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sexta-feira, dezembro 31, 2010

a passagem do ano


“O último dia do ano não é o último dia do tempo.
Outros dias virão e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis, farás viagens e tantas celebrações de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral, que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor, os irreparáveis uivos do lobo, na solidão.
O último dia do tempo não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário, uma mulher e seu pé, um corpo e sua memória, um olhar e seu brilho, uma voz e seu eco, e quem sabe até se Deus…
Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte, mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo, e de copo na mão esperas amanhecer.
O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito, o recurso da bola colorida, 
o recurso de Kant e da poesia, todos eles…e nenhum resolve.
Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasta, renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca, lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.”

 Carlos Drummond de Andrade

No último dia de cada ano somos convidados a começar, como um remédio, um insistente e desassossegado recomeço.
Traçamos objectivos - ou talvez não - e arrancamos a folha do calendário com energia calculada e calculista.
Que as nossas potencialidades se desenvolvam.
Que saibamos não viver sozinhos.
A quem por aqui passa, de coração, BOM ANO.

tukakubana

um filme de....terror!

em contagem....

Contagem regressiva do dia 31 de Dezembro: 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1. Feliz Ano Novo!!!! A passagem de Ano Novo é o fim de um ciclo, início de outro. É um momento sempre cheio de promessas. E os rituais alimentam os sonhos e dão vida às celebrações. No mundo inteiro o Ano Novo começa entre fogos de artifício, buzinadas, apitos e gritos de alegria. A tradição é muito antiga e, dizem, serve para espantar os maus espíritos. As pessoas reúnem-se para celebrar a festa com muitos abraços.
Vestir uma peça de roupa que nunca tenha sido usada combina com o espírito de renovação do Ano Novo. O costume é universal e aparece em várias versões, como trocar os lençóis da cama e usar uma roupa de baixo nova.
O ano novo só se consolidou na maioria dos países há 500 anos. O tradicional Réveillon comemorado na maioria dos países na passagem do dia 31 de Dezembro para o dia 1º de Janeiro é relativamente recente. As comemorações de Ano
Novo variam de cultura a cultura, mas universalmente a entrada do ano é festejada mesmo em diferentes datas. O nosso calendário é originário dos romanos com a contagem dos dias, meses e anos. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado em 25 de Março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1º de Abril.
O Papa Gregório XIII instituiu o 1º de Janeiro como o primeiro dia do ano, mas alguns franceses resistiram à mudança e quiseram manter a tradição. Só que as pessoas passaram a pregar partidas e ridicularizar os conservadores, enviando presentes estranhos e convites para festas que não existiam. Assim, nasceu o Dia da Mentira, que é a falsa comemoração do Ano Novo.
A primeira comemoração conhecida, ocorreu na Mesopotâmia por volta de 2.000 a. C. Na Babilónia, a festa começava na lua nova indicando o equinócio da primavera, ou seja, um dos momentos em que o Sol se aproxima da linha do Equador período em que os dias e noites tem a mesma duração. No calendário actual, isto ocorre em meados de Março (mais precisamente em 19 de Março, data que os espiritualistas comemoram o ano-novo esotérico).
Os assírios, persas, fenícios e egípcios comemoravam o ano novo no mês de Setembro (dia 23). Já os gregos, celebravam o início de um novo ciclo entre os dias 21 ou 22 do mês de Dezembro. Os romanos foram os primeiros a estabelecerem um dia no calendário para a comemoração desta grande festa (753 a.C. – 476 d.C.). O ano começava em 1º de Março, mas foi trocado em 153 a. C. para 1º de Janeiro e mantido no calendário juliano, adoptado em 46 a.C. Em 1582 a Igreja consolidou a comemoração, quando adoptou o calendário gregoriano.
Alguns povos e países comemoram em datas diferentes. Ainda hoje, na China, a festa da passagem do ano começa em fins de Janeiro ou princípio de Fevereiro. Durante os festejos, os chineses realizam desfiles e shows pirotécnicos. No Japão, o ano-novo é comemorado do dia 1º de Janeiro ao dia 3 de Janeiro.
A comunidade judaica tem um calendário próprio e sua festa de ano novo ou Rosh Hashaná, – “A festa das trombetas” -, dura dois dias do mês Tishrê, que ocorre em meados de Setembro ao início de Outubro do calendário gregoriano.
Para os islâmicos, o ano-novo é celebrado em meados de maio, marcando um novo início. A contagem corresponde ao aniversário da Hégira (em árabe, emigração), cujo Ano Zero corresponde ao nosso ano de 622, pois nesta ocasião, o profeta Maomé, deixou a cidade de Meca estabelecendo-se em Medina.
Tradições de Ano Novo no mundo: Itália: O ano novo é a mais pagã das festas, sendo recebido com Fogos de artifícios, que deixam todas as pessoas acordadas. Dizem que os que dormem na virada do ano dormirão todo o ano e na noite de São Silvestre, santo cuja festa coincide com o último dia do ano. Em várias partes do país, dois pratos são considerados essenciais. O pé de porco e as lentilhas. Os italianos se reúnem na Piazza Navona, Fontana di Trevi, Trinitá dei Monit e Piazza del Popolo.
Estados Unidos: A mais famosa passagem de Ano Novo nos EUA é em Nova Iorque, na Time Square, onde o povo se encontra para beber, dançar, correr e gritar. Há pessoas de todas as idades e níveis sociais. Durante a contagem regressiva, uma grande maçã vai descendo no meio da praça e explode exactamente à meia-noite, jogando balas e bombons para todos os lados.
Austrália: Em Sydney, uma das mais importantes cidades australianas, três horas antes da meia-noite, há uma queima de fogos na frente da Opera House e da Golden Bridge, o principal cartão postal da cidade. Para assistir ao espectáculo, os australianos se juntam no porto. Depois, recolhem-se a suas casas para passar a virada do ano com a família e só retornam às ruas na madrugada, quando os principais destinos são os “pubs” e as praias.
França: O principal ponto é a avenida Champs-Elysées, em Paris, próximo ao Arco do Triunfo. Os franceses assistem à queima de fogos, cada um com sua garrafa de champanhe (para as crianças sumos e refrigerantes). Outros vão ver a saída do Paris-Dacar, no Trocadéro, que é marcada para a meia-noite. Outros costumam ir às festas em hotéis.
Brasil: No Rio de Janeiro, precisamente na praia de Copacabana, onde a passagem do Ano Novo reúne milhares de pessoas para verem os fogos de artifício. As tradições consistem em usar branco e jogar flores para “Yemanjá”, rainha do mar para os brasileiros.
Inglaterra: Grande parte dos londrinos passa a meia-noite em suas casas, com a família e amigos. Outros vão à Trafalgar Square, umas das praças mais belas da cidade, à frente do National Gallery. Lá, assistem à queima de fogos. Depois, há festas em várias sítios da cidade.
Alemanha: As pessoas reúnem-se no Portal de Brandemburgo, no centro, perto de onde ficava o Muro de Berlim. Tradicionalmente, não há fogos de artificio.
Curiosidade: Em Macau, e para todos os chineses do mundo, o maior festival do ano é o Novo Ano Chinês. Ele é comemorado entre 15 de Janeiro e 15 de Fevereiro de acordo com a primeira lua nova depois do início do Inverno. Lá é habitual limparem as casas e fazerem muita comida (Bolinhos Chineses de Ano Novo – Yau Gwok, símbolo de prosperidade). Há muitos fogos de artifício e as ruas ficam cobertas de pequenos pedaços de papel vermelho.
Cada cultura comemora seu Ano Novo. Os muçulmanos têm seu próprio calendário que se chama “Hégira”, que começou no ano 632 d.C. do nosso calendário. A passagem do Ano Novo também tem data diferente – 6 de Junho, foi quando o mensageiro Mohammad fez a sua peregrinação de despedida a Meca.
As comemorações do Ano Novo judaico, chamado “Rosh Hashanah”. É uma festa móvel no mês de Setembro (este ano foi 6 de Setembro). As festividades são para a chegada do ano 5763 e são a oportunidade para se deliciar com as tradicionais receitas judaicas: o “Chalah”, uma espécie de pão e além do pão, é costume sempre se comer peixe porque ele nada sempre para frente.
O primeiro dia do ano é dedicado à confraternização. É o Dia da Fraternidade Universal. É hora de pagar as dívidas e devolver tudo que se pediu emprestado ao longo do ano. Esse gesto reflecte a nossa necessidade de fazer um balanço da vida e de começar o ano com as contas acertadas.
Tradições Portuguesas:
As pessoas valorizam muito a festa de Ano Novo, porque sentem o desejo de se renovar. Uma das nossas tradições é sair às janelas de casas batendo panelas para festejar a chegada do novo ano. Nos dias 25 de Dezembro e 1º de Janeiro, costumamos comer uma mistura feita com as sobras das ceias, que são levadas ao forno. O ingrediente principal da chamada “Roupa Velha” é o bacalhau cozido, com ovos, cebola e batatas, regados a azeite.
Para as superstições, comer 12 passas durante as 12 badaladas na virada do ano traz muita sorte, assim como subir numa cadeira com uma nota (dinheiro) em uma das mãos. Em várias zonas do litoral, há pessoas que mesmo no frio do Inverno conseguem entrar na água e saudar o Ano Novo.
Fonte: Monica Buonfiglio

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Morreu Bobby Farrell, o cantor dos Boney M.

Os Boney M. foram uma banda de disco europeu, criada pelo produtor alemão Frank Farian, e tiveram temas de grande sucesso como Daddy Cool, Rasputine, Rivers of Babylon, ou Sunny.

Farrel estava em São Petersburgo para uma actuação ao vivo, e morreu no seu quarto de hotel. O cantor vivia em Amesterdão e tinha 61 anos.

Entre o final dos anos 1980 e 1990 grupo dividiu-se e um veredicto de tribunal autorizou todos os quatro membros originais do grupo – as três cantoras e Bobby Farrell – a dar concertos com o nome “Boney M”.

Receita de Ano Novo


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquiva-las na gaveta
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merece-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
FELIZ ANO NOVO!!!

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, dezembro 29, 2010

uma canção de Dezembro...George Michael

como eu vejo a ilha

video
A Ilha também se apresenta assim, vestida de chuva, frio e granizo. As alterações climáticas batem-nos à porta, de tempos em tempos, mas o "Homem sábio, tecnológico" não aprende....

Coro de Natal


Quem nos garante que estamos vivos
que sequer somos o que fingimos
se atravessamos ruas e praça
sempre com ‘spadas entre as espáduas
e com serpentes em torno aos braços
e com cilícios em vez de cílios
e com os sonhos desarrumados
pelos sorrisos e compromissos
desta comédia de celebrar-te
assegurando que não existes

Quem nos garantes que estamos vivos
Ou não seremos somente o lixo
da grande roda que nos esmaga
da grande garra que nos agarra
do grande grito que nem gritado
por todos juntos será ouvido
Quem nos garante se neste espaço
que nos separa só o sigilo
preenche as pausas a grande pausa
de recearmos que tu existas

Quem nos garante que estamos vivos
se atravessando ruas e rios
portas e portos pontes e praças
só deparamos com os esgares
que já tiveram as nossas faces
à mesma hora nos mesmos sítios
Quem nos garante que sob as lajes
de outras cidades de outros jazigos
neste momento ressuscitados
não afirmamos que Tu existes

David Mourão-Ferreira

terça-feira, dezembro 28, 2010

De ressaca? Coma umas torradas com mel

Aproxima-se a noite de Ano Novo, sempre associada às festas em que se bebe de mais. Para não passar o primeiro dia do ano com dores de cabeça e náuseas, siga o conselho dos cientistas da Sociedade Real de Química e coma umas torradas com mel.
A explicação é que o mel é rico em potássio e sódio, que ajudam a combater o acetaldeído, substância tóxica produzida pela absorção do álcool pelo corpo. O efeito da ressaca vai diminuindo à medida que esta substância é substituída por outras menos tóxicas, como as que se encontram no mel.
Copo de leite antes do Champanhe
Mas se preferir prevenir o efeito da bebida, também há uma receita simples que pode seguir. Basta beber um copo de leite antes da bebida alcoólica.
Segundo explica John Emsley, da Sociedade Real de Química, o leite diminui a absorção do álcool, o que significa que o corpo terá menos quantidade de acetaldeído.
Além disso, deve beber outros líquidos durante a noite, por exemplo alternar o álcool com refrigerantes, pois a desidratação causada pelo álcool aumenta os efeitos da ressaca. 
fonte: Expresso

Natal


Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
.
Miguel Torga (Antologia Poética, Coimbra, Ed. do Autor, 1981)

segunda-feira, dezembro 27, 2010

O Menino brincando


Ó meu Jesus adorado,
Fecha os teus olhos divinos
Num soninho descansado;
Que a não sermos tu e eu
Toda a gente do povoado,
Desde os velhos aos menino,
Há muito tempo que adormeceu.


E o Menino Jesus não se dormia...


Dorme, dorme, dorme agora
(Cantava a Virgem Maria)
Que mal assomou a aurora,
Sentei-me junto ao tear
E por todo o dia fora,
Até que já se não via,
Não deixei de trabalhar!


E o Menino Jesus não se dormia...


Tornava Nossa Senhora,
Numa voz mais consumida:
Dorme, dorme, dorme agora
E que eu descanse também,
Porque mesmo adormecida
Vela sempre, a toda a hora,
No meu peito, o amor de mãe.


E o Menino Jesus não se dormia...


Numa voz mais fatigada,
Tornava a Virgem Maria:
Dorme pombinha nevada,
Dorme, dorme, dorme bem...
Vê que está quase apagada
A frouxa luz da bugia,
Do pouco azeite que tem.


E o Menino Jesus não se dormia...


Rogava Nossa Senhora:
Modera a tua alegria...
Não deites a roupa fora
Do teu leito pequenino...
Não rias mais. Dorme agora
E brincarás todo o dia...
Dorme, dorme, meu menino.


E o Menino Jesus não se dormia...
Mais triste, mais abatida,
Pediu a Virgem Maria:
Tem pena da minha vida,
Que se a quero é para ti...
Vida aflita e dolorida!
Só por ti a viveria
Tão longe de onde nasci!...


E o Menino Jesus não se dormia...


E a voz da Virgem volveu:
Repara no meu olhar,
Vê como ele entristeceu...
Dorme, dorme, dorme bem,
Ó alvo lírio do céu!
Olha que estou a chorar
- Tem pena da tua mãe!


Nosso Senhor, então, adormeceu...




Augusto Gil

domingo, dezembro 26, 2010

como eu vejo a ilha

se não me engano muito, com este fim de tarde, temos chuva para amanhã...

Natal de 1971


Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm?
Dos que não são cristãos?
Ou de quem traz às costas
as cinzas de milhões?
Natal de paz agora
Nesta guerra de sangue?
Natal de liberdade
Num mundo de oprimidos?
Natal de uma justiça
roubada sempre a todos?
Natal de ser-se igual
em ser-se concebido,
em de um ventre nascer-se,
em por de amor sofrer-se,
e de ser-se esquecido?
Natal de caridade,
quando a fome ainda mata?
Natal de qual esperança
num mundo todo bombas?
Natal de honesta fé,
com gente que é traição,
vil ódio, mesquinhez,
e até Natal de amor?
Natal de amor? De quem?
Daqueles que o não têm,
ou dos que olhando ao longe
sonham de humana vida
um mundo que não há?
Ou dos que se torturam
E torturados são
Na crença de que os homens
Devem estender-se a mão?


Jorge de Sena

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Celebração de Natal


A luz que há dois mil anos raiou no mundo
Não se reduziu à simples forma de criança rosada,
Em noite de geada,
Sob olhar amoroso de Mãe.
Não foi a correria apressada de pastores e reis
Que deu o nome a Belém !
Naquele humílimo estábulo nasceu um Deus
E da forma gloriosa de vida,
À vida de Nazareno ignorada,
À mensagem chocante do Amor,
Amor perene, há dois mil anos doado,
Iniciado naquele humílimo estábulo,
Até à Cruz,
Nasceu para todos nós, Jesus.

Maria Teresa Góis
(tukakubana)

"É Deus, assemelha-se a mim"

«A virgem está pálida e olha para o menino.
Seria preciso pintar no seu rosto aquela admiração ansiosa que se viu apenas uma vez num rosto humano.
Porque Cristo é o seu filho, a carne da sua carne e fruto do seu ventre.
Ela teve-o em si própria durante 9 meses e dar-lhe-á o seio e o seu leite tornar-se-á sangue de Deus.
Nalguns momentos a tentação é tão forte que esquece que Ele é Filho de Deus.
Aperta-O nos braços e sussura-lhe:"Meu pequerrucho".
Mas noutros momentos fica perplexa e pensa: "Deus está ali",
e é invadida por um religioso temor por este Deus mudo,
por esta criança que num certo sentido incute medo.
Todas as mães ficam perplexas, por um momento, diante daquele fragmento rebelde da sua carne que é a sua criança,
e sentem-se exiladas perante esta nova vida feita da sua vida,
habitada por pensamentos alheios.
Mas nenhum filho foi arrancado à sua mãe de forma tão cruel e radical, porque Ele é Deus e ultrapassa completamente tudo o que ela poderia imaginar...
Mas penso que houve também outros momentos, rápidos e fugazes,
em que ela sente que Cristo é seu Filho, o seu menino, e que é Deus.
Olha-O e pensa: "Este Deus é meu menino.
Esta carne é a minha carne, é feito de mim, tem os meus olhos
e a forma da sua boca é semelhante à minha, assemelha-se a mim,
é Deus e assemelha-se a mim."
E nenhum homem recebeu da sorte o seu Deus só para si,
um Deus tão pequenino para apertar nos braços e cobrir de beijos,
um Deus quentinho que sorri e respira, um Deus que se pode tocar e que ri.
E é nesses momentos que eu, se fosse pintor, pintaria Maria.»

Jean Paul Sartre
Trecho teatral escrito por ocasião do Natal, enquanto prisioneiro

quinta-feira, dezembro 23, 2010

presépio tradicional

Capela de Nª. Sra. do Monte, Lamaceiros - Porto Moniz

Recado ao Menino Jesus


Nota da Redacção - Este era o poema que a minha Amiga Maria Aurora, que nos deixou há uns meses, publicaria este Natal. Os filhos fizeram o que a Mãe faria, deram-no aos Amigos. Numa saudade que, nestes dias, mais pesa, o meu eterno abraço. Até sempre Amiga,
Tuka
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Nós, os Neandertais e agora também a Mulher-X

Era uma mulher. Viveu entre há 30 a 50 mil anos. E, sem que o suspeitássemos até agora, pertencia a um grupo de humanos diferente de nós, mas que se reproduziu com a nossa espécie. Eis a Mulher-X, o primeiro indivíduo identificado desse grupo
 
Este novo capítulo na história complexa da nossa espécie, os humanos modernos ou Homo sapiens sapiens, é contado amanha na revista Nature, pela equipa de Svante Pääbo, guru mundial da paleoantropologia genética do Instituto Max Planck para a Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha.     Em 2008, encontrava-se a ponta do dedo de um humano na Sibéria, na gruta Denisova. Pensando estar perante a falange de um humano moderno, talvez de um Neandertal com sorte, a equipa de Pääbo sequenciou o ADN extraído desse pedaço de osso — não o ADN do núcleo das células, mas o que está nas mitocôndrias, as baterias das células e que é herdado só pela parte da mãe.    
Quando viram os resultados, os cientistas não queriam acreditar: tinham em mãos ADN de um humano antigo desconhecido, pertencente a uma linhagem diferente das duas que até aqui se sabia terem habitado a Europa e a Ásia nessa altura — os humanos modernos, que saíram de África há cerca de 60 mil anos, e os Neandertais, que surgiram na Europa e Médio Oriente há 300 mil anos e extinguiram há cerca de 30 mil. Em Março último, a equipa revelou esses resultados, também na Nature, e espantou toda a gente.
Era também a primeira vez que um novo grupo de humanos era descrito não a partir da morfologia dos seus ossos fossilizados, mas da sua sequência de ADN.
Só pelo ADN das mitocôndrias, que está fora do núcleo das células, os cientistas não podiam saber se aquela falange, de um indivíduo com cinco a sete anos de idade, era de homem ou mulher. Mas deram-lhe a alcunha de Mulher-X, porque o ADN mitocondrial é matrilinear e porque gostavam de imaginar que era de uma mulher.
Depois, partiram para a sequenciação do ADN contido no núcleo celular e é a análise desses resultados que agora publicam. Além de confirmarem que a falange é mesmo feminina, os cientistas dizem que este novo grupo de humanos partilha um antepassado comum com os Neandertais, mas cada um seguiu uma história evolutiva diferente. Portanto, há 50 mil anos, além de nós e dos Neandertais, havia um terceiro grupo de humanos. Chamaram-lhe denisovanos.
Também sequenciaram agora o ADN mitocondrial retirado de um dente molar de outro indivíduo, um jovem adulto, descoberto na mesma gruta. Tanto o ADN como a morfologia do dente corroboram que se trata de um humano distinto dos Neandertais e da nossa espécie.
Durante décadas, discutiu-se se os Neandertais se teriam reproduzido ou não com a nossa espécie e se, apesar de extintos, haveria um bocadinho deles dentro de nós. Em Maio, o mesmo Pääbo pôs um ponto final na polémica, com a sequenciação do genoma dos Neandertais, dizendo que sim, que nos actuais euroasiáticos há um pouco de Neandertal. E agora a sua equipa diz que nos humanos modernos há igualmente um pouco dos denisovanos.
Mas, ao contrário dos Neandertais, os denisovanos não contribuíram geneticamente para os euroasiáticos actuais. As comparações genéticas entre os denisovanos e humanos modernos da Euroásia, África e Melanésia mostraram que são estes últimos que herdaram os seus genes.
De facto, a equipa descobriu que os naturais da Papuásia-Nova Guiné e das Ilhas Salomão partilham um número elevado de traços genéticos com os denisovanos, o que sugere que houve reprodução entre estes humanos até há poucos meses desconhecidos e os antepassados dos melanésios. 
Sozinhos há pouco tempo 
“Em conjunto com a sequenciação do genoma dos Neandertais, o genoma dos denisovanos sugere uma imagem complexa das interacções genéticas entre os nossos antepassados e diferentes grupos antigos de hominíneos”, comenta Pääbo, citado num comunicado de imprensa do seu instituto.
“O facto de os denisovanos terem sido descobertos no Sul da Sibéria, mas terem contribuído para o material genético de populações de humanos modernos da Papuásia-Nova Guiné sugere que os denisovanos podem ter-se espalhado pela Ásia”, diz.
 fonte: PUBLICO

Bolo de Família


Ingredientes:
500gr farinha-500gr açúcar -250gr manteiga -150gr banha -1 colher sopa canela -2colheres sobremesa rasas bicarbonato de  soda -1/2noz moscada raspada -5 ovos inteiros-1 chávena leite-1/2 chávena mel cana-1 chávena de  frutos secos picados.

E agora faça:
Coloque ingredientes secos na taça.
Junte as gorduras e o mel.Os ovos, o leite, bata bem e as frutas.
Coze forno forte em forma bem untada.Desenforme em quente.
E, depois, diga se não é óptimo!

poema de Natal

Ó Meu Jesus, quando você
ficar assim maiorzinho
venha para darmos um passeio
que eu também gosto de crianças.

Iremos ver as feras mansas
que há no jardim zoológico.
E em qualquer dia feriado
iremos, então, por exemplo,
ver Cristo Rei do Corcovado.

E quem passar
vendo o menino
há de dizer: ali vai o filho
de Nossa Senhora da Conceição!

– Aquele menino que vai ali
(diversos homens logo dirão)
sabe mais coisas que todos nós!
– Bom dia, Jesus! – dirá uma voz.

E outras vozes cochicharão:
– É o belo menino que está no livro
da minha primeira comunhão!

– Como está forte! – Nada mudou!
– Que boa saúde! Que boas cores!
(Dirão adiante outros senhores.)

Mas outra gente de aspecto vário
há de dizer ao ver você:
– É o menino do carpinteiro!

E vendo esses modos de operário
que sai aos domingos para passear,
nos convidarão para irmos juntos
os camaradas visitar.

E quando voltarmos
pra casa, à noite,
e forem para o vício os pecadores,
eles sem dúvida me convidarão.

Eu hei de inventar pretextos sutis
pra você me deixar sozinho ir.
Menino Jesus, miserere nobis,
segure com força a minha mão.

Jorge de Lima (poeta brasileiro)

quarta-feira, dezembro 22, 2010

os últimos a chegar...

do Ivo:
e do Rui

o meu muito obrigada

Último Natal


Menino Jesus,que nasces
Quando eu morro,
E trazes a paz
Que não levo,
O poema que te devo
Desde que te aninhei
No entendimento,
E nunca te paguei
A contento
Da devoção,
Mal entoado,
Aqui te fica mais uma vez
Aos pés,
Como um tição
Apagado,
Sem calor que os aqueça.
Com ele me desobrigo e desengano:
És divino, e eu sou humano,
Não há poesia em mim que te mereça.

                                                                               Miguel Torga

O Milagre da Noite de Natal



A Virgem Mãe, depois de reparar
que ninguém se encontrava já na ermida,
desceu devagarinho do altar,
- como temendo ser surpreendida -

e foi logo espreitar, pé ante pé,
à janela que deita para a rua:
no Céu, brilhava clara luz da Lua.
Em seu altar sorria S. José...

Nem viv’alma. E então Nossa Senhora,
segura já de que ninguém a via,
pôs em acção a ideia redentora
que tivera naquele santo dia.

Foi buscar um cestinho de costura
que ocultara no vão de uma janela.
O cesto era pertença da capela:
- não se rompesse a veste ao padre-cura...

Cortou em largas tira o seu manto,
enfiou uma linha numa agulha
e, depois, foi sentar-se para um canto,
mas sem fazer a mais ligeira bulha.

Quem a visse coser assim tão bem,
ora enfiando ora puxando alinha,
di-la-ia a melhor costureirinha,
mas nunca, certamente, a Virgem Mãe!

O S. José sorria sempre muito,
olhando-a com sincera devoção:
é que ele bem sabia o meigo intuito
que obrigava a senhora a tal serão.

Os outros Santos, todos num cochicho,
não perdiam de vista o altar-mor.
O Santo António, para ver melhor,
até ia caindo do seu nicho...

Houve uma Santa - a gentileza manda
sobre o seu nome conservar sigilo -
que até ficou de resplendor à banda,
tais voltas deu para espreitar aquilo.

A Senhora entretanto costurava,
presa dum sonho que se não descreve,
alheia ao tempo que fugia breve
e ao pasmo que em redor se condensava.

Esteve assim, cosendo, horas a fio,
à frouxa luz de trémula candeia.
De entretida, nem dava pelo frio...
E, contudo, nevava sobre a aldeia!

Fez bibes, camisinhas, tudo quanto
pode servir de abafo a um petiz.
Cada vez refulgia mais
o seu olhar imaculado e santo.




E as peças que a Senhora ia acabando
os anjos dum retábulo da igreja
levavam-nas depois num voo brando
- voo de pomba que no Céu adeja -

às criancinhas que andam pelo mundo
sem roupa, sem abrigo e sem família...
A Virgem continuava na vigília.
Havia em roda um soluçar profundo.

Por fim, adormeceu, ou de cansaço
ou por doce milagre de Jesus.
- Um enxoval inteiro no regaço
e na fronte uma auréola de luz!

E de manhã na missa do Natal,
quando o prior saiu da sacristia,
foi empontar a Virgem que dormia
- tendo nas mãos a agulha e o dedal.


Adolfo Simões Muller

terça-feira, dezembro 21, 2010

licor de Alfarroba






Após dois meses em infusão, hoje terminei o licor de alfarroba. Tem cor de âmbar mas, quanto ao gosto, é preciso deixar arrefecer e descansar.
Passem para provar...

o último Menino a chegar à colecção....

Natal


Nem aqui, nem agora. Vã promessa
Doutro calor e nova descoberta
Se desfaz sob a hora que anoitece.
Brilham lumes no céu? Sempre brilharam.
Dessa velha ilusão desenganemos:
É dia de Natal. Nada acontece.


José Saramago

segunda-feira, dezembro 20, 2010

da árvore...


(...)
Da árvore nascia um brilho maravilhoso que pousava sobre todas as coisas.
Era como se o brilho de uma estrela se tivesse aproximado da Terra.
Era o Natal. E por isso uma árvore se cobria de luzes e os seus ramos se carregavam de extraordinários frutos em memória da alegria que, numa noite muito antiga, se tinha espalhado sobre a Terra (...)

Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'A noite de Natal'