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domingo, julho 31, 2011

Descoberta peça do século XVII com motivos pornográficos


Investigadores em Arqueologia da Universidade Nova de Lisboa descobriram em escavações do antigo Convento de Santana, em Lisboa, uma peça única no mundo com imagens com cenas pornográficas numa taça chinesa do século XVII.
As escavações arqueológicas tiveram início em 2002, e terminaram em 2010, no local onde estão a ser construídos equipamentos da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova, onde existia o edifício do Instituto Bacteriológico Câmara Pestana, ao Campo Santana.
O investigador Mário Varela Gomes explica que aquela "é uma peça única no mundo", porque da época são conhecidas porcelanas chinesas com motivos eróticos, mas sem sexo explícito. "Esta peça ultrapassa tudo o que se conhece da época, já tem conteúdos pornográficos" explica à agência Lusa o investigador em Arqueologia da Universidade Nova de Lisboa.
Trata-se de uma taça de porcelana com imagens que constituem uma espécie de manual de práticas sexuais, à semelhança de outras obras da época na filosofia do Kamasutra.
Os investigadores já contactaram especialistas de outros países e ainda não encontraram registo de peça semelhante. Só se encontram peças semelhantes dos finais do século XIX.
Para Mário Varela Gomes, há uma explicação possível para a descoberta de uma peça destas nas ruínas de um convento de freiras em Lisboa: "terá sido uma encomenda única feita por um nobre português abastado e o facto de se encontrar num convento, pode ter sido uma forma de manter a peça escondida, já que era muito perigoso, na época, com a inquisição, estar na posse de uma obra daquelas".

Na época era comum encontrar-se peças baseadas na ideia do Kamasutra, ou nos livros das noivas, em que eram demonstradas posições para a prática do sexo, a diferença é que "nunca se encontrava sexo explícito". "O convento seria o melhor sítio para se esconder uma peça daquelas, que pode ter sido uma herança de família, alguém que trouxe da China secretamente", explica o investigador.
Em que contexto aquela porcelana foi parar a uma vala de detritos não se sabe. Sabe-se que na sequência do terramoto de 1755 o convento ruiu parcialmente, entrando em declínio a partir daí. Ainda foram feitas reconstruções, no reinado de D. Maria I, até à extinção das Ordens Religiosas, em 1834.
Nas escavações feitas no antigo Convento de Santana, onde chegaram a viver cerca de 300 pessoas, em 1702, das quais 130 religiosas, foi encontrado um vastíssimo espólio que permite aos investigadores reconstituir aspectos relacionados com a vida e a morte naquela instituição.
Rosa Varela Gomes e Mário Varela Gomes, os investigadores que coordenaram o trabalho, depararam com valas onde foram depositados detritos do antigo convento, e foi aí que tiveram a mais surpreendente descoberta. Naquelas valas existiam variadíssimos artefactos, muitos deles ainda intactos, que permitem identificar os quotidianos assim como a espiritualidade das residentes, fossem elas religiosas ou laicas.
De referir que aquele era o maior convento feminino da capital, nos séculos XVII e XVIII, quando existiam quase uma centena de conventos na capital.

como eu vejo a ilha

foto tirada no Lombo do Mouro, Encumeada para o Pico da Torre

sábado, julho 30, 2011

como eu vejo a ilha

como eu vejo a ilha

Casa do Elias, Porto Moniz

"Os Estrunfes" estão de volta

O Analfabeto Político


O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.


Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguer, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.


O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.


Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.


 Bertolt Brecht

sexta-feira, julho 29, 2011

em Barcelona e um chimpanzé ama-seca de um tigre bebé na Tailândia

Cria de cagarros nasceu "em directo" na Internet

A cria do casal de cagarros que reside num ninho no Corvo, Açores, que está a ser acompanhado em tempo real pela Internet, nasceu domingo, revelou hoje a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA). 
O ovo tinha sido posto no Dia Internacional da Criança, a 1 de Junho, e desde essa altura a vida do casal de cagarros tem sido acompanhada em directo através do endereço eletrónico http://cagarro.spea.pt, numa iniciativa inédita a nível mundial.
"Ao contrário do período de incubação, nos próximos tempos é de esperar elevada actividade no ninho durante a noite, pois a cria necessita de ser alimentada com frequência nos primeiros dias", refere a SPEA num comunicado em que anunciou o nascimento da cria de cagarro.
Numa fase posterior, a pequena ave vai "permanecer sozinha no ninho, enquanto os pais passarão o tempo no mar a pescar para a alimentar e para recuperar forças depois do longo período de incubação".
O cagarro, eleito Ave do Ano pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), é uma das espécies mais emblemáticas dos Açores, encontrando-se neste arquipélago a maioria da sua população mundial na época da nidificação.

quinta-feira, julho 28, 2011

Descoberto túmulo de São Filipe, apóstolo de Jesus

Um túmulo, que se crê ser de São Filipe, um dos 12 apóstolos, foi descoberto na cidade de Hierapolis, na Turquia.
Segundo a agência turca Anadolu, o professor italiano Francesco D'Andria, em comando da exploração, disse que arqueologistas encontraram o túmulo da figura bíblica, um dos 12 discípulos de Jesus, enquanto trabalhavam nas ruínas de uma Igreja recém descoberta.
"Há anos que procuramos o túmulo do apóstolo Filipe", disse o professor à agência. "Finalmente encontrámo-lo nas ruínas de uma Igreja, que começamos a explorar há um mês". A estrutura do túmulo e os dizeres escritos nas paredes provam que ele pertence a São Filipe. O professor disse ainda que os arqueólogos trabalhavam há anos com a esperança de encontrar o túmulo, e que esperam que este tenha um destino privilegiado para exposição.
São Filipe, reconhecido como um dos mártires do cristianismo, deve ter morrido em Hierapolis, segundo cientístas, por volta de 80 Dc. Acredita-se que tenha sido crucificado de cabeça para baixo, ou decapitado. O nome Hierapolis significa "cidade sagrada".
fonte: DN, Lisboa

-iate-conceitual-e-uma-verdadeira-ilha-artificial

O cruzeiro imaginado pela Yacht Island Design tem tudo para agradar aos ricos que pretendem se isolar em uma ilha paradisíaca. O navio de proporções gigantescas conta com um vulcão artificial com cachoeira própria, uma piscina gigantesca que imita o mar e um heliporto para o transporte aéreo dos visitantes.
Baptizado como Tropical Island Paradise, o conceito possui 90 metros de comprimento e apartamentos no formato de cabanas, que ficam concentrados ao redor da piscina artificial. A megaprodução acompanha quatro suítes VIP, cada uma possuindo varanda própria. Para os momentos de descontracção, o resort conta com um spa e uma área de recreação com jet-skis à disposição.
Até o momento, tudo não passa de um simples conceito e não há qualquer indicação de que o imenso iate entre em produção. Porém, não será nada surpreende se alguma companhia especializada em opções de entretenimento para os endinheirados demonstrar interesse em tirar a ideia do papel.

Arqueólogos espanhóis procuram restos mortais de Miguel de Cervantes

in:PUBLICO
Um grupo de investigadores históricos e arqueólogos vão iniciar uma busca pelos ossos do autor de “Dom Quixote”, Miguel de Cervantes, num mosteiro em Madrid, onde os seus restos mortais foram depositados em 1616, não se sabendo exactamente em que parte do monumento. A iniciativa, que permitirá reconstruir o rosto do escritor, até agora só conhecido através de uma pintura do artista Juan de Jauregui, conta com o apoio da Academia Espanhola e o aval do arcebispado espanhol.
A descoberta e consequente análise das ossadas do autor espanhol poderão ainda ajudar os investigadores a determinar as causas da morte de Cervantes, que se acredita que tenha morrido de cirrose a 22 de Abril de 1616, aos 69 anos. “Os ossos vão-nos ajudar não só a descobrir como é que ele era [fisicamente], mas também como morreu”, disse ao “The Guardian” o historiador envolvido no projecto Fernando Prado. Nesta busca, o grupo de investigadores e arqueólogos recorrerá à utilização de um georadar que permitirá procurar com mais exactidão entre as paredes e o subsolo do mosteiro madrileno, que fica entre a rua Huertas e a Lope de Vega. Através de sinais radioeléctricos, o aparelho localizará possíveis vestígios materiais, a partir dos sinais específicos que os objectos emitem, com diferente intensidade e mensurabilidade. Ao “El País”, Luis Avial, especialista em georadar, exemplificou que “os ossos humanos emitem uma frequência 8 e a água uma frequência 1”. 
O projecto começou a ser delineado há cerca de 18 meses, quando Luis Avial se juntou a Fernando Prado. Os dois começaram por procurar na história referências não só a Miguel de Cervantes como ao mosteiro, pertencente à Ordem Trinitaria, e que foi construído em 1609 e alvo de reconstrução em 1673.
Ao longo da história têm surgido várias teorias em relação à localização dos ossos do escritor espanhol. Num estudo realizado por Mariano Roca de Togores em 1870, lê-se que Cervantes terá sido enterrado nas imediações do mosteiro. Mas há ainda documentos que situam os ossos numa reentrância da parede junta à horta do monumento e outros que colocam o escritor dentro da igreja que existe no interior do mosteiro, onde está uma lápide que recorda o seu enterro e o da sua mulher, Catalina de Salazar. 
Quando em 1673 o mosteiro sofreu a primeira reconstrução, os ossos terão sido mudados de lugar, segundo algumas referências históricas para um outro mosteiro ou convento, tendo voltado depois ao local inicial. Todas estas informações serão agora analisadas.
Fernando Prado espera apresentar os resultados do projecto até 2016, ano em que será comemorado o quarto centenário da morte de Miguel de Cervantes.

quarta-feira, julho 27, 2011

Vulcanismo raro detectado na face oculta da Lua



Descoberta explica uma concentração invulgar de tório num ponto entre as duas crateras Compton e Belkovich

Publicada na Nature Geoscience por um grupo internacional de investigadores, a descoberta resolve um enigma: o da origem de um grupo de estruturas identificado do outro lado da Lua, em 1998, pela sonda Lunar Reconaissance Orbiter, que contêm uma alta concentração de um elemento radioactivo chamado tório. Precebeu-se agora que a sua origem é vulcânica. O magma que ali escorreu era rico em sílica.
Leia mais pormenores no e-paper do DN.

Degelo do Árctico está a libertar substâncias tóxicas

25.07.2011, PÚBLICO 

O aquecimento do Árctico está a libertar químicos tóxicos que, durante anos, estiveram presos no gelo, alertam os autores de um estudo publicado ontem na revista “Nature Climate Change”.
As substâncias a ser libertadas para a atmosfera incluem os pesticidas DDT, PCB (bifenil policlorados) e Hexaclorobenzeno (HCB), todos conhecidos como POP (poluentes orgânicos persistentes) e estão proibidos desde 2004 pela Convenção de Estocolmo.
Até então, estes poluentes - transportados a longas distâncias -, acumularam-se nos solos e gelos do Árctico. Agora, com o aumento das temperaturas e com o recuo das placas de gelo, os poluentes acumulados começaram a libertar-se, explicou Jianmin Ma, da Agência de Ambiente do Canadá, e os seus colegas.
A equipa de investigadores analisou as concentrações de vários POP na atmosfera, de 1993 a 2009 em duas estações no arquipélago norueguês de Svalbard e no Grande Norte canadiano. Os dados foram comparados aos modelos informáticos que simulam os impactos das alterações climáticas nas concentrações atmosféricas daqueles poluentes.
“Os nossos resultados indicam que grandes quantidades de POP foram libertadas para a atmosfera do Árctico ao longo das duas últimas décadas”, resumem os investigadores.
Num comentário que acompanha o artigo científico, Jordi Dachs, do Instituto espanhol de diagnóstico ambiental e de estudo da água (Idaea-Csic), salienta que “milhares” de poluentes orgânicos persistentes poderão estar a comportar-se de forma semelhante.
Mas para Hayley Hung, da Agência de Ambiente do Canadá e uma das investigadoras que participou no estudo, isto é apenas o "início de uma história". "O próximo passo é descobrir que quantidade de POP existe no Árctico, quanto poderá ser libertada e quão depressa", disse ao jornal "The Guardian".
Segundo a Convenção de Estocolmo, os POP "são substâncias químicas que, possuindo certas propriedades tóxicas, resistem, contrariamente a outros poluentes, à degradação, o que as torna particularmente nocivas para a saúde humana e o ambiente". Estes poluentes "acumulam-se nos organismos vivos e propagam-se pelo ar, pela água e pelas espécies migratórias e acumulam-se nos ecossistemas terrestres e aquáticos".

terça-feira, julho 26, 2011

resposta a.....Obama, Moody's e mais alguns....

Dia dos Avós


Já foram pais e agora
depositam a ternura
nos netos que se transformam
nessa imensa aventura
que é verem continuado
o seu lugar nesta vida,
com palavras e sorrisos
que lhes lembram, afinal,
uma infância já esquecida.
Este é o dia do ano
em que retomam as raízes
daquilo que já foram
para ficarem mais felizes,
embalando com carinho
aquele que sem pressa
traça agora o seu caminho. 


José Jorge Letria

COLDPLAY "Violet Hill" version "Dancing with politicians"

segunda-feira, julho 25, 2011

homenagem aos Noruegueses

O naufrágio do Varuna na imprensa nova-iorquina




A imprensa internacional acompanhou, a par e passo, o naufrágio do veleiro pertença do 'mais rico americano solteiro' do início do século XX, acontecido nos mares do Porto Moniz

O Varuna era construído em aço, tinha duas hélices, deslocava-se a uma velocidade máxima de 17 nós, e o seu interior estava luxuosamente decorado.



Quem era E. Higgins




Na sequência do artigo de Patrícia Gaspar nesta mesma revista 'Mais' - no passado dia 15 -, sobre o destino trágico do Varuna traçado na costa norte da Madeira, a 16 de Novembro de 1909, fizemos uma pesquisa na coeva imprensa nova-iorquina, nomeadamente o New York Times (NYT), o New York Daily Tribune (NYDT) e o The Sun, a fim de constatarmos o modo pelo qual este acidente foi ali retratado, e confrontar esses dados com alguns que, na altura, foram publicados no Diário de Notícias.
Eugene Higgins (1860-1948), o proprietário do Varuna, era o herdeiro da fortuna do seu pai, que esteve ligado ao fabrico de carpetes. Possuía uma residência em Nova Iorque no cruzamento da 5th Avenue com a 34th Street, então a Meca da alta sociedade nova-iorquina, e onde actualmente se situa o Empire State Building. Era um 'bon vivant', que vivia sem preocupações, dedicando-se a viajar pelo mundo a bordo do seu iate. Para além disso, era também um desportista apaixonado pelo golfe, hipismo e esgrima, tendo sido, inclusivamente, o campeão nacional americano desta última modalidade em 1888.
A construção do Varuna Um artigo do NYT de 22 de Novembro de 1896, redigido pelo seu correspondente em Glasgow, na Escócia, referia que o Varuna, iate de 1500 toneladas construído num estaleiro naval de A. & J. Inglis of Pointhouse Partick, junto ao rio Clyde, já havia sido lançado à água e estava quase pronto para ser entregue ao seu proprietário, o milionário nova-iorquino Eugene Higgins. Referia que nenhum membro da nobreza britânica e ainda muitas cabeças coroadas da Europa não se podiam gabar de possuir um barco semelhante. O Varuna era construído em aço, tinha duas hélices, deslocava-se a uma velocidade máxima de 17 nós, era pintado de branco e o seu interior estava luxuosamente decorado, da proa à popa. Este iate possuía ainda amplos camarotes para o seu dono e convidados, revestidos em madeira de carvalho, e ainda alojamento para a numerosa tripulação. Tinha, ainda, estabilizadores, para proporcionar maior conforto aos passageiros durante as travessias marítimas mais agitadas, e entre as suas várias inovações contavam-se compartimentos de contra-afundamento, de modo a manter o iate a flutuar em caso de acidente.
Algumas curiosidades No livro 'Seductive journey: American tourists in France from Jefferson to the Jazz Age', de Harvey A. Levenstein, encontrámos a referência de que em 1897 o iate a vapor Varuna, de 306 pés de comprimento (93 metros), bateu o recorde da travessia do Atlântico em navios da sua categoria, indo dos Estados Unidos da América à França, com uma tripulação de 66 tripulantes, em apenas oito dias. Citando um jornal da época, o 'Paris Herald' de 27 de Janeiro de 1897, este autor refere que uma das características surpreendentes do Varuna era um compartimento onde se encontravam armazenados vários tipos de armas, em número suficiente para a tripulação repelir um ataque de piratas, se acaso fosse necessário.
Num artigo do NYT, de 1 de Agosto de 1909, referente aos iates modernos e ao seu custo de manutenção, o Varuna, de Eugene Higgins, era listado junto do Margarita, de Anthony J. Drexel, do Nahma, de Robert Goelet, e do North Star, de Cornelius Vanderbilt, sendo que no caso dos três primeiros a construção do casco, em aço de primeira qualidade, a montagem das caldeiras, motores, e equipamento diversificado tais como mastros, âncoras, cabos e botes importava na módica quantia de 750.000 dólares. E para manter um iate desta categoria era preciso despender a quantia de 90.000 a 100.000 dólares por ano, isto sem contar com as despesas suplementares decorrentes das longas viagens marítimas, onde estava incluída uma factura astronómica em carvão - consumia cerca de 300 toneladas por mês, o que redundaria numa despesa mensal de cerca de 1800 dólares. Por esta altura havia 14 iates a vapor inscritos no New York Yacht Club, com mais de 1000 toneladas de arqueação bruta, e o Varuna, de Eugene Higgins, ocupava a quinta posição, o que era sinónimo da sua imponência.
No entanto, tanta sumptuosidade tinha o seu preço. Segundo um artigo vindo a público no New York Daily Tribune (NYDT) de 2 de Agosto de 1909, os iates de americanos que haviam sido construídos no estrangeiro deveriam começar a pagar uma elevada taxa anual às finanças. No mesmo artigo foi feita uma estimativa de quanto o proprietário do Varuna teria de desembolsar face a esta nova lei, e foi apurada a quantia anual de 11.011 dólares. A 3 de Outubro, o mesmo jornal referia que três proprietários de iates sobre os quais impendia a nova taxa haviam pago a nova contribuição fiscal, calculada em 7 dólares por tonelada ou em 35% ad valorem, mas que outros, incluindo os donos dos navios cujas fotos figuravam na respectiva página do jornal, e onde estava patente a do Varuna, estavam a contestar esta nova taxa nos tribunais.
O percurso do Varuna antes do acidente Segundo noticia o NYDT de 16 de Setembro de 1909, Eugene Higgins havia chegado na véspera a Nova Iorque a bordo do Varuna, após se ter demorado cerca de um ano no estrangeiro, tendo passado o último Inverno no Mediterrâneo, e que dentro de um dia ou dois iria para Newport (no estado de Rhode Island). Efectivamente, dois dias depois, o mesmo jornal publicou algumas notícias chegadas de Newport, na véspera, por via telegráfica, entre as quais se encontrava a de que este milionário havia chegado de Nova Iorque a bordo do seu iate, trazendo consigo um grupo de convidados, entre os quais se contava o Conde de Mazelière e Crosby Whitman, de Paris, e que se demorariam por aquela famosa estância balnear - onde os multimilionários tinham as suas mansões para passarem o Verão - durante uma semana.
Na edição de 6 de Novembro do The Sun, foi publicado um despacho enviado de Hamilton, nas Bermudas, no dia anterior, segundo o qual o iate Varuna, com o seu proprietário e um grupo de amigos a bordo chegara àquele local na véspera, e o navio, que havia saído de Nova Iorque na terça-feira anterior, tinha tido uma viagem tormentosa. Seria o prenúncio do destino fatal que o aguardava.
Dois dias depois, o mesmo jornal publicou um despacho telegráfico recebido no dia anterior, da mesma localidade, segundo o qual o iate Varuna havia partido na véspera, de manhã, rumo à Madeira.
O naufrágio do Varuna na imprensa Na edição de 17 de Novembro de 1909 do NYT, este jornal de referência publicou o conteúdo de um telegrama recebido da Madeira no dia anterior, referindo que o Varuna, pertencente a Eugene Higgins, membro do New York Yacht Club, havia encalhado na costa noroeste e que dois rebocadores haviam ido em assistência ao navio (um lapso, visto que, segundo afirmou na altura o DN, foram o Gavião e o Açor, navios de cabotagem, que foram em seu auxílio).
Esta mesma notícia foi ainda publicada no NYDT na edição do mesmo dia, acrescentando alguns dados sobre Eugene Higgins e o seu iate, cujas últimas notícias remontavam à sua saída das Bermudas, a 5 de Novembro. Sobre o seu proprietário foi referido que contava 41 anos de idade (na verdade tinha 49), possuía uma fortuna pessoal estimada em 50 milhões de dólares, era licenciado pela Universidade de Columbia, sendo ainda membro dos mais famosos clubes de iates de Nova Iorque e da Europa. Foi, ainda, referido que passava a maior parte do tempo no seu Varuna, onde mantinha a disciplina de um navio de guerra, e que todos os seus convidados tinham de agir em conformidade com as suas orientações.

Notícias do Funchal




Na edição do dia 18 do NYT foram publicadas notícias emitidas do Funchal na véspera, dando conta do facto de Eugene Higgins e seus convidados se encontrarem bem, apenas se registando um desaparecido, de entre os membros da tripulação. Noticiou também que aquando do encalhe do iate, às duas da manhã, foram lançados botes à água com o dono do barco e seus convidados, que foram desembarcados em Ponta Delgada, indo alguns botes até o Porto Moniz e São Vicente. Os tripulantes de outro bote foram salvos por um vapor que passava por perto e foram trazidos para o Funchal. Nada foi salvo do iate, que foi arrastado por ondas revoltas para a costa, caracterizada por altas falésias e pequenas baías. Acrescentava que alguns dos náufragos permaneceram na costa, perto do local do naufrágio, enquanto que outras pessoas do grupo foram para algumas aldeias, onde foram alojados e alimentados. Era ainda referido que o mar se encontrava muito agitado naquele dia e que o Varuna embatia violentamente contra as rochas, e que apesar da sua estrutura em aço o navio parecia estar perdido. Este artigo termina referindo que este era um dos iates mais apalaçados até então existentes. A par de alguns dados sobre a sua construção e características, foi referido que os livros da sua biblioteca estavam avaliados em vários milhares de dólares, e que desde que havia sido lançado à água, o seu proprietário havia passado a maior parte do tempo a navegar pelo mundo, passando quase todos os Invernos no Mediterrâneo e Verões em redor da costa de Newport e do Maine. Segundo esta fonte, o Varuna havia deixado Nova Iorque, com o seu proprietário e alguns convidados a bordo, a 2 de Novembro, e três dias depois tinha chegado às Bermudas, de onde saíra no dia 7, em direcção à Madeira, para onde o grupo pretendia seguir viagem para Gibraltar e Mediterrâneo. Este artigo terminava referindo que Eugene Higgins tinha 51 anos (na verdade, repete-se, tinha apenas 49), havia herdado a fortuna do seu pai e que era regularmente referido como sendo o solteiro mais rico da América. A edição do mesmo dia do NYDT repetiu praticamente ipsis verbis o que noticiou o NYT, acrescentando que o Varuna estava cheio de água e que acreditava-se que ficaria destruído em pedaços. O jornal The Sun, de 18 de Novembro, por seu turno, referiu que alguns despachos emitidos do Funchal anunciavam que o esplêndido iate a vapor de Eugene Higgins, tinha encalhado na Madeira e estava a ser acossado por ondas revoltas, que provavelmente o destruiriam, e que o seu proprietário e os seus amigos haviam sido salvos. E ao chegar a terra o dono teria comunicado com o Funchal no sentido de pedir dois rebocadores para ver se ainda seria possível salvar a sua embarcação.
Causa desconhecida

A 20 de Novembro de 1909, o NYT publicou notícias recebidas de Lisboa, no dia anterior, referindo que eram doze os naúfragos do Varuna recolhidos dum bote à deriva - sem remos, em resultado da luta que tiveram com as ondas revoltas - ao largo da ilha pelo vapor inglês Hasperly. Concluía este artigo a referência que ascendia a 65 o número de pessoas salvas e que o iate havia sido abandonado como perdido. A mesma notícia foi ainda publicada, nos mesmos termos, no NYDT do mesmo dia.
A 22 de Novembro, o NYDT publicou um despacho recebido de Paris na véspera, dando conta do facto de que Eugene Higgins e os seus amigos haviam chegado bem ao Funchal. Quanto ao Varuna, foi referido que ainda ninguém se podia aproximar do iate, visto o mar ainda continuar alteroso e a abater-se sobre a embarcação. Foi ainda noticiado que o comandante afirmou que o iate estava fora da sua rota, por alguma razão desconhecida, e continuava a afirmar que uma corrente forte e estranha havia arrastado o navio para os baixios.
O NYT, de 27 de Novembro, divulgou notícias recebidas de Paris, no dia anterior, citando um especial para o Figaro, desde Madrid, segundo as quais Higgins havia dado 5000 dólares ao homem que o havia salvo, aquando do naufrágio do Varuna. O NYDT, do mesmo dia, também publicou esta notícia, pelas mesmas palavras.
A 28 de Novembro, o NYT noticiou que na véspera a tripulação do iate havia chegado a Southampton, com excepção do comandante, que havia ficado perto dos destroços na esperança de poder recuperar alguns bens de valor. Esta mesma notícia foi publicada na edição do NYDT do mesmo dia, sendo esta a última notícia deste jornal sobre este assunto. O mesmo assunto foi ainda veiculado na edição desse dia 28 do The Sun, acrescentando que os náufragos tinham viajado até Inglaterra no vapor Armandale Castle, e que os membros da tripulação haviam afirmado que existia pouca esperança de se salvar o Varuna, e que Eugene Higgins havia ficado no Funchal, juntamente com o comandante do iate. Esta também foi a última notícia deste jornal nova-iorquino sobre este naufrágio.
Epílogo de um naufrágio Após o desastre do Varuna, Eugene Higgins não teve pressa de regressar aos Estados Unidos da América. Afinal de contas, a sua viagem até à Europa, para passar o Inverno, tinha sido bruscamente interrompida.
O seu retorno à América ocorreu em Setembro de 1910, a bordo do navio Kronprinzessin Cecilie, da North German Lloyd, e foi noticiado no NYT a 15 de Setembro de 1910 por uma questão muito simples: tinha-se 'esquecido' de declarar à Alfândega do seu país as roupas que trouxe do estrangeiro, e foi condenado a pagar 3000 dólares de impostos sobre as mesmas. Em sua defesa alegou o desconhecimento de tal procedimento, visto que aqueles bens eram roupas que ele já usava há algum tempo. Alegou ainda que há já muito tempo que não chegava à América em navio a vapor de uma linha comercial, fazendo-se sempre transportar no seu iate Varuna e, apesar de fazer dele a sua residência, quando ficava em terra levava consigo poucos dos seus pertences.
A última notícia do NYT referente ao acidente do Varuna foi publicada a 20 de Março de 1911, e era proveniente de Paris, dando conta da decisão do governo francês de atribuir a Eugene Higgins uma medalha de ouro de 2.ª classe por salvamento, por aquando do naufrágio ter 'salvo' dois cidadãos franceses. Não deixa de ser curiosa esta notícia.
Há quem conjecture que o naufrágio do iate, que à altura contava 13 anos de idade, fora propositado. Se o foi ou não, não sabemos. Há a considerar o novo dado da sobretaxa que seria aplicada na América aos iates construídos no estrangeiro. Mas para o milionário Higgins isso seriam apenas 'peanuts'. O que se pode confirmar, face aos dados da imprensa nova-iorquina da época, é que o Varuna vinha em direcção à Madeira, onde contava fazer escala, antes de prosseguir viagem até Gibraltar e Mediterrâneo, daí se ter aproximado (em demasia) da nossa costa. Por seu turno, o DN de 17 de Novembro - o dia a seguir ao acidente - afirmou que o iate seguia das Bermudas para Marselha, citando o New York Herald (que não conseguimos consultar). E há ainda que ter em consideração o facto que o acidente ocorreu às duas da manhã e que toda aquela zona estava imersa em escuridão, visto que o farol da Ponta do Pargo ainda não tinha sido construído. Só o foi em 1922, apesar daquele local já estar referenciado para a edificação de um desde 1883, segundo refere J. Teixeira de Aguilar no livro Faróis da Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens. Chamamos ainda a atenção para outro dado curioso, referido no DN de 18 de Novembro, dois dias após o encalhe do Varuna, segundo o qual o iate ainda se mantinha direito. Devia-se isso ao facto dele possuir estabilizadores e os tais compartimentos especiais anti-afundamento? Julgamos que sim.
A terminar, apresentamos uma curiosa anotação referente ao nome deste iate. Varuna é o nome da deusa indiana do Oceano, que era também conhecedora e controladora de tudo, tendo ainda a seu cargo a administração da justiça. Seria o desfecho trágico deste iate um 'castigo' da deusa ocasionado pelas excentricidades de Eugene Higgins?...
Duarte Miguel Barcelos Mendonça, DN Madeira

NOTA DA REDACÇÃO - Ainda hoje e quando a maré está baixa, do Calhau das Achadas da Cruz se podem avistar as caldeiras do "Varuna"

domingo, julho 24, 2011

o massacre de Oslo

The video that Anders Behring Breivik posted on YouTube before he attacked Oslo City with a bomb who killed 7 people, and atferwards killed almost 90 youth people at Utøya outside Oslo

Do "lixo" à reciclagem

"Tem de haver tontos e sabidos"
 Jacinta Nunes, Porto Moniz 1902-1996

Quando alguém nesta Região, o único importante talvez, ergueu a voz e chamou de tontos a todos os que não concordam com os 80 milhões já enterrados na marina do Lugar de Baixo, lembrei-me da "Ti Jacinta", do Roque, analfabeta, mas que tinha tiradas certas e filosóficas.
Numa Ilha em que os sabidos dão nas vistas por variadíssimas razões e não tendo, por isso, tempo para justificar, por exemplo, a aplicação das verbas do POSEIMA, o povo vai correndo túneis de festa em festa: da cereja para a banana, da cebola para a da semilha murcha, do limão para as vindimas, da castanha para o pêro, da feira do gado para as 24 horas a bailar, da mostra da cana para a mostra da poncha, da semana do Mar….para o Chão da Lagoa!
Assim se vai reboleando o Povo, sempre contente e alegre apesar do custo dos combustíveis, em eventos que lembram o "pão e circo" de há muitos séculos.
Só que o pão começa a faltar e há-de escassear em muitos lares dados os índices de pobreza conhecidos e, assim sendo, não haverá palhaço sabido que contente as famílias já tontas de deitar contas à vida.
O Governo Regional, crivado de dívidas, é uma ameaça à estabilidade social. Enquanto puder pagar, vamos andando, quando não a lei da troika que alargou sem medida certa o conceito de justa causa liberalizando o despedimento individual, for posta em prática, então será maior o desconforto, a carência social e todos somos chamados à solidariedade.
Adaptam-se procederes aos prazos eleitorais, anunciam-se hoje obras que nunca serão iniciadas ou, se o forem, não serão concluídas pela simples razão de que não haverá dinheiro ou permissão para maior endividamento - lei do FMI que o Sr. Presidente do Governo Regional tanto queria que entrasse no País (há gravações à TV).
Chovem conselhos de quem já podia ter desatado a língua, invocando agora os mais pobres, os sacrifícios e não sei como ainda não lamentou o corte do 13º mês na reforma de 800,00 € da mulher…
A própria Igreja, da cúpula maior à mais pequena, lembra os desfavorecidos como lhe compete. Entretanto o nobre povo queima em foguetes e arraiais milhares de euros em apenas 48 horas. E é tempo de crise!
O alastramento da globalização e o capitalismo neoliberal instalado na Europa, parecem ter diminuído a capacidade intelectual de governação, quase impotência mental, comandando o interesse de alguns não o de todos.
Quando provamos do mesmo lixo, a reciclagem faz mais sentido!

Maria Teresa Góis
DiárioNotícias Madeira, 24/07/11

KIA Optima

sábado, julho 23, 2011

pequena homenagem à Amy

Amy Winehouse encontrada morta em casa

A cantora Amy Winehouse, de 27 anos, terá sido encontrada morta em sua casa, em Camden, a norte de Londres. A informação foi avançada pela SkyNews, mas sem mais pormenores.

La chute d’une météorite en Bretagne fait le buzz sur Internet

Rédigé par Seb - Samedi 23 juillet 2011
FRANCE — Ce mardi vers 05h15 une météorite aurait explosé dans le ciel breton, tandis que les témoignages affluent sur Internet et que les mystères entourant cette météorite enflamme la toile, les scientifiques et les internautes s’exercent à un tracage de sa trajectoire dans le but d’en trouver des fragments.
Pricilla Abraham, la directrice du planétarium de l’Espace des sciences à Rennes qui mène une enquête de terrain dans le but d’identifier avec précision la trajectoire de la météorite, indique que depuis mardi les témoignages affluent et que les gens ont envie de parler du bang supersonique qu’ils ont observés dans le ciel de Bretagne. Ils considèrent tous avoir vécu une expérience tout à fait extraordinaire.
Pour Albert Jambon, professeur de géochimie à l’Université Pierre et Marie Curie (Paris VI), il ne fait aucun doute quand au fait que ce qui a explosé dans le ciel de Bretagne est bien une météorite. De son côté, ce professeur tente aussi de localiser le lieu où serait tombé la météorite en analysant les témoignages sur Internet. Selon des informations qui font état d’une luminosité de magnitude -12, la météorite aurait explosé à environ 10 kilomètres d’altitude et elle serait tombé dans un rayon d’environ 50 kilomètres autour de la ville de Rennes.
Les internautes aussi cherchent à localiser le point de chute de la météorite. Ils échangent des informations sur les forums de discussions et les sites Internet spécialisés dans le but de retrouver des fragments.
Tioga Gulon, passionné d’astronomie et membre du Réseau français d’observation de météores (REFORME), explique que pour certains internautes l’objectif est d’aider la science, d’autres veulent ajouter un fragment de météorite à leur collection et d’autres cherchent ces fragments dans un but purement financier.
Selon le professeur Albert Jambon, pour qui l’intérêt est scientifique, la composition isotopique d’une météorite contient de précieuses informations sur la formation du système solaire. D’autant plus si la chute est récente, car l’érosion n’a pas encore eu le temps de l’altérer. Il indique par ailleurs que les gens qui pensent que des fragments de météorites valent des fortunes font erreurs, il explique que ces fragments n’ont pas une grande valeur financière et que leurs intérêts est avant tout scientifique.

como servir asinhas de frango aos amigos.....

recebido por email

Descoberta nova lua em Plutão

Observações foram feitas pelo telescópio espacial Hubble no início deste mês.
Mesmo despromovido da sua anterior condição de planeta, Plutão, que é agora um planeta-anão, continua a dar alegrias aos cientistas. Graças ao telescópio espacial Hubble, os astrónomos descobriram mais uma lua de Plutão, a quarta. Temporariamente designada P4 (P de Plutão, 4 por ser a quarta lua), este novo corpo celeste nos confins gelados do sistema solar vem juntar-se às outras três luas conhecidas na órbita de Plutão: Charon, Hydra e Nix.
Esta P4 é a lua mais pequena das quatro, com um diâmetro para já estimado entre os os 13 e os 34 quilómetros. Charon, a maior das quatro, tem mil quilómetros de diâmetro. Já Nix e Hydra têm respectivamente 32 e 113 quilómetros de diâmetro.
A descoberta foi feita pelo telescópio Hubble, durante observações realizadas no início deste mês, no âmbito de um programa de observação sistemática daquele longínquo planeta-anão que está a preparar a missão da NASA New Horizons, com viagem marcada para lá em 2015.
"É uma descoberta fantástica", disse o principal investigador da missão New Horizons, Alan Stern, citado num comunicado da NASA. "Agora que sabemos que há uma nova lua no sistema de Plutão poderemos planear voos específicos para fazer ali observações", sublinhou o mesmo investigador.
A nova lua está situada entre as órbitas de Nix e Hydra, duas luas cuja descoberta também foi feita pelo Hubble, em 2005. Charon já era conhecida desde 1978.(DN,Lisboa)

sexta-feira, julho 22, 2011

Chanceler do Conselho das Ordens Nacionais.


«O Presidente da República aprovou, esta segunda-feira, a nova composição dos três Conselhos das Ordens Honoríficas Portuguesas, cabendo a Manuela Ferreira Leite o lugar de Chanceler do Conselho das Ordens Nacionais.

O Cavaco dá-nos a todos o sentimento de segurança, o exemplo de como no meio da tormenta e da crise se pode viver num oásis de prosperidade e elegância. Cá fora fala-se da redução do tamanho do estado, dos muitos institutos que não servem para nada, de serviços que não fazem falta e que é necessário extinguir. Até dos que fazem falta já falam. Lá dentro recebem-se convidados, amigos e até se nomeiam Chanceleres e Conselhos.
Já houve quem me dissesse que tem mesmo de ser assim, pois aquele é o último reduto, o símbolo da nossa independência como Nação, que a manutenção da tradição e do protocolo é que fazem o país ser aquilo que é. Acabei por concordar, é por isso que continuamos a ser aquilo que somos. 

in:WEKAOSINTHEGARDEN

Nota da Redacção - Não sei para que sirva esta nomeação a não ser para depauperar ainda mais o erário público.Mas não foi só ela, há mais amigos:Vasco Rocha Vieira nomeado chanceler das antigas Ordens Militares e António Pinto França  das Ordens de Mérito Civil.... Os portugueses que vão julgando a escolha que fizeram....essa responsabilidade não a tenho! 

Novo álbum de Chico Buarque cria expectativa

Com pré-venda, entrevista e lançamento pela Internet, o cantor brasileiro Chico Buarque conseguiu vender até agora, e sem sair de casa, 8.000 unidades do novo álbum, que só chega às lojas a partir de sexta-feira.
O número não parece imponente, especialmente se comparado com os discos mais vendidos da História, mas é uma vitória na luta contra a pirataria e contra os descarregamentos gratuitos na Internet.
Os assessores responsáveis lembram que este é apenas o primeiro "lote" de exemplares destinado aos fãs mais ansiosos, já que a venda em loja começa de verdade a partir da próxima semana.
Quem adquiriu o CD "Chico" em pré-venda já começou a recebe-lo em casa desde quarta-feira, dia em que houve um lançamento virtual, no qual Chico Buarque fez, a partir de casa no Rio de Janeiro, uma apresentação ao vivo pela Internet de duas das novas canções, "Sinhá" e "Nina".
A actuação, que durou 30 minutos e foi transmitida ao vivo na página do cantor na Internet, registou 147.000 acessos, sendo 15.000 simultâneos, segundo informações de sua assessoria.
A sobrelotação chegou a bloquear a página por alguns instantes, mas Chico Buarque repetiu os agradecimentos que fizera no começo para não desagradar os fãs que tinham perdido o início da apresentação.

foto do dia

foto de Vladislav Peter

quinta-feira, julho 21, 2011

Homem pisou a Lua há 42 anos

21 de Julho de 1969: o Mundo parou para ver Neil Armstrong pisar a Lua e proferir uma frase histórica: "Um pequeno passo para o Homem, um salto gigantesco para a Humanidade".



Somália, hoje



Nota da Redacção - Prendemo-nos, tantas vezes, com coisas tão pequenas que ao olhar estas imagens temos a dimensão do que vale uma gota de água....São 4 milhões a morrer de fome, de sede, de todas as carências. Uma décima parte do que se gasta em armamento no Mundo, erradicava a fome.Pensemos nisto.

este livro que despejo

  - por António Aleijo

Depois da tanga e do tango
da crise,  da roubalheira
do financeiro desmando
que do País fez lixeira


Eis que a Nação continua
no seu coma habitual
nada mudou: nem na rua
nem no lar sacramental


Como de simples novela
se se aguardasse o final
(não fosse quem está a vê-la
personagem principal )


E aguardando o desfecho
como se de história alheia
-mexe-te tu, eu não me mexo
gosto de estar na plateia-


(ser estulto é ser feliz
é o dito conveniente
que se lixe pois o País
com Europa e Mundo à frente)


O povo aguarda expectante
(e nada há a esperar)
será bom ser ignorante
se o lobo anda a rondar?


cidadão não te contentes
com a estupidez larvar:
quando lhe sentires os dentes
será tarde para opinar!

Sonda 'Dawn' fez os primeiros retratos do Vesta

As imagens enviadas para a Terra pela sonda da NASA são as mais detalhadas de sempre daquele asteróide gigante.
Vesta, o segundo maior asteróide do sistema solar, depois de Ceres, já tem uma fotografia de primeira plano que, pela primeira vez, permite observar a sua superfície rugosa, onde são agora visíveis crateras, barrancos, elevações e vales. As imagens foram captadas pela sonda Dawn, da NASA, que no último fim-de-semana entrou na órbita daquele asteróide, e que fez as imagens quando se encontrava a 16 mil quilómetros da sua superfície.
Durante o próximo ano a sonda vai permanecer na órbita de Vesta para fazer o seu estudo detalhado. Ainda em fase de aproximação, uma operação lenta que vai durar as próximas três semanas, a sonda começará a enviar dados científicos a partir de Agosto para o Jet Propulsion Laboratory (JPL), da NASA, onde está sediada a missão.
Com 530 quilómetros de diâmetro, Vesta está na órbita do Sol numa região conhecida por cintura de asteróides, situada entre entre Marte e Júpiter, onde se concentram milhares destes corpos rochosos que se pensa serem restos de planetas que por ali ficaram, aquando da formação do sistema solar, há mais de 4,5 mil milhões de anos.
A missão da Dawn tem por objectivo, justamente, recolher informação sobre aquele corpo celeste, para melhor compreender esse início do sistema solar. Como afirma o investigador Christopher Russel, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (Estados Unidos), que está envolvido na missão, "estamos a iniciar o estudo da superfície de um corpo que é a mais antiga e que chegou até hoje no seu estado primordial". São esses segredos primordiais que os cientistas querem ali estudar.

quarta-feira, julho 20, 2011

Um pedaço de ADN que nos chegou dos Neandertais

Estudo de investigadores canadianos mostra que populações de origem sub-sariana não têm essa informação genética 
O enigma durava há dez anos, desde que um grupo de investigadores da Universidade de Montreal, no Canadá, coordenado por Damian Labuda, isolou um bocado de ADN (informação genética) no cromossoma X que parecia diferente. Isso intrigou os investigadores porque aquele pedacinho aparentava ter origem numa população mais arcaica.
O mistério resolveu-se agora. Aquele bocado de ADN é hoje partilhado por todos os grupos humanos de todos os continentes, à excepção dos que têm origem na África sub-sariana. Ou seja, é uma herança genética directa dos homens de Neandertal, o que confirma que houve cruzamento - e descendência - entre os Homo sapiens e os Neandertais.


in:DN, ciência

terça-feira, julho 19, 2011

Há Que Instruir o Povo, mas...

Há que instruir o povo. Afigura-se-nos, porém, que é presunção demasiada, em nosso parecer, pelo menos, pensar que o povo sem mais nem para quê vai ouvir-nos de boca aberta. Porque o povo não é um rebanho de carneiros! Mais ainda: estamos convencidos de que compreende, ou pelo menos pressente, que nós, os senhores, tão-pouco sabemos nada, ainda que nos apresentemos como mestres, e que precisamos que alguém nos ensine primeiro; eis por que efectivamente não respeita a nossa ciência, ou pelo menos não a ama.
Quem tiver tido algum comércio com o povo poderá verificar por si próprio esta impressão. Para que o povo nos ouça, efectivamente, de boca aberta, há que começar por merecê-lo, isto é, por ganhar a sua confiança, o seu respeito e essa nossa ideia de que basta usarmos da palavra para ele nos ouvir boquiaberto... não é a mais indicada para granjearmos a sua confiança e muito menos a sua estima. Mas o povo compreende-o. Não há nada que o homem entenda melhor que o tom com que nos dirigimos a ele, o sentimento que ele nos inspira. A ingénua crença na nossa incomensurável sabedoria relativamente ao povo antolha-se-lhe grotesca e em muitas ocasiões considera-a mesmo ofensiva.
E se, de repente, o povo também se convencesse (se o não sabe, suspeita-o) de que podia ensinar-nos alguma coisa, e nós, sem dar-lhe ouvidos, nem presumir semelhante coisa, rindo-nos das suas ideias e acolhendo com arrogância as suas instruções! E dizermos que o povo podia ensinar-nos muita coisa, quanto mais não fosse a maneira de o instruirmos.

Fiodor Dostoievski, in 'Diário de um Escritor'

como eu vejo a ilha

segunda-feira, julho 18, 2011

a "democracia" de WC do PSD da Madeira

fonte: Diário de Noticias, Madeira

Jaime Ramos cancela apresentação da festa do Chão da Lagoa devido à presença do DIÁRIO

Secretário-geral do PSD agrediu verbalmente jornalista

A convocatório (ver anexo) dizia que o Secretariado do PSD ia apresentar a Festa do Chão da Lagoa deste ano, pelas 11 horas, na herdade com o mesmo nome, pertencente à Fundação Social Democrata.
À chegada do DIÁRIO/TSF ao local, fomos recebidos com estranheza, alegadamente por não termos sido convidados para o evento. Um membro do Secretariado disse mesmo que Jaime Ramos havia dito que se o DIÁRIO estivesse presente, não haveria conferência de imprensa.
Uns minutos depois, chegou ao local o secretário-geral do PSD, que foi conferenciar com os demais membros do Secretariado presentes.
Logo de seguida, Jaime Ramos dirigiu-se aos jornalistas, onde nos encontrávamos, e distribuiu umas folhas e um folheto, deixando de fora o DIÁRIO. Anunciou também que devido à nossa presença, já não haveria conferência de imprensa.
Questionado se poderíamos ter um exemplar dos documentos distribuídos, Jaime Ramos disse que não convivia com "paneleiros" (sic). A partir daí foi um conjunto alargado de agressões verbais, com predominância do calão e de acusações pessoais ao jornalista. Jaime Ramos chamou de "filho da p...a", "mentiroso", "corrupto", e de estar feito com "eles" e de ter recebido dinheiro para escrever e convidou o jornalista a ir "para o c..." ou para um "chiqueiro" que haveria nas redondezas.
Aparentemente com a perfeita noção do que dizia, Jaime Ramos, pelo meio das agressões verbais, desafiou: "Escreve isto tudo".

 

A Flor

Pede-se a uma criança. Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis.A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.
Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase que não resistiu.
Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais.
:Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor!
As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor!
Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas, são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!    


Almada Negreiros

foto do dia

Nota da Redacção - Será que nem isto nos faz pensar? Será que as imagens do Sudão, Etiópia, etc não nos afectam? Saberemos nós que o Algarve bem como a zona do Caniçal na Ilha da Madeira estão a caminhar para o abismo desértico?

domingo, julho 17, 2011

À procura de fundos para comprar o livro mais antigo da Europa

in: PUBLICO
A British Library (BL) precisa de 2,75 milhões de libras (uns 3,3 milhões de euros) para conseguir comprar "o livro intacto mais antigo da Europa" - conhecido como Evangelho de São Cuthbert. Por isso, a biblioteca nacional britânica anunciou ontem oficialmente o lançamento de uma campanha de angariação de fundos.
O Evangelho de São Cuthbert é uma cópia manuscrita, em latim, do Evangelho de São João, data de finais do século VII e teve uma história atribulada. Foi enterrado em Lindisfarne, por volta do ano 698, juntamente com o corpo de São Cuthbert - um dos santos mais venerados na Inglaterra não só daquele tempo (período anglo-saxónico), mas também após a conquista do país pelos normandos em 1066. Em 875, quando os vikings invadiram Lindisfarne, o caixão e o seu conteúdo foram levados por um grupo de monges em fuga. Após sete anos de andanças, os monges enterraram o santo naquilo que viria a ser a catedral de Durham.
O livro, que foi descoberto em 1104 quando o caixão de São Cuthbert foi reaberto, foi depois colocado numa capela atrás do altar da catedral. A seguir à Dissolução dos Mosteiros pelo rei Henrique VIII de Inglaterra, no século XVI, passou a pertencer a uma série de coleccionadores privados.
Em 1979, foi emprestado à BL pelo seu proprietário actual, a Província Britânica da Companhia de Jesus. Mas no ano passado, a BL foi contactada pela Christie"s e informada de que a obra estava à venda. A BL, onde o livro está exposto, tem preferência de compra e o preço acordado é de nove milhões de libras (10,3 milhões de euros). 
A sua "belíssima" capa original, de couro vermelho trabalhado, chegou até nós "em excelente estado de conservação", lê-se na nota da BL, que salienta tratar-se do "único manuscrito de elevado estatuto datado desse período crucial da história britânica a ter subsistido na sua aparência original, tanto exterior como interior".
Desde o início do ano, a BL já arrecadou parte dos fundos necessários: metade do dinheiro virá do National Heritage Memorial Fund, com a Art Fund e a Garfield Weston Foundation a contribuírem com 250 mil libras cada uma e outras fundações com montantes não especificados. Mas faltam 2,75 milhões de libras para fechar o negócio - e a BL tem até 31 de Março de 2012 para passar o cheque.

sábado, julho 16, 2011

Sobre a ordenação de mulheres

por ANSELMO BORGES - DN, Lisboa, hoje
Nas últimas duas semanas, a ordenação de mulheres alcançou grande relevo nos media. Por causa de declarações inesperadas do cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo. Numa entrevista publicada no Boletim da Ordem dos Advogados declarara que "teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental" à ordenação de mulheres. A recusa está baseada apenas na tradição.
A declaração teve eco em importantes órgãos de informação estrangeiros. Tanto mais quanto aparecia pouco tempo depois de um bispo australiano ter sido demitido devido à mesma abordagem do tema, e o vaticanista Andrea Tornelli fez notar que a declaração ia contra a doutrina afirmada por João Paulo II e Bento XVI.
Como seria de prever, choveram os protestos, provindos, segundo se diz, sobretudo do Opus Dei e do próprio Vaticano. As reacções, algumas de "indignação", obrigaram o patriarca a um esclarecimento, recuando. Nele, confessa a necessidade de "olhar para o tema com mais cuidado", acrescentando: "Verifiquei que, sobretudo por não ter tido na devida conta as últimas declarações do Magistério sobre o tema, dei azo a essas reacções." E reproduz a carta Ordinatio Sacerdotalis, de João Paulo II: "Declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja."
Quando se pensa, vê-se aqui a tipificação do que é na Igreja o respeito pelo direito de opinião e expressão. Depois, não se atende à vontade de tantos bispos a quem não só não repugnaria como até gostariam de ordenar mulheres. Ficou famosa a afirmação de D. Eurico Nogueira, então arcebispo de Braga: "Gostava de ver uma mulher no meu lugar."
As mulheres têm motivos para estar zangadas com a Igreja, que as discrimina. Jesus, porém, não só não as discriminou como foi um autêntico revolucionário na sua dignificação, até ao escândalo: veja-se a estranheza dos discípulos ao encontrar Jesus com a samaritana, que tudo tinha contra si: mulher, estrangeira, herética, com o sexto marido. Condenou a desigualdade de tratamento de homens e mulheres quanto ao divórcio. Fez-se acompanhar - coisa inédita na época - por discípulos e discípulas. Acabou com o tabu da impureza ritual. Estabeleceu relações de verdadeira amizade com algumas. Maria Madalena constitui um caso especial nesta amizade: ela acompanhou-o desde o início até à morte e foi ela que primeiro teve a intuição e convicção de fé de que Jesus crucificado não fora entregue à morte, pois é o Vivente em Deus. 

Santo Agostinho, apesar da sua misogenia, declarou-a apóstola dos apóstolos, devido ao seu papel fundamental na convocação dos outros discípulos para a fé na Ressurreição. Aliás, já São Paulo na Carta ao Romanos pede que saúdem Júnia, "apóstola exímia".
Evidentemente, os opositores vêm sempre com aquela dos Doze Apóstolos, entre os quais não consta nenhuma mulher. Esquecem que na instituição dos Doze se trata de uma acção simbólica, para indicar que começava o novo povo de Deus. Como as mulheres e as crianças na altura não contavam, o símbolo perderia a sua eficácia, se se falasse também de mulheres entre os Doze.
E também se diz que na Última Ceia não houve mulheres. Ora, esta afirmação é contestada por grandes exegetas. Depois, o famoso biblista Herbert Haag, da Universidade de Tubinga, com quem tive o privilégio de privar, ironizou: como eram só judeus os presentes, então a Igreja só devia ordenar homens judeus.
Sobretudo: é sabido que as primeiras comunidades cristãs se reuniam na casa de cristãos mais abastados, e quem presidia era o dono ou a dona da casa. Então, se já foi possível mulheres presidirem à Eucaristia...
A questão tem, pois, de ser revista. Para não ferir este princípio fundamental do Concílio Vaticano II: "Toda a forma de discriminação nos direitos fundamentais da pessoa por razão de sexo deve ser vencida e eliminada, por ser contrária ao plano divino."

Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal;

Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.
Outro é o português que o não é. Começou com a invasão mental estrangeira, que data, com verdade possível, do tempo do Marquês de Pombal. Esta invasão agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a República. Este português (que é o que forma grande parte das classes médias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) é o que governa o país. Está completamente divorciado do país que governa. É, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, é estúpido.
Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas, criou a civilização transoceânica moderna, e depois foi-se embora. Foi-se embora em Alcácer Quibir, mas deixou alguns parentes, que têm estado sempre, e continuam estando, à espera dele. Como o último verdadeiro Rei de Portugal foi aquele D. Sebastião que caiu em Alcácer Quibir, e presumivelmente ali morreu, é no símbolo do regresso de El-Rei D. Sebastião que os portugueses da saudade imperial projectam a sua fé de que a famí1ia se não extinguisse.
Estes três tipos do português têm uma mentalidade comum, pois são todos portugueses mas o uso que fazem dessa mentalidade diferencia-os entre si. O português, no seu fundo psíquico, define-se, com razoável aproximação, por três característicos: (1) o predomínio da imaginação sobre a inteligência; (2) o predomínio da emoção sobre a paixão; (3) a adaptabilidade instintiva. Pelo primeiro característico distingue-se, por contraste, do ego antigo, com quem se parece muito na rapidez da adaptação e na consequente inconstância e mobilidade. Pelo segundo característico distingue-se, por contraste, do espanhol médio, com quem se parece na intensidade e tipo do sentimento. Pelo terceiro distingue-se do alemão médio; parece-se com ele na adaptabilidade, mas a do alemão é racional e firme, a do português instintiva e instável.
A cada um destes tipos de português corresponde um tipo de literatura.
O português do primeiro tipo é exactamente isto, pois é ele o português normal e típico. O português do tipo oficial é a mesma coisa com água; a imaginação continuará a predominar sobre a inteligência, mas não existe; a emoção continua a predominar sobre a paixão, mas não tem força para predominar sobre coisa nenhuma; a adaptabilidade mantém-se, mas é puramente superficial — de assimilador, o português, neste caso, torna-se simplesmente mimético.
O português do tipo imperial absorve a inteligência com a imaginação a imaginação é tão forte que, por assim dizer, integra a inteligência em si, formando uma espécie de nova qualidade mental. Daí os Descobrimentos, que são um emprego intelectual, até prático, da imaginação. Daí a falta de grande literatura nesse tempo (pois Camões, conquanto grande, não está, nas letras, à altura em que estão nos feitos o Infante D. Henrique e o imperador Afonso de Albuquerque, criadores respectivamente do mundo moderno e do imperialismo moderno) (?). E esta nova espécie de mentalidade influi nas outras duas qualidades mentais do português: por influência dela a adaptabilidade torna-se activa, em vez de passiva, e o que era habilidade para fazer tudo torna-se habilidade para ser tudo.
 
Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional. Fernando Pessoa (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução organizada por Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1979.
 

sexta-feira, julho 15, 2011

o Zé Povinho actualizado....

este é para a Moody's....ora toma!

Céu e Inferno

Um Samurai alto e forte, de carácter violento e rude, foi procurar um pequeno Monge, calmo e muito pacífico...
«Monge - disse autoritáriamente - ensina-me o que é isso do “Céu” e do “Inferno”! O Monge, franzino, olhou para o temível guerreiro e respondeu com a mais absoluta calma:
«Ensinar-te algo sobre o céu e o inferno? A ti? Nem pensar! Eu não te posso ensinar coisa alguma! Olha bem para ti, estás imundo, diria mais, nojento! O teu cheiro é insuportável. A lâmina da tua espada está enferrujada, és uma vergonha, uma humilhação para a classe dos Samurais. Some-te da minha vista! Não consigo suportar a tua presença horrorosa!
O Samurai nem queria acreditar no que estava a ouvir. Por instantes ficou boquiaberto, mas logo reagiu: as palavras do pequeno Monge fizeram eco dentro de si e a fúria veio à superfície como um vulcão quando entra em erupção.
Então o Samurai estremeceu de ódio, o sangue subiu-lhe ao rosto, e mal conseguiu dizer uma só palavra de tanta raiva. Num gesto rápido, empunhou a espada enferrujada, ergueu-a sobre a cabeça e preparou-se para decapitar o Monge.
Nesse mesmo instante o Monge disse-lhe sem pestanejar:
«Aí está... isso... é o Inferno.»
O Samurai, mais uma vez, ficou pasmado e deteve-se. Testemunhou a serenidade, a compaixão e absoluta dedicação daquele pequeno homem, que colocou a própria vida em risco para lhe ensinar algo.
O Guerreiro baixou lentamente a espada e, cheio de gratidão subitamente pacificado pela sabedoria daquele ser, baixou os olhos e a cabeça numa atitude de humildade.
Nesse mesmo segundo, o Monge disse-lhe com serenidade:
«Aí está... isso... é o Céu.»
Reiki - As Raízes Japonesas

como eu vejo a ilha

Ilhéu Mole, Vila Porto Moniz e Ilhéu da Janela, Ribeira da Janela, Porto Moniz

quinta-feira, julho 14, 2011

afinal....

Descobertos manuscritos inéditos que podem ser de Guerra Junqueiro

Uma caixa com várias centenas de manuscritos, que se acredita possam ser de Guerra Junqueiro (1850-1923), foi descoberta na colecção duma casa privada, no Norte do país. A notícia foi avançada pela Antena 1, que cita e ouve Antero Braga, da Livraria Lello, a quem o espólio foi mostrado e confiado na tarde de ontem.

Depois de analisar os documentos, o livreiro ficou com a firme convicção de que se trata de manuscritos do autor de “A Velhice do Padre Eterno”. “A letra, o tipo de papel, em que se nota a erosão do tempo, mesmo se está em óptimo estado, e também os atilhos usados, além das datas (da década de 1890), apontam todos para que sejam manuscritos de Guerra Junqueiro”, reafirmou hoje ao PÚBLICO Antero Braga. O livreiro lembra, de resto, que a antecessora da Lello, a Chardron, fundada em 1869, foi a primeira editora do escritor. E a livraria tem mesmo actualmente em exposição numa das suas paredes uma carta enviada por Guerra Junqueiro a Ernesto Chardron. “A semelhança da letra é clara”, diz Antero Braga, que, no entanto, nota que a confirmação da autenticidade da autoria só poderá ser feita por especialistas.
O espólio pertence a um cliente da Lello, que quis manter o anonimato. Antero Braga adianta que os documentos deverão ter pertencido ao bisavô do actual proprietário, que terá sido alguém com relações de amizade e de grande proximidade com Guerra Junqueiro.
O espólio é composto por folhas soltas, cartas e outros textos manuscritos, alguns dos quais “parecem ser projectos de livros”, diz o livreiro da Lello. A sua primeira preocupação, em acordo com o proprietário, foi depositar os documentos num banco. Seguir-se-ão contactos com especialistas em Guerra Junqueiro e também com a Biblioteca Nacional, para a definitiva confirmação da autoria.
Antero Braga não sabe ainda que destino é que o proprietário irá depois dar ao espólio. Mas espera que ele possa ser preservado e mantido em Portugal.
Abílio Guerra Junqueiro nasceu em Freixo de Espada à Cinta, em 1850. Estudou Teologia, mas formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Foi funcionário público, e enveredou pela vida política, primeiro como deputado do Partido Progressista, depois abraçando a causa republicana. Como escritor e poeta, tornou-se um dos autores mais populares da sua época, com livros como “A Velhice do Padre Eterno”, “Os Simples”, “Pátria” e “Horas de Combate”. Morreu em Lisboa, em 1923, com 72 anos.
in:PUBLICO