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quinta-feira, dezembro 31, 2009

como sair de Repente para Kagar?



“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, - que já têm a forma do nosso corpo -  e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É tempo da travessia e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos”.



FERNANDO PESSOA

É Possível Estarmos Todos Errados?

É possível (...) que não se tenha visto, conhecido e dito nada de real e importante? É possível que se tenha tido milénios para olhar, reflectir e anotar e que se tenha deixado passar os milénios como uma pausa escolar, durante a qual se come fatias de pão com manteiga e uma maçã?
Sim, é possível.
É possível que, apesar das investigações e dos progressos, apesar da cultura, da religião e da filosofia, se tenha ficado na superfície da vida? É possível que até se tenha coberto essa superfície - que, apesar de tudo, seria qualquer coisa - com um pano incrivelmente aborrecido, de tal modo que se assemelhe aos móveis da sala durante as férias de Verão?
Sim, é possível.
É possível que toda a História Universal tenha sido mal-entendida? É possível que o passado seja falso, precisamente porque sempre se falou das suas multidões, como se dissertasse sobre uma aglomeração de pessoas, em vez de falar de uma única, em torno da qual elas estavam, porque se tratava de um desconhecido que morreu?
Sim, é possível. É possível que se tenha julgado ser preciso recuperar o que aconteceu antes de se ter nascido? É possível que se tivesse de lembrar a cada um que ele, de facto é proveniente de todos os antecessores, tendo ele disso conhecimento e não devendo dar ouvidos a outros que soubessem outras coisas?
Sim, é possível.
É possível que todas estas pessoas conheçam em pormenor um passado que nunca houve? É possível que todas as realidades nada sejam para elas; que a sua vida decorra, desligada de tudo, como um relógio numa sala vazia?
Sim, é possível
É possível que nada se saiba das raparigas que, no entanto, vivem? É possível que se diga «as mulheres», «as crianças», «os rapazes» e não se faça a mínima ideia (apesar de toda a cultura não se faça a mínima ideia) de que há muito que estas palavras não têm plural, mas apenas inúmeros singulares?
Sim, é possível.
É possível que haja gente que diga «Deus» e julgue que se trate de algo comum a todos? - E veja-se apenas dois rapazinhos de escola: um compra um canivete, e o seu vizinho compra outro tal qual no mesmo dia. E uma semana depois mostram um ao outro os dois canivetes, e acontece que eles só muito de longe se parecem - tão diferentemente evoluíram em mãos diferentes. (Ora, diz a mãe de um deles a esse respeito: vocês têm sempre por força de desgastar logo tudo!). Ah, pois: é possível acreditar que se possa ter um Deus sem se recorrer a Ele?
Sim, é possível.
Porém, se tudo isto é possível, se tem mesmo só uma aparência de possibilidade - então, por tudo o que há no mundo, é preciso que aconteça alguma coisa. O primeiro indivíduo, o que teve estes pensamentos inquietantes, deve começar a fazer alguma coisa do que se perdeu; mesmo que seja um qualquer, certamente o menos indicado: mais nenhum há que o possa fazer.


Rainer Maria Rilke, in 'As Anotações de Malte Lauridis Brigge'

NOTA DA REDACÇÃO -  É COM ESTAS POSSÍVEIS E IMPOSSÍVEIS REALIDADES, QUE NÃO SÃO DE AGORA MAS QUE SE PERPETUAM NAS MENTES, NAS VIDAS, NAS INDIFERENÇAS, BNOS EGOÍSMOS, QUE VOS DEIXO O MEU VOTO DE MUDANÇA, PARA MIM, PARA TODOS NÓS, PARA 2010. SEJAM AUTÊNTICOS, DETERMINADOS, PARA SEREM FELIZES.
tukakubana 

Meu País desgraçado



Meu país desgraçado!...
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas ...

Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
— busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!

Povo anémico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
— olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desfere-a prezam!


Sebastião da Gama






quarta-feira, dezembro 30, 2009

Casa onde nasceu Orwell transformada em museu

A casa na localidade indiana de Motihari onde George Orwell nasceu, em 1903, vai ser transformada num museu dedicado ao autor dos livros ‘1984’ e ‘O Triunfo dos Porcos’, dois dos livros mais importantes do século XX. 
George Orwell era o pseudónimo do britânico Eric Arthur Blair, nascido na Índia porque o pai era um funcionário colonial encarregue de controlar a produção de ópio, que na altura era exportado para a China. Mais tarde, Motihari seria palco de protestos de agricultores encabeçados pelo futuro líder Gandhi.
"A casa estava num estado lamentável", disse ao jornal britânico ‘Daily Telegraph’ o secretário das Artes e Cultura do estado de Bihar.
Especialmente irónico é o facto de a casa onde Orwell viveu o primeiro ano de vida estar até agora ocupada por animais.

«Peter» eleito o melhor bar do mundo para navegadores


Bar situado na Horta, Faial, distinguido em competição que visa criar rede de pontos de referência para os marinheiros

O Peter - Café Sport, na Horta, Faial, foi eleito o melhor bar do mundo para navegadores, numa competição que pretende criar uma rede de pontos de referência para os marinheiros nas suas viagens pelo mundo, refere a Lusa.
Nesta primeira edição, o «Peter» - como é vulgarmente conhecido - conquistou o primeiro lugar, deixando em segundo o Royal Hong Kong Yacht Club, enquanto a terceira posição foi conquistada pelo IYAC, em Newport, EUA.
Na lista dos 10 melhores bares do mundo para navegadores encontram-se ainda locais em St. Barts, nas Ilhas Virgens Britânicas e nas Bermudas.
O «Peter» é uma referência para os velejadores de todo o mundo, que fazem deste bar um ponto de encontro e de troca de mensagens nas suas viagens.
O bar está localizado nas imediações da Marina do Faial, a quarta mais visitada do mundo por embarcações de navegação ao largo, que recebe anualmente cerca de 1.200 embarcações.
A localização desta marina, com 300 pontos de amarração, oferece abrigo contra ventos de todas as direcções, o que a torna uma escala quase obrigatória para os veleiros que viajam entre as Caraíbas e o Mediterrâneo.
O concurso do melhor bar do mundo para navegadores, que se realizou pela primeira vez, é uma iniciativa da Wight Vodka, que já anunciou a intenção de passar a realizar esta iniciativa todos os anos, com o objectivo de definir pontos de referência para os navegadores que cruzam os mares do planeta.

 

só para os inteligentes e ociosos....

Quero ver quem consegue!!!!
(Tem que ser muito bom em matemática)
 
Matemáticos! Engenheiros! Contabilistas! Economistas! Inteligentes em geral !!!
Tentem resolver esta questão e depois vejam a resposta mais abaixo..
Dizem que foi uma das questões do vestibular da Fuvest e que provocou muita polêmica.  
Qual o próximo número da sequência abaixo?

2, 10, 12, 16, 17, 18, 19,... 
pense....... 
pense mais........ 
pennnnnnnnnnnnnnnnnnnse !!!!!!  
 
Resposta:
O próximo número da sequência é
200 .

Todos os números começam com a
letra D .
 

uma outra forma de ver 2009

Explicada a orelha cortada de Van Gogh?


Um dos mistérios da História de Arte está num quadro do pintor holandês Vincent Van Gogh, de 1889. Num auto-retrato, o pintor aparece com uma orelha enfaixada, sem nunca ter explicado o que aconteceu. Uma das teorias apontava para que tivesse sido Paul Gauguin, pintor francês e amigo de Van Gogh, a cortar a orelha ao pintor, em resultado de uma discussão.
Mas existe agora uma nova teoria. Martin Bailey, especialista em arte e autor de um livro sobre o pintor holandês, afirmou que Van Gogh cortou a sua orelha depois de receber a notícia do casamento do irmão, Theo. "Vincent receeou perder o apoio emocional e financeiro do irmão", escreveu Martin Bailey, na edição de Janeiro do Art Newspaper , segundo o Timesonline . Theo era negociante de arte, tinha estado na origem do lançamento do trabalho do irmão e pagava-lhe mensalmente.
O especialista de arte baseia a sua teoria num envelope pintado num quadro de Van Gogh ( Drawing board pipe onions and Sealing Wax , 1889). Depois de o analisar ao microscópio, Bailey diz ter descoberto o número 67. Esse seria o número da estação de correios da Place des Abbesses, perto da casa do irmão do pintor, em Montmartre, Paris. O envelope representaria a carta escrita por Theo, em Dezembro de 1888, anunciando o seu casamento.
O quadro que ajudou a explicar o mistério.
O quadro que ajudou a explicar o mistério.

Várias teorias procuraram explicar o que aconteceu à orelha do pintor. Investigadores da Universidade de Hamburgo afirmaram que foi Paul Gauguin, pintor francês, que cortou a orelha a Van Gogh, depois de uma discussão por causa de uma prostituta. No entanto, o Museu de Van Gogh em Amesterdão afastou essa teoria.
Em dez anos de carreira artística (1880-1890) Van Gogh pintou cerca de 864 quadros, muitos apenas conhecidos depois da sua morte em 1890, aos 37 anos.

Novo vírus da gripe na Ásia é nova ameaça de pandemia


Depois da pandemia de gripe A - ainda longe de estar terminada, alerta a OMS - os cientistas viram a sua atenção para outros vírus das aves  capazes de infectar os humanos e gerar outras pandemias. Em Hong Hong, voltou a aparecer o H9N2.
O caso de uma menina chinesa de três infectada por um vírus da gripe que raramente afecta os humanos, o H9N2, está a preocupar as autoridades de saúde mundiais. É que este é um dos vírus das aves que os cientistas têm debaixo de olho como possível fonte de uma nova pandemia, logo a seguir ao mais conhecido H5N1, da gripe aviária.
As autoridades chinesas identificaram o H9N2 na criança, atendida num hospital de Hong Kong com sintomas de gripe. A menor teve alta a 11 de Dezembro e está completamente recuperada, mas o aparecimento do vírus fez as autoridades notificarem a Organização Mundial de Saúde (OMS).
É raro o H9N2 afectar humanos: desde 1999 só foram detectados sete casos, incluindo este. Todos tiveram pouca gravidade. Mas, mesmo assim, as autoridades de Hong Kong recomendam que se evite o contacto com aves de capoeira, o foco habitual destes vírus. Aliás, tal como o seu "primo" mais famoso - e também mais mortal - o H5N1.
Estas são as duas "ameaças" pandémicas que se mantêm desde os últimos anos do século XX e ambas vêm das aves, o grande reservatório natural dos vírus da gripe, explicou ao DN o virologista Jaime Nina. É isso que torna tão difícil o seu controlo e impossível a sua erradicação, conclui.
Assim, apesar da primeira pandemia do século XXI ter vindo do América do Norte, surpreendendo os cientistas, estes continuam atentos ao Oriente. A secretária-geral da OMS, Margaret Chan, reafirmou ontem que espera que o planeta nunca tenha de enfrentar uma pandemia de gripe das aves, para a qual não estamos preparados. É que, apesar de o H9N2 parecer pouco agressivo, o H5N1 mata cerca de 60% das pessoas que infecta: 263 pessoas desde 1997, segundo a OMS.
Felizmente, nem um nem outro arranjaram ainda maneira de se transmitir facilmente entre os humanos - uma capacidade fundamental para serem capazes de gerar uma pandemia.
Há nada menos nada mais do que 144 subespécies conhecidas de vírus da gripe, só do grupo A. O "nome" é dado pela caracterização das duas principais moléculas de superfície: a hemaglutinina (H), da qual são conhecidos 16 tipos; e a neuraminidase (N) da qual são conhecidos outros nove. Por exemplo, o vírus que causou a pandemia de 1918 era do tipo H1N1, tal como o da gripe A. Depois, os vírus são todos diferentes, tal como dois irmãos, da mesma família, explica Jaime Nina.
Hong Kong é um dos sentinelas mundiais para detectar vírus da gripe, porque está na Ásia, onde se iniciam normalmente as pandemias, tem uma grande concentração de população e de aves domésticas e a tecnologia necessária para isolar e identificar estes microrganismos. 
in DN, Lisboa

cidade do Funchal


O que é o tempo?


No termo de mais um ano e na entrada de outro, são muitos os pensamentos que nos invadem. Mas talvez não seja fora de propósito também uma breve reflexão sobre o mistério do tempo.

Já Pascal se interrogava na perplexidade: porque é que, num passado ilimitado e num futuro igualmente sem limites, me coube viver precisamente neste tempo que é o meu?
Se soubéssemos o que é o tempo, também saberíamos o que somos. Santo Agostinho - volta-se sempre a Santo Agostinho, quando pretendemos meditar sobre o tempo - pergunta: O que é tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; mas, se alguém me puser a questão e eu quiser responder, já não sei.
Há múltiplas experiências e perspectivas do tempo. Aparentemente, tudo vai e tudo volta. As estações do ano repetem-se, sucessivamente: Primavera, Verão, Outono, Inverno, e outra vez Primavera, Verão, Outono, Inverno... Cada ano, o ano velho despede-se e chega o ano novo. Outra vez. Aí está o mito do eterno retorno, como repetiu Nietzsche: "Esta vida, tal como a vives naturalmente, tal como a viveste, é necessário que a revivas mais uma vez e uma quantidade inumerável de vezes, e nela nada haverá de novo, pelo contrário!"
A flecha do tempo é irreversível. O tempo é voragem, corre e flui, desaparece. Corre do futuro para o passado. O passado passou, o presente vai-se tornando passado, o futuro também ele se vai transformar em passado, de tal modo que temos o passado passado, o presente passado, o futuro passado, como se a história não fosse senão o lugar dos mortos: a curto, a médio, a longo prazo, todos iremos estando mortos. Mesmo a memória tem algo de ilusório, pois, quando lembramos o passado, é sempre a partir do que somos no presente que o alcançamos e vivemos, já diferentes e outros.
Afinal, o que é o tempo, uma vez que o passado já não é e o futuro ainda não é? Só o presente existe, mas, por outro lado, o presente o que é senão esse contínuo trânsito do futuro para o passado, do ainda não para o já não? Indestrutível mesmo é só o passado, pois nem Deus pode fazer com que o que foi não seja e o que aconteceu não tenha acontecido.
É sempre no presente que vivemos, mas projectados para o futuro. Mesmo o passado é sempre iluminado pelo futuro. O que vamos fazendo é em função do futuro, antecipando-nos a nós mesmos. Por isso, não coincidimos nunca completamente connosco: o homem "nunca é o seu próprio contemporâneo" (D. Huisman e A. Vergez). Mas, por outro lado, é no futuro que se encontra a morte, é nele que ela nos espera.
Com o tempo, tudo muda. Mas o "eu" transcende o tempo. Pela memória, pela atenção, pela expectativa, o espírito unifica os três modos do tempo numa certa simultaneidade: pela memória, temos o passado no presente; o presente actual temo-lo pela atenção; o futuro torna-se presente enquanto o esperamos.
Depois, o tempo é duração, ritmo. Como poderíamos ouvir uma sinfonia, se assim não fosse? E há aqueles instantes que são tangidos pela eternidade. A eles se referiu Platão, na Carta VII: "de repente", a iluminação da verdade! Qual é o tempo do amor, o tempo da criação, o tempo da liberdade, o tempo da decisão e da urgência? Cá está: há o tempo dos relógios - tempo quantitativo (cronológico) - e o tempo qualitativo (cairológico).
Por vezes, o tempo acelera; outras, parece parado. Actualmente, na aceleração vertiginosa do tempo, quando se pensa e se é?
Reflectindo bem, o tempo não é circular, cíclico, nem pode entender-se de modo exclusivamente linear, pois é linear e entrecruzado, numa rede de relações múltiplas e complexas. Cada modo do tempo tem ele próprio tríplice modo, isto é, um presente, um passado e um futuro, entrelaçando-se. O tempo e a história vivem deste entrelaçamento múltiplo, na constante abertura ao futuro.
Precisamente no quadro deste entrelaçamento, na abertura ao futuro, Deus, que é no eterno presente, é pensável como o Futuro absoluto, isto é, o Futuro de todos os passados, presentes e futuros. Deus enquanto Futuro absoluto consuma a história ao mesmo tempo que a abre ao sempre novo. 
por Anselmo Borges

Idola Flori

"Eu sei diversas coisas
saber é afinal a minha única ocupação
Sei pouco de manhãs
mas talvez possam dizer de mim que amei o mar
e cada árvore que me viu passar
e insistir na vida como uma canção em voga
Quem mais que eu
quem foi esqueceu?
Estamos mal feitos pronto
Para quê a doçura no olhar
de uma mulher certos dias?
O morno calor do sol rasante pelas tardes
de setembro na senhora da guia
senti-lo em abril numa sala voltada ao poente
de súbito sabendo de todos os papéis
ou outra eternidade que não essa
Talvez ouvir egmont sentindo-me importante de repente
ou então conversar sobre o poeta à beira da água
chegar a mangualde ao pôr-do-sol
ou a duas igrejas na semana santa
ouvir os sinos na matriz vizinha
cheirar madeira nova nas gavetas
fechar a porta sobre todos os cuidados
cantar a triunfante juventude
não mais andar perdido de ano em ano
não mais a morte questão para ociosos
à tarde no café dos reformados
Oh quem me dera ser católico
ou pelo menos morar alguma vez
em lisboa ou nos arredores de lisboa
Não há remédio nenhum
esqueci-me de tanta coisa
Sei que isto não é grande coisa
mas nenhuma outra coisa me é dada
o que é preciso é que não doa muito
Depois que me escondam na terra como uma vergonha."


Ruy Belo

terça-feira, dezembro 29, 2009

Copérnico vai ser enterrado 467 anos depois

in:DN, Lisboa

Os ossos do astrónomo foram descobertos há quatro anos, por arqueólogos polacos. Especialistas policiais reconstruíram o rosto do cientista que disse que a Terra é que se movia em volta do Sol.
O astrónomo Nicolau Copérnico terá um enterro solene no próximo dia 22 de Maio, 467 anos depois da sua morte. A informação foi dada pelo porta- -voz eclesiástico da diocese de Erm- land, no Noroeste da Polónia.
O funeral dos restos mortais deste cientista, que viveu entre 1473 e 1543, será realizado na catedral de Frau- enburger. Os ossos cranianos desenterrados há quatro anos serão sepultados debaixo de um dos altares da catedral. Em Janeiro irão começar os trabalhos para se construir o túmulo de duas toneladas de granito negro.
Os restos mortais foram descobertos por arqueólogos polacos em Grabungen. Três anos depois, uma análise de ADN trouxe a certeza de que eram os restos mortais do astrónomo. Especialistas policiais reconstruíram o rosto do cientista, com base nos ossos encontrados, que coincide com o retrato de Copérnico.
O cientista desenvolveu a teoria heliocêntrica - a Terra move-se em volta do Sol. A sua obra "De Revolutionibus Orbium Coelestium" é considerada uma pedra basilar da astronomia. 


A cor do horto gráfico


Testículo:     Texto pequeno
Abismado:   Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor:   Colocar preço em alguma coisa                                               
Biscoito:       Fazer sexo duas vezes
Coitado:        Pessoa vítima de coito
Padrão:         Padre muito alto
Estouro:        Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão:     Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério:     Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente:   Acto de prender seres humanos
Eficiência:      Estudo das propriedades da letra F
Conversão:    Conversa grande
Halogéneo:    Forma de cumprimentar pessoas muito
inteligentes
Expedidor:     Mendigo que mudou de classe social
Luz solar:      Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante:    Especialista em salto triplo
Contribuir:    Ir para algum lugar com vários índios
Aspirado:      Carta de baralho completamente maluca
Assaltante:   Um 'A' que salta
Determine:    Prender a namorada do Mickey Mouse
Ortográfico:   Horta feita com letras
Destilado:      do lado contrário a esse
Pornográfico: O mesmo que colocar no desenho
Coordenada:  Que não tem cor
Presidiário:     Aquele que é preso diariamente
Ratificar:         Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão

determinação

Uma determinação invencível pode conseguir quase tudo, e marca a diferença entre grandes e pequenos homens. (Thomas Fuller)



Se temos o pensamento, o entusiasmo e a meta,
o que mais precisamos?
Para tornar alguma coisa forte, ela tem que ser presa
bem firme nos 4 cantos. Se já temos 3 cantos firmes
o que está faltando? A determinação.
Independente de quantos problemas venham,
o olho do seu pensamento não deveria balançar
de jeito nenhum. Você pode ter que se curvar,
você pode ter que se moldar, você pode ter que tolerar,
você pode ter que ouvir, mas você nunca deve
abandonar o seu pensamento.
Isto é determinação.


Brahma Kumaris
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"A simplicidade é um tesouro infinito. 
Se não podes ter o que queres,  

contenta-te com o que tens." 

 provérbio árabe




a Valorização profissional começa em casa

“Não se preocupe por não poder dar aos seus filhos o melhor de tudo...
Dê a eles o seu melhor.”
Autor desconhecido

Certo dia, uma mulher chamada Anne foi renovar a sua carta de condução. Quando lhe perguntaram qual era a sua profissão, ela hesitou. Não sabia bem como se classificar.
O funcionário insistiu: "O que eu pergunto é se tem um trabalho."
"Claro que tenho um trabalho", exclamou Anne. "Sou mãe."
"Nós não consideramos isso um trabalho. Vou colocar dona de casa", disse o funcionário friamente.


Uma amiga sua, chamada Marta soube do ocorrido e ficou pensando sobre isso por algum tempo. Num determinado dia, ela encontrou-se numa situação idêntica. A pessoa que a atendeu era uma funcionária de carreira, segura, eficiente. O formulário parecia enorme, interminável. A primeira pergunta que ela lhe pôs foi: "Qual é a sua ocupação?" Marta pensou um pouco e, sem saber bem como, respondeu:
"Sou doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas".


A funcionária fez uma pausa e Marta precisou repetir pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas. Depois de ter anotado tudo, a jovem ousou indagar; "Posso perguntar, o que é que a senhora faz exactamente?"
Sem qualquer traço de agitação na voz, com muita calma, Marta explicou: "Desenvolvo um programa a longo prazo, dentro e fora de casa."


Pensando na sua família, ela continuou: "Sou responsável por uma equipa e já recebi quatro projectos. Trabalho em regime de dedicação exclusiva. O grau de exigência é de 14 horas por dia, às vezes até 24 horas."
À medida que ia descrevendo as suas responsabilidades, Marta notou o crescente tom de respeito na voz da funcionária, que preencheu todo o formulário com os dados fornecidos.


Quando voltou para casa, Marta foi recebida pela sua equipa: uma menina com 13 anos, outra com 7 e outra com 3. Subindo ao andar de cima da casa, ela pôde ouvir o seu mais novo projecto, um bebé de 6 meses, que testava uma nova tonalidade de voz.
Feliz, Marta tomou o bebé nos braços e pensou na glória da maternidade, com as suas multiplicadas responsabilidades. E horas intermináveis de dedicação... "Mãe, onde está meu sapato? Mãe, ajudas-me a fazer o TPC? Mãe, o bebé não pára de chorar. Mãe, vais-me buscar à escola? Mãe, vais assistir ao meu recital de dança? Mãe, compras-me aquilo? Mãe..."


Sentada na cama, Marta pensou: "Se ela era doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas, o que seriam as avós?" E logo descobriu um título para elas: “Doutoras sénior em desenvolvimento infantil e em relações humanas”. As bisavós, “Doutoras executivas sénior”. As tias, “Doutoras assistentes”. E todas as mulheres, mães, esposas, amigas e companheiras:

“Doutoras na arte de fazer a vida melhor”.


Num mundo em que se dá tanta importância aos títulos, em que se exige sempre maior especialização, na área profissional, torne-se um(a)

“Especialista na arte de amar”.

recebido por email

segunda-feira, dezembro 28, 2009

O Efeito da Reputação

Tudo o que nos proporciona uma certa elevação em relação aos outros porque nos torna mais perfeitos, como, por exemplo, a ciência e a virtude, ou porque nos confere uma certa autoridade sobre eles tornando-nos mais poderosos, como as honras e as riquezas, parece fazer-nos independentes em certa medida. Todos os que estão abaixo de nós nos temem e reverenciam; estão sempre prontos a fazer o que nos agrada para a nossa preservação, e não ousam prejudicar-nos ou resistir aos nossos desejos. [...] A reputação de ser rico, culto e virtuoso produz na imaginação daqueles que nos cercam ou dos que nos são mais íntimos disposições de espírito que são muito vantajosas para nós. Ela deixa-os prostrados aos nossos pés; instiga-os a nos agradar; inspira neles todos os impulsos que tendem à preservação da nossa pessoa e ao aumento da nossa grandeza. Assim, os homens preservam a sua reputação tanto quanto necessário a fim de viver confortavelmente neste mundo.

Nicolas Malebranche, in 'Procura da Verdade'

SETE MILITANTES DO PSD MORAM NO MESMO T1

«São sete, todos militantes do PSD, e dão a mesma morada na rua 4 do Bairro da Boavista, em Benfica. O certo é que a morada é um T1. Trata-se de um esquema para conquistar poder: quanto mais militantes inscritos uma secção tiver mais delegados leva a um congresso ou a uma assembleia distrital.
Muitos são os militantes do PSD da distrital de Lisboa que surgem nos cadernos eleitorais com a mesma morada. Na secção A, a que regista mais militantes inscritos da distrital, e à qual pertencem sociais-democratas como António Preto ou Sérgio Lipari, há mais 21 inscritos em apenas três moradas.
Segundo uma listagem a que o CM teve acesso , na mesma secção, há ainda mais dois grupos de cinco pessoas e um outro de seis que estão inscritos em apenas três moradas. José Bacelar Gouveia, o candidato que perdeu a liderança da distrital de Lisboa para Carlos Carreiras no dia 3 de Dezembro, alertou para este facto, considerando a situação irregular. Em declarações ao CM, lamentou o facto. 'Quem de direito, a secretaria-geral e o conselho de jurisdição do partido, deveriam intervir porque não é possível tantos militantes viverem na mesma casa', disse, referindo que a refiliação seria 'uma medida extrema, mas, pelos vistos, necessária.'» [Correio da Manhã]

A última viagem do Expresso do Oriente


por Marta Cerqueira, Publicado em 28 de Dezembro de 2009jornal i
A crise chega a todos, mesmo aos mitos aparentemente inabaláveis. Aquele que foi o comboio mais famoso e luxuoso do mundo durante 127 anos fez a sua última viagem completa no dia 14 de Dezembro.
O Expresso do Oriente unia Paris e Istambul através dos Balcãs. Foi palco de um dos crimes de Agatha Christie e inspirou muitas outras obras literárias como o “Drácula” de Bram Stoker e “Da Rússia com Amor”, de Ian Fleming.
Dia 4 de Outubro de 1883, a companhia inaugurou o então baptizado Express d'Orient. Na época, o comboio saía duas vezes por semana da estação Gare de l'Est, em Paris, e terminava na cidade de Giurgiu, na Roménia, passando por Estrasburgo, Munique, Viena, Budapeste e Bucareste.
Desde a sua inauguração em 1883 até hoje, a sua rota foi várias vezes alterada, seja por logística ou por questões políticas.
A viagem entre Veneza e Istambul vai continuar a funcionar, reservada como serviço de luxo com um custo de 5670 euros por pessoa. A proprietária da linha Paris-Viena, Euro Night Rail Services reconheceu que “os voos baratos e os comboios de alta velocidade obrigaram ao fim da rota.”
Os mistérios e histórias vividas no luxuoso comboio podem ainda ser recordados em exposições de objectos da primeira viagem.

















28 Dezembro 2009 - Marta Sofia, 5 anos

o livro que estou a ler (e a adorar...)


"Um romance que fala do deserto, dos oásis, das aldeias, de um mundo surpreendente e variegado.A riqueza e o fascínio da cultura árabe contada através das personagens, dos lugares, dos povos, mas também e sobretudo dos costumes, dos ritmos e dos ambientes. Transporta-nos para um mundo que parecia lonhínquo e inatingível:porque com a ajuda da consciência é possível uma ponte entre o Oriente e o Ocidente e encontrar a estrada da tolerância e da paz."

"Lontra Asiática" (um vídeo da minha filha Jordana)

Parque biológico da Lousã

Lisbon Airport on 23-12-2009

Construtora destrói geoglifo com 2400 anos no Peru



Um grande geoglifo com 2400 anos ficou gravemente danificado por causa dos trabalhos de uma construtora na costa central do Peru. A denúncia é feita por arqueólogos peruanos.
O geoglifo, um desenho geométrico com 500 metros de longitude, faz parte da zona arqueológica de Sacramento, onde se encontram centenas de geoglifos deixados pela antiga cultura Nazca (habitaram o Peru entre 300 e 400 A.C.).
Os danos causados são a consequência do trabalho de desmonte produzido para reabilitar várias estradas da região. Segundo a denúncia, 40% do campo milenar ficou danificado.

domingo, dezembro 27, 2009

Descobertas estátuas de Buda com 1400 anos

por Agência Lusa, Publicado em 27 de Dezembro de 2009 
Várias estátuas de Buda esculpidas na rocha há cerca de 1400 anos foram descobertas por arqueólogos na parte indiana de Caxemira, revelaram fontes oficiais da Índia.
Segundo as mesmas fontes, citadas pela agência IANS, as estátuas foram descobertas em Zanskar, uma região de maioria budista, e são parecidas com os famosos Budas destruídos no Afeganistão em Março de 2001 pelos talibãs numa região declarada património da Humanidade pela UNESCO.
Caxemira, a única região indiana de maioria muçulmana, é um território disputado pela Índia, Paquistão e China, país que Nova Delhi acusa de ocupar ilegalmente oito mil quilómetros na região.

Salvé ! Uma Amizade com 38 anos!


A Ironia

(Em toda a obra de Pessoa está presente uma ironia fundamental.)

«A ironia é o primeiro indício de que a consciência se tornou consciente.»

Muitos têm definido o homem, e em geral o têm definido em contraste com os animais. Por isso, nas definições do homem, é frequente o uso da frase «o homem é um animal...» e um adjectivo, ou «o homem é um animal que...» e diz-se o quê. «O homem é um animal doente», disse Rousseau, e em parte é verdade. «O homem é um animal racional», diz a Igreja, e em parte é verdade, «O homem é um animal que usa de ferramenta», diz Carlyle, e em parte é verdade. Mas estas definições, e outras como elas, são sempre imperfeitas e laterais. E a razão é muito simples: não é fácil distinguir o homem dos animais, não há critério seguro para distinguir o homem dos animais. As vidas humanas decorrem na mesma íntima inconsciência que as vidas dos animais. As mesmas leis profundas, que regem de fora os instintos dos animais, regem, também, de fora, a inteligência do homem, que parece não ser mais que um instinto em formação, cão inconsciente como todo instinto, menos perfeito porque ainda não formado.

«Tudo vem da sem-razão», diz-se na Antologia Grega. E, na verdade, tudo vem da sem-razão. Fora da matemática que não tem que ver senão com números mortos e fórmulas vazias, e por isso pode ser perfeitamente lógica, a ciência não é senão um jogo de crianças no crepúsculo, um querer apanhar sombras de aves e parar sombras de ervas ao vento.

E é curioso e estranho que, não sendo fácil encontrar palavras com que verdadeiramente se defina o homem como distinto dos animais, é todavia fácil encontrar maneira de diferençar o homem superior do homem vulgar.
Nunca me esqueceu aquela frase de Haeckel, o biologista, que li na infância da inteligência, quando se lêem as divulgações científicas e as razões contra a religião. A frase é esta, ou quase esta: que muito mais longe está o homem superior (um Kant ou um Goethe, creio que diz) do homem vulgar que o homem vulgar do macaco. Nunca esqueci a frase porque ela é verdadeira. Entre mim, que pouco sou na ordem dos que pensam, e um camponês de Loures vai, sem dúvida, maior distância que entre esse camponês e, já não digo um macaco, mas um gato ou um cão. Nenhum de nós, desde o gato até mim, conduz de facto a vida que lhe é imposta, ou o destino que lhe é dado; todos somos igualmente derivados de não sei quê, sombras de gestos feitos por outrem, efeitos encarnados, consequências que sentem. Mas entre mim e o camponês há uma diferença de qualidade, proveniente da existência em mim do pensamento abstracto e da emoção desinteressada; e entre ele e o gato não há, no espírito, mais que uma diferença de grau.

O homem superior difere do homem inferior, e dos animais irmãos deste, pela simples qualidade da ironia. A ironia é o primeiro indício de que a consciência se tornou consciente. E a ironia atravessa dois estádios: o estádio marcado por Sócrates, quando disse «sei só que nada sei», e o estádio marcado por Sanches, quando disse «nem sei se nada sei». O primeiro passo chega àquele ponto em que duvidamos de nós dogmaticamente, e todo o homem superior o dá e atinge. O segundo passo chega àquele ponto em que duvidamos de nós e da nossa dúvida, e poucos homens o têm atingido na curta extensão já tão longa do tempo que, humanidade, temos visto o sol e a noite sobre a vária superfície da terra.

Conhecer-se é errar, e o oráculo que disse «Conhece-te» propôs uma tarefa maior que as de Hércules e um enigma mais negro que o da Esfinge. Desconhecer-se conscientemente, eis o caminho. E desconhecer-se conscienciosamente é o emprego activo da ironia. Nem conheço coisa maior, nem mais própria do homem que é deveras grande, que a análise paciente e expressiva dos modos de nos desconhecermos, o registo consciente da inconsciência das nossas consciências, a metafísica das sombras autónomas, a poesia do crepúsculo da desilusão.

Mas sempre qualquer coisa nos ilude, sempre qualquer análise se nos embota, sempre a verdade, ainda que falsa, está além da outra esquina. E é isto que cansa mais que a vida, quando ela cansa, e de que o conhecimento e meditação dela, que nunca deixam de cansar.

Ergo-me da cadeira de onde, fincado distraidamente contra a mesa, me entretive a narrar para mim estas impressões irregulares.  Ergo-me, ergo o corpo nele mesmo, e vou até à janela, alta acima dos telhados, de onde posso ver a cidade ir a dormir num começo lento de silêncio. A lua, grande e de um branco branco, elucida tristemente as diferenças socalcadas da casaria. E o luar parece iluminar algidamente todo o mistério do mundo. Parece mostrar tudo, e tudo é sombras com misturas de luz má, intervalos falsos, desniveladamente absurdos, incoerências do visível. Não há brisa, e parece que o mistério é maior. Tenho náuseas no pensamento abstracto. Nunca escreverei uma página que me revele ou que revele alguma coisa. Uma nuvem muito leve paira vaga acima da lua, como um esconderijo. Ignoro como estes telhados. Falhei, como a natureza inteira.

[Do Livro do Desassossego de Bernardo Soares]












sábado, dezembro 26, 2009

Alemanha recusa-se a devolver busto de Nefertiti ao Egipto


As autoridades alemãs recusaram devolver o antigo busto da rainha Nefertiti ao Egipto, alegando que é demasiado frágil para ser transportado.
Os alemães insistiram também que o busto foi adquirido legalmente pelo estado da Prússia, há um século. O Egipto pediu inicialmente a devolução da antiguidade em 1930, mas os sucessivos governos alemães recusaram.

O responsável pelas antiguidades egípcias, Zahi Hawass, diz que o busto foi retirado de forma ilegal do Egipto por um arqueólogo alemão em 1913. Hawass diz que o arqueólogo disfarçou o valor desta peça cobrindo-a com uma camada de argila.

O busto, com 3300 anos, é uma das atracções do colecção egípcia do Neues Museum de Berlim. O director da colecção, Friederike Seyfried, disse à BBC que "a posição alemã é clara e inequívoca – a aquisição do busto pelo Estado prussiano foi legal".

A rainha Nefertiti é considerada uma das beldades da história antiga. Foi mulher do faraó Akhenaton, que iniciou uma nova religião, que envolvia a adoração do Sol.

O Egipto começou uma campanha agressiva para a devolução de artefactos antigos e na semana passada conseguiu a repatriação de fragmentos de um túmulo com 3200 anos que se encontravam no Museu do Louvre.
(in Jormal Público)

cantigas ao Menino Jesus - SANTANA

Viva Santana cidade
A mais jovem da Madeira

Tudo quem trabalha a terra
Isso é gente de primeira

O promontório em São Jorge
E a planície em Santana
São Roque Faial e Arco
O arco da história humana

Terra de céus e abismos
Jesus vem unir contrastes
No alto do Pico Ruivo
Berço de espigas achastes.

IN: "entre Dezembro e Janeiro de cada ano" - feixe de memórias colectivas
Ribeira Seca, Machico 2006-2007

"Os pobres"

Aí vêm pelos caminhos,
Descalços, e pés no chão,
Os pobres que andam sozinhos,
Implorando compaixão.

Vivem sem cama e sem tecto,
Na fome e na solidão:
Pedem um pouco de afecto,
Pedem um pouco de pão.

São tímidos? São covardes?
Têm pejo? Têm confusão?
Parai para os encontrardes,
E dai-lhes a vossa mão!

Guiai-lhes os tristes passos!
Dai-lhes, sem hesitação,
O apoio de vossos braços,
Metade de vosso pão!

Não receeis que, algum dia,
Vos assalte a ingratidão:
O prémio está na alegria
Que tereis no coração.

Protegei os desgraçados,
Órfãos de toda a afeição:
E sereis abençoados
Por um pedaço de pão...



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Bilac, Olavo 1865-1918
Antologia poética / L&PM 2007 pg.73
Porto Alegre

sexta-feira, dezembro 25, 2009

vulcão Mayon intensifica actividade

carta aberta ao Menino Jesus

Olha Menino a esta hora, se calhar, ainda não nasceste em tanto sítio. Mas sei que isso é mentira e, por isso, te deixo estas linhas.
Sei que és pequeno hoje e é assim que a maioria Te vê, mas não me preocupo - arranjarás maneira de ler ou de ter quem Te leia estas letras. Estamos na noite de Natal. Somos do mesmo signo mas penso que ligas tanto a isso como eu!
Tenho pena que tantos se aproveitem do Teu nome para exploração, para o consumismo desenfreado e ignorando a existência da Pobreza , até com o pretexto para visitar a família e fazer de conta que tudo vai bem...
Hoje, na homilia, o António disse que o facto de a liturgia referir, ao menos duas vezes, o Jesus Salvador, que isso não era uma alegria mas uma tragédia. Concordo com ele. 
Pois claro, cantamos-Te loas e louvores e há pais e filhos que não se falam (mas cantam), vizinhos que se odeiam (mas cantam), pessoas que morrem de inveja (mas cantam), gente que abandona  animais (e cantam) e já nem lembro aquelas cenas que vão da infidelidade à ignomínia e que Tu bem conheces, melhor que estes mortais. 
António pediu silêncio e que cada um pensasse como eras o Jesus Salvador da nossa vida. Nem de propósito ou será que foi a Tua mãozinha gordinha que apagou as luzes todas? Olha que nem assim aqueles rabos sossegaram nos bancos e os cochichos se calaram.
No meu silêncio, eu que sou uma fala barato, não deixei de recordar aqueles que Tu quiseste levar para a terra e para o teu Céu, sabe-se lá porquê, mas que me fazem falta com a sua cumplicidade, os seus abraços e sorrisos, os seus apoios; tenho saudades! 
Lembrei ainda os que quiseram partir de motu próprio e que, mesmo assim, hão-de estar sob a Tua protecção. 
Também não esqueci os que são o "tráfego" da minha vida, cruzando-a em todos os sentidos, comigo fazendo Caminho.
Quero que não te esqueças Menino, da Mª dos Anjos. Custa-me vê-la fazendo kms no mesmo passeio, com fome e frio, sem eira nem beira, de manhã à noite. Como sabes a Segurança Social não é de segurança nem social e só existe para alguns.
Bem que também podias pregar um cagaço aqueles que Te põem no Presépio com a mesma delicadeza com que ajeitam a vaca ou o burro. Fugias, escondias-Te e ainda Te rias das suas caras de espanto.
E agora que vais ter honras de beija-pé durante uns dias (porque Te beijam o pé, a Ti, e aos reis e bispos é o beija-mão?)e já sabes que para o ano és "arrumado" por mais uns meses...É a vida, como dizia o nosso ex-primeiro.
Acabei de ver na TV que, em Roma, uma santa mulher se desequilibrou e caiu em cima de um homem idoso, octogenário. Também já eram horas de estar recolhido, em descanso, mais a mais com aquela idade!
E termino Menino, para que não Te canses. 
Hoje não é dia de Te pedir perdão (ensinou-me o António)já que Te entregaste, gratuitamente, a nós todos. Mas agradeço-Te que continues a velar pelos que amo e por todos aqueles que preenchem a minha insignificante vida, com mais ou menos importância.
Ah, e dá, ou manda dar, um abanão no Mundo porque isto parece que anda um pouco torto.
Conta comigo e um beijinho
tuka

 

Beijar o Menino


Tradições centenárias, emotivas, que perfazem a fé natalícia numa medida cheia e transabundante que dura uma quadra.

Beijar o Menino!

Mais que o Nascimento, beijar o Menino é tradição enraizada, é devoção, é dogma de fiéis, é o elo da Festa ao dia de Reis.

Perfilam-se no templo, em final de missa, fiéis alegres, crentes, beiço aprumado aos caracóis pintados de um Menino que, impávido e sereno, a tudo se submete.

Num gesto repetitivo quem o tem limpa, em passagens breves, leves, com alvo paninho, as impressões de fé. E canta-se ao Menino, rosto aberto garganta plena, pé ante pé, numa fila vivaça e ávida.

 Saídos do templo o Menino descansa, descansa e seca. Cá fora, na noite húmida purificada pelo frio, pergunto-me: quantos "meninos" para beijar na nossa vida e que passam despercebidos....


Maria Teresa Góis, 05 Janeiro 2002


NOTA DA REDACÇÃO - Foi preciso que a gripe A fosse conhecida para alertar a Igreja para os perigos de contaminações várias (como a tuberculose, por exemplo) em gestos que aparentam ser a Fé da Igreja, e que a Igreja gostaria de manter - é o sentido do rebanho - como movimento de massa mas que, afinal, não se traduzem em maior conhecimento ou empenho, em melhor prática aparente. Que dizer dos que durante todo o ano não põem os pés dentro da igreja mas que não falham o beija pé ao Menino. Questão de fé? O Menino que os entenda...

quinta-feira, dezembro 24, 2009

uma canção de Natal, Natal dos simples.

licor de caramelo

3 litros de leite (meio gordo)
1 lata de leite condensado
2 pudins (royal) sendo um de caramelo e o outro de chocolate
750 gr açúcar
60 cl de álcool (com 1/2 litro também fica bom)
essência de caramelo para 1 litro


junte os leites, os pudins previamente diluídos e o açucar e leve a ferver durante um bocadinho.
Depois de bem frio adicione o álcool e a essência.
Beba com moderação....

receita amavelmente cedida pelo meu "bizinho" Paulo




















 

"Os tempos da Lapinha, lembram-se?"

"Outro tempo e outra inocência que remetia para o saudável reconhecimento de Deus como Pai, Irmão e Amigo, estava bem patente no ambiente da Festa (o Natal). A memória recorda-me esse retracto de simplicidade e pobreza, como imagem da família toda. Por exemplo, a cerimónia da transformação do recanto do quarto onde se erguia a Lapinha, era simples, mas carregado de significado e de fé. O Oratório saía do seu local habitual e durante a quadra da Festa colocava-se as escadinhas, cheias de frutos variados e searinhas. No cimo, lá estava o Menino-Deus de braço em punho anunciando, os novos tempos da paz e do amor em todas as famílias do mundo e, naquela, em particular, onde o desejo de paz e compreensão familiar, bradava aos céus em todos os momentos de oração. O momento dos “brindeiros” - era assim que se chamava a sofisticada troca de presentes que temos hoje - revestia-se de uma expectativa muito grande. O Menino Jesus não tinha mãos a medir, abria os cordões à bolsa e a todos alegrava com lembranças simples mas densas de sentido. As frutas da Lapinha, eram do Menino Jesus, porém, se as nossas tias estivessem em horas de boa disposição, podíamos pedir a peça de fruta desejada e logo tínhamos a permissão do Menino. Não posso esquecer que as frutas do Menino Jesus eram sempre as melhores da árvore, eram escolhidas uma por uma para o efeito. Todos desejavam por demais aquelas laranjas, os pêros Domingos, as mais variadas maçãs, as castanhas secas… Estávamos perante um verdadeiro manancial de frutas belas e apetitosas. O Menino-Deus merecia o melhor das colheitas. Este encanto simplório, fez parte de um tempo, cuja inocência seria reflexa de uma fé antiga, que passava de geração em geração. Porém, era tudo saudavelmente natural e espontâneo. No nosso tempo, tudo se compra, mesmo até os artigos inúteis e vazios de conteúdo: os jogos de guerra para as crianças; as árvores de Natal de papel ou de plástico; os presépios artificiais com figuras tristes e deslocadas do imaginário e todas essas variedades incalculáveis que o mercado oferece. Tudo se reduz a plástico artificial sem magia e sem encanto. Usar e deitar fora, eis a regra deste tempo. A inocente pobreza do tempo dos meus avós acabou, para dar lugar à abundância das muitas e variadas coisas de Natal sem conteúdo, sem interioridade, sem tradição (sem memória), sem espírito e sem fé. O reino do plástico, que se compra, usa e deita para o lixo, está no meio de nós. Hoje, a nossa mentalidade descobre um mercantilista “Pai-Natal”, que está mais de acordo com esta sociedade do bem vestir e o bem falar, que são a regra número um da convivência social. A vaidade da aparência, da imagem artificial e hipócrita são os caminhos mais visíveis dos homens e mulheres do nosso tempo. Os “grandes” do mundo, são os orgulhosos, os que ostentam poder e fama que contrasta de forma desconcertante, com a simplicidade, a pobreza e a inocência do grupo de pastores que Deus escolhe para dar a boa notícia em primeira mão, sobre o nascimento do Deus-Menino. Deus deveria estar “louco” ou enganou-se redondamente, porque escolheu o pior que há na sociedade, um grupo de marginais andrajosos que não tinham onde cair mortos. Esta gente que Deus prefere não sabe vestir, são ladrões, mal cheirosos, incultos, com uma aparência pouco digna, nada atraentes pelo que se vê e, como não podia deixar de ser, são gente acima de tudo, de pouca fama na sociedade em geral. Então que Deus é este que transmite a notícia do nascimento do Redentor a este tipo de pessoas? - A nós, sem dúvida, longe de nos lembrar convidar essa gentalha para um acontecimento tão importante. Escolheríamos logo talvez os sacerdotes, os políticos e todos os que a sociedade considera senhores bem vestidos e perfumados. Que Deus nos perdoe, mas tínhamos melhor gosto, porque saberíamos escolher melhor e, sem dúvida, que se arranjaria gente mais bonita, mais bem vestida, mais bem falante e mais bem comportada do que pobres e simples pastores. E ainda, que nos perdoe Deus, mas também se arranjaria melhor lugar para o Menino-Deus nascer!... Uma clínica cheia de bons médicos, com muita luz, boa cama, roupa quente e cheirosa. No fim, depois de tudo correr bem reuniríamos numa sala majestosa de um qualquer palácio ou hotel de cinco estrelas, para fazermos uma festa com a melhor gente da sociedade, com boa música, danças de qualidade e a melhor ostentação da nossa praça. Então alguém com bom senso, pensaria em colocar um Menino-Deus na frieza de uma gruta envolto em palhas, respirando o bafo de animais sem tino, sujeito a sobressaltos constantes por causa dos berros desmedidos dos bem-aventurados animais. Mas afinal que Deus é este? - Um Deus radical e extremo que, quiçá, por teimosia ou birra infantil fez nascer o coitado do filho numa manjedoira. Ah!.. Se fossemos nós, não olharíamos a medidas. A festa melhor e a maior do ano seria a festa do Menino-Deus. Meu Deus, não deves estar admirado nem surpreso com a nossa vaidade, a nossa tendência para a luxuosidade e para as grandezas. Somos, provavelmente, numa perspectiva humana um caso perdido. Pelo teu lado, descobrimos que continuas, mesmo passados tantos, envolvido numa mesma causa, ora com alguns resultados positivos, ora com muitos resultados negativos, a preferir a simplicidade, a pobreza e a marcar encontro com todos os abandonados, porque não desistes de ser um Deus da vida para todos, sobretudo, para aqueles que diante dos olhos do mundo a perderam. A tua insistência impressiona e desconcerta-nos sempre. Por isso, perdoa-nos porque continuamos preferir a vaidade e fazemos sempre as melhores escolhas convencidos que com isso mudaremos o mundo. Para onde vamos? E Onde chegaremos, afinal, com esta mentalidade desenfreada assente no orgulho, na vaidade pelas coisas grandes e faustosas? - A simplicidade de Deus, que todos os anos faz nascer sempre nova, a luz da pobreza e da humildade, para nos relembrar que não faz sentido nenhum, estarmos minados pelo gosto do chique, a avidez das modas e a atenção constante nos bens materiais de último modelo. Até parece que tomámos gosto pela violência da vida e que o nosso coração se torna dia para dia cada vez mais sofisticado. A nossa recusa acentua-se na ausência de um coração simples, livre de preconceitos, sem medos absurdos sobre o futuro e sem nos inquietarmos sobre o que parece bem ou sobre o que parece mal. Para quando a riqueza de corações livres de manchas negras que aprisionam a criatividade? E para quando o assumir da humildade que nos conduz à entrega de serviços humanos que edifiquem aqui e agora o reino da fraternidade? - A resposta, lê-se no rosto alegre e confiante das figuras da Lapinha. Ainda assim, parece-me, ser o quadro mais apaixonante que embeleza a casa do nosso coração. BOM NATAL PARA TODOS OS MEUS LEITORES..."

 autor: José Luís Rodrigues, 23-12-08