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quinta-feira, dezembro 29, 2011

Alves Redol (na celebração do seu centenário)

Para o Cuco, almirante de um navio de cana, a grande aventura, a verdadeira, vivera-a ele durante a noite.
Ainda agora se embala nessa aventura maravilhosa de viajar num barco mágico, onde acabara por nascer duma simples folha um mastro com vela grande e verde. Parecia mesmo um pendão. Só assim pudera entrar pelo mar dentro –
Para o Cuco, almirante de um navio de cana, a grande aventura, a verdadeira, vivera-a ele durante a noite.
Ainda agora se embala nessa aventura maravilhosa de viajar num barco mágico, onde acabara por nascer duma simples folha um mastro com vela grande e verde. Parecia mesmo um pendão. Só assim pudera entrar pelo mar dentro – nem sabia bem aonde chegara! –,embora acossado por vagas e temporais medonhos.
A viagem sonhada fora-lhe preciosa. Aprendera nela muitas coisas de marinhagem, de que aproveitaria quando repetisse, ao vivo, essa aventura misteriosa. Ah, sim, tem a certeza, e agora mais do que nunca, de que irá construir um barco seu, arrebanhando quantas canas e tábuas consiga encontrar na aldeia.
Há-de preparar o navio com todo o preceito, sem esquecer o mais importante. Para mastro arranjará um pau de varejar azeitona. O pai tem um guardado no palheiro; é alto e verga-se bem. Tirará a vela dum lençol velho, mesmo remendado. Precisa de oferecer ao vento uma boa concha para lhe soprar com força.
Não, não pode ficar-se por uma jangada qualquer feita à matroca com dois molhos de canas amarrados por arames, à toa. Assim iriam, quando muito, até perto de Bucelas. E ele precisa de alcançar terras mais distantes…
Quer chegar a serralheiro de navios, há-de construir alguns que deitem fumo, desses que aguentam em cima com o povo inteiro do Freixial. Não conhece ofício mais bonito!...
Precisa de mostrar às pessoas que merece andar com fato-macaco de duas alças. Não é serralheiro de ferro-velho, como já o Evaristo Bacalhau lhe chamou a brincar. Um navio custa mais a fazer do que uma casa e o seu barco novo há-de espantar toda a gente…
Daí por um ano, quando fizer o exame, o pai irá levá-lo aos estaleiros, como prometeu:
– Eh, mestre!... Precisa cá de um aprendiz?...
Ele poderá acrescentar sem melindres para ninguém:
– Aprendiz não é bem assim… Já fiz um barco… Já pus sozinho um barco a navegar. Vim da minha terra até aqui…
Vive para esse grande e único sonho, nascido à vista do Tejo, quando o levaram a Lisboa pela primeira vez. Constantino sente-se investido na dignidade de guardador desse sonho. E sabe que o passará inteirinho para as suas mãos.
Quando voltar à cidade, não dirá com espanto nos olhos:
– Ena pai, tanta água!... Donde vem esta água toda?!...
Conhece agora os mistérios da água e do mar. Aprendeu muitas coisas boas e sábias, e vai usá-las, pois então!
Quando?!...
Por enquanto é segredo. O Constantino quer fazer uma surpresa à Ti Elvira, porque a avó lhe disse um dia: cresce e aparece. E o nosso amigo Cuco sabe também que o verdadeiro tamanho de um homem se mede pela coragem e pelas obras.
Amanhã mesmo ele vai continuar a construir o seu barco. Já o meteu no estaleiro do coração, conhece-o de cor, e o resto é fácil…

Alves Redol, Constantino, Guardador de Vacas e de Sonhos, 18.ª ed., Lisboa, Editorial Caminho, 1998
nem sabia bem aonde chegara! –,embora acossado por vagas e temporais medonhos.
A viagem sonhada fora-lhe preciosa. Aprendera nela muitas coisas de marinhagem, de que aproveitaria quando repetisse, ao vivo, essa aventura misteriosa. Ah, sim, tem a certeza, e agora mais do que nunca, de que irá construir um barco seu, arrebanhando quantas canas e tábuas consiga encontrar na aldeia.
Há-de preparar o navio com todo o preceito, sem esquecer o mais importante. Para mastro arranjará um pau de varejar azeitona. O pai tem um guardado no palheiro; é alto e verga-se bem. Tirará a vela dum lençol velho, mesmo remendado. Precisa de oferecer ao vento uma boa concha para lhe soprar com força.
Não, não pode ficar-se por uma jangada qualquer feita à matroca com dois molhos de canas amarrados por arames, à toa. Assim iriam, quando muito, até perto de Bucelas. E ele precisa de alcançar terras mais distantes…
Quer chegar a serralheiro de navios, há-de construir alguns que deitem fumo, desses que aguentam em cima com o povo inteiro do Freixial. Não conhece ofício mais bonito!...
Precisa de mostrar às pessoas que merece andar com fato-macaco de duas alças. Não é serralheiro de ferro-velho, como já o Evaristo Bacalhau lhe chamou a brincar. Um navio custa mais a fazer do que uma casa e o seu barco novo há-de espantar toda a gente…
Daí por um ano, quando fizer o exame, o pai irá levá-lo aos estaleiros, como prometeu:
– Eh, mestre!... Precisa cá de um aprendiz?...
Ele poderá acrescentar sem melindres para ninguém:
– Aprendiz não é bem assim… Já fiz um barco… Já pus sozinho um barco a navegar. Vim da minha terra até aqui…
Vive para esse grande e único sonho, nascido à vista do Tejo, quando o levaram a Lisboa pela primeira vez. Constantino sente-se investido na dignidade de guardador desse sonho. E sabe que o passará inteirinho para as suas mãos.
Quando voltar à cidade, não dirá com espanto nos olhos:
– Ena pai, tanta água!... Donde vem esta água toda?!...
Conhece agora os mistérios da água e do mar. Aprendeu muitas coisas boas e sábias, e vai usá-las, pois então!
Quando?!...
Por enquanto é segredo. O Constantino quer fazer uma surpresa à Ti Elvira, porque a avó lhe disse um dia: cresce e aparece. E o nosso amigo Cuco sabe também que o verdadeiro tamanho de um homem se mede pela coragem e pelas obras.
Amanhã mesmo ele vai continuar a construir o seu barco. Já o meteu no estaleiro do coração, conhece-o de cor, e o resto é fácil…

Alves Redol, Constantino, Guardador de Vacas e de Sonhos, 18.ª ed., Lisboa, Editorial Caminho, 1998

Alves Redol (no centenário da sua morte)

terça-feira, dezembro 27, 2011

Península Ibérica é "Imagem do Dia" da NASA


Uma imagem da Península Ibérica, captada durante a noite pela Estação Espacial Internacional (ISS), no início do mês de dezembro, foi hoje colocada online pela NASA na categoria de «Imagem do dia».

As luzes de Portugal e Espanha definem a Península Ibérica nesta fotografia da ISS. Diferentes áreas metropolitanas dos dois países são visíveis e marcadas por zonas iluminadas, sendo estas relativamente grandes e brilhantes, tais como Madrid ou Lisboa. A cidade de Sevilha, visível a norte do estreito de Gibraltar, é uma das maiores cidades espanholas.
A agência norte-americana partilha na sua página oficial que pretende partilhar com o público, imagens, historias e descobertas sobre o clima e meio ambiente, baseadas em investigações. Para além de Portugal e Espanha, a agência ainda põe em evidência o estreito de Gibraltar, França e o norte de África.
A Península Ibérica é a mais ocidental das três grandes penínsulas do sul da Europa, sendo as outras a Península Itálica e os Balcãs. É formada pelos territórios de Portugal, Espanha, Gibraltar, Andorra e uma pequena fração do território de França. Tem aproximadamente 590 mil quilómetros quadrados e é banhada pelo Oceano Atlântico e pelo Mar Mediterrâneo.

fonte

o último a chegar à colecção

O que significa @ no e-mail?

 
 
  Durante a Idade Média os livros eram escritos pelos copistas, à mão.
 Precursores dos taquígrafos, os copistas simplificavam seu trabalho
  substituindo letras, palavras e nomes próprios por símbolos, sinais e
  abreviaturas. Não era por economia de esforço nem para o trabalho ser mais  rápido (tempo era o que não faltava, naquela época!). O motivo era de
  ordem econômica: tinta e papel eram valiosíssimos.
  Assim, surgiu o til (~), para substituir o m ou n que nasalizava a vogal
  anterior. Se reparar bem, você verá que o til é um enezinho sobre a letra.
 
  O nome espanhol Francisco, também grafado Phrancisco, foi abreviado para Phco e Pco ? o que explica, em Espanhol, o apelido Paco.
 
  Ao citarem os santos, os copistas os identificavam por algum detalhe
  significativo de suas vidas. O nome de São José, por exemplo, aparecia
  seguido de Jesus Christi Pater Putativus, ou seja, o pai putativo (suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde, os copistas passaram a adotar a abreviatura JHS PP, e depois simplesmente PP. A pronúncia dessas letras em sequência explica por que José, em Espanhol, tem o apelido de Pepe.
 Já para substituir a palavra latina et (e), eles criaram um símbolo que
  resulta do entrelaçamento dessas duas letras: o &, popularmente conhecido como e comercial, em Português, e, ampersand, em Inglês, junção de and (e, em Inglês), per se (por si, em Latim) e and.
E foi com esse mesmo recurso de entrelaçamento de letras que os copistas  criaram o símbolo @, para substituir a preposição latina ad, que tinha, entre outros, o sentido de casa de.
  Foram-se os copistas, veio à imprensa - mas os símbolos @ e & continuaram
  firmes nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de
  unidades da mercadoria e o preço. Por exemplo: o registro contábil 10@£3
 significava 10 unidades ao preço de 3 libras cada uma. Nessa época, o
  símbolo @ significava, em Inglês, at (a ou em).
   No século XIX, na Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio e a
  indústria procuravam imitar as práticas comerciais e contábeis dos
  ingleses. E, como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses
  davam ao símbolo @ (a ou em), acharam que o símbolo devia ser uma unidade de peso. Para isso contribuíram duas coincidências:
  1 - a unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba, cujo
  inicial lembra a forma do símbolo;
  2 - os carregamentos desembarcados vinham frequentemente em fardos de uma arroba. Por isso, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registro de 10@£3 assim: dez arrobas custando 3 libras cada uma. Então, o símbolo @ passou a ser usado por eles para designar a arroba. 
  O termo arroba vem da palavra árabe ar-ruba, que significa a quarta parte: uma arroba ( 15 kg , em números redondos) correspondia a 1/4 de outra medida de origem árabe, o quintar, que originou o vocábulo português quintal, medida de peso que equivale a 58,75 kg .  As máquinas de escrever, que começaram a ser comercializadas na sua forma definitiva há dois séculos, mais precisamente em 1874, nos Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar seus originais  datilografados), trouxeram em seu teclado o símbolo @, mantido no de seu
 sucessor - o computador.
  Então, em 1972, ao criar o programa de correio eletrônico (o e-mail), Roy
  Tomlinson usou o símbolo @ (at), disponível no teclado dessa máquina,
  entre o nome do usuário e o nome do provedor. E foi assim que
  Fulano@Provedor X ficou significando Fulano no provedor X.
   Na maioria dos idiomas, o símbolo @ recebeu o nome de alguma coisa
  parecida com sua forma: em Italiano, chiocciola (caracol); em Sueco,
  snabel (tromba de elefante); em Holandês, apestaart (rabo de macaco). Em
  alguns, tem o nome de certo doce de forma circular: shtrudel, em iídisch;
  strudel, em alemão; pretzel, em vários outros idiomas europeus. No nosso,
 manteve sua denominação original: arroba.

sábado, dezembro 24, 2011

o último a chegar à colecção

Presépio com íman, muito origianl, oferta da Amiga Filó. Muito obrigada e que Deus Menino te proteja e à tua maravilhosa Família.
Uma piedosa lenda de Natal conta que o Menino Jesus sentado num troneto brincou tecendo uma coroa de espinhos.

E um espinho machucou seu dedo indicador da mão direita.


Nesse momento, com ciência profética, Ele previu os sofrimentos que haveria de aceitar para redimir o genro humano.


Em sua doçura de criança e na candura de sua inocência infinita Ele pressentiu as dores lancinantes de sua Paixão e Morte na Cruz.

Veja vídeo

Jesus do Espinho

Contemplou também a glória de sua Ressurreição. Anteviu a Redenção da humanidade, o triunfo universal da Igreja e da Cristandade.

escola de Murillo
Na iconografia tradicional, o Menino Jesus do Espinho aparece sentado numa poltrona com braços de madeira, estofada em veludo vermelho, meditando sobre os futuros tormentos da Paixão.

Numa outra tela do célebre pintor espanhol Francisco de Zurbarán (1598-1664)  o Menino Deus contempla o dedo sangrando.

O rosto mais sereno parece velado pelo presságio do sofrimento vindouro trazido pela ferida.

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Noite feliz


Dói tanto que se pudesse diria:
me fere de lepra.
Mas que importa a Deus o monte de carne podre?
Tem piedade de mim, Vós, cujo filho duas vezes gritou,
apesar de ser Deus. Me dá um sonho.
É como se meu pai não me amasse
e não tivesse dado a vida por mim.
Só belos versos, não.
Uma linha depois da outra,
tão finamente escritas,
com tão primoroso fecho
- e o que sinto é cansaço.
Basta a beleza própria
da estocada das coisas no meu peito.
Comer, sonhar, talvez morrer, quem sabe?
A morte existe, ó pai?
Sei que na Polónia católica
ninguém escreveu com estas mesmas palavras
na carrocinha de doces:
'Para todos e sua família desejo um feliz natal.'
No Brasil sim, na minha rua,
usando uma língua pobre e uma caneta de cor,
alguém sentiu o inefável.
Não se perderá o fermento, ó comadre.
Bebem? Não pagam as contas?
- Vamos fazer um teatro.
Tem a máscara do boi, do burro,
as vestes de José e Maria,
tem a roupa do homem que negou hospedagem
mas que veio depois, depois da estrela,
dos anjos, depois dos pobres pastores, e que mais recebeu.
Porque não merecia.
Sou miserável.
Um monte de palha seca
é obra de minhas mãos.
Tem piedade de mim,
desce, orvalho do céu,
desce sobre nós,
restabelece o fio das conversas saudáveis.
Traze a fresca manhã.


Adélia Prado
in:  Terra de Santa Cruz, 1981

quinta-feira, dezembro 22, 2011

o último a chegar à colecção

Feito pela Amiga LINA MARIA JESUS, que hoje recebi, a quem agradeço a lembrança, o engenho e a arte. Afinal nem nos conhecemos  a sua disponibilidade tocou-me. Bem haja. E que o Menino a protega a si e asos seus. Grande e reconhecido abraço. Tuka

Sonho


Ontem sonhei que sonhava
e me mantinha desperto
contente por me escapar
de um mundo que me era incerto

seguro porque voltava
ao que é lógico e real
à vida que firme sabe
do que é bem e do que é mal

quando tornei a dormir
já rompia a madrugada
e na clara luz não tinha
certeza alguma de nada

Agostinho da Silva

terça-feira, dezembro 20, 2011

medicina para Portugal

Bolo Família (receita do Brasil)

Farinha - 2 chávenas
Açúcar - 1 chávena e 1/2
2 colheres de sopa cheias de margarina amolecida
2 ovos inteiros
10 colheres de sopa de mel de cana
1 cálice de cachaça (ou aguardente branca)
1 cálice de vinho seco (corrente)
1 colher de sopa de canela
1 colher sobremesa noz moscada moída (menos um pouco)
1 colher sobremesa rasa de bicarbonato de soda
frutos secos picados e frutas cristalizadas


Amoleça a margarina.Junte o mel, o açúcar os ovos, a canela, a aguardente e o vinho, a farinha com a soda. Verta numa forma grande. Forno a 180 graus cerca de 50 minutos.

Nota da redacção - tal qual o da foto, quentinho e tudo.É dos tais que não dá trabalho e acerta sempre. Esta receita foi-me cedida ontem, por uma gentil senhora brasileira.

o último a chegar à colecção

Presépio "hand made", em lã, pela minha Amiga e comadre Quita, de enorme valor estimativo para mim.
Obrigada 'Miga!

Descoberto local milenar de sacrifícios humanos

Investigadores identificaram tumba colectiva numa região do norte do País com restos de 60 pessoas

O cenário é o Bosque de Pomac, no Vale Lambayeque, ao longo das margens do rio Leche, no Norte do Peru. Ali, há 1400 anos, desenvolveu-se a majestosa civilização Sican pré-inca, governada por reis-sacerdotes, que trabalhou os têxteis, a metalurgia e as cerâmicas.Construtores de pirâmides, os Sican faziam, como agora se verifica, sacrifícios humanos. fonte DN, Lisboa

Chove. É dia de Natal.


Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Fernando Pessoa

domingo, dezembro 18, 2011

"serei um dia o Mar"




já ÉS O MAR, Sérgio Borges!

Sérgio Borges e conjunto Académico de João Paulo

Surpreendeu-me, hoje de manhã, a partida de SÉRGIO BORGES. Não posso esquecer a "revolução" e loucura que foram os seus concertos no Tivoli, o entusiasmo e alegrias contagiantes, a sensação de liberdade, de coisa nova que, então, trouxeram à música portuguesa.
 Até sempre Sérgio Borges.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

quinta-feira, dezembro 15, 2011

a tradição das Missas do Parto

Em louvor de Maria de Nazaré, começam dia 15 de Dezembro, congregam o povo para a parte religioa que, após a Missa, se torna em convívio....

quarta-feira, dezembro 14, 2011

o último a chegar à coleção

oferta do Rui Vicente, grande coleccionador de pacotes de açúcar. O meu obrigada

A "chuva de estrelas" mais potente do ano


A chuva de meteoros Gemínidas, a mais potente do ano, vai alcançar, esta quinta-feira de madrugada, a sua máxima actividade, podendo ser avistada até sexta-feira a partir de quase todos os lugares da Terra.
foto NASA
A "chuva de estrelas" mais potente do ano

A chuva de estrelas baseia-se naquilo a que vulgarmente chamamos estrelas cadentes e que são restos deixados pelos cometas na sua órbita em volta do Sol em locais que a Terra atravessa periodicamente.
Mas o espectáculo desta semana é diferente, por as partículas espaciais não serem restos de um cometa, mas de um estranho objecto rochoso designado 3200 Faetón, que liberta escombros empoeirados, as chamadas Gemínidas.
A Agência Espacial norte-americana (NASA) desafia os internautas a assistirem esta noite em directo à "chuva de estrelas" através da Internet, pela página "Up All Night with NASA".
Os especialistas da NASA responderão em directo às dúvidas dos internautas desde o Centro Marshall para Voos Espaciais a partir das 23.00 horas locais (04.00 horas de quinta-feira em Portugal continental).
A lua dificultará a observação da "chuva de estrelas", mas se o céu estiver limpo prevê-se que possam ser observadas cerca de 40 Gemínidas por hora.  fonte JN

As Sete Penas do Amor Errante


Eu não sei se os teus olhos se gaivotas
mas era o mar e a Índia já perdida
as ilhas e o azul o longe e as rotas
minha vida em pedaços repartida.

Eu não sei se o teu rosto se um navio
mas era o Tejo a mágoa a brisa o cais
meu amor a partir-se à beira-rio
em uma nau chamada nunca mais.

Eu não sei se os teus dedos se as amarras
mas era algo que partia e que
ficava. Ou talvez cordas de guitarras
ó meu amor de embarque desembarque.

Eu não sei se era amor ou se loucura
mas era ainda o verbo descobrir
ó meu amor de risco e de aventura
não sei se Ceuta ou Alcácer Quibir.

Eu não sei se era perto se distante
mas era ainda o mar desconhecido
ou Camões a penar por Violante
as sete penas do amor proibido.

Eu não sei se ventura se castigo
mas era ainda o sangue e a memória
talvez o último cantar de amigo
amor de perdição amor de glória.

Eu não sei se teu corpo se meu chão
mas era ainda a terra e o mar. E em cada
teu gesto a grande peregrinação
das sete penas do amor lusíada.


Manuel Alegre

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Organigrama do MUNDO

Biscoitos de Amêndoa


500gr. de amêndoa moída
4 ovos inteiros
400 gr de manteiga (mesmo)
600 gr de açúcar
1 Kg de farinha
2 colheres de café de fermento Royal
raspa de 1 limão q. b.


Moa a amêndoa, junte-lhe os ovos, a manteiga amolecida, a raspa de limão, e a farinha com o fermento. Amasse (pacientemente) bem. Deixe descansar pelo menos meia hora. Tenda bolas, argolas ou palitos e, querendo, passe o garfo em cima. São deliciosas. Penso que com nozes ficarão também boas mas ....será para a próxima.
Se achar muita a quantidade faça metade. Deixe-as arrefecer bem de um dia para o outro e, então guarde.

domingo, dezembro 11, 2011

Passo a Passo para o Natal

 
Dezembro sombrio, como se quer o Dezembro. O frio, a brisa e o cinzento do céu lembram que, a passos rápidos mas não certos, chegamos à "Festa", ao Natal!
Mas o Natal (o tal que aconteceria sempre que o Homem quisesse), deixa marcas, sulcos, em cada um de nós. É o tempo das recordações, das Alegrias, do Presente, da Família, dos que estão sós… A Paz não será celebrada, a Fome não será mitigada e a indiferença, a par da solidariedade, vigorará.
Há, no Funchal, a animação da época: cor, movimento, alegria, luz, espectáculo. É convidativa uma cidade que assim recebe.
Depois, espera-nos um ano indecifrável e difícil. Novos impostos e limitações, novo custo de vida, onerando os mais pobres e a classe média.
Cortam-se "gorduras" reais e virtuais, criam-se novos cargos de direcção e reduzem-se outros, engorda-se à mesma o "emprego" aos amigos, familiares dos amigos enquanto no Centro de Emprego, que se deveria chamar de Desemprego, famílias desesperam.
Fechou-se a Direcção Regional de Educação e Reabilitação Especial, alegando que poderia ser integrada noutra. Talvez que a vice-presidência do Governo pudesse ter menos cargos em prol da manutenção desta Direcção.
Que "Natal" terão, pelo ano fora, estas crianças que não pediram para nascer diferentes e a quem professores dedicados dão o seu melhor, não só no ensino e na educação, mas também no carinho e na preocupação. Vem-me à memória o trabalho conseguido e realizado pelo prof. Eleutério de Aguiar, as sementes que deixou e também o modo como foi afastado!
Em vez de gorduras, cortam magrezas. O povo, aos soluços, vai conhecendo o pouco que escapa de um discurso chato, repetitivo, cansativo, estéril e sempre com bodes expiatórios. A pretensa governação regional acabou, perdeu-se a conquista autonómica, lavrada em cimento e obras valiosas, pelo seu desmedido custo e inépcia de aproveitamento. Nada mudou nas eleições regionais a não ser a esperança da Mudança, hoje mais próxima.
O tempo das festas acabou. Finalmente!
Levaremos um ano "troikado", a falar verdade olhos nos olhos e nos bolsos.
Mas não percamos o ânimo da sobrevivência e da Alegria.
É Natal.
Mais do que tudo, é tempo de reunião, de saber sorrir, de saber pensar nas crianças que perderam a DRERE, nos inúmeros desempregados, nos pobres cujo índice aumenta todos os dias, nos que estão sós e saber olhar para além do sombrio do céu, a luz.


Maria Teresa Góis
"Sinais dos Tempos", Diário Notícias Madeira, 11-12-2011

dia internacional das montanhas


É áspera a americana cordilheira,
nevada, hirsuta e dura,
planetária:
o azul dos azuis é ali que jaz,
o azul solidão, azul secreto,
o ninho do azul, o lápis-lazúli,
o esqueleto azul da minha pátria.

A mecha arde, cresce o estalido
e esmigalha-se então o peito à pedra:
depois do dinamite é ténue o fumo
e sob o fumo o ossamento azul
e os terrões de pedra ultramarina.

Oh catedral dos azuis enterrados,
pequeno abalo de cristal azul,
olho do mar coberto pela neve
uma outra vez à luz voltas da água,
ao dia, à pele clara
do espaço,
ao céu azul volta o terrestre azul.


Pablo Neruda


(de As Pedras do Céu, in Por Outras Palavras, traduções de António Manuel Couto Viana, Vega, 1997 / original: Las piedras del cielo, 1970)

sábado, dezembro 10, 2011

tradições de Natal - a função do porco

o porco do "Zé Baixinho"
Nota da redacção - hoje de manhã tinha tirado fotografia ao animal quando ainda o estavam limpando. Ao porco do Zé e ao do Paulo. Por azar não me dei conta que a máquina estava sem bateria. Agora de tarde, cá está ele, a escorrer, para depois ser "picado" e guardado.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

o último a chegar à coleção

Pintado pelos doentes do Hospital Psiquiátrico das Irmãs Hospitaleiras, Lisboa
(oferta da Manela)

dia internacional contra a CORRUPÇÃO

Nota da Redacção - Neste país que se chama Portugal, por roubar um chocolate num supermercado ou uma lata de atum, desde que apanhado, vai-se de imediato a tribunal. Mas se desviarem milhões de contas bancárias levando Bancos à falência, o processo demora anos, ou seja, tudo depende dos intervenientes. Se é pobre, o processo corre mesmo que seja um assalto a um banco, se for crime de colarinho branco, dura, dura. dura......às vezes até prescrever!

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Cemitério de escravos de Lagos é único no mundo


Maioria dos 155 esqueletos encontrados estavam em posições estranhas, o que indica que terão sido atirados para o local. Nunca se encontrou antes nenhum local como este.

Quando rumaram a Lagos, no início de Janeiro de 2009, para uma escavação de salvamento devido à construção de um parque de estacionamento no exterior da muralha antiga, no vale da Gafaria, a arqueóloga Maria João Neves e a antropóloga Maria Teresa Ferreira não podiam imaginar que as esperava uma descoberta incrível e única no mundo: a de um cemitério com 155 esqueletos, que abre uma nova porta para a história da escravatura em Portugal.