Os padeiros não têm massa
Os padres já não comem como abades
Os relojoeiros andam com a barriga a dar horas.
Os talhantes estão feitos ao bife
Os criadores de galinhas estão depenados
Os pescadores andam a ver navios
Os vendedores de carapau estão tesos
Os vendedores de caranguejo vêem a vida a andar para trás.
Os desinfestadores estão piores que uma barata
Os fabricantes de cerveja perderam o seu ar imperial
Os cabeleireiros arrancam os cabelos
Os futebolistas baixam a bolinha
Os jardineiros engolem sapos
Os cardiologistas estão num aperto
Os coveiros vivem pela hora da morte
Os sapateiros estão com a pedra no sapato
As sapatarias não conseguem descalçar a bota
Os sinaleiros estão de mãos a abanar
Os golfistas não batem bem da bola
Os fabricantes de fios estão de mãos atadas
Os coxos já não vivem com uma perna às costas
Os cavaleiros perdem as estribeiras
Os pedreiros trepam pelas paredes
Os alfaiates viram as casacas
Os almocreves prendem o burro
Os pianistas batem na mesma tecla
Os pastores procuram o bode expiatório
Os pintores carregam nas tintas
Os agricultores confundem alhos com bugalhos
Os lenhadores não dão galho
Os domadores andam maus como as cobras
As costureiras não acertam as agulhas
Os barbeiros têm as barbas de molho.
Os aviadores caem das nuvens
Os bebés choram sobre o leite derramado
Os olivicultores andam com os azeites
Os oftalmologistas fazem vista grossa
Os veterinários protestam até que a vaca tussa
Os alveitares pensam na morte da bezerra
As cozinheiras não têm papas na língua
Os trefiladores vão aos arames
Os sobrinhos andam "Ó tio, ó tio"
Os elefantes andam de trombas
SÓ OS POETAS CONTINUAM COMO SEMPRE...
TESOS MAS MARAVILHOSOS!
Os dias temáticos
Maria Teresa Góis
01 de Junho, dia Mundial da Criança - Para além do dia da Mãe, este será dos únicos dias temáticos que relevo
As crianças são os únicos seres divinos que a nossa
pobre humanidade conhece. Os outros anjos, os das asas, nunca aparecem.
Os Santos, depois de Santos ficam na Bem-Aventurança a preguiçar,
ninguém mais os enxerga. E, para concebermos uma ideia das coisas do
Céu, só temos realmente as criancinha.”
In: A Ilustre Casa de Ramires
Eça de Queirós
Eça de Queirós
O1 de Junho, dia Mundial da Criança – Para além do dia da Mãe, este
será dos únicos dias temáticos que relevo. Não há vida sem Crianças,
nossas ou não.
Ingenuidade, inocência, brincar de faz de conta, sorriso aberto, o esfregar dos olhos quando o “João Pestana” chega ou mesmo o espreguiçado acordar, a entrega confiante ou o ser princesa ou cavaleiro num reino encantado.
Ingenuidade, inocência, brincar de faz de conta, sorriso aberto, o esfregar dos olhos quando o “João Pestana” chega ou mesmo o espreguiçado acordar, a entrega confiante ou o ser princesa ou cavaleiro num reino encantado.
No seu olhar, digo intelectual, puro, livre, profundo, cresce um
mundo novo. Às vezes as nuvens do medo toldam-no, mas não o apagam.
Neste dia não quero lembrar apenas as crianças felizes ou
afortunadas. Lembro as que padecem fome, trabalho forçado, violência e
abuso, as que são roubadas à promessa evangélica que Eça, na citação
acima, descreve.
Segundo a Procuradoria-Geral de Lisboa e num relatório trimestral
relativo ao período de Janeiro a Março deste ano, foram abusadas por
dia, sexualmente, duas crianças.
Das vítimas pouco ou nada sabemos; dos abusadores, noutros tempos
apelidados de “tarados”, sabemos pela comunicação social que após prisão
preventiva, arguidos e julgados, têm penas indemnizatórias, de
apresentação regular às autoridades ou pulseira electrónica. Por mim
sofreriam imediata castração química! E não sou radical; radical seria
se fosse apologista de uma instantânea ablação…
Esta semana, na Índia e uma vez mais, duas pré-adolescentes de 14 e 15 anos foram violadas em grupo e depois enforcadas.
Em que Mundo vivemos? Que responsabilidades temos quando calamos, num
crime cúmplice, o conhecimento de qualquer violência infringida?
Porque será que as lágrimas das crianças de cor me parecem maiores, fruto de um choro mais engrossado, mais pungente?
Num dia em que quase todos teremos “anjos” rabinos à nossa volta, partilho esta reflexão convosco.
Outros dias temáticos – Todos os demais

















