Hoje obrigatório, o sobrenome era um privilégio até o fim da Idade Média no Ocidente. Apenas nobres tinham um complemento oficial ao nome próprio, geralmente ligado à região em que eram soberanos.Mas, conforme a população começou a aumentar e circular, um nome só (ainda que composto) não era mais suficiente para distinguir os plebeus, e o povo passou a ser identificado também por seu ofício, origem, fortuna, físico, personalidade. Para ficar em exemplos portugueses, foi assim que surgiram sobrenomes como Ferreiro, Lisboa, Rico, Longo, Valente etc. Aos poucos o hábito se disseminou e foi sendo passado para as novas gerações. Em 1370, já se encontra a palavra “sobrenome” em documentos oficiais de diversos países. A partir daí, a diferença passou a ser a maneira de usar.
quinta-feira, dezembro 03, 2009
quarta-feira, dezembro 02, 2009
Greenpeace faz futurologia com líderes mundiais
Painéis colocados no aeroporto de Copenhaga mostram os líderes mundiais daqui a dez anos, pedindo desculpas por não terem agido enquanto podiam deter as alterações climáticas. A campanha de sensibilização é da autoria da Greenpeace e da 'tcktcktck.org', uma aliança de organizações ambientalistas.Este apelo à acção chega poucos dias antes do início da Cimeira de Copenhaga e tem, segundo o site da Greenpeace, o objectivo de "assegurar um acordo justo, ambicioso e vinculativo" entre os dirigentes das principais potências, incentivando-os a assumir as suas responsabilidades para com o meio ambiente numa altura em que ainda é possível atenuar o impacto da mudança do clima.
José Luis Rodríguez Zapatero, Nicolas Sarkozy, Barack Obama, Angela Merkel, Gordon Brown e Lula Da Silva são alguns dos rostos envelhecidos, surgindo ao lado da legenda que, em português, significará algo semelhante a: "Lamento. Podíamos ter detido uma alteração climática catastrófica... não o fizemos." Nos painéis consta ainda o repto à acção:"Age agora - muda o futuro".
fonte:DN
A Maior flor do mundo ...Tem 2 metros de altura e pesa 75 quilos.
Amorphophallus titanum (Araceae), também chamada a "flor cadáver", é muito peculiar, pois floresce apenas durante três dias a cada 40 anos, um privilégio que a mãe Natureza concedeu á cidade de Veracruz-México.
"Penso, logo existo"
Virar a cabeça ao encontro de um som repentino, é natural.
E pensar?
O acto de pensar é tão natural e espontâneo que…nem pensamos que estamos a pensar.
O raciocínio será a ginástica do pensamento. Digo isto, numa visão leve e actual, porque o raciocinar se banalizou, numa sociedade que quer parecer, sem o ser.
Ghiraldelli afirma:" o que é incómodo não é inútil, pois faz a diferença – uma boa diferença".
Mas se pensamos inconsequentemente também o fazemos com senso, numa acção que nos é ditada pela vida quotidiana, sem filosofia alguma.
Kant dizia que "não há filosofia que se possa aprender, só se aprende a filosofia".
Concluo, pois, que se respirar é natural, se pensar é natural, filosofar é, também, natural.
Mas diante da evolução tecnológica, do imediato da internet, de um ego cada vez mais introvertido, egoísta, menos conversador, haverá espaço para o pensamento?
Li, não sei onde, que quando uma criança de dois, três anos, faz aos pais ou educadores uma pergunta de que ela mesma conhece a resposta, que isso é filosofia.
A novíssima linguagem da net e telemóveis não exige pensamento mas apenas memorização. Será uma forma de filosofia? Penso que sim: é a simplificação da comunicação e do entendimento.
Mas há, tem de haver, espaço para o pensador, para o pensamento preparado, elaborado, dependente da aplicação de capacidades: agilidade mental, curiosidade, estudo, agilidade expressiva e comunicativa.
E por aqui fica a minha cogitação – a humanidade está salva: pensa e filosofa!
Maria Teresa S T Góis
28/11/09
terça-feira, dezembro 01, 2009
o sobrinho favorito nº2 e a brigada do reumático
Ainda há boas surpresas e, estes últimos dias têm sido felizes. Ontem com a visita de um querido Amigo (aqui não ilustrado), hoje com o meu sobrinho favorito nº2, o Bruno, vindo da Venezuela para visita relâmpago, acompanhado pela protecção residente da "brigada do reumático". Só não percebo porque raio meu marido, Luís, ficou com uma pala branca no olho...Partida do Bruno!

O novo génio da pintura tem 7 anos e chama-se Kieron
A pontualidade é britânica, diz o senso comum. Mas nem sempre os fiéis de sua majestade estão à altura da tradição. Michelle Williamson que o diga. Depois de deixar o filho Kieron na escola, correu para a galeria de arte onde iam ser vendidas as primeiras aguarelas da criança de 7 anos. Em vez de chegar às nove em ponto, atrasou-se 15 minutos. Tempo mais que suficiente para que as 16 aguarelas fossem vendidas por 18 mil euros. Os compradores eram de países tão diferentes como o Japão ou a Alemanha. "Foi incrível. A venda acabou antes de começar. Já tive vendas rápidas, mas nunca como esta", disse Adrian Hill, responsável da galeria Picturecraft, em Holt. As aguarelas, que estariam em exposição durante um mês, retratam barcos, igrejas e paisagens rurais. Na melhor da hipóteses, pensava-se que todos os quadros chegariam aos mil euros.
A rapidez da venda apanhou todos de surpresa, mas há uma razão simples: com 7 anos ninguém pinta com tanta perfeição. O talento de Kieron já foi comparado ao de Picasso. "Acredito que a última criança artista com este talento foi Picasso. Kieron está a melhorar a cada dia, e a rapidez com que aprende é impressionante. Ele domina certas técnicas que muitos artistas demoram anos a aperfeiçoar", disse Adrian ao "The Observer".
Quando Kieron Williamson começou a desenhar, fazia os mesmos rabiscos impercetíveis que os colegas da escola. No ano passado, contou a mãe aos jornalistas, ele não desenhava bem e eram os pais que faziam dinossauros para ele colorir. Tudo mudou numas férias. A família fez as malas e partiu para as regiões litorais de Devon e da Cornualha. A criança gostou tanto das paisagens e dos barcos que pediu aos pais que lhe comprassem papel e tintas. Quando regressou a Holt, Carol Ann Pennington, amiga da família, que é artista, viu o talento da criança e ofereceu-se para lhe dar aulas. Todos ficaram surpreendidos com com a selecção de cores, a noção de perspectiva e a sensibilidade para sombras, nada comum numa criança dessa idade. "Gosto de pintar porque é divertido e inspirador. Faz-me pensar em sítios que não posso ver", explicou Kieron.
Truque de marketing? Génios de palmo e meio não são notícias raras. Em 2004, Marla Olmstead com apenas 3 anos revolucionou as galerias de arte ao usar uma técnica expressionista abstracta semelhante a de Jackson Pollock. Anos mais tarde, descobriu-se que a criança pintava porque os pais a obrigavam. A australiana Aelita André, de 2 anos, tornou-se conhecida este ano por vender quadros a mil euros e expor em várias galerias de Melbourne. Mas na realidade, os autores eram os pais. Quanto ao talento de Kieron, também se levantam algumas dúvidas. Keith, pai da criança, é dealer de arte e todos se questionam como é que de um ano para o outro a criança deixou de fazer rabiscos e passou para as aguarelas. Já os clientes que lutaram pelas obras no leilão não parecem preocupados com isso. fonte: jornal i
Dia Mundial da Luta Contra a SIDA
Calcula-se que as primeiras infecções ocorreram em África nos anos 30, porém, o primeiro registo de uma morte por SIDA remonta a 1976, quando uma médica dinamarquesa contraiu a doença no Zaire (República Democrática do Congo). No entanto só quatro anos mais tarde é que começaram a aparecer casos inexplicáveis de doenças oportunistas em homossexuais já contaminados nos EUA.
A descoberta do vírus aconteceu em 1983 e foi atribuída ao francês Luc Montagnier do Instituto Pasteur em Paris e ao americano Robert Gallo, do Instituto de Virulogia Humana da Universidade de Maryland nos EUA.
As estimativas da ONUSIDA (Programa das Nações Unidas para o combate à SIDA) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o VIH-SIDA, indicam que existem actualmente cerca de 40 milhões de pessoas em todo o mundo infectadas com o vírus da SIDA. Estes números são, porém, apenas uma estimativa conservadora, já que, de acordo com o relatório epidemiológico do VIH-SIDA de 2006, apenas 10% das pessoas infectadas conhecem o seu estatuto serológico.
O VIH é um vírus bastante poderoso que, ao entrar no organismo, se introduz no sistema sanguíneo, onde começa de imediato a replicar-se, atacando o sistema imunológico, destruindo as células defensoras do organismo (os Linfócitos T4), deixando a pessoa infectada mais debilitada e sensível a outras doenças, as chamadas doenças oportunistas.
Esta doença, na fase final de evolução, provoca uma diminuição total da capacidade do organismo de resistir a infecções, mesmo as mais simples e mais correntes, tornando-as tão graves e tão difíceis de tratar, que acabam por levar à morte.
A transmissão pode acontecer de variadas formas: relações sexuais, contacto com sangue infectado e também de mãe para filho (durante a gravidez, parto ou amamentação).
A epidemia de SIDA é dramática em África e em Moçambique em particular. Uma crescente proporção de Moçambicanos está a ficar infectada com VIH, calcula-se que 16% da população está contaminada. De acordo com os dados existentes, o VIH-SIDA em Moçambique afecta diariamente mais de 700 pessoas.
São os adolescentes aqueles que estão em maior risco de contrair o VIH-SIDA, devido à falta de conhecimento sobre como prevenir a infecção, pressão dos pares e comportamento de risco.
Em 2006, cerca de 99.000 crianças com menos de 15 anos viviam com VIH-SIDA, sendo que a maioria destas tinha menos de 5 anos de idade. Calcula-se que até 2010, o número aumente para 121.000.
Estima-se que o VIH-SIDA, caso não venha a ser entretanto controlado, fará reduzir a actual Esperança Média de Vida de 42,5 para 39,9 anos até 2010.
A causa do nosso feriado de hoje -01 Dezembro 1640
Restauração da Independência de Portugal |
A Restauração foi um movimento histórico que levou Portugal à independência no 1 de Dezembro de 1640. A morte de D. Sebastião (1557-1578) em Alcácer-Quibir, apesar da sucessão do Cardeal D. Henrique I (1578-1580), deu origem a uma crise dinástica. Nas Cortes de Tomar de 1580, Filipe II de Espanha é aclamado rei de Portugal (Filipe I de Portugal). | Filipe I e os seus sucessores, Filipe II e Filipe III, não respeitaram o que tinha ficado combinado nas Cortes de Tomar. Os impostos aumentavam; a população empobrecia; os burgueses ficavam afectados nos seus interesses comerciais; a nobreza estava preocupada com a perda dos seus postos e rendimentos; o império português era ameaçado por Ingleses e Holandeses e os reis filipinos nada faziam. |
Durante sessenta anos Portugal sofreu o domínio filipino. No dia 1 de Dezembro de 1640, os Portugueses restauraram a sua independência e D. João IV foi aclamado rei de Portugal. Assim se iniciou a 4.ª Dinastia. |
segunda-feira, novembro 30, 2009
Hoje, em Lisboa
No decurso da XIX Cimeira Ibero-americana de Chefes de Estado e de Governo, nove activistas da Greenpeace penduram na Torre de Belém dois banners com 75m2 com o lema: "O nosso clima, a vossa decisão".
Cientistas estudam a hormona da bondade
Já se sabia que uma hormona chamada oxitocina desempenha um papel importante na gestão dos afectos, mas cientistas norte-americanos descobriram agora que também influencia a nossa capacidade de compreender e identificarmo-nos com as emoções dos outros - um traço fundamental do que é geralmente definido como bondade.Há muito tempo que os cientistas estudam a forma como a oxitocina influencia o comportamento humano. Sabe-se que esta hormona, produzida no cérebro, desempenha um papel importante no parto e na amamentação, ajudando a mãe a relacionar-se com o bebé, por exemplo (ver caixa). Mas novos estudos sugerem que pode também influenciar os pilares da civilização: a capacidade de simpatizar e confiar nos outros. E que nem todos reagem da mesma maneira a esta hormona.
Uma investigação publicada na revista Proceeding of the National Academy of Sciences mostra que as diferenças genéticas na resposta aos efeitos desta hormona estão ligadas à capacidade de ler expressões faciais, compreender as emoções e sentir empatia pelos outros. O estudo, que incluiu 200 estudantes, descobriu três combinações genéticas possíveis, já que todos os humanos recebem uma cópia do gene em causa de cada progenitor. E os resultados mostram que um dos grupos reagiu melhor aos testes de empatia e aos testes de stress.
Por isso, as pessoas que produzem esta hormona em maior quantidade ou que são geneticamente mais sensíveis aos seus efeitos acabam por ser mais "boazinhas". Diferenças que existem a um nível muito mais profundo e independentemente da educação e dos factores culturais.
"Somos todos diferentes e isso é bom", diz uma das autoras do estudo, Sarina Rodrigues. "Se todos fossemos melosos e amorosos, o mundo seria um sítio muito desagradável", conclui.
No entanto, a cientista salienta que é preciso cuidado. "Também fiz o teste e embora não esteja naquele grupo [dos mais bonzinhos], gosto de pensar que sou uma pessoa que se preocupa com as outras. Mas estes estudos ajudam-nos a perceber que alguns de nós nascem com a tendência para serem mais empáticos do que outros", disse.
No entanto, a oxitocina não é uma ferramenta mágica para transformar qualquer pessoa num bom samaritano. Noutro estudo publicado no início do mês, Simone Shamay-Tsoory, da Universidade de Haifa, em Israel, relatou uma experiência que mostra outra vertente desta hormona. Participantes num jogo foram postos frente a frente com o adversário que consideravam mais arrogante. Foi-lhes dada então um dose de oxitocina, através de um spray nasal. E verificou-se que os sentimento de inveja quando o adversário ganhava ou de satisfação quando perdia eram amplificados. No geral, no entanto, os cientistas acreditam que esta hormona é mais importante no reforço dos sentimentos positivos do que dos negativos.
fonte DN Lisboa
20 razões
Ainda agora o Governo toma posse e já os arautos da desgraça dizem que "isto não vai dar certo". Este é um defeito bem português: falar antes do tempo. Geralmente para deitar abaixo. Que diabo, dêem o benefício da dúvida a essa gente. Uns mesitos pelo menos.Para ele as 10 razões para amar Portugal são
1.O país dos queixumes (a doença mínima garantida)2. A falta de auto-estima (lá fora é que é)
3.O desinteresse pela cidadania (o Estado sao eles)4.A resistência à mudança (não fossem mexer na Lua!)
5.A mania dos doutores (é a terra da mula ruça)6.O caciquismo (ordens são ordens)
7.A burocracia (e se eu pagar urgência?)8.O desprezo pelo rigor (para quem é bacalhau basta)
9.A inveja por desporto (olha a grande avaria!)10. A impunidade da incúria (foi azar, paciência!)
e as 10 razões para amar Portugal
1.A tolerância e a delicadeza (dá-se um jeitinho)
2.O desenrascanço (não há problema!)3.O voluntarismo (acho eu de que!)
4.O verbo arranjar (onde foi que arranjaste?)5.A língua-pátria (o Camões é do caraças!)
6.A inocência (não acreditas?)7.Hospitalidade e generosidade (não faça cerimónia!)
8.As nossa crianças (Ó menino, sai da chuva!)9.Os comes e bebes (bebe-me aí essa pomada com o cozido!)
10.A paixão pelos versos (Ó Lua,que vais tão alta)
fonte: Fiat Lux
Vida e Morte de JESUS MAFA
As Imagens Mafa são um conjunto coerente de ilustrações do Evangelho africano. Elas permitem uma boa visualização dos textos bíblicos mas sob a perspectiva de um Deus negro. Se Cristo nasceu e viveu no Oriente Médio porque teria de ser um loiro de olhos claros? Qual o interesse de representá-Lo assim? Por outro lado porque teria de ser africano, ou amarelo? Essas representações apenas demonstram uma preocupação ideológica de dominação cultural. Na verdade o verdadeiro Deus não conseguiu romper ainda a simples barreira (simples?) da aparência e do mundo material dos humanos.
Procurei seleccionar algumas das imagens do Jesus Mafa, que representam as estações bíblicas.

domingo, novembro 29, 2009
Pergunta do dia
Foi reservado em Cascais a totalidade de um hotel para acolher todos os intervenientes.
Para o Presidente da República PORTUGUÊS estão resevados....20 (vinte) quartos, que inclui os dos assessores, protectores, seguranças e...MORDOMO.
Num Hotel de ***** (5) com serviço de room-service e todas as mordomias inerentes (os quartos custam entre 150 e 500 € só dormida), para que quererá o sr. Silva o mordomo?
Alguém que me responda pois posso entrar em parafuso!
Solidariedade com o Povo Palestiniano

As bombas deixaram de cair na Faixa de Gaza mas a actual situação de cessar-fogo é frágil. As declarações e discursos políticos de Israel não dão qualquer garantia de que novos massacres não voltem a acontecer. O espectro da reocupação de Gaza permanece actual, o criminoso bloqueio ao território mantém-se, tal como permanece a ocupação da Palestina, a construção dos colonatos, o muro de separação e o autêntico genocídio do povo palestiniano.
As bombas deixaram de cair mas a Paz não chegou ao Médio Oriente. Essa só terá lugar com o reconhecimento dos direitos nacionais do povo palestiniano, com o estabelecimento do Estado da Palestina nas fronteiras anteriores à guerra de ocupação de 1967, com capital em Jerusalém Leste. A luta continua por uma Palestina livre e independente!
Pelo Fim dos massacres do Povo Palestiniano
Pela investigação e processamento dos responsáveis israelitas pelos crimes de guerra e contra a Humanidade
Pelo Fim ao Bloqueio a Gaza – Pelo Fim à Ocupação da Palestina
Por uma Paz Justa e duradoura no Médio Oriente
fonte:Plataforma Portuguesa das Organizações não Governamentais para o Desenvolvimento
sábado, novembro 28, 2009
Darwin e a religião
por Anselmo Borges (DN,Lisboa)O próprio Darwin viveu a questão religiosa em perplexidade.
Ainda no contexto da dupla celebração neste ano de 2009 - 200 anos do nascimento de Charles Darwin e 150 anos da publicação de A Origem das Espécies -, fica mais uma reflexão sobre o tema em epígrafe.
Aquela história repetida - o bispo de Oxford, S. Wilberforce, perante enorme assistência a uma conferência, perguntou a Thomas Huxley, defensor de Darwin, se descendia do macaco pelo lado do avô ou pelo lado da avó; face à resposta, desconfortável para o bispo, uma senhora desmaiou e a mulher do bispo terá murmurado: "Só faltava esta: descender de macacos! Se for verdade, rezemos para que ninguém saiba" - não será completamente verdadeira, mas revela bem o abalo e a perplexidade causados pela tomada de consciência de que descendemos por evolução de outros animais.
Concretamente quanto à religião, é significativo que a obra de Darwin não tenha figurado no Índex (lista dos livros proibidos aos católicos). Por outro lado, Darwin foi sepultado com pompa na Abadia de Westminster, a alguns passos do túmulo de outro gigante da ciência, Newton.
Em 1996, o Papa João Paulo II declarou, perante a Academia Pontifícia das Ciências, que "a teoria da evolução é mais do que uma hipótese". E, para marcar os 150 anos de A Origem das Espécies, realizou- -se recentemente na Universidade Gregoriana de Roma um Congresso sobre "Evolução biológica, factos e teorias", patrocinado pelo Conselho Pontifício para a Cultura. Os organizadores fizeram questão de excluir os partidários do "criacionismo" e mesmo do "desígnio inteligente".
Há evolucionistas materialistas, ateus, mas também os há crentes. As relações só azedam, quando, de um lado e do outro, se ergue o fundamentalismo: cientista ou religioso. Ora, contra esse duplo fundamentalismo, é preciso saber que Deus não é objecto de ciência: cientificamente, não se demonstra nem que há Deus nem que Deus não existe. Deus é objecto de fé e há razões para acreditar como há razões para não acreditar.
Assim, é tão ridículo invocar o livro do Génesis, com o seu mito da criação, lido literalmente, para negar a evolução, como invocar a ciência para provar que não há Deus. O Génesis é um livro religioso e não científico e a ciência nega-se a si mesma, quando pretende pronunciar-se sobre questões da esfera metafísica e religiosa.
A evolução e a fé não são incompatíveis. A ciência responde ao "como" e não ao "porquê" da realidade. Porque há algo e não nada? Qual o sentido último da realidade? A própria afirmação do acaso cego confronta-se com o que se pode chamar o seu paradoxo: como é que por puro acaso surge um ser - o Homem - cuja questão fundamental é a do sentido.
Aliás, há o famoso "princípio antrópico", que não demonstra Deus, mas que dá que pensar. O físico R. Dicke apresentou-o, em 1961, na sua forma "fraca": "Uma vez que há nele observadores, o universo deve possuir propriedades que permitam a existência desses observadores". Depois, Brandon Carter apresentou-o na sua forma "forte": "O universo deve ser constituído de tal modo nas suas leis e na sua organização que não deixa de um dia produzir um observador". Mesmo se é menos justificável nesta forma "forte", há sempre esta pergunta: porque é que o mundo é como é, de tal modo que aparecemos nele, perguntando por ele e pelo seu sentido? De facto, a mínima variação nas suas condições iniciais faria com que não estivéssemos cá a colocar todas estas questões.
O próprio Darwin viveu a questão religiosa em perplexidade. Na sua Autobiografia, escreve que é extremamente difícil, ou melhor, impossível "conceber este imenso e maravilhoso universo, incluindo o homem, como sendo o resultado do acaso cego ou da necessidade. Quando começo a reflectir assim, sinto-me obrigado a recorrer a uma Causa Inicial que possua uma mente inteligente, até certo ponto análoga à mente do homem; e mereço ser chamado Teísta". Mas, depois, "surge a dúvida" e confessa: "Não posso pretender lançar qualquer luz sobre problemas tão abstrusos. O mistério do início de todas as coisas é insolúvel para nós; e por mim contento-me em permanecer Agnóstico."
Aquela história repetida - o bispo de Oxford, S. Wilberforce, perante enorme assistência a uma conferência, perguntou a Thomas Huxley, defensor de Darwin, se descendia do macaco pelo lado do avô ou pelo lado da avó; face à resposta, desconfortável para o bispo, uma senhora desmaiou e a mulher do bispo terá murmurado: "Só faltava esta: descender de macacos! Se for verdade, rezemos para que ninguém saiba" - não será completamente verdadeira, mas revela bem o abalo e a perplexidade causados pela tomada de consciência de que descendemos por evolução de outros animais.
Concretamente quanto à religião, é significativo que a obra de Darwin não tenha figurado no Índex (lista dos livros proibidos aos católicos). Por outro lado, Darwin foi sepultado com pompa na Abadia de Westminster, a alguns passos do túmulo de outro gigante da ciência, Newton.
Em 1996, o Papa João Paulo II declarou, perante a Academia Pontifícia das Ciências, que "a teoria da evolução é mais do que uma hipótese". E, para marcar os 150 anos de A Origem das Espécies, realizou- -se recentemente na Universidade Gregoriana de Roma um Congresso sobre "Evolução biológica, factos e teorias", patrocinado pelo Conselho Pontifício para a Cultura. Os organizadores fizeram questão de excluir os partidários do "criacionismo" e mesmo do "desígnio inteligente".
Há evolucionistas materialistas, ateus, mas também os há crentes. As relações só azedam, quando, de um lado e do outro, se ergue o fundamentalismo: cientista ou religioso. Ora, contra esse duplo fundamentalismo, é preciso saber que Deus não é objecto de ciência: cientificamente, não se demonstra nem que há Deus nem que Deus não existe. Deus é objecto de fé e há razões para acreditar como há razões para não acreditar.
Assim, é tão ridículo invocar o livro do Génesis, com o seu mito da criação, lido literalmente, para negar a evolução, como invocar a ciência para provar que não há Deus. O Génesis é um livro religioso e não científico e a ciência nega-se a si mesma, quando pretende pronunciar-se sobre questões da esfera metafísica e religiosa.
A evolução e a fé não são incompatíveis. A ciência responde ao "como" e não ao "porquê" da realidade. Porque há algo e não nada? Qual o sentido último da realidade? A própria afirmação do acaso cego confronta-se com o que se pode chamar o seu paradoxo: como é que por puro acaso surge um ser - o Homem - cuja questão fundamental é a do sentido.
Aliás, há o famoso "princípio antrópico", que não demonstra Deus, mas que dá que pensar. O físico R. Dicke apresentou-o, em 1961, na sua forma "fraca": "Uma vez que há nele observadores, o universo deve possuir propriedades que permitam a existência desses observadores". Depois, Brandon Carter apresentou-o na sua forma "forte": "O universo deve ser constituído de tal modo nas suas leis e na sua organização que não deixa de um dia produzir um observador". Mesmo se é menos justificável nesta forma "forte", há sempre esta pergunta: porque é que o mundo é como é, de tal modo que aparecemos nele, perguntando por ele e pelo seu sentido? De facto, a mínima variação nas suas condições iniciais faria com que não estivéssemos cá a colocar todas estas questões.
O próprio Darwin viveu a questão religiosa em perplexidade. Na sua Autobiografia, escreve que é extremamente difícil, ou melhor, impossível "conceber este imenso e maravilhoso universo, incluindo o homem, como sendo o resultado do acaso cego ou da necessidade. Quando começo a reflectir assim, sinto-me obrigado a recorrer a uma Causa Inicial que possua uma mente inteligente, até certo ponto análoga à mente do homem; e mereço ser chamado Teísta". Mas, depois, "surge a dúvida" e confessa: "Não posso pretender lançar qualquer luz sobre problemas tão abstrusos. O mistério do início de todas as coisas é insolúvel para nós; e por mim contento-me em permanecer Agnóstico."
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