãos?
Os tempos mudam e a época é de profundas alterações em muitos conceitos tomados como verdades absolutas e incontornáveis. O papa Francisco, ao que parece, veio trazer uma lufada de ar fresco à Igreja de Roma mas a sua empreitada é sem dúvida pesada e mexe com vários poderes instituídos e cimentados ao longo de séculos de conluio do Vaticano com o poder económico e político e algumas poderosas organizações marginais. Não será por acaso que Francisco pede sempre aos fiéis que rezem por ele.
- imagem : postal ilustrado comemorativo com o rei Vittorio Emanuele III°, o papa PIO XI e Benito Mussolini (Pax Laetitia – A paz de Leticía - foi o nome dado ao Tratado, sendo que Laetitia era uma deusa menor romana da Alegria e da Felicidade). Esta “trindade” celebra a nova união entre o poder temporal e o espiritual. Contudo, a “paz de Letícia” ajudou a legitimar o regime policial fascista italiano que em 1929 já espalhara o terror através dos tribunais militares, de assassínios políticos e de raides da “milizia volontaria per la sicurezza nazionale”, os vulgarmente chamados “camicie nere”.

 - texto : Jorge P. Guedes, 11/12 Fev 2015 (Por opção, não escrevo segundo o mais recente A. O.)

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Sabia que a burka é proibida no Algarve desde MDCCCXCII?

Este decreto foi anterior ao da Turquia


A nossa costela árabe a funcionar...

Uso da burka ou do chador proibido no Algarve

«Faço saber que pelo regulamento policial d’este Governo Civil, de 6 do corrente mês, com execução permanente, aprovado pelo governo, determino o seguinte:

Artigo 32º – É proibido nas ruas e templos de todas as povoações deste distrito o uso dos chamados rebuços ou biôcos de que as mulheres se servem escondendo o rosto.

Artigo 33º – As mulheres que, nesta cidade, forem encontradas transgredindo o disposto no precedente artigo serão, pelas vezes primeira e segunda, conduzidas ao comissário de polícia ou posto policial mais próximo, e nas outras povoações à presença das respectivas autoridades administrativas ou aonde estas designarem, a fim de serem reconhecidas; o que nunca terá lugar nas ruas ou fora dos locais determinados; e pela terceira ou mais vezes serão detidas e entregues ao poder judicial, por desobediência.

Parágrafo único – Esta última disposição será sempre aplicável a qualquer indivíduo do sexo masculino, quando for encontrado em disfarce com vestes próprias do outro sexo e como este cobrindo o rosto.

Artigo 34º – O estabelecido nos dois precedentes artigos não terá lugar para com pessoas mascaradas durante a época do Carnaval, que deverá contar-se de 20 de Janeiro ao Entrudo; subsistirão, porém, as mesmas disposições durante a referida época, em relação às pessoas que não trouxerem máscara usando biôco ou rebuço.

Artigo 41º – O presente regulamento começa a vigorar, conforme o disposto no
Artigo 403º do código administrativo, três dias depois da sua publicação por editais – Governo Civil de Faro, 28 de Setembro de 1892. – Júlio Lourenço Pinto.»

O biôco (ou biuco) – Algarve

Raul Brandão escreve a propósito do biuco no seu livro "Os Pescadores", em 1922:

"Ainda há pouco tempo todas (as mulheres de Olhão) usavam cloques e bioco. O capote, muito amplo e atirado com elegância sobre a cabeça, tornava-as impenetráveis.

É um trajo misterioso e atraente. Quando saem, de negro envoltas nos biocos, parecem fantasmas. Passam, olham-nos e não as vemos. Mas o lume do olhar, mais vivo no rebuço, tem outro realce... Desaparecem e deixam-nos cismáticos. Ao longe, no lajedo da rua ouve-se ainda o cloque-cloque do calçado - e já o fantasma se esvaiu, deixando-nos uma impressão de mistério e sonho.

É uma mulher esplêndida que vai para uma aventura de amor? De quem são aqueles olhos que ferem lume?... Fitou-nos, sumiu-se, e ainda - perdida para sempre a figura -, ainda o som chama por nós baixinho, muito ao longe-cloque..."

Trata-se de uma capa que cobre inteiramente quem a usava. A cabeça era oculta pelo próprio cabeção ou por um rebuço feito por qualquer xaile, lenço ou mantilha. As mulheres embiocadas pareciam “ursos com cabeça de elefante”

Oficialmente a sua extinção ocorreu em 1882 e por ordem de Júlio Lourenço Pinto, então Governador Civil do Algarve, foi proibido nas ruas e templos, embora continuasse a ser usado em Olhão até aos anos 30 do século XX em que foram vistos os últimos biocos.

 

domingo, fevereiro 15, 2015

Por falar em mudanças....

     


Fevereiro tem tido dias particularmente frios, de brisas cortantes, humidades impiedosas, que nos chegam aos ossos. Todos reclamam e “cramam”. Até a Natureza parece cansada desta falta de sol e calor que faça medrar as sementes já lançadas à terra. É necessário que o tempo mude e que se mudem os tempos!
      Um é mandado pela batuta de S. Pedro segundo dizem, os outros devem ser obra de homens de pés bem assentes na terra.
      Uma obra pensada, planeada, equacionada, transmitida e admitida, para ser concretizada. É assim que eu entendo as mudanças.
      Os próximos dias, sobretudo nos fins de semanas, serão palcos, parlatórios de promessas, de ataques, jogos de empurra, de propostas desonestas porque ou são irrealizáveis ou têm os mesmos interlocutores. Claro que me refiro às eleições na Madeira mas, se olharmos ao país ou à Europa, tudo está em convulsão, em mudança.
      Na nação, segundo se apregoa, está melhor o país e a sua população. Mas depois, depois chegam os relatórios internacionais, as estatísticas nacionais e vemos os rácios, as curvas sinuosas, as percentagens, as comparações com outros anos e chegamos à conclusão de que estamos a ser ludibriados. Começa a ser banal a confissão pública de economistas enganados!
      O sentimento europeu fracassou junto dos povos da Europa, fomentou radicalismos, acentuou desigualdades. Morre o ideal europeu, a paz e regressa a noção de ter fronteiras.
      A UE funciona em função de tratados (e de tratantes) e o custo social destas políticas liberais ficará na história e, segundo estudos, estamos bem pior do que em 2008.
      Mas hoje há um país que ousa demonstrar liderança em vez de subserviência, que tem orgulho da sua nação e honra, sem se separar do continente europeu, da sua identidade. Quão diferente da governação lusa, sem anéis nem dedos, sem brios e patriotismos…
      Subscrevo Eça quando dizia: “Hoje crédito não temos, dinheiro também não – pelo menos o estado não tem – e homens não os há ou os que há são postos na sombra pela política.” (“Correspondência”, 1891).
      Sou descrente, portanto, em relação às mudanças regionais. Vejo continuidade na política dominante, com raras e boas alterações e não entendo a insegurança de não ver um PS concorrer só.
     No plano nacional é urgente uma mudança de mentalidade antes que o país desapareça e não me admiraria se, antes das legislativas, víssemos um bazar chinês instalado na Torre de Belém.
      Já quanto à Europa algo há-de mudar pela força da envolvência e diversidade internacionais. Aproximam-se tempos inquietos.



Maria Teresa Góis


terça-feira, fevereiro 03, 2015

expressão popular "Voltemos à vaca fria"


A origem da expressão "voltar à vaca fria" possui vários significados, muitos deles relacionados com lendas urbanas ou histórias populares. 
Uma das hipóteses mais aceitáveis para o surgimento desta expressão na língua portuguesa, está no francês "revenons à nos moutons", que literalmente significa "voltando aos cordeiros". A frase foi originalmente utilizada em uma narrativa que conta a história de Pierre Pathelin, um advogado do século XIV que fazia longas divagações sobre assuntos sem importância na tentativa de defender os seus clientes. 
A história conta que, em um caso específico sobre o roubo de uns cordeiros de seu cliente, o advogado começou a falar sobre os assuntos mais absurdos e diversos, como a mitologia grega e romana.  O juiz cansado dos devaneios de Pierre, sempre dizia: "Tudo isso é muito bonito, mas voltemos aos cordeiros"
A palavra "vaca" substitui o termo "carneiro" ("moutons", da expressão original em francês) na língua portuguesa. Essa troca talvez possa ser explicada por causa do costume que existia em Portugal de servir, antes das refeições, um prato frio feito com carne de gado.

domingo, janeiro 18, 2015

A palavra eleita em 2014

“Não há como a vox populi que tanto brada contra os ladrões, para depois ser profundamente indiferente à corrupção concreta.”  
Pacheco Pereira, in “Público”



 1 - O honroso 31º lugar que Portugal ocupa entre 175 países, segundo os dados da organização Transparency International de Dezembro passado, não leva em conta os casos dos vistos Gold, Sócrates, Duarte Lima, a PT, o BES e associadas. Talvez nem pondere as consequências BPN ou BPP, os Submarinos e o Cuba Livre arquivados e tantos outros processos que por aí proliferam sem culpas nem culpados, sem justiça ou jurisdição.
A escolha desta palavra só demonstra o contentamento luso em relação a quem governa. Ao “Público” disse um dia José Manuel Fernandes: “é o poder excessivo do Estado que alimenta a corrupção”.
Num ano em que somos, por obrigação cívica e até moral, solicitados a escolher quem nos governa, será óptimo não ser indiferente ou abstencionista. Verdade que é no quotidiano que encontramos as comparações e é nessas comparações que encontramos as afirmações na corda bamba da contrariedade.
Corrupção vem do latim “corruptus” (conforme pesquisei) que significa partido em pedaços e cuja forma verbal em si quer dizer “tornar pútrido”. Não admira as vagas de maus cheiros que assolam este pequeno país…
É na saúde, na educação, é na justiça, na fiscalidade, na arrogância ou moralidade com que nos falam ou nos arranjos partidários que sinto viva e ameaçadora essa corrupção.

 2 – Os acontecimentos regionais recentes não me entusiasmaram. A saída do Dr. Alberto João teria de acontecer mais cedo ou mais tarde. Mas sempre pensei que uma renovação de quadros iria ao encontro da “batalha” de há dois anos para cá, justificando um triunfo. Mas não, vejo os mesmos, os que bateram palmas, os que bateram palmadas, os que comeram e beberam juntos, os que amuaram ou ameaçaram, sentados nas mesmas cadeiras sem o respeito pela vassalagem outrora prestada, como se tivessem regressado da Diáspora 40 anos depois.
Estranho que o actual líder do PSD se lembrasse de celebrar o 01 de Julho com todos os partidos e esquecesse a celebração do 25 de Abril, razão que lhe dá, a si e aos seus pares, a legalidade de eleição.
Como não me entusiasma, e até me desgosta, ver uma oposição anémica, impreparada, que não tem em consideração o quanto pesam estes quarenta anos de “Jardinismo” na Madeira, sobretudo pelo impacto que teve e talvez ainda tenha, a nível de preenchimento de lugares e empregos.
Março ou Abril estão já aí – medeia apenas o tempo de fazer as malassadas…


Maria Teresa Góis

in: