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domingo, outubro 17, 2010

o capacete do justo protesto

Aconteceu na que foi a minha Paróquia em Lisboa.Um templo enorme, muito bonito, rico de património. Ora vejam:

MANIFESTO POBREZA ZERO - O MUNDO QUE QUEREMOS

MANIFESTO

Mais de 900 Organizações Internacionais em estreita coordenação com organizações e movimentos sociais de base em mais de 100 países promovem a maior mobilização de sempre na história da luta contra a pobreza no mundo. A sociedade portuguesa não pode ficar indiferente. Junta-te a nós e faz ouvir a tua voz!
Unindo as nossas vozes manifestamos:
QUE a persistência da pobreza e da desigualdade no mundo de hoje não tem justificação.
Apesar dos esforços realizados durante décadas, a desigualdade entre ricos e pobres continua a aumentar.
Hoje, mais de 3.000 milhões de pessoas carecem de uma vida digna por causa da pobreza.
Fome, SIDA, analfabetismo, discriminação de mulheres e meninas, destruição da natureza, acesso desigual à tecnologia,deslocação maciça de pessoas devido aos conflitos, migrações provocadas pela falta de equidade na distribuição da riqueza a nível internacional… São as diferentes facetas do mesmo problema: a situação de injustiça que afecta a maioria da população mundial.
QUE o desenvolvimento sustentável no planeta está seriamente ameaçado porque um quinto da população mundial consome irresponsavelmente, com a consequente sobre exploração de recursos naturais.
QUE as razões da desigualdade e a pobreza se encontram na forma como organizamos a nossa actividade política e económica. O comércio internacional e a especulação financeira que privilegia as economias mais poderosas, uma dívida externa asfixiante e injusta para muitos países empobrecidos, bem como um sistema de ajuda internacional escasso e descoordenado tornam a actual situação insustentável.
QUE para conseguir a eficácia das políticas de Desenvolvimento Institucional, o Desenvolvimento Humano Sustentável e Bens Públicos Globais é imprescindível implementar uma governação global democrática e participativa.
QUE o crescimento económico espectacular dos últimos anos não contribuiu para garantir os direitos humanos nem para melhorar as condições de vida em todas as regiões do mundo, nem para as pessoas, independentemente da sua condição,género, etnia ou cultura.
QUE lutar contra a pobreza, nas suas diferentes dimensões, significa actuar contra a exclusão das pessoas, a favor das garantias dos seus direitos económicos, sociais e culturais que se traduzem em protecção, trabalho digno, rendimento, saúde e educação, poder, voz, meios de subsistência sustentáveis, em condições de igualdade.
É um compromisso irrenunciável e inadiável: toda a sociedade no seu conjunto é responsável pela sua concretização.

Unindo as nossas vozes queremos
- MAIS AJUDA pública para o desenvolvimento, dando prioridade aos sectores sociais básicos, até alcançar o compromisso dos 0,7% do RNB
- MELHOR AJUDA, desligada de interesses comerciais, orientada para os países mais pobres e coerente com os Objectivos do Milénio.
- MAIS COERÊNCIA nas diferentes políticas dos nossos governos para que todas elas contribuam para a erradicação da pobreza.
- ELIMINAR A DÍVIDA: os países ricos, o Banco Mundial e o FMI devem perdoar a 100% a dívida dos países mais pobres.
- DÍVIDA POR DESENVOLVIMENTO: investir os recursos criados pela extinção da dívida dos países pobres para alcançar os Objectivos do Milénio.
-MUDAR AS NORMAS DO COMÉRCIO internacional que privilegiam os países ricos e os seus negócios e impedem os governos dos países pobres de decidir como lutar contra a pobreza e proteger o meio ambiente.
- ELIMINAR OS SUBSÍDIOS que permitem exportar os produtos dos países ricos abaixo do preço de custo de produção, prejudicando o sustento das comunidades rurais nos países pobres.
- PROTEGER OS SERVIÇOS PÚBLICOS com o fim de assegurar os direitos à alimentação e o acesso à água potável e a medicamentos essenciais.
- FAVORECER O ACESSO À TECNOLOGIA por parte dos países menos desenvolvidos, de acordo com as suas necessidades, para que possam usufruir dos seus benefícios.

www.pobrezazero.org

São tantos os menores
abandonados pelas calçadas
que um dia os maiores
acabarão tropeçando neles
e param de fingir
que ainda não notaram.

Ulisses Tavares

sábado, outubro 16, 2010

Às vezes, as correntes que nos impedem de sermos livres são mais mentais do que físicas.

A vida e o tempo

Todos vamos embarcando na mesma nau, que é a vida, e todos navegamos com o mesmo vento, que é o tempo. E assim como na nau uns governam o leme, outros mareiam as velas; uns vigiam, outros dormem; uns passeiam, outros estão assentados; uns cantam, outros jogam, outros comem, outros nenhuma coisa fazem e todos igualmente caminham ao mesmo porto, assim nós, ainda que não pareça, insensivelmente vamos passando sempre e avizinhando-se cada um a seu fim. Porque se tu dormes e o tempo anda. Disse pouco em dizer que o tempo anda, porque corre, voa; mas advertiu bem em notar que nós dormimos, porque tendo os olhos abertos para ver que tudo passa, só para considerar que nós também passamos parece que os temos fechados.

Pe. António Vieira

sexta-feira, outubro 15, 2010

As lições do Chile


As lições que nos chegam do Chile, da Operação Resgate dos Mineiros de S. José.

Este país vulgarmente dito da América Latrina deu várias lições ao mundo que convém não ignorar.
O Chile:
Saído do Pinochet, refez-se. Tem feito contas com a história.
Saído de um tremendo sismo e tsunami, refez-se. Sem choradinhos.
Agora a Operação Resgate onde se viu a braços com um salvamento nunca antes feito noutra parte do mundo. Sacar cá para fora 33 homens encurralados a 700 m de profundidade.

Vamos começar pela lição de amor aos seu mineiros, em contraste com os russos, por exemplo, no caso do submarino onde deixaram morrer mais de 100 marinheiros da forma mais vil.
Não esqueço uma mulher a ser injectada em plena demonstração de repulsa, pela forma como o governo desprezou os seus homens, pelo estúpido segredo militar.
Não esqueço os mineiros chineses que morrem como toupeiras encurraladas.
Não esqueço os mineiros portugueses que são esquecidos nas suas doenças.

A Operação Resgate teve um planeamento exemplar. Não anunciaram um salvamento para amanhã, para depois ser adiado para o próximo mês e para o próximo ano, como sucederia cá.
Não, foi anunciado para o Natal e antecipado dois meses. Brilhante!

Na Operação Resgate não enriqueceu nenhum político. Nem mesmo vai acontecer nenhuma derrapagem financeira. A empresa mineira viu as suas contas congeladas para não se furtar às responsabilidades como pretendia fazer.

A Operação Resgate foi de tal forma planeada que não se viu ninguém, atropelar ninguém. Todos sabiam perfeitamente bem… o que fazer. Engenharia perfeita como dizia a BBC. Todo o mundo irá beber na experiência e na lição Chilena. Todo o mundo está vergado.

Na Operação Resgate os jornalistas estiveram sempre arredados da zona de trabalhos, com a sua bancada construída para o efeito. Mais de 2000.

Na Operação Resgate não se viram molhadas de polícias ou militares para conter a turba de familiares, jornalistas, curiosos e alcoviteiros.

Na Operação Resgate nenhum chefe de bombeiros, médico, engenheiro, ou penetra… deu entrevistas idiotas para a televisão.

Na Operação Resgate de S. José falou-se pouco e trabalhou-se muito e bem.

Na Operação Resgate nada foi deixado ao acaso. Tudo foi previsto, tudo foi calculado.
O joelho só serviu para dobrar a perna e não como mesa de trabalho.

O mundo está rendido à eficácia dos Chilenos.
Deixem de dizer América Latrina e olhem para o lameiro que está à porta.

Desconheço autor, recebido por email


Sagas - August Strindberg

[...] "Durante vinte anos a velhinha esteve acamada e pela janela via tudo o que acontecia na fazenda onde os dois filhos lavravam a terra. Mas via o mundo e as pessoas de um modo bastante peculiar, pois as vidraças de seu quarto estavam manchadas com todas as cores do arco-íris; bastava virar a cabeça para que tudo ficasse vermelho, amarelo, verde, azul ou violeta. Se fosse um dia de inverno, de árvores cobertas pela geada, como se vestissem folhas de prata, virava a cabeça no travesseiro e as árvores tornavam-se verdes; se fosse verão, via o campo dourado e o céu azul, mesmo se, na verdade, o dia estivesse cinza. Assim, achava que tinha poderes mágicos e nunca se aborrecia. Mas não era esse o único poder das vidraças mágicas: elas também eram curvas, e podiam aumentar ou diminuir o que se via lá fora.
Assim, quando o filho mais velho chegava, fazendo travessuras, gritando pela fazenda afora, ela desejava-o pequeno e bonzinho; num instante o via assim. Quando os netos vinham com seus passinhos incertos, imaginava o futuro deles, e - um, dois, três! - passavam em frente ao vidro, e ela os via crescidos, adultos, verdadeiros gigantes."
August Strindberg  (22.01.1849/14.05.1912)

Primeiros europeus cuidavam dos mais velhos

Há mais de 500 mil anos, os primeiros homens europeus já cuidavam dos mais velhos e dos doentes que não podiam valer-se sozinhos. É a conclusão de uma equipa de investigadores espanhóis que estudou os fósseis do Homo antecessor e publicou os resultados na Proceedings of the National Academy of Sciences.
Este hominídeo foi identificado em 1997, depois de os seus ossos fossilizados, os mais antigos até hoje descobertos na Europa, terem sido encontrados numa gruta em Atapuerca, no Norte de Espanha, e foi assim chamado porque é anterior ao homem de Neandertal e ao homem moderno, e seu antecessor comum (ver caixa).
A conclusão dos investigadores espanhóis sobre a capacidade de solidariedade geracional dos Homo antecessor baseia-se na avaliação dos ossos da bacia e de parte da coluna vertebral de um desses primeiros europeus, que viveu em Atapuerca há mais de 500 mil anos. O estudo revelou que o indivíduo, um homem muito corpulento, sofreu de várias doenças degenerativas e incapacitantes durante muito tempo antes de morrer, o que ocorreu quando tinha por volta de 45 anos.
Essas doenças, escreve a equipa coordenada por Juan-Luis Arsuaga, da Universidade Complutense de Madrid, "obrigavam o indivíduo a adoptar uma postura curvada e talvez a usar um pau para se manter de pé, impedindo-o provavelmente de caçar". A sua longa sobrevivência com esses problemas leva a supor que ele teria ficado ao cuidado do grupo.
fonte: DN, ciência
Nota da Redacção - se a informação se mantiver, daqui a umas dezenas de anos, se concluirá que esta preocupação velha, descoberta num mundo novo, se inverteu. 

quinta-feira, outubro 14, 2010

mais uma descoberta...no Alentejo

Durante escavações recentes nos EUA, os arqueólogos descobriram, a 100 m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam do ano 1.000. Os americanos concluíram que os seus antepassados já dispunham de uma rede telefónica desde aquela época.
Entretanto os espanhóis escavaram também o seu subsolo, encontrando restos de fibras ópticas a 200 m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham cerca de 2.000 anos de idade, divulgando triunfantes, que os seus antepassados já dispunham de uma rede digital à base de fibra óptica quando Jesus nasceu!
Uma semana depois, em Beja, no diário local, foi publicado a seguinte notícia:
"Após inúmeras escavações arqueológicas no subsolo de Beja, Évora, Moura, Estremoz e Redondo, entre outras localidades alentejanas, até uma profundidade de 500 m, os cientistas alentejanos não encontraram absolutamente nada. Assim se conclui que os antigos habitantes daquela região alentejana já dispunham, há 5.000 anos atrás, de uma rede de comunicações sem-fios, vulgarmente conhecida hoje em dia pela designação de "Wireless".   receb. por email

Há uma Borboleta na Lua

O abraço foi emotivo. Antes de desaparecer na luz do lusco-fusco, o mais novo dos homens sussurrou:
- Pai, amanhã irá comigo.
Levantou-se cedo. No recanto predilecto do bosque, onde vivera tantos anos, abriu uma cova e deitou-se nela à espera da morte. Por entre as ramagens dançavam, fugazes, as primeiras centelhas de sol. Centenas de borboletas, de cores inimagináveis, esvoaçavam por cima dele. Brincalhonas, paravam, por breves instantes, de asas abertas, nos filamentos do sol. O momento era entendido pelo homem idoso como uma derradeira homenagem. Piscava, então, os olhos húmidos em sinal de agradecimento. Fora por causa da morte do seu único filho, durante a guerra, que se separara da realidade externa do consenso, onde vive a humanidade. Aquela bala fatal, vinda das trincheiras onde se encontravam outros homens que também partilhavam sonhos, valores e sentimentos da mesma realidade consensual, tinha sido para ele mais um sinal.
Desde então caminhou, solitariamente, pelo planeta, indiferente às estações do ano, ignorando fronteiras, não se importando em saber o nome dos países por onde passava. Caminhava apenas pela Mãe Terra. Foi esta Mãe que, numa curva do mundo, lhe murmurou a existência de uma realidade interna. Compreendeu então que tudo o que existe no universo estava dentro de si. As regras, para ele, mudaram radicalmente.
Quando entrou no interior da mancha que vira ao longe, verificou que era um pequeno bosque. Como era lindo. Certamente que era um dos bosques encantados mencionados pela sua mãe, quando lhe contava doces histórias de fadas e duendes na sua cama de menino. A intuição, muito suavemente, informou-o que a viagem terminava ali.
Não teve dúvidas que aquele local era mesmo encantado, ao dar-se conta da profusão de cores que riscavam o ar, levadas nas asas das borboletas. Sentia a vibração de uma harmoniosa sinfonia silenciosa. Depressa se pôs a conversar com elas. Gostavam de ouvir, penduradas nas ramagens das árvores ou aninhadas no seu corpo magro, as histórias da sua vida passada mas, redobravam a atenção, quando lhes contava as novas sensações, os novos saberes da nova realidade interna.
O filho aparecia sempre ao entardecer. Era um momento fantástico. Um falava de como era a vida na sua dimensão. O homem idoso escutava atento. Por vezes não se continha e perguntava pela esposa. Na véspera, queixara-se que a vista já não captava as belas cores das suas amigas, que a voz já não chegava às ramadas mais altas e, acrescentou, que também já não conseguia ouvir nem sentir a vibração da sinfonia silenciosa. Foi nessa altura que recebeu, com muita alegria, a notícia que no dia seguinte iria viver nas estrelas, em casa de seu filho.
Como de costume, ele apareceu com os últimos vestígios do sol. O pai, quando o viu, sorriu. A borboleta mais radiosa do bosque acompanhou-os na viagem. Quando passavam pela lua a linda borboleta poisou numa pequena rocha e pediu para ficar. Os outros dois caminhantes continuaram a elevar-se suavemente.
 cortesia de:
Fernando Freitas

quarta-feira, outubro 13, 2010

o resgate

"Momentos de grande emoção no Chile. O sétimo mineiro resgatado, José Ojeda Vidal,  já chegou à superfície. Florencio Avalos, de 31 anos, foi o primeiro. A operação de resgate já conseguiu retirar sete dos 33 mineiros soterrados numa mina no norte do país." - Diário Notícias, Lisboa

Nota da Redacção - É, sem dúvida nenhuma, uma emoção cada vez que a Fenix 2 desce e sobe, trazendo mais um mineiro. Todo o Mundo tem os olhos postos no deserto de Atacama no Chile, de todas as principais nações foram feitas ofertas de colaboração, em conhecimentos humanos e técnicos, em tecnologia avançada.
Pergunto-me em que difere o salvamento destes homens, que sabíamos vivos, e o salvamento de milhões em campos de concentração, de refugiados, em países famélicos? Também estão vivos, é preciso que o nosso olhar solidário, a nossa compaixão humana, o nosso empenhamento material também não esqueça. É o jogo de uma vida humana em Atacama, por outra vida humana no Dafur, em Gaza, em África.... 

o Menino Jesus "mija" ?




Com a aproximação aos dias de Natal, a "Festa" como é chamado na Madeira, é vulgar ouvir perguntar por estes lados da Ilha:: "E o Menino Jesus já mija?"
Tentei saber de onde vinha este dito e, segundo parece, veio dos Açores. A expressão "mijar" refere-se apenas a uma forma brejeira de dizer ou perguntar se já há o licor, o vinho abafado, que numa saúde, ajuda e celebra a data. Pois nos Açores têm mesmo os penicos para a mijinha do Menino...

Aproveitando a breve viagem da minha irmã a S. Miguel pedi-lhe e é claro, só quem não a conhece, os penicos já me chegaram à mão.
Aqui vos deixo, num artesanato regional, os penicos da mijinha do Divino Infante. E vede a cara de satisfeitos que parte dos meus "rapazes" têm por verem assim enriquecida a Sua pobreza.
Ah, é verdade, e os meus Meninos "mijam" todo o ano! Sede bem-vindos!

o último chegado à colecção





Mais um, nas mais de três centenas de Presépios, da colecção. 
Este veio dos Açores e assenta numa base de lava vulcânica da Ilha.
O meu público agradecimento à minha mana que sabe quanto me é grata esta contribuição.

terça-feira, outubro 12, 2010

como eu vejo a Ilha

poente vermelho: será chuva....?

Empatias e Simpatias

Vem este título a propósito de um "encontro" no tukakubana.
Creio que já foi no ano passado que recebi um comentário no meu blog de uma senhora que me dizia ser madeirense, nascida no Jardim do Mar, gostar e seguir o blog e que, tal como eu, também tinha o seu blog, o "gritosdlma.blogspot.com", que merece esta publicidade. As circunstâncias da vida levaram-nos a uma maior troca de mensagens, numa empatia espontâneamente gerada. E no domingo passado, finalmente ao vivo e a cores, pudemos trocar o abraço físico esperado que consolidou a simpatia.
Quer isto dizer que nem tudo o que a blogosfera gera é negativo, para mim são já vários os casos positivos, e que o diálogo, a compreensão são os pais potenciais para uma Amizade.
Aqui fica a foto da Cecília e do seu muito mais que simpático sobrinho e, cá está, mais um pólo de amizade gerado.
É bom não ter medo dos abraços, dos afectos, das trocas humanas do que somos, do que temos para dar e  receber. 
Haja mais "Cecílias" na minha vida...

homenagem aos cabelos brancos....

Um jovem muito arrogante, que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou
para si a responsabilidade de explicar a um senhor já maduro, próximo dele,
porque era impossível a alguém da velha geração entender esta  geração.
"Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo!", o
estudante disse alto e claro de modo que todos em volta pudessem ouvi-lo.
 "Nós, os jovens de hoje, crescemos com Internet, celular , televisão,
aviões a jacto, viagens espaciais, homens caminhando na Lua e as nossas naves
espaciais visitando Marte. Nós temos energia nuclear, carros eléctricos e a
hidrogénio, computadores com grande capacidade de processamento e ...,"
- fez uma pausa para tomar outro gole de cerveja.
 O senhor se aproveitou do intervalo do gole para interromper a liturgia do
estudante na sua ladainha e disse:
 - Você está certo, filho. Nós não tivemos  essas coisas, quando éramos
jovens, porque estávamos ocupados em inventá-las. E você, sua bostinha de
merda, arrogante dos dias de hoje, o que está fazendo para a próxima
geração?

 Foi aplaudido de pé!

receb. por email - APROVEITE E DESCUBRA IMAGENS NA IMAGEM

segunda-feira, outubro 11, 2010

Ao rosto vulgar dos dias



Monstros e homens lado a lado,
Não à margem, mas na própria vida.
Absurdos monstros que circulam
Quase honestamente.
Homens atormentados, divididos, fracos.
Homens fortes, unidos, temperados.

Ao rosto vulgar dos dias,
A vida cada vez mais corrente,
As imagens regressam já experimentadas,
Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.


Alexandre O'Neill

domingo, outubro 10, 2010

definição de Poesia


Um risco maduro de assobio.
O trincar do gelo comprimido.
A noite, a folha sob o granizo.
Rouxinóis num dueto-desafio.

Um doce ervilhal abandonado
A dor do universo numa fava.
Fígaro: das estantes e flautas —
Geada no canteiro, tombado. 

Tudo o que para a noite releva
Nas funduras da casa de banho,
Trazer para o jardim uma estrela
Nas palmas úmidas, tiritando. 

Mormaço: como pranchas na água,
Mais raso. Céu de bétulas, turvo.
Se dirá que as estrelas gargalham,
E no entanto o universo está surdo.
BORIS PASTERNAK