quarta-feira, agosto 31, 2016
segunda-feira, maio 23, 2016
Túmulo do Rei D. Dinis foi aberto em 1938
O
Rei D. Dinis escolheu a Igreja do Mosteiro Cisterciense de Odivelas
para sua última morada. Indicou mesmo o local – a meio, entre a
capela-mor e o coro. Para que a sua vontade fosse cumprida, fez essa
declaração no seu testamento. Assim se cumpriu. Naquele local e naquele
Igreja foi depositado o seu corpo quando o cortejo fúnebre chegou, vindo
de Santarém. Era um mausoléu majestoso. O primeiro a ter uma estátua
jacente. O primeiro a ficar dentro de um lugar sagrado. Estava cercado
de grades altas de ferro terminando em escudetes nas pontas dos
balaústres com as armas de Portugal, e cruzes da Ordem de Cristo. Um
dossel cobria-o em toda a sua dimensão.
Túmulo de El Rei D. Dinis foi aberto em 1938
O
sismo de 1755 precipitou sobre o túmulo do Rei D. Dinis a abóbada da
igreja do Mosteiro Cisterciense de Odivelas deixando-o gravemente
arruinado.
Reconstruída a Igreja, foi o túmulo encostado à teia do corredor lateral direito e ali esteve até 1938, ano em que se fizeram novamente obras na Igreja. Em consequência dessas obras, foi necessário mudá-lo de lugar e para facilitar o trabalho transportaram primeiro a tampa, pelo que, logo que a levantaram, ficaram à vista os restos mortais do Rei.
Reconstruída a Igreja, foi o túmulo encostado à teia do corredor lateral direito e ali esteve até 1938, ano em que se fizeram novamente obras na Igreja. Em consequência dessas obras, foi necessário mudá-lo de lugar e para facilitar o trabalho transportaram primeiro a tampa, pelo que, logo que a levantaram, ficaram à vista os restos mortais do Rei.
Removida
a tampa viu-se um manto de brocada vermelho a cobrir o corpo do Rei, da
cabeça aos pés. Este manto era tecido com fios de ouro. A todo o
cumprimento tinha faixas alternadas, separadas com fios dourados e onde
se tinham executado bordados com os seguintes motivos: numa das faixas
estavam bordadas pinhas em toda a sua extensão; na faixa seguinte
bordaram açores e na última viam-se flores de Liz.
Na
opinião dos que assistiram a este acontecimento, as pinhas são uma
referência ao pinhal de Leiria. Os açores, sendo o Rei um amante da caça
de volataria, lembram-nos a aves de caça que muito estimava. Conta-se
que até mandou construir uma capela a São Luís em Beja, porque este
santo lhe ressuscitou um falcão.
As flores de Liz são uma afirmação da sua ascendência real francesa.
Retirado
o manto, ficou à vista o esqueleto do Rei, que estava completo e
coberto pela pele ressequida. Tinha vestido um colete de lã branca muito
macia, sobre a túnica.
A
cabeça repousava numa almofada e estava inclinada como quem dorme sobre
o lado esquerdo, posição que o corpo acompanhava ligeiramente. O braço
direito dobrado sobre o peito e o esquerdo descaído ao longo do corpo.
Apenas os ossos dos pés estavam separados uns dos outros. Nos maxilares a
pele estava um pouco separada e apresentava uma longa barba ruiva. Na
cabeça a pele não se apresentava solta do crânio e tinha tufos de
cabelos ruivos. O Rei tinha 64 anos quando faleceu, o que para a época
era uma idade avançada. Apesar da idade, conservava todos os dentes.
Perante
os restos mortais do Rei, os pintores dos seus retratos não se podiam
ter enganado mais. Foi uma surpresa a verificação que era ruivo, o que
se deve ao facto de ter antecedentes germânicos.
Afirma-se
que soldados franceses terão tentado profanar o túmulo pensando que o
Rei teria sido sepultado com esporas de ouro. De facto alguém partiu o
túmulo no sítio dos pés , e terão introduzido um objecto que puxasse as
esporas. Não garanto que tivesse sido assim, mas o facto de os ossos dos
pés estarem espalhados pode ter essa explicação.
Não há sinais de ter sido aberto o túmulo antes de 1938, nem notícia de ter sido aberto depois.
Posteriormente
foi levado para o segundo absidíolo esquerdo, por decisão dos técnicos
das obras, decisão que não foi aprovada pelo presidente do Conselho, que
ordenou a sua remoção para dentro da Igreja, por saber que essa era a
vontade do Monarca. Foi então colocado onde hoje se encontra – na capela
do lado do Evangelho.
Para
que conste que o Rei D. Dinis está sepultado no seu túmulo, depositado
na Igreja do Mosteiro Cisterciense feminino de São Dinis e São Bernardo
em Odivelas, o que tenho vindo a afirmar continuadamente desde 1980.
:: ::
«Por Terras de D. Dinis», crónica de Maria Máxima Vaz
«Por Terras de D. Dinis», crónica de Maria Máxima Vaz
Nota
- "conhecimentos porque uma pessoa com saber e responsável soube
transmitir-nos o que viu. Era então Director do Instituto de Odivelas um
grande Militar e Pedagogo, Coronel Ferreira Simas.
Assistiu
à abertura e ordenou a uma professora de desenho que reproduzisse os
bordados do manto. Mais tarde teve conhecimento de um artigo que fazia
uma descrição cheia de atropelos. Então ele fez um relatório dos factos,
com a descrição do que viu. Merece todo o crédito a sua descrição e foi
aí que obtive as informações que aqui vos deixei com enorme
satisfação."
fonte:email
domingo, maio 15, 2016
girafas mergulhadoras
Só fazem isto na Austrália. Não fazem tours pelo mundo pelos custos do transporte destes animais treinados e altamente valiosos. São precisos 2 anos para que uma girafa se sinta confortável na água e mais 3 ou 4 para ensiná-las a mergulhar. Reparem no andar destas maravilhosas girafas, parecem modelos a desfilar. Um espectáculo extraordinário, valeu a pena o trabalho dos treinadores.
segunda-feira, abril 25, 2016
terça-feira, abril 05, 2016
Ada Lovelace (1815-1852)
Ada nasceu e cresceu em Londres, na
Inglaterra, vivendo uma vida modelo para as senhoras da corte inglesa do
começo do século XIX. Não tinha um bom
relacionamento com seu pai,Lord Byron, que morreu quando ela tinha oito anos. Já
sua mãe, percebendo seu interesse em estudos matemáticos, a ensinou e
apoiou desde cedo. Casou-se aos vinte anos, assumindo o nome do marido
(William King, nomeado Conde Lovelace) e o título de condessa,
tornando-se a Condessa de Lovelace. Durante sua formação acadêmica, a
cientista acompanhou de perto alguns matemáticos e pode mostrar seu
talento com os números. Ada é reconhecida como a primeira programadora
do mundo por sua pesquisa em motores analíticos – a ferramenta que
baseou a invenção dos primeiros computadores. Suas observações sobre os
motores são os primeiros algoritmos conhecidos.
Em 1842, ela não só traduziu o artigo sobre o funcionamento da
máquina analítica (também chamado de computador mecânico), como
acrescentou notas à tradução que eram mais longas do que o texto em si. A
última sessão das anotações descreve o que é considerado o primeiro
programa de computador da história: um algoritmo para calcular números
de Bernoulli. No artigo, ela também especulou sobre a futura capacidade
da máquina de criar gráficos e música complexa.
Ada escreveu o que hoje se considera o primeiro algoritmo para ser
interpretado por uma máquina. O algoritmo teria funcionado se a máquina
de Babbage tivesse sido realmente construída, mas o projecto só foi
concluído em 2002, pelo Museu da História do Computador, em Londres
(Reino Unido).
Segundo historiadores, a maior contribuição de Ada Lovelace à
programação foi vislumbrar que o computador mecânico poderia fazer
outras operações além de simplesmente fazer contas com números. E o
mundo todo tem a ela para agradecer pelo que foi uma verdadeira
revolução dos computadores.
sábado, março 26, 2016
quarta-feira, janeiro 13, 2016
Diálogo ocorrido entre 1643 e 1715 !
Diálogo (da peça teatral "Le Diable Rouge", de Antoine Rault), entre as personagens Colbert e Mazarino, durante o reinado de Luís XIV, século XVIII.
Colbert: - Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…
Mazarino: - Um
simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas e não consegue
honrá-las, vai parar à prisão. Mas o Estado é diferente ! Não se pode
mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos
os Estados o fazem !
Colbert: - Ah, sim ? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis ?
Mazarino: - Criando outros.
Colbert: - Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino: - Sim, é impossível.
Colbert: - E sobre os ricos ?
Mazarino: - Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta, faz viver centenas de pobres.
Colbert: - Então, como faremos ?
sexta-feira, janeiro 08, 2016
sábado, janeiro 02, 2016
eu não quero morrer já.....
A
semana passada deixei de comer chouriços. E presunto. E fiambre. E
mortadela!!! Esta semana deixei de comer queijo. “Afecta a mesma
molécula das drogas duras”, dizia um estudo. Eu não quero ter nada a ver
com isso, gosto muito de queijo, mas não quero ter nada a ver com
drogas, muito menos ser visto como um agarrado ao queijo. Acabou-se com o
queijo cá em casa. Também já tinha acabado com o pão, por isso…
O
mês passado deixei de beber vinho branco. Um estudo dizia que fazia mal
a não sei quê. Se calhar era cancro também. Passei a beber só tinto que
dizia um estudo ser ideal para uma série de coisas. Esta semana voltei a
beber branco porque entretanto saiu um estudo a dizer que afinal o
branco até tem propriedades que fazem bem e muito tinto é que não.
Comecei a reduzir no tinto mas, também, acho que compreendem, não quero
morrer assim de qualquer maneira.
Cortei
nas azeitonas também porque um estudo dizia que têm demasiada gordura,
são muito insaturadas, ou lá o que é, mas não parece nada bom.
Andava
praticamente a peixe até perceber que os portugueses comem peixe a mais
e são, por isso, prejudiciais ao ambiente. Eu sei que não moro no
continente mas como sou português, e ainda contam todos para o estudo,
sei lá, os que estão e os que não estão, e como eu não quero ser acusado
de inimigo do ambiente, ando a cortar no peixe também. Especialmente no
atum que está cheio de chumbo e o bacalhau também porque causa daquele
estudo que saiu sobre a quantidade de sal mas, também, acho que
compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira.
Esta semana saiu um estudo a dizer que afinal o vinho em geral faz mal. Fiquei devastado. Há dois meses foram as couves roxas. Vi até um especialista na televisão dizer que não devíamos comer nada cuja cor seja roxa; “é sinal que não é para comer”, dizia. Arroz também quase não como porque engorda, quanto mais esfregado pior, e saiu um estudo a dizer que implica com uma função qualquer mais ou menos delicada. Não é a reprodutora porque acho que essa é com a soja. Dá hormonas femininas aos homens, e consequentes mamas, o raio da soja (!) e prejudica as funções todas. Não, soja nem pensar!
Leite
também já há muito que me livrei dele. Foi, salvo erro, desde que saiu
um estudo a dizer que o nosso corpo não está preparado para leites. Por
isso, leite não. Sumos de frutas também dispenso enquanto não resolverem
o problema levantado no estudo que apontava para… não sei muito bem
para quê, mas apontava e não era nada excitante mas, também, acho que
compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira.
Carne
vermelha, claro, também não. Ataca o coração, diz o estudo. Galinha nem
sonhar porque umas estão cheias de gripe e as outras encharcadas de
antibióticos. Além de que carne de galinha a mais, como dizia outro
estudo, impacta com o desenvolvimento dental, o que até parecia óbvio
mas ninguém percebia, pois as galinhas não desenvolvem dentes. Cortei a
galinha há muito tempo. Porco? Só a brincar. É óbvio que não há cá
porco. Não chegassem as salsichas e afins ainda veio este outro estudo,
ou ainda não leu? Pois então, diz que o excesso de carne de porco pode
provocar uma diminuição de massa cinzenta e o aumento dos ciclos
atópicos do mastoideu singular. Ninguém quer passar por isso! Você quer?
Eu não mas, também, acho que compreende, não quero morrer assim de
qualquer maneira. Esqueça-se a carne de porco, pelo amor da santa!
Ah!…
Já me esquecia do glúten! Glúten, também não. É que nem pensar! Durante
muitos anos nem sabia que existia, mas desde que me apercebi da
existência de semelhante coisa arredei tudo o que tivesse glúten.
Deixa-me pouca escolha mas, também, acho que compreendem, não quero
morrer assim de qualquer maneira.
Ovos!
Claro que também não como ovos. Primeiro porque não sou nenhum ovíparo e
depois por causa das quantidades de coisas que aquele estudo que saiu a
semana passada dizia. É um rol senhores, um rol e colesterol! Vão ver e
admirem-se! Os ovos! Quem diria os ovos… Enfim, é a vida: ovos nem
vê-los! Como a manteiga: é só gordura! Desde que acabei com o pão e com o
queijo, a manteiga também, por assim dizer, deixou de fazer falta.
Ainda a usava para fritar ovos mas agora também não se pode comer ovos…
Pois, a manteiga, dizia o estudo, é só gordura animal e animais não
devem comer a gordura uns dos outros. Pareceu-me um bom fundamento e
acabei com a manteiga.
Ia fazer uma salada. Sem muito azeite, claro, porque, compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira, sem sal, naturalmente e vinagre só do orgânico, porque, compreendem, não quero morrer assim de qualquer maneira…
É quando recebo um email com o título “Novo Estudo Aconselha a Ingestão Moderada de Saladas e Hortaliças”.
Enchi um copo de água, filtrada, naturalmente, de garrafa de vidro e sorvi um golo ávido. Espero que não me faça mal.
fonte: email
sexta-feira, janeiro 01, 2016
quinta-feira, dezembro 31, 2015
de onde vem o "arroba" (@)
Durante
a Idade Média os livros eram escritos à mão pelos copistas.
Precursores
dos taquígrafos, os copistas simplificavam seu trabalho substituindo
letras, palavras e nomes próprios por símbolos, sinais e abreviaturas.
Não era por economia de esforço nem para o trabalho ser mais rápido
(tempo era o que não faltava, naquela época!). O motivo era de ordem económica: tinta e papel eram valiosíssimos.
Assim, surgiu o til (~), para substituir o m ou n que nasalizava a vogal anterior. Se reparar bem, você verá que o til é um enezinho sobre a letra.
O
nome espanhol Francisco, também grafado Phrancisco, foi abreviado para
Phco e Pco – o que explica, em Espanhol, o apelido Paco, comum a quase
todo Francisco.
Ao
citarem os santos , os copistas os identificavam por algum detalhe
significativo de suas vidas. O nome de São José, por exemplo, aparecia
seguido de Jesus Christi Pater Putativus, ou seja, o pai putativo
(suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde, os copistas passaram a adoptar a
abreviatura JHS PP, e depois, simplesmente, PP. A pronúncia dessas
letras em sequência explica por que José, em Espanhol, tem o apelido de
Pepe.
Já
para substituir a palavra latina et (e), eles criaram um símbolo que
resulta do entrelaçamento dessas duas letras: o &, popularmente
conhecido como e comercial em Português, e ampersand, em Inglês, junção
de and (e, em Inglês), per se (por si, em Latim) e and.
E
foi com esse mesmo recurso de entrelaçamento de letras que os copistas
criaram o símbolo @, para substituir a preposição latina ad, que tinha,
entre outros, o sentido de casa de.
Foram-se
os copistas, veio a imprensa - mas os símbolos @ e & continuaram
firmes nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de
unidades da mercadoria e o preço. Por exemplo: o registo contábil 10@£3
significava 10 unidades ao preço de 3 libras cada uma. Nessa época, o
símbolo @ significava, em Inglês, at (a ou em).
No
século XIX, na Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio e a
indústria procuravam imitar as práticas comerciais e contáveis dos
ingleses. E, como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses
davam ao símbolo @ (a ou em), acharam que o símbolo devia ser uma
unidade de peso. Para isso contribuíram duas coincidências:
1 - A unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba, cuja inicial lembra a forma do símbolo;
2 - Os carregamentos desembarcados vinham frequentemente em fardos de uma arroba. Por
isso, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registo de 10@£3 assim:
dez arrobas custando 3 libras cada uma. Então, o símbolo @ passou a ser
usado por eles para designar a arroba.
O
termo arroba vem da palavra árabe ar-ruba, que significa a quarta
parte: uma arroba ( 15 kg , em números redondos) correspondia a ¼ de
outra medida de origem árabe, o quintar, que originou o vocábulo
português quintal, medida de peso que equivale a 58,75 kg .
As
máquinas de escrever, que começaram a ser comercializadas na sua forma
definitiva há dois séculos, mais precisamente em 1874, nos Estados
Unidos (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar seus originais dactilografados), trouxeram em seu teclado o símbolo @, mantido no de seu
sucessor - o computador.
Então,
em 1972, ao criar o programa de correio electrónico (o e-mail), Roy
Tomlinson usou o símbolo @ (at), disponível no teclado dessa máquina,
entre o nome do usuário e o nome do provedor. E foi assim que
Fulano@Provedor X ficou significando Fulano no provedor X.
Na
maioria dos idiomas, o símbolo @ recebeu o nome de alguma coisa
parecida com sua forma: em Italiano, chiocciola (caracol); em Sueco,
snabel (tromba de elefante); em Holandês, apestaart (rabo de macaco). Em
alguns, tem o nome de certo doce de forma circular: shtrudel, em
iídisch; strudel, em alemão; pretzel, em vários outros idiomas europeus.
No nosso, manteve sua denominação original: arroba.fonte: net
domingo, setembro 27, 2015
O “reporte estatístico”
“É indispensável boa memória após se haver mentido.”
Pierre Corneille
“Como é possível manter um governo em que um primeiro
ministro mente?”
Passos Coelho, 09-04-2012
Pierre Corneille
“Como é possível manter um governo em que um primeiro
ministro mente?”
Passos Coelho, 09-04-2012
As notícias que esta semana caíram em território luso, provenientes do
INE, desde a execução orçamental do 1º trimestre com um défice de 4,7%
do PIB à questão do Novo Banco que, no dizer de alguns, “não tem
importância nenhuma”, leva-me a pensar no imenso logro em que este reino
da Paflândia está metido.
Quem conhecerá a verdade das contas? E se os 4.900 mil milhões do Novo Banco mais os 900 mil da CGD que o governo injectou nas duas instituições bancárias e ainda não devolvidos sem sequer sabermos se os juros têm sido pagos, somados ao que advém do BPN e BPP tiverem impacto no bolso dos portugueses? É que somos cada vez menos e, segundo o INE, em 2060 seremos apenas 6 milhões!
Em véspera eleitoral preocupa-me o índice de abstenção que será verificado, mais do que o dos indecisos. A abstenção terá consequente influência no resultado eleitoral.
Sabemos que em 2012 saíram 50 mil e em 2013, 53.800 pessoas. Somemos os dois anos seguintes e teremos umas centenas de milhares de votos a menos, votos jovens e menos jovens de quem, e ainda dentro do prazo estabelecido não conseguiu fazer a inscrição nos consulados, já para não falar na anedota dos votos enviados para o estrangeiro a serem devolvidos em envelope da CNE sem país de destino…Ele há coincidências!
Para nós, os que ficámos, convém não esquecer os cortes em salários ou pensões, os aumentos de impostos, dias de férias e feriados suprimidos, alargamento de horário semanal de trabalho, sempre com o mesmo vencimento. Sabendo, dos últimos dados, que a dívida pública aumentou para 290 mil milhões e que a estimativa da União Europeia é que o resultado final seja de mais de 130% do pib, é lícito perguntar: para quê esta imposição austera nos particulares e nos serviços públicos de saúde e educação, para quê a venda das empresas núcleo do país que até geravam receita? Uma resposta que obrigatoriamente terá de ser dada a 4 de Outubro, goste-se ou não da realidade.
Há cinco anos que aceitei o convite do Director do Diário de Notícias para este pequeno apontamento de opinião mensal. Já por duas vezes lhe solicitara a substituição e fi-lo agora, de novo, irrevogavelmente.
Agradeço a confiança e a liberdade de expressão que sempre me concedeu como, aliás, eu esperava.
Uns ficarão com pena da ausência das minhas verídicas picardias, outros talvez nem dêem por nada.
Para mim foi um prazer este incitamento à diversidade de opinião tão necessária no quotidiano, à liberdade da palavra e do pensamento que possam gerar debate.
Desejo que o Diário de Notícias da Madeira cresça nessa diversidade e debate pela importância que tem na informação Madeirense.
Desejando-vos todo o bem eu vou ficando por aqui…
Quem conhecerá a verdade das contas? E se os 4.900 mil milhões do Novo Banco mais os 900 mil da CGD que o governo injectou nas duas instituições bancárias e ainda não devolvidos sem sequer sabermos se os juros têm sido pagos, somados ao que advém do BPN e BPP tiverem impacto no bolso dos portugueses? É que somos cada vez menos e, segundo o INE, em 2060 seremos apenas 6 milhões!
Em véspera eleitoral preocupa-me o índice de abstenção que será verificado, mais do que o dos indecisos. A abstenção terá consequente influência no resultado eleitoral.
Sabemos que em 2012 saíram 50 mil e em 2013, 53.800 pessoas. Somemos os dois anos seguintes e teremos umas centenas de milhares de votos a menos, votos jovens e menos jovens de quem, e ainda dentro do prazo estabelecido não conseguiu fazer a inscrição nos consulados, já para não falar na anedota dos votos enviados para o estrangeiro a serem devolvidos em envelope da CNE sem país de destino…Ele há coincidências!
Para nós, os que ficámos, convém não esquecer os cortes em salários ou pensões, os aumentos de impostos, dias de férias e feriados suprimidos, alargamento de horário semanal de trabalho, sempre com o mesmo vencimento. Sabendo, dos últimos dados, que a dívida pública aumentou para 290 mil milhões e que a estimativa da União Europeia é que o resultado final seja de mais de 130% do pib, é lícito perguntar: para quê esta imposição austera nos particulares e nos serviços públicos de saúde e educação, para quê a venda das empresas núcleo do país que até geravam receita? Uma resposta que obrigatoriamente terá de ser dada a 4 de Outubro, goste-se ou não da realidade.
Há cinco anos que aceitei o convite do Director do Diário de Notícias para este pequeno apontamento de opinião mensal. Já por duas vezes lhe solicitara a substituição e fi-lo agora, de novo, irrevogavelmente.
Agradeço a confiança e a liberdade de expressão que sempre me concedeu como, aliás, eu esperava.
Uns ficarão com pena da ausência das minhas verídicas picardias, outros talvez nem dêem por nada.
Para mim foi um prazer este incitamento à diversidade de opinião tão necessária no quotidiano, à liberdade da palavra e do pensamento que possam gerar debate.
Desejo que o Diário de Notícias da Madeira cresça nessa diversidade e debate pela importância que tem na informação Madeirense.
Desejando-vos todo o bem eu vou ficando por aqui…
Maria Teresa Góis
terça-feira, setembro 01, 2015
domingo, agosto 30, 2015
Alerta amarelo
“ – Pertencer a um partido político, caro colega, que vem a ser?...
- É meter-se a gente num ónibus que leva aos empregos.”
Eça de Queirós,
in “Uma campanha alegre”
Sempre achei o meu querido Eça uma panaceia contra todos os males. Na
minha modestíssima opinião não seria o calhamaço de “Os Maias” que se
deveria obrigar à leitura e ao estudo, os nossos imaturos estudantes.
Talvez que “Uma Campanha Alegre” ou pelas cidades e serras guiados pela
mão do autor, melhor lhe aproveitassem a prosa, o humor fino, a análise
acutilante, a flecha envenenada na política de então, afinal tão actual e
semelhante.
Temos estado em permanente alerta amarelo quer pela quentura dos dias de estio prolongado ou pela secura das terras. Também pelo matagal que invade a outrora verde e apetecível paisagem, hoje núcleos de canaviais, giestas e urzes em área urbana, permanente perigo e convite a tendências desviantes e às canas de foguetes que teimam cair nos arraiais, sem esquecer a queima de matos. Retrato público de desleixo de quem deveria zelar pelo cumprimento da lei.
Todo o país vive em alerta, após a “silly season”, numa espécie de “stupid season” que é o tempo eleitoral. Basta abrirmos ou lermos on line um periódico, e não um qualquer jornal, para somarmos o rol de promessas agora desenterradas, somarmos a abundância de dinheiros (os cofres estão cheios, lembram-se?), os cuidados futuros com os idosos que se viram roubados e relegados para a Pobreza, o apelo ao regresso das gerações emigrantes, adejando no lenço branco da paz o oásis do emprego, da recuperação e da normalidade daquele que há-de ser o décimo país mais competitivo do mundo. Isto quando um em cada cinco portugueses ganha 505,00 € ao mês. Sem descontos!
Sentado a uma mesa bem posta, bem regada, ambiente chique q. b., com um saco de laranjas – talvez espanholas – alguém pedia e suplicava, “um resultado inequívoco para resolver o problema das pessoas”. Com toda a sinceridade que me assiste espero mesmo que tenha um resultado inequívoco… Bem dizia o Eça, sempre ele, que “entre nós, a mentira é um hábito público”.
Mais do que amarelo é vermelho o alerta que nos dá esta Europa de hoje, a União que muros de quilómetros divide, a União que lucra e enriquece à custa dos parceiros mais pobres, a União que afasta os que migram, filhos dos resultados de políticas externas da própria Europa em aliança com os EUA.
É kafkiano que as decisões de um país, a vida das pessoas de um país, dependam de um parlamento dito europeu. Afinal para que elegemos nós quem queremos que governe, que sentido têm as profissões como a dos pescadores que param oito meses num ano para cumprir quotas, quando a nossa zona económica é a maior e vendo os pescadores espanhóis pescar e aqui vir descarregar o pescado.
- É meter-se a gente num ónibus que leva aos empregos.”
Eça de Queirós,
in “Uma campanha alegre”
Temos estado em permanente alerta amarelo quer pela quentura dos dias de estio prolongado ou pela secura das terras. Também pelo matagal que invade a outrora verde e apetecível paisagem, hoje núcleos de canaviais, giestas e urzes em área urbana, permanente perigo e convite a tendências desviantes e às canas de foguetes que teimam cair nos arraiais, sem esquecer a queima de matos. Retrato público de desleixo de quem deveria zelar pelo cumprimento da lei.
Todo o país vive em alerta, após a “silly season”, numa espécie de “stupid season” que é o tempo eleitoral. Basta abrirmos ou lermos on line um periódico, e não um qualquer jornal, para somarmos o rol de promessas agora desenterradas, somarmos a abundância de dinheiros (os cofres estão cheios, lembram-se?), os cuidados futuros com os idosos que se viram roubados e relegados para a Pobreza, o apelo ao regresso das gerações emigrantes, adejando no lenço branco da paz o oásis do emprego, da recuperação e da normalidade daquele que há-de ser o décimo país mais competitivo do mundo. Isto quando um em cada cinco portugueses ganha 505,00 € ao mês. Sem descontos!
Sentado a uma mesa bem posta, bem regada, ambiente chique q. b., com um saco de laranjas – talvez espanholas – alguém pedia e suplicava, “um resultado inequívoco para resolver o problema das pessoas”. Com toda a sinceridade que me assiste espero mesmo que tenha um resultado inequívoco… Bem dizia o Eça, sempre ele, que “entre nós, a mentira é um hábito público”.
Mais do que amarelo é vermelho o alerta que nos dá esta Europa de hoje, a União que muros de quilómetros divide, a União que lucra e enriquece à custa dos parceiros mais pobres, a União que afasta os que migram, filhos dos resultados de políticas externas da própria Europa em aliança com os EUA.
É kafkiano que as decisões de um país, a vida das pessoas de um país, dependam de um parlamento dito europeu. Afinal para que elegemos nós quem queremos que governe, que sentido têm as profissões como a dos pescadores que param oito meses num ano para cumprir quotas, quando a nossa zona económica é a maior e vendo os pescadores espanhóis pescar e aqui vir descarregar o pescado.
Qual é a lógica, porquê o agachamento e a
troco de quê? Que políticas de mar se combinam hoje para vigorar em
2020?
Por isso é tão importante não ouvir as promessas de último suspiro mas analisar o quanto perdemos e recuámos num espaço de tempo racionalmente curto.
Não me incomoda que algum fedorento me chame de “peste grisalha”.
Já me incomoda mais que conhecidos vultos, cujos actos foram lesivos ao interesse público e estejam sob alçada do Ministério Público ou “ad judicia”, continuem a ser figurões públicos, candidatos, interlocutores de debates.
O que me incomoda em absoluto é ver a geração de jovens sem horizonte, seja no ensino, nas artes, na saúde, em qualquer mister e a geração dos meus netos e de todos os netos deste país com um enorme ponto de interrogação como meta de futuro.
Se podemos mudar, claro que sim, e com um resultado inequívoco!
Por isso é tão importante não ouvir as promessas de último suspiro mas analisar o quanto perdemos e recuámos num espaço de tempo racionalmente curto.
Não me incomoda que algum fedorento me chame de “peste grisalha”.
Já me incomoda mais que conhecidos vultos, cujos actos foram lesivos ao interesse público e estejam sob alçada do Ministério Público ou “ad judicia”, continuem a ser figurões públicos, candidatos, interlocutores de debates.
O que me incomoda em absoluto é ver a geração de jovens sem horizonte, seja no ensino, nas artes, na saúde, em qualquer mister e a geração dos meus netos e de todos os netos deste país com um enorme ponto de interrogação como meta de futuro.
Se podemos mudar, claro que sim, e com um resultado inequívoco!
Maria Teresa Góis
terça-feira, agosto 04, 2015
a origem da palavra LARÁPIO
Segundo consta....
Na Roma dos Césares havia um cônsul da Cirenaica de nome Lucius Amarus
Rufus Apius, que gozava de grande popularidade pelas suas preclaras
virtudes cívicas e morais.
Mas, como neste mundo não há nada perfeito, também Lucius Amarus Rufus Apius tinha um pequeno defeito, aliás bastante comum nos homens públicos dos nossos dias e que consistia em confundir muito a miúdo o património alheio com o próprio.
Por isso, quando alguém era apanhado em flagrante delito de apropriação, o criminoso era comparado a Lucius Amarus Rufus Apius.
Mas, como neste mundo não há nada perfeito, também Lucius Amarus Rufus Apius tinha um pequeno defeito, aliás bastante comum nos homens públicos dos nossos dias e que consistia em confundir muito a miúdo o património alheio com o próprio.
Por isso, quando alguém era apanhado em flagrante delito de apropriação, o criminoso era comparado a Lucius Amarus Rufus Apius.
fonte:net
domingo, agosto 02, 2015
Em lume brando
“O oportunismo é, porventura, a maispoderosa de todas as tentações…”
Agostinho da Silva
Em plena “silly season”, a morrinha húmida que vai caindo transforma o ar numa sauna abafada, doentia. O dia cinzento não lembra o Verão e os pássaros, sempre tão esvoaçantes e ruidosos, andam nas bagas de folhado, nas amoras túrgidas precocemente adocicadas por este tempo quente. Pesa na atmosfera uma natureza adormecida…
Agostinho da Silva
A folha pautada do bloco, ainda em branco, tem de ser preenchida.
Em plena “silly season”, a morrinha húmida que vai caindo transforma o ar numa sauna abafada, doentia. O dia cinzento não lembra o Verão e os pássaros, sempre tão esvoaçantes e ruidosos, andam nas bagas de folhado, nas amoras túrgidas precocemente adocicadas por este tempo quente. Pesa na atmosfera uma natureza adormecida…
Já a noite se enche de sons. Neste fim-de-semana toda a Ilha borbulha
e se agita, sacode e remexe, em eventos de Verão, sem horas nem tempo
que não seja o das férias, o da cerveja ou mesmo o do engate.
Engatados estarão os governos; o regional porque nem passou, em cem
dias, pelo estado de graça e o nacional porque não sai do estado da
desgraça. É também engate o assédio político e tendencioso dos
telejornais, debates, mesas redondas e afins. O tempo eleitoralista
promete horizontes risonhos, fartos, filhos de cofres cheios e pleno
emprego. Os pobres deixam essa qualidade e passam a remediados
temporários da ilusão, os desempregados dependem dos fundos europeus, da
falácia política, das estatísticas balanceadas e anedóticas.
Charlot dizia “Somos todos amadores. Não vivemos o suficiente para podermos ser outra coisa.” Grande lição!
Agosto depressa passará porque este ano “outros valores mais altos se
levantam” e adivinho que o tempo de descanso se converterá num tempo de
bravatas e liças de oratórias cheias de energia.
É capaz de encapotar mais um desaire, já iniciado, na colocação de
professores, fará esquecer que este governo tenciona gastar, dar do que é
de todos, cinquenta e três (53) milhões ao ensino privado, afogando
ainda mais a Escola Pública na qual prevalece a austeridade com redução
de estabelecimentos, de professores de ensino especial, aumento de
número de alunos por turma, falta dos mínimos exigíveis à eventual
higiene, constrangimentos de verbas nas cantinas que deveriam assegurar
refeições equilibradas e saudáveis, para além do espectro da dispensa do
pessoal dito excedente.
Da saúde temos as notícias nos casos do dia e da semana e apenas
refiro que li, hoje, que 15% das sete (7) milhões de receitas prescritas
não são levantadas nas farmácias. E quantas serão aviadas pela metade?
Na ética do país sucedem-se os casos, avolumam-se na enorme
secretária de um super juiz, vão alimentando capas de periódicos e
pasquins, notícias bombásticas na televisão. E seria este o tal período
de silly season…
Resta-me a esperança de que o povo não é insensível nem tapado e se o
oportunismo não for a mola poderosa das intenções, havemos de dar a
volta e ressurgir na estação mais bela do ano que é o Outono, porque
mais colorida e poética.
Maria Teresa Góis
quarta-feira, julho 29, 2015
Foi encontrado monge mumificado com 200 anos que poderá estar em meditação profunda!
O corpo do monge foi encontrado muito bem preservado na Mongólia, e os estudiosos budistas garantem que este não está morto, mas sim em transe!

Um académico budista diz que um monge com 200 anos encontrado na Mongólia, cujo corpo está muito bem preservado, não está morto mas sim num estado de transe meditativo. De acordo com o jornalSiberian Times, o budista Barry Kerzin, consultor do Dalai Lama, afirma que o monge se encontra num estado de tuksam, um transe profundo.
O corpo do monge foi encontrado no norte da Mongólia, na posição de lótus e vestido com peles de animais. Especula-se, segundo a BBC, que a preservação do corpo se deva ao clima frio da Mongólia e ao que o monge vestia.

Os estudiosos budistas propõem uma alternativa, porém: que o corpo esteja preservado porque o monge está vivo, encontrando-se em tuksam, um estado de transe que pode levar uma pessoa a alcançar o estado de buda. “Se o meditador conseguir ficar neste estado de meditação, pode tornar-se um Buda. Chegar a um tal nível espiritual também vai ajudar as outras pessoas”, garantiu Kerzin ao jornal.
O monge, encontrado dia 27 de janeiro, foi descoberto pela polícia mongol numa caixa, tendo sido roubado por um homem que tinha intenções de o vender no mercado negro. Foi levado para o Centro Nacional de Perícia Forense, na Mongólia, onde está a ser guardado e analisado para compreender melhor como se conservou durante tanto tempo.

Não se sabe quem é o homem, embora haja suspeitas de que seria um Lama, um professor do budismo tibetano. Foi sugerido, segundo o jornalThe Independent, que poderá tratar-se de um professor do budista Itigilov, nascido em 1852, que morreu em 1927 enquanto meditava. O corpo de Itigilov foi exumado em 1955 e 1973 e, de acordo com relatos da época, permanecia na posição de lótus e muito bem conservado. Em 2002 o corpo voltou a ser exumado e encontrava-se, segundo uma reportagem da época publicada no New York Times, ainda preservado.
fonte:net
domingo, julho 05, 2015
Entre aflitos e aliviados
“Em Portugal, as pessoas são imbecis ou por vocação, ou por coacção, ou por devoção.”
Miguel Torga, Diários 1948
Miguel Torga, Diários 1948
Poucos foram os que não reagiram aos “alívios” de um magistrado da Nação,
sobre a privatização da TAP. O que para a maioria é sinal de discórdia e aflição é assim um lenitivo para outros. Mas não foi o único alívio ou invocação já que em Maio de 2013 atribuía a Nossa Senhora de Fátima o bom termo da 7ª avaliação da troika para em Abril passado agradecer a Deus a rede de instituições de solidariedade e cantinas take-away sociais que possuímos, graças a pobreza gerada por políticas cegas.
Neste país é moda aliviar os serviços públicos a favor dos privados, a preço da pataca, fazendo o eco um vice que corre mundo, graças aos contribuintes, falando no nome de Portugal e gritando “vender, vender, vender”. Outro personagem que se sentiu aliviado em Fevereiro de 2003 atribuindo à Senhora de Fátima o facto da maré negra do “Prestige” ter escolhido as costas espanholas em vez das portuguesas.
Também a ministra da agricultura num período de seca invocou poderes divinos esperando que chovesse; mas logo acrescentou de que persistiria na sua fé apesar da canícula.
Podemos então concluir que a maioria da classe política não acredita nas suas aptidões de simples humanos e, quando mais lhe convém, banaliza o que deve ser de foro íntimo.
- Em Espanha vigora desde o dia 01 deste mês a lei que os nuestros hermanos apelidam de “lei da mordaça” e que consiste numa série de restrições. Não se pode fotografar polícias (lembram-se de Guimarães, no futebol?), não há manifestações em frente ao parlamento, não se pode impedir um despejo selvagem de uma família infeliz a quem o Estado tira a habitação coercivamente, não se pode protestar em varandas de prédios ou terraços, não se pode opor resistência às forças policiais sentando-se pacificamente no chão e também não se pode incitar, nas redes sociais, ao protesto ou à manifestação. Deve haver mais alíneas de certeza pois o instinto fascista-liberal não se contenta com meias dúzias.
Será que dará tempo, até ao fim da legislatura, que se aprove em Portugal lei similar?
- Não sei qual será o resultado do referendo na Grécia. Sei que me sinto mais grega que portuguesa, neste momento.
Dos 240 mil milhões que a Grécia recebeu ao longo de anos de intervenção, apenas pôde aplicar 10% nas suas reformas internas e dinamização económica porque o restante capital alimentou bancos estrangeiros e pagou juros usurários a instituições.
Hoje, e ainda que digam que o governo grego recuou, é a Europa que se aflige, que treme, que faz contas, são os dirigentes europeus que temem dizer nos seus países o quanto custará a capitulação da Grécia. Chamar recuo à salvaguarda dos direitos de um povo, é vergonhoso.
E nas notícias diárias vemos quem cede e recua, oferendo prolongamentos, perdões, taxas acessíveis, mudando a voz grossa da infantilidade para uma voz mais serena de maturidade.
Lá como cá, os povos não devem estar de joelhos perante políticas que não servem a democracia ou o voto. Não é possível deitar um país abaixo em quatro meses ou em seis anos.
É preciso desenrolar a História e reconhecer os erros.
Maria Teresa Góis
domingo, junho 07, 2015
Cortesias e chapeladas
“Nunca se mente tanto como em vésperas de eleições, durante a guerra e depois da caça.”
Otto Bismarck
Otto Bismarck
Ao fim de quase quatro anos e a escassos meses de eleições, o primeiro ministro de Portugal descobriu a Madeira.
Com o amigo Miguel no poder e fora dos venenos de Alberto João Jardim, sentiu-se em segurança para visitar uma parte do país que, década a década, tem sido a sala de chutos do seu partido. Só assim se chega às verbas astronómicas regionais de sinal menos que são do conhecimento público. E, sem qualquer pejo, diz nunca ter sido convidado. E desde quando um político consciente precisa de convite para visitar o país? Convites são para as queijarias…
Mas ei-lo, bem-disposto, cheio de consensos, de novidades. A Madeira tremeu? Não, os sismos tinham-se verificado dias antes lá para as bandas das Desertas e nem sequer os sentimos!
Começo pelos transportes. Por mar: comissão de análise para lançar um concurso público internacional. Não tem o Governo Regional capacidade de diálogo e de o fazer poupando uns bons milhares à Madeira? Enquanto o pau vai e volta, podemos esquecer o curto, talvez mesmo o médio prazo. Por ar: tarifas de ida e volta inferiores a 90 €. Compreendem as taxas, as bagagens, a futura privatizada TAP será obrigada com a mesma frequência a este serviço público? Será o Governo Regional a suportar, tal como nos Açores, o diferencial de custo? Ninguém sabe, mesmo que todos os Madeirenses sonhem. Ou seja, todas estas decisões poderão cair de bandeja no regaço de um próximo governo que poderá não ser do mesmo quadrante político. Assim é fácil, é como o crente que faz as promessas à espera de primeiro ver realizado o pedido e só depois o paga.
O Hospital tão necessário, tão prioritário, apesar dos cofres cheios, é mais um assunto para a futura legislatura que há-de, depois, conhecer outros argumentos adiáveis.
Os juros da dívida regional mantêm-se sem apelo nem agravo, apesar das taxas correntes serem bem mais baixas. E que dizer do IVA, que tanto onerou a vida de todos os madeirenses? Do subsídio de insularidade, vigente nos Açores, que aqui caiu em buraco fundo?
Mas, apesar de tudo, vamos ter “casório” com direito a fraque e chapéu alto. Tudo o que o CDS tem vindo a defender, a apontar, a criticar, ao longo dos últimos anos, virou acordo pré-nupcial. Talvez seja essa a única maneira de certas figuras ambiciosas e contestadas, terem lugar na Assembleia da República.
E o líder do CDS ainda hoje (dia 04) afirmou “não querer regressar ao passado da dívida do governo Sócrates e dos governos Socialistas.” Será que a dívida do país é menor, será que os portugueses estão melhor, será que a canga da austeridade virá a ser menor? E aconselho, a quem tenha dúvidas, pesquisar como nasceu e aumentou essa dívida rolante, mesmo antes do último governo.
Portugal perdeu todas as empresas chave, toda a economia independente. Hoje estamos na mão de estrangeiros e há várias gerações obrigadas a ir para o estrangeiro. Os que cá ficaram sujeitos às leis liberais aprovadas, sofrem a incerteza da condição digna de vida, da certeza de continuidade de um emprego. Os que o têm.
O país não está melhor não. A classe política reinante talvez, ainda que o PR e a ministra das Finanças se queixem dos magros e esticados salários auferidos.
Com o amigo Miguel no poder e fora dos venenos de Alberto João Jardim, sentiu-se em segurança para visitar uma parte do país que, década a década, tem sido a sala de chutos do seu partido. Só assim se chega às verbas astronómicas regionais de sinal menos que são do conhecimento público. E, sem qualquer pejo, diz nunca ter sido convidado. E desde quando um político consciente precisa de convite para visitar o país? Convites são para as queijarias…
Mas ei-lo, bem-disposto, cheio de consensos, de novidades. A Madeira tremeu? Não, os sismos tinham-se verificado dias antes lá para as bandas das Desertas e nem sequer os sentimos!
Começo pelos transportes. Por mar: comissão de análise para lançar um concurso público internacional. Não tem o Governo Regional capacidade de diálogo e de o fazer poupando uns bons milhares à Madeira? Enquanto o pau vai e volta, podemos esquecer o curto, talvez mesmo o médio prazo. Por ar: tarifas de ida e volta inferiores a 90 €. Compreendem as taxas, as bagagens, a futura privatizada TAP será obrigada com a mesma frequência a este serviço público? Será o Governo Regional a suportar, tal como nos Açores, o diferencial de custo? Ninguém sabe, mesmo que todos os Madeirenses sonhem. Ou seja, todas estas decisões poderão cair de bandeja no regaço de um próximo governo que poderá não ser do mesmo quadrante político. Assim é fácil, é como o crente que faz as promessas à espera de primeiro ver realizado o pedido e só depois o paga.
O Hospital tão necessário, tão prioritário, apesar dos cofres cheios, é mais um assunto para a futura legislatura que há-de, depois, conhecer outros argumentos adiáveis.
Os juros da dívida regional mantêm-se sem apelo nem agravo, apesar das taxas correntes serem bem mais baixas. E que dizer do IVA, que tanto onerou a vida de todos os madeirenses? Do subsídio de insularidade, vigente nos Açores, que aqui caiu em buraco fundo?
Mas, apesar de tudo, vamos ter “casório” com direito a fraque e chapéu alto. Tudo o que o CDS tem vindo a defender, a apontar, a criticar, ao longo dos últimos anos, virou acordo pré-nupcial. Talvez seja essa a única maneira de certas figuras ambiciosas e contestadas, terem lugar na Assembleia da República.
E o líder do CDS ainda hoje (dia 04) afirmou “não querer regressar ao passado da dívida do governo Sócrates e dos governos Socialistas.” Será que a dívida do país é menor, será que os portugueses estão melhor, será que a canga da austeridade virá a ser menor? E aconselho, a quem tenha dúvidas, pesquisar como nasceu e aumentou essa dívida rolante, mesmo antes do último governo.
Portugal perdeu todas as empresas chave, toda a economia independente. Hoje estamos na mão de estrangeiros e há várias gerações obrigadas a ir para o estrangeiro. Os que cá ficaram sujeitos às leis liberais aprovadas, sofrem a incerteza da condição digna de vida, da certeza de continuidade de um emprego. Os que o têm.
O país não está melhor não. A classe política reinante talvez, ainda que o PR e a ministra das Finanças se queixem dos magros e esticados salários auferidos.
Maria Teresa Góis
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