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segunda-feira, dezembro 28, 2009

o livro que estou a ler (e a adorar...)


"Um romance que fala do deserto, dos oásis, das aldeias, de um mundo surpreendente e variegado.A riqueza e o fascínio da cultura árabe contada através das personagens, dos lugares, dos povos, mas também e sobretudo dos costumes, dos ritmos e dos ambientes. Transporta-nos para um mundo que parecia lonhínquo e inatingível:porque com a ajuda da consciência é possível uma ponte entre o Oriente e o Ocidente e encontrar a estrada da tolerância e da paz."

"Lontra Asiática" (um vídeo da minha filha Jordana)

Parque biológico da Lousã

Lisbon Airport on 23-12-2009

Construtora destrói geoglifo com 2400 anos no Peru



Um grande geoglifo com 2400 anos ficou gravemente danificado por causa dos trabalhos de uma construtora na costa central do Peru. A denúncia é feita por arqueólogos peruanos.
O geoglifo, um desenho geométrico com 500 metros de longitude, faz parte da zona arqueológica de Sacramento, onde se encontram centenas de geoglifos deixados pela antiga cultura Nazca (habitaram o Peru entre 300 e 400 A.C.).
Os danos causados são a consequência do trabalho de desmonte produzido para reabilitar várias estradas da região. Segundo a denúncia, 40% do campo milenar ficou danificado.

domingo, dezembro 27, 2009

Descobertas estátuas de Buda com 1400 anos

por Agência Lusa, Publicado em 27 de Dezembro de 2009 
Várias estátuas de Buda esculpidas na rocha há cerca de 1400 anos foram descobertas por arqueólogos na parte indiana de Caxemira, revelaram fontes oficiais da Índia.
Segundo as mesmas fontes, citadas pela agência IANS, as estátuas foram descobertas em Zanskar, uma região de maioria budista, e são parecidas com os famosos Budas destruídos no Afeganistão em Março de 2001 pelos talibãs numa região declarada património da Humanidade pela UNESCO.
Caxemira, a única região indiana de maioria muçulmana, é um território disputado pela Índia, Paquistão e China, país que Nova Delhi acusa de ocupar ilegalmente oito mil quilómetros na região.

Salvé ! Uma Amizade com 38 anos!


A Ironia

(Em toda a obra de Pessoa está presente uma ironia fundamental.)

«A ironia é o primeiro indício de que a consciência se tornou consciente.»

Muitos têm definido o homem, e em geral o têm definido em contraste com os animais. Por isso, nas definições do homem, é frequente o uso da frase «o homem é um animal...» e um adjectivo, ou «o homem é um animal que...» e diz-se o quê. «O homem é um animal doente», disse Rousseau, e em parte é verdade. «O homem é um animal racional», diz a Igreja, e em parte é verdade, «O homem é um animal que usa de ferramenta», diz Carlyle, e em parte é verdade. Mas estas definições, e outras como elas, são sempre imperfeitas e laterais. E a razão é muito simples: não é fácil distinguir o homem dos animais, não há critério seguro para distinguir o homem dos animais. As vidas humanas decorrem na mesma íntima inconsciência que as vidas dos animais. As mesmas leis profundas, que regem de fora os instintos dos animais, regem, também, de fora, a inteligência do homem, que parece não ser mais que um instinto em formação, cão inconsciente como todo instinto, menos perfeito porque ainda não formado.

«Tudo vem da sem-razão», diz-se na Antologia Grega. E, na verdade, tudo vem da sem-razão. Fora da matemática que não tem que ver senão com números mortos e fórmulas vazias, e por isso pode ser perfeitamente lógica, a ciência não é senão um jogo de crianças no crepúsculo, um querer apanhar sombras de aves e parar sombras de ervas ao vento.

E é curioso e estranho que, não sendo fácil encontrar palavras com que verdadeiramente se defina o homem como distinto dos animais, é todavia fácil encontrar maneira de diferençar o homem superior do homem vulgar.
Nunca me esqueceu aquela frase de Haeckel, o biologista, que li na infância da inteligência, quando se lêem as divulgações científicas e as razões contra a religião. A frase é esta, ou quase esta: que muito mais longe está o homem superior (um Kant ou um Goethe, creio que diz) do homem vulgar que o homem vulgar do macaco. Nunca esqueci a frase porque ela é verdadeira. Entre mim, que pouco sou na ordem dos que pensam, e um camponês de Loures vai, sem dúvida, maior distância que entre esse camponês e, já não digo um macaco, mas um gato ou um cão. Nenhum de nós, desde o gato até mim, conduz de facto a vida que lhe é imposta, ou o destino que lhe é dado; todos somos igualmente derivados de não sei quê, sombras de gestos feitos por outrem, efeitos encarnados, consequências que sentem. Mas entre mim e o camponês há uma diferença de qualidade, proveniente da existência em mim do pensamento abstracto e da emoção desinteressada; e entre ele e o gato não há, no espírito, mais que uma diferença de grau.

O homem superior difere do homem inferior, e dos animais irmãos deste, pela simples qualidade da ironia. A ironia é o primeiro indício de que a consciência se tornou consciente. E a ironia atravessa dois estádios: o estádio marcado por Sócrates, quando disse «sei só que nada sei», e o estádio marcado por Sanches, quando disse «nem sei se nada sei». O primeiro passo chega àquele ponto em que duvidamos de nós dogmaticamente, e todo o homem superior o dá e atinge. O segundo passo chega àquele ponto em que duvidamos de nós e da nossa dúvida, e poucos homens o têm atingido na curta extensão já tão longa do tempo que, humanidade, temos visto o sol e a noite sobre a vária superfície da terra.

Conhecer-se é errar, e o oráculo que disse «Conhece-te» propôs uma tarefa maior que as de Hércules e um enigma mais negro que o da Esfinge. Desconhecer-se conscientemente, eis o caminho. E desconhecer-se conscienciosamente é o emprego activo da ironia. Nem conheço coisa maior, nem mais própria do homem que é deveras grande, que a análise paciente e expressiva dos modos de nos desconhecermos, o registo consciente da inconsciência das nossas consciências, a metafísica das sombras autónomas, a poesia do crepúsculo da desilusão.

Mas sempre qualquer coisa nos ilude, sempre qualquer análise se nos embota, sempre a verdade, ainda que falsa, está além da outra esquina. E é isto que cansa mais que a vida, quando ela cansa, e de que o conhecimento e meditação dela, que nunca deixam de cansar.

Ergo-me da cadeira de onde, fincado distraidamente contra a mesa, me entretive a narrar para mim estas impressões irregulares.  Ergo-me, ergo o corpo nele mesmo, e vou até à janela, alta acima dos telhados, de onde posso ver a cidade ir a dormir num começo lento de silêncio. A lua, grande e de um branco branco, elucida tristemente as diferenças socalcadas da casaria. E o luar parece iluminar algidamente todo o mistério do mundo. Parece mostrar tudo, e tudo é sombras com misturas de luz má, intervalos falsos, desniveladamente absurdos, incoerências do visível. Não há brisa, e parece que o mistério é maior. Tenho náuseas no pensamento abstracto. Nunca escreverei uma página que me revele ou que revele alguma coisa. Uma nuvem muito leve paira vaga acima da lua, como um esconderijo. Ignoro como estes telhados. Falhei, como a natureza inteira.

[Do Livro do Desassossego de Bernardo Soares]












sábado, dezembro 26, 2009

Alemanha recusa-se a devolver busto de Nefertiti ao Egipto


As autoridades alemãs recusaram devolver o antigo busto da rainha Nefertiti ao Egipto, alegando que é demasiado frágil para ser transportado.
Os alemães insistiram também que o busto foi adquirido legalmente pelo estado da Prússia, há um século. O Egipto pediu inicialmente a devolução da antiguidade em 1930, mas os sucessivos governos alemães recusaram.

O responsável pelas antiguidades egípcias, Zahi Hawass, diz que o busto foi retirado de forma ilegal do Egipto por um arqueólogo alemão em 1913. Hawass diz que o arqueólogo disfarçou o valor desta peça cobrindo-a com uma camada de argila.

O busto, com 3300 anos, é uma das atracções do colecção egípcia do Neues Museum de Berlim. O director da colecção, Friederike Seyfried, disse à BBC que "a posição alemã é clara e inequívoca – a aquisição do busto pelo Estado prussiano foi legal".

A rainha Nefertiti é considerada uma das beldades da história antiga. Foi mulher do faraó Akhenaton, que iniciou uma nova religião, que envolvia a adoração do Sol.

O Egipto começou uma campanha agressiva para a devolução de artefactos antigos e na semana passada conseguiu a repatriação de fragmentos de um túmulo com 3200 anos que se encontravam no Museu do Louvre.
(in Jormal Público)

cantigas ao Menino Jesus - SANTANA

Viva Santana cidade
A mais jovem da Madeira

Tudo quem trabalha a terra
Isso é gente de primeira

O promontório em São Jorge
E a planície em Santana
São Roque Faial e Arco
O arco da história humana

Terra de céus e abismos
Jesus vem unir contrastes
No alto do Pico Ruivo
Berço de espigas achastes.

IN: "entre Dezembro e Janeiro de cada ano" - feixe de memórias colectivas
Ribeira Seca, Machico 2006-2007

"Os pobres"

Aí vêm pelos caminhos,
Descalços, e pés no chão,
Os pobres que andam sozinhos,
Implorando compaixão.

Vivem sem cama e sem tecto,
Na fome e na solidão:
Pedem um pouco de afecto,
Pedem um pouco de pão.

São tímidos? São covardes?
Têm pejo? Têm confusão?
Parai para os encontrardes,
E dai-lhes a vossa mão!

Guiai-lhes os tristes passos!
Dai-lhes, sem hesitação,
O apoio de vossos braços,
Metade de vosso pão!

Não receeis que, algum dia,
Vos assalte a ingratidão:
O prémio está na alegria
Que tereis no coração.

Protegei os desgraçados,
Órfãos de toda a afeição:
E sereis abençoados
Por um pedaço de pão...



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Bilac, Olavo 1865-1918
Antologia poética / L&PM 2007 pg.73
Porto Alegre

sexta-feira, dezembro 25, 2009

vulcão Mayon intensifica actividade

carta aberta ao Menino Jesus

Olha Menino a esta hora, se calhar, ainda não nasceste em tanto sítio. Mas sei que isso é mentira e, por isso, te deixo estas linhas.
Sei que és pequeno hoje e é assim que a maioria Te vê, mas não me preocupo - arranjarás maneira de ler ou de ter quem Te leia estas letras. Estamos na noite de Natal. Somos do mesmo signo mas penso que ligas tanto a isso como eu!
Tenho pena que tantos se aproveitem do Teu nome para exploração, para o consumismo desenfreado e ignorando a existência da Pobreza , até com o pretexto para visitar a família e fazer de conta que tudo vai bem...
Hoje, na homilia, o António disse que o facto de a liturgia referir, ao menos duas vezes, o Jesus Salvador, que isso não era uma alegria mas uma tragédia. Concordo com ele. 
Pois claro, cantamos-Te loas e louvores e há pais e filhos que não se falam (mas cantam), vizinhos que se odeiam (mas cantam), pessoas que morrem de inveja (mas cantam), gente que abandona  animais (e cantam) e já nem lembro aquelas cenas que vão da infidelidade à ignomínia e que Tu bem conheces, melhor que estes mortais. 
António pediu silêncio e que cada um pensasse como eras o Jesus Salvador da nossa vida. Nem de propósito ou será que foi a Tua mãozinha gordinha que apagou as luzes todas? Olha que nem assim aqueles rabos sossegaram nos bancos e os cochichos se calaram.
No meu silêncio, eu que sou uma fala barato, não deixei de recordar aqueles que Tu quiseste levar para a terra e para o teu Céu, sabe-se lá porquê, mas que me fazem falta com a sua cumplicidade, os seus abraços e sorrisos, os seus apoios; tenho saudades! 
Lembrei ainda os que quiseram partir de motu próprio e que, mesmo assim, hão-de estar sob a Tua protecção. 
Também não esqueci os que são o "tráfego" da minha vida, cruzando-a em todos os sentidos, comigo fazendo Caminho.
Quero que não te esqueças Menino, da Mª dos Anjos. Custa-me vê-la fazendo kms no mesmo passeio, com fome e frio, sem eira nem beira, de manhã à noite. Como sabes a Segurança Social não é de segurança nem social e só existe para alguns.
Bem que também podias pregar um cagaço aqueles que Te põem no Presépio com a mesma delicadeza com que ajeitam a vaca ou o burro. Fugias, escondias-Te e ainda Te rias das suas caras de espanto.
E agora que vais ter honras de beija-pé durante uns dias (porque Te beijam o pé, a Ti, e aos reis e bispos é o beija-mão?)e já sabes que para o ano és "arrumado" por mais uns meses...É a vida, como dizia o nosso ex-primeiro.
Acabei de ver na TV que, em Roma, uma santa mulher se desequilibrou e caiu em cima de um homem idoso, octogenário. Também já eram horas de estar recolhido, em descanso, mais a mais com aquela idade!
E termino Menino, para que não Te canses. 
Hoje não é dia de Te pedir perdão (ensinou-me o António)já que Te entregaste, gratuitamente, a nós todos. Mas agradeço-Te que continues a velar pelos que amo e por todos aqueles que preenchem a minha insignificante vida, com mais ou menos importância.
Ah, e dá, ou manda dar, um abanão no Mundo porque isto parece que anda um pouco torto.
Conta comigo e um beijinho
tuka

 

Beijar o Menino


Tradições centenárias, emotivas, que perfazem a fé natalícia numa medida cheia e transabundante que dura uma quadra.

Beijar o Menino!

Mais que o Nascimento, beijar o Menino é tradição enraizada, é devoção, é dogma de fiéis, é o elo da Festa ao dia de Reis.

Perfilam-se no templo, em final de missa, fiéis alegres, crentes, beiço aprumado aos caracóis pintados de um Menino que, impávido e sereno, a tudo se submete.

Num gesto repetitivo quem o tem limpa, em passagens breves, leves, com alvo paninho, as impressões de fé. E canta-se ao Menino, rosto aberto garganta plena, pé ante pé, numa fila vivaça e ávida.

 Saídos do templo o Menino descansa, descansa e seca. Cá fora, na noite húmida purificada pelo frio, pergunto-me: quantos "meninos" para beijar na nossa vida e que passam despercebidos....


Maria Teresa Góis, 05 Janeiro 2002


NOTA DA REDACÇÃO - Foi preciso que a gripe A fosse conhecida para alertar a Igreja para os perigos de contaminações várias (como a tuberculose, por exemplo) em gestos que aparentam ser a Fé da Igreja, e que a Igreja gostaria de manter - é o sentido do rebanho - como movimento de massa mas que, afinal, não se traduzem em maior conhecimento ou empenho, em melhor prática aparente. Que dizer dos que durante todo o ano não põem os pés dentro da igreja mas que não falham o beija pé ao Menino. Questão de fé? O Menino que os entenda...

quinta-feira, dezembro 24, 2009

uma canção de Natal, Natal dos simples.

licor de caramelo

3 litros de leite (meio gordo)
1 lata de leite condensado
2 pudins (royal) sendo um de caramelo e o outro de chocolate
750 gr açúcar
60 cl de álcool (com 1/2 litro também fica bom)
essência de caramelo para 1 litro


junte os leites, os pudins previamente diluídos e o açucar e leve a ferver durante um bocadinho.
Depois de bem frio adicione o álcool e a essência.
Beba com moderação....

receita amavelmente cedida pelo meu "bizinho" Paulo