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sábado, fevereiro 26, 2011

Em Cada Livro Que se Escreve, uma Vida Desconhecida

A parte desconhecida da minha vida é a minha vida escrita. Morrerei sem conhecer essa parte desconhecida. Como foi escrito isto, porquê, como o escrevi, não sei, não sei como isto começou. Não se pode explicar. Donde vêm certos livros? A página está vazia e, de repente, já há trezentas páginas. Donde vem isto? É preciso deixar andar, quando se escreve, não devemos controlar-nos, é preciso deixar andar, porque não sabemos tudo de nós próprios. Não sabemos o que somos capazes de escrever.
[...] Após o final de cada livro é o fim do mundo inteiro, é sempre assim, de cada vez. E depois tudo recomeça, como a vida. Quando se escreve, não se pode falar em vez de escrever. O que se passa quando se escreve, nunca se pode dizer. Eu consigo ler uma passagem, mas depressa fico assustada. Sou mais escritora do que vivente, que uma pessoa que vive. Naquilo que vivi, sou mais escritora do que alguém que vive. É assim que eu me vejo.
Marguerite Duras, in 'Mundo Exterior '

1 comentário:

  1. Mas... A nossa vida é um livro!
    Só que nem sempre é lido nem escrito. Está gravado algures na memória de alguém. Eu tenho um livro escrito, imprimido por mim, mas somente eu posso lê-lo. Ninguém o entende, está escrito em aeroglifos, como se fossem gravuras rupestres. Também ficará soterrado ou será cremado. Acompanhará meus restos mortais.

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