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sábado, agosto 20, 2011

Plantas e animais estão em fuga para Norte

in:DN, Lisboa
Alterações climáticas empurram as espécies a um ritmo de 17 quilómetros por década.

Aves e insectos, grandes e pequenos mamíferos, borboletas e plantas, incluindo árvores, todos eles estão em movimento, numa migração forçada para Norte, mas também em altitude, subindo montanhas. Motivo: fogem dos efeitos negativos das alterações climáticas, e a um ritmo três vezes superior ao que sugeriam dados anteriores. É o que mostra a primeira investigação global sobre a questão. Os resultados do estudo, realizado por investigadores britânicos e de Taiwan, são publicados hoje na revista Science.

sexta-feira, agosto 19, 2011

in:Expresso on line

LANG LANG, o Pianista

Nascido em Shenyang, hoje com 27 anos,  na China, Lang Lang começou a tocar piano aos três anos de idade e deu o seu primeiro recital público aos cinco anos. Aos nove ingressou no Conservatório Central de Música de Beijing. Conquistou o 1.º Prémio no Concurso Internacional Tchaikovsky para Jovens Músicos (1995) e tocou os Estudos op.10 e op.25 de Chopin no Auditório de Beijing aos 13 anos. Estudou posteriormente no Curtis Institute de Filadélfia, com Gary Graffman, e em 1999, aos 17 anos, causou sensação ao responder positivamente a uma substituição de última hora na Gala of the Century do Festival de Ravinia, tocando o Concerto para Piano N.º 1 de Tchaikovsky com a Sinfónica de Chicago e o maestro Christoph Eschenbach. Depois deste extraordinário início, apresentou-se com grande sucesso nos mais destacados palcos de todo o mundo.

quinta-feira, agosto 18, 2011

foto do dia

cartoon do DN, Lisboa

Não posso dizer adeus

(Ao poeta Armando Artur)
Todas as manhãs invento um novo motivo
para permanecer, enquanto lá fora
cruéis as aves me ensinam a partir.
Não posso dizer adeus. Aqui as noites
são menos gélidas, e as madrugadas, cálidas
embalam o meu medo de me aventurar.

Não posso dizer adeus. Nunca ninguém
me ensinou o seu real sentido, mas se este
é realmente o teu desejo, eu irei, sem no entanto,
provar a dor da despida, pois não posso dizer adeus.
O olhar, volvendo compungido, atrás,
meu porto de partida e chegada jaz, fulmina-se
também o calor da primeira habitação.

Em meu peito, tudo está gasto, menos o silencio.
Enfio a mão na algibeira do casaco, e já não
encontro tudo aquilo que outrora tínhamos
um para o outro.

Eusébio Sanjane

quarta-feira, agosto 17, 2011

como eu vejo a ilha

Paúl da Serra, 12 de Agosto 2011

Nota da Redacção - Que "Pintor" poderia pintar esta maravilha, com ar puro e a Natureza a latejar?

A questão do melro

ISAAC FOI BUSCAR UMA GARRAFA DE UÍSQUE e beberam aos mortos. Depois adormeceram no sofá.
De repente, Isaac Dresner acordou e agarrou-se ao vestido de Adele.
- O melro.
- Que é isso do melro?
- Preciso de um uísque. Eu, quando era miúdo, fui apenas uma voz, uma coisa sem corpo debaixo da terra. Esqueci-me da claridade e do mundo e um dia saí daquela caverna e vi a luz do dia, a mesma de que Platão fala. Estava no meio de uma loja de pássaros. De canários que eram pardais pintados de amarelo, desbotados; de bengalins mosqueados, de conures e de cabeças-de-ameixa. E lá fora estavam os restos do mundo, o que sobra da guerra, e em cima do que restava do mundo estava um melro. Dei a mão ao Sr. Vogel e, enquanto olhava para o melro, um soldado veio falar comigo. Já não era um homem, aquele soldado, era mais um despojo do mundo, como um resto de comida. Via-se bem nos olhos dele que lá dentro, dentro dele, estava um vazio aberto com bombas. Sabe, menina Varga, quando um homem vive faz assim: conhece todas as assoalhadas da sua casa. Todas. Vai abrindo porta atrás de porta até somente restar uma. E pensa que já só falta aquela assoalhada. Por isso é que há aqueles cientistas que dizem que basta explicar não sei quê para saber tudo. É a assoalhada deles. Todos nós conhecemos a casa onde habitamos, porta atrás de porta. Quer mais uísque? E, dizia eu, que falta apenas uma porta. Um dia, cheios de coragem, resolvemos abri-la. Só falta uma assoalhada. E então deparamo-nos com algo insólito: a porta não dá para assoalhada nenhuma, a porta dá para a rua. Está a ver? Para a rua! E essa rua está cheia de casas cheias, por sua vez, de assoalhadas. Eu, no outro dia, abri essa porta e fiquei ali parado durante minutos. Foi como quando abri o alçapão e subi para a loja de pássaros e depois para a rua. Aquilo era um novo mundo. Como é que nunca tinha visto aquilo? Um mundo inteiro com árvores e tudo, um lugar onde se voa fora de gaiolas. As minhas pernas começaram a tremer e até cheguei a vomitar. Fechei a porta com força, mas tinha entrado um melro. O mesmo melro que tinha visto em miúdo. Este que você não vê.
- Não vejo.
- Está mesmo aqui - apontava para o ombro esquerdo. - Isto é aquele mundo. Se um dia perceber este pássaro, percebo aquela paisagem. É a maior assoalhada que um homem pode desejar, com campos verdes e árvores. Quando era miúdo aquilo era um mundo devastado, mas no outro dia, quando abri a porta, era um sítio bonito como aquelas gravuras das revistas dos jeovás. A única porta que nos falta abrir no nosso apartamento é a da rua. Lembre-se disso, menina Adele, lembre-se disso. Agora vou contar-lhe como foram as últimas palavras do seu avô. Ou melhor, não foram bem as últimas, mas andaram lá perto.
Afonso Cruz

(in A Boneca de Kokoschka, Quetzal, 2010)

terça-feira, agosto 16, 2011

lembrando Eça.....Nós Estamos num Estado Comparável à Grécia

Nós Estamos num Estado Comparável à Grécia Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte.

Eça de Queirós, in 'Farpas (1872)'

O Diálogo (séc. XVII)

Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV extraído da peça de teatro Le Diable Rouge, de Antoine Rault: 

Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço...

Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!

Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo ? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?

Mazarino: Criam-se outros.

Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino: Sim, é impossível.

Colbert: E então os ricos?

Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: Então como havemos de fazer?

Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável."

segunda-feira, agosto 15, 2011

o Execrável

Uma vez mais a primeira figura da Madeira deu mais um espectáculo, dentro da Sacristia da Igreja do Monte, após a Eucaristia.
Insultando a jornalista que, no seu posto de trabalho, cumpria com a obrigação de informar, insultou-a, ameaçou chamar a PSP e tudo isto na presença de autoridades religiosas, militares e civis.
Não bastasse a forma desgovernada como usa dinheiros do erário público, o descaramento como beneficia a sua corte, exímios lambe-botas, nem a Casa de Deus respeita.
Penso que os excessos cometidos ao longo de 30 anos lhe roubaram capacidades mentais e o meio neurónio que poderá ter, há-de com toda a certeza, morrer afogado entre cerveja e whisky entalado por marisco vário, no areal do Porto Santo.
Chega, basta; os Madeirenses estão fartos de ser envergonhados por esta besta.
Oxalá haja discernimento popular para que no próximo dia 9 de Outubro nos possamos livrar de tal aberração.

Maria Teresa Góis

os meus amigos


Amigos cento e dez e talvez mais
Eu já contei! Vaidades que eu sentia.
Pensei que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais.

Amigos cento e dez, tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia,
Que eu, já farto de os ver, me escapulia,
Às suas curvaturas vertebrais.

Um dia adoeci profundamente,
Ceguei. Dos cento e dez, houve um somente
Que não desfez os laços quase rotos.

Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver…
Que cento e nove impávidos marotos!

Camilo Castelo Branco (1825-1890)

domingo, agosto 14, 2011

exame de vista chinês

NÃO CONSEGUE LER ???

...experimente puxar os cantos dos olhos como os chineses...e afaste-se um pouco

sábado, agosto 13, 2011

como eu vejo a ilha

Chegados ao Paúl é preciso montar o material....

e a lua apareceu.....
mas falta um pedaço......
cá esta ela na sua plenitude....
o pessoal foi aparecendo.....
já se sentia um briol....
e foi mais uma noite mágica.....
Ah, as "perseidas" não as vi, teria de esperar umas horas....

sexta-feira, agosto 12, 2011

Lua pode estragar chuva de Perseidas desta madrugada

Hoje, a Lua vai aparecer cheia, o que pode prejudicar a observação desta chuva de meteoros. Siga as nossas dicas, que podem ajudar a vislumbrar este fenómeno. De qualquer forma, é preciso paciência.
Para a madrugada de hoje está previsto um avistamento de Perseidas, uma chuva de meteoros associada ao cometa Swift-Tuttle. Só que também o satélite terrestre vai estar na sua fase de lua cheia, dificultando a visão a quem quiser acompanhar este fenómeno do cosmos.
No entanto, nem tudo está perdido, e com (muita) paciência e o ângulo certo poderá observar a chuva.
As Perseidas formam-se com o movimento dos cometas. Estes, enquanto descrevem órbitas em volta do Sol, vão espalhando pó, gases e escombros (materiais rochosos). Este trilho permanece numa órbita semelhante ao cometa original. Sendo assim, cada cometa vai formando um anel feito de fragmentos de cometa. Quando a Terra, no seu movimento em torno do Sol, encontra um destes anéis, alguns dos seus fragmentos rochosos são atraídos pelo campo gravitacional e caem a grande velocidade na atmosfera formando uma chuva de meteoros.
Leia mais no e-paper do DN.

CARTA-PREFÁCIO PARA VINICIUS DE MORAES

Amigo:
Quando estiveste, da primeira vez, por aqui dando show, umas granfas (loiras e morenas notáveis, como diria Mestre Carlos, mas granfas), comentando os preços da boate onde, em duas ou três sessões, te produziste com a tua turma, disseram ou fizeram dizer: «Quem não tem dinheiro, não tem Vinícius.» Vinícius, vícios... Não ligues. Olha que elas dispunham de muito bago. Estavam era a ser desajeitadas na maneira de te homenagear. Algumas conheciam de ti o poeta encaixilhado no sério. Charmoso, mas, apesar de tudo, respeitável-respeitoso. Usavam o teu «Soneto do Amor Total», não como tabatière à musique, nem como máquina de pensar, mas como caixinha de arroubos, entre as muitas outras que sempre trazem na molinha, com coisinhas para pôr ou tirar dor de cabeça.
Dessas, umas quantas mostraram-se decepcionadas, ofendidas contigo por teres descido do livro à boate, do soneto ao samba. E fizeram constar a decepção, a ofensa que sentiam. Não ligues. Estavam era mordidinhas de inveja perante a quantidade de liberdade que tu, em cada noite, produzias!
Marcus Vinicius, eu vi-te aquém e além-palco, con-vivi-tigo. No Alentejo, que agora, mais que nunca, ai de nós, é um adjectivo, vi-te, convivi-te no teu simplório convívio. Estavas em construção, como sempre não definitivo. Tua felicidade, teu riso mais riso, era entre esse pessoal amigo.
Há muita gente ainda por aí (tenho medo que aumente!) que de ti o que quer é o catorze, quer dizer o soneto, e rejeita teu outro meio de comunicar, que afinal é o mesmo: tocantar.
Perceba, por uma vez, essa gentalha, que o Vinicius poeta e o Vinicius sambista são da mesma igualha!

São

o operário

em construção


Abração

ALEXANDRE O'NEILL

Lisboa, Nov. 75

quinta-feira, agosto 11, 2011

foto do dia

Uma cara no céu antes da tempestade 

por DN.ptHoje

o significado da Vida

Convalescença

 
Todos os dias de manhã cedo este cão fiel
Senta-se silenciosamente ao lado da minha cadeira
Até eu reparar na sua presença
Ao tocá-lo com a minha mão.
No momento em que recebe este pequeno reconhecimento,
Ondas de felicidade percorrem o seu corpo.
No inarticulado mundo animal
Apenas esta criatura
Compreendeu o bem e o mal e viu
O homem completo,
Aquele a quem
Talvez a vida deu alegremente
Esse objecto de um amor livre
Cuja consciência assinala o caminho
Para o coração da consciência infinita.
Quando vejo esse coração emudecido
Que revela a sua própria humildade
Através de uma total auto-rendição,
Sinto-me incapaz de descobrir o valor
Que a sua simples percepção encontrou na natureza do homem.
A profunda ansiedade do seu olhar mudo
Apercebe-se de algo que ele não pode explicar:
Ele remete-me para o verdadeiro significado do homem no universo.

(Rabindranath Tagore, p.124)

quarta-feira, agosto 10, 2011

Chaminés hidrotermais gigantescas descobertas a norte dos Açores

A três mil metros de profundidade no Atlântico, e cerca de 420 milhas a norte da ilha Graciosa, uma equipa de cientistas irlandeses e britânicos descobriu um campo de fontes hidrotermais com grandes chaminés – a maior ultrapassa os dez metros de altura.
O novo campo de fontes hidrotermais – emanação de água quente vinda do interior da Terra carregada de metais e minerais – situa-se na Dorsal Médio-Atlântica, uma cordilheira no meio do Atlântico que é fronteira de placas tectónicas. Os metais e minerais precipitam-se e originam as chaminés, que acabam rodeadas de vida invulgar. 
Nesta dorsal já se descobriram vários campos, como o Lucky Strike e o Menez Gwen, ambos dentro da zona económica exclusiva (ZEE) portuguesa e que têm despertado interesse científico e económico. 
A equipa que divulgou nesta sexta-feira o novo campo apenas disse, em comunicado, que fica a norte dos Açores. Ao PÚBLICO, John Joyce, assessor de imprensa do Instituto Marinho da Irlanda, que financia a investigação do mar, referiu uma localização mais aproximada: “O campo hidrotermal é a oés-sudoeste da Irlanda, perto da Dorsal Médio-Atlântica, aproximadamente a 46 graus Norte.” 
Portanto, o campo está a cerca de 420 milhas da Graciosa. É no limite norte da proposta portuguesa de alargamento da plataforma continental para lá das 200 milhas da ZEE, apresentada à ONU em 2009 e na qual se defende que a soberania sobre o fundo do mar seja alargada em 2,15 milhões de quilómetros quadrados. Só em 2015 o processo estará concluído.
A bordo do navio Celtic Explorer, a equipa usou um veículo operado à distância, o Holland 1, para encontrar o campo. Já foi baptizado: “Chamamos-lhe Moytirra, o nome de uma batalha na mitologia irlandesa, que significa ‘planície de pilares’. À maior chaminé, com mais de dez metros, demos o nome de um gigante mítico, Balor”, disse Patrick Collins, da Universidade Nacional da Irlanda, no comunicado. “Em comparação com outros campos, Moytirra tem chaminés monstruosas e, invulgarmente, está no sopé de uma escarpa – uma beleza.” 
fonte:PUBLICO

terça-feira, agosto 09, 2011

"História de Portugal", muito...condensada!

Tudo começou com um tal Henriques que não se dava bem com a mãe
E acabou por se vingar na pandilha de mauritanos
que vivia do outro lado do Tejo.
Para piorar ainda mais as coisas, decidiu casar com uma espanhola qualquer
e não teve muito tempo para lhe desfrutar do salero
porque a tipa apanhou uma camada de peste negra e morreu.
Pouco tempo depois, o fulano, que por acaso era rei,
bateu também as botas e foi desta para melhor.
Para a coisa não ficar completamente entregue à bicharada,
apareceu um tal João que, ajudado por um amigo de longa data
que era afoito para a porrada, conseguiu pôr os espanhóis a enformar pão
e ainda arranjou uns trocos para comprar uns barcos ao filho
que era dado aos desportos náuticos.
De tal maneira que decidiu pôr os barcos a render
e inaugurou o primeiro cruzeiro marítimo entre Lisboa e o Japão
com escalas no Funchal, Salvador, Luanda, Lourenço Marques, Ormuz,
Calecute, Malaca, Timor e Macau.
Quando a coisa deu para o torto,
ficou nas lonas, só com um pacote de pimenta para recordação
e resolveu ir afogar as mágoas,
provocando a malta de Alcácer-Quibir para uma cena de estalo.
Felizmente, tinha um primo, o Filipe, que não se importou
de tomar conta do estaminé até chegar outro João
que enriqueceu com o pilim que uma tia lhe mandava do Brasil
e acabou por gastar tudo em conventos e aquedutos.
Com conventos a mais e dinheiro a menos,
as coisas lá se iam aguentando até começar tudo a abanar
numa manhã de Novembro.
Muita coisa se partiu. Mas sem gravidade porque, passado pouco tempo,
já estava tudo arranjado outra vez,
graças a um mânfio chamado Sebastião que tinha jeito para o bricolage
e não era mau tipo apesar das perucas um bocado amaricadas.
Foi por essa altura que o Napoleão nos bateu à porta a perguntar
se podia ficar com isto. Levou com os pés dos ingleses que queriam o mesmo.
Outro João tinha dois filhos e queria pôr o Pedro a brincar com o irmão mais novo, o Miguel,
mas este teve uma crise de ciúmes e tratou de armar confusão
que só acabou quando levou um valente puxão de orelhas do mano
que já ia a caminho do Brasil para tratar de uns negócios.
A malta começou a votar mas as coisas não melhoraram grande coisa
E foi por isso que um Carlos anafado levou um tiro nos coiratos
quando passeava de carroça pelo Terreiro do Paço.
O pessoal assustou-se com o barulho, escondeu-se num buraco e vieram os republicanos que meteram isto numa guerra onde ninguém nos queria.
Na Flandres levámos tiros que fartou
disparados por alemães. Ao intervalo, já perdíamos por muitos
mas o desafio não chegou ao fim porque uma Senhora vestida de branco
apareceu a flutuar por cima de uma azinheira
e três pastores deram primeiro em doidos, depois em mortos
e mais tarde em beatos.
Se não fosse por um velhote das Beiras, a confusão tinha continuado
mas, felizmente, não continuou e Angola continuava a ser nossa
mesmo que andassem para aí a espalhar boatos.

O homem que perdeu a fala

Começou a sentir-se aflito e disse a um amigo:
— Não sei falar.
O amigo respondeu-lhe:
— Estás a falar.
— Isso é o que tu julgas!... Se eu quiser dizer hoje, digo amanhã.
— Estás a dizer hoje!
— E se eu não souber?
Engasgou-se e titubeou, encarnado:
— Sábado... Quinta-feira...Cães... Galinhas!
O amigo riu-se.
— Estás a gozar? Diz lá as coisas como devem ser...
— Palácios...
O amigo condescendeu:
— O.K. Palácios!...
E virou-lhe as costas.
A verdade é que ele deixara de saber falar. As palavras saíam-lhe desgarradas. E foi nesse momento que começou o problema porque gostava de falar com as pessoas. Tentava, mas não podia: já não tinha língua. Esforçava-se e não conseguia.
Foi a um médico que lhe disse:
— O senhor perdeu o uso das cordas vocais.
E repôs os aparelhos no sítio.
— E agora? — acenou.
— Posso operá-lo. Mas não garanto.
— O quê? — acenou ele outra vez.
— Que fale. O senhor perdeu a fala.
Levantou-se da cadeira e agarrou num papel, desenhou um caranguejo.
— Talvez — disse o médico —, uma doença grave.
Fugiu: não queria ser operado.
A vida voltou e custou-lhe muito. Ouvia os outros e não respondia. Eles procuravam-no e ele não era capaz. Tocava-lhes, dançava para que gostassem, mas não conseguia falar. E os outros acabavam por se ir embora. Via os corpos, a afastarem-se, queria-os, mas, sem língua, não chegava ao pé deles, não os prendia, não os abria. Corpos esplêndidos; corpos, pensava, que estavam à espera de quem soubesse oferecer-se-lhes, de quem lhes desse o que queriam. Pensava também que os compreendia melhor do que ninguém. Mas, faltava-lhe a voz.
Um dia meteu uma pedra na boca. Chegou à noite desfeito e na mesma.
"A culpa é minha? O que é que aconteceu? Que mal fiz eu a Deus? Isto não tem remédio?" E veio-lhe vontade de chorar.
Gostava das pessoas. Eram bonitas. Ai!, se não lhe tivessem roubado a voz! Porque ele, dantes, falava! Era um homem interessante! Agora, nem pio. Caretas, gestos. Uma dor, do lado esquerdo. E a troça e a indiferença dos outros. Ou as duas.
— Fala! — gritou-lhe um amigo.
— Não sei... — respondeu-lhe, mudo.
E continuou a passar gente.
— Anda! — disse-lhe uma.
E insistiu:
— Anda!
Não foi... Ficou parado no meio da rua.
— Olha o carro!
Já era tarde.





Manuel Poppe
(de Um Inverno em Marraquexe, Teorema, 20)

segunda-feira, agosto 08, 2011

mistério sobre ovni no céu de São Paulo, Brasil




in:GLOBO, vídeos

Agora já é possível limpar como se fosse o Harry Potter

in:DN, Lisboa
Pode ou não ser fã de Harry Potter, mas se a Du.static chegar ao mercado vai poder eliminar o pó de casa com o agitar de uma varinha.

Concebida pela Universidade Hongik, e vencedora do prémio Spring Spack Concept para melhor design de 2011, a Du.Static combina a eficiência de um espanador de pó normal com a funcionalidade de um purificador de ar, numa silhueta dois em um.
Esta nova 'varinha mágica', uma vez ligada, utiliza a electricidade estática para atrair as partículas de pó. Só é preciso aproximar a varinha dos móveis, sem tocar, para o pó ser atraído como num passe de mágica. O ventilador da unidade retém o pó, através de um filtro de partículas finas, e solta ar fresco da outra extremidade, enquanto uma luz LED nos mantém informados dos detritos ambientais que vamos limpando: sinal vermelho para 'poluído' e azul para ar 'puro o suficiente'.
Depois de limpar é só preciso aproximar o aparelho do lixo e desliga-lo, para que o pó caia no caixote. Caso precise de continuar a limpar, é só necessário reiniciar o dispositivo.

Canção de Batalha

 Que durmam, muito embora, os pálidos amantes, Que andaram contemplando a Lua branca e fria... Levantai-vos, heróis, e despertai, gigantes! Já canta pelo azul sereno a cotovia E já rasga o arado as terras fumegantes...   Entra-nos pelo peito em borbotões joviais Este sangue de luz que a madrugada entorna! Poetas, que somos nós? Ferreiros d'arsenais; E bater, é bater com alma na bigorna As estrofes de bronze, as lanças e os punhais.   Acendei a fornalha enorme — a Inspiração. Dai-lhe lenha — A Verdade, a Justiça, o Direito — E harmonia e pureza, e febre, e indignação; E p'ra que a labareda irrompa, abri o peito E atirai ao braseiro, ardendo, o coração!   Há-de-nos devorar, talvez, o incêndio; embora! O poeta é como o Sol: o fogo que ele encerra É quem espalha a luz nessa amplidão sonora... Queimemo-nos a nós, iluminando a Terra! Somos lava, e a lava é quem produz a aurora!  

Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'

sábado, agosto 06, 2011

Sou da geração do basta

Foi descoberta uma caverna no Vietname suficientemente grande para albergar uma selva. A dimensão é tão exagerada que seria possível estacionar lá dentro um Boeing 747 ou construir um quarteirão de 800 metros com prédios de 40 andares. O espaço, uma das 20 cavernas encontradas no país no último ano, encontra-se nas profundezas de Hang Son Doong e pode até ser a maior passagem subterrânea do mundo.
A National Geographic apresenta este mês uma visão profunda sobre uma série de cavernas, entre elas a mais recente descoberta. A paisagem no interior é avassaladora, muito graças ao pé-direito de 244 m. A luz, a vegetação e as rochas são também invulgares. O campo de visão também se prolonga até ao infinito.
Calcula-se que, há muitos anos, tenha acontecido um desabamento de terras, o que deixou entrar a luz, seguindo-se o aparecimento de várias plantas.
Durante a guerra do Vietname, os soldados vietnamitas escondiam-se em várias grutas do Parque Nacional Phong Nha-Ke Bang, onde também se encontra este espaço agora descoberto, para se protegerem dos bombardeamentos americanos. As crateras das bombas funcionam agora como viveiros.O especialista em grutas, Mark Jenkins, explica porque é que só agora é que este paraíso natural foi encontrado: “Embora estas grutas sejam enormes, são praticamente invisíveis até estarmos mesmo em frente às suas entradas.”
O percurso no interior destas cavernas também não é tarefa fácil. As equipas de expedição usam parafusos de fixação para que as pedras suportem o peso das pessoas, que sobem e descem vários metros suspensas por cordas. 

(in:Sábado)

sexta-feira, agosto 05, 2011

First contact with the tribe Toulambi - Parte I

Esta tribo da Papau Nova Guiné encontrou o seu 1º homem branco em 24 Junho de 2011

como eu vejo a ilha

Praia do Porto, Seixal, Porto Moniz
praia de areia preta, natural

'Microcanyon' vence competição de fotografia

Concurso foi instituído pela empresa FEI, que produz estes equipamentos científicos
À primeira vista estamos perante a paisagem árida do Grand Canyon, onde uma fissura no solo parece a ameaça de um abismo. Nada mais errado. Esta é apenas uma pequena racha num pedaço de metal que não o passou o teste de maleabilidade. Aumentada quatro mil vezes, é assim que ela surge aos nossos olhos. A imagem, de Martina Dienstleder, ganhou este ano o primeiro lugar no concurso FEI de imagens por microscopia electrónica.DN,Lisboa

ouçam o vosso coração....

quinta-feira, agosto 04, 2011

como eu vejo a ilha

Pacheco, Seixal, Porto Moniz

o Frank Sinatra da construção civil.....Bravo!

Descoberto mosaico em termas de Roma


Imagem do deus Apolo está representada numa galeria subterrânea

Em pleno coração de Roma, os arqueólogos ainda se surpreendem nos locais mais emblemáticos da cidade, que são os mais enxameados de turistas. A última surpresa emergiu num desses sítios de visita obrigatória na Cidade Eterna, as Termas de Trajano, a dois passos do Coliseu. Uma equipa de arqueólogos desenterrou ali um grande mosaico de Apolo, o deus da música, do conhecimento e da medicina.
Leia mais pormenores no e-paper do DN

quarta-feira, agosto 03, 2011

Morreu pianista russo Nikolai Petrov

O pianista russo Nikolai Petrov morreu hoje em Moscovo aos 69 anos, noticiou o canal de televisão NTV.
O pianista nasceu em Moscovo a 14 de Abril de 1941, numa família de músicos russos ilustres. Em 1962, ganhou a medalha de prata no concurso internacionais Van Cliburn, nos Estados Unidos, e, em 1964, a medalha de prata no concurso internacional da Rainha Isabel, em Bruxelas. Era, até hoje, o presidente da Academia das Artes da Rússia, além de fundador e presidente do Fundo de Beneficência com o seu nome, destinado a apoiar os músicos com talento.
Considerado um dos grandes pianistas contemporâneos, Petrov sofreu um derrame cerebral em Maio, durante uma visita que fez a Minsk para a abertura do fórum musical “A Magia do Piano”, realizado na Filarmónica Estatal da Bielorrússia.

novo autocarro do Benfica

Pátria Minha


A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!
Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!
Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a ilha
Brasil, talvez.
Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
«Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes.»

Vinicius de Moraes
(in O Operário em Construção e outros poemas, selecção e prefácio de Alexandre O'Neill, publicações Dom Quixote, 1986)

terça-feira, agosto 02, 2011

A MULHER NA CIDADE DO HOMEM

[...]
Quando olhamos para o passado vemos que a contribuição da mulher no mundo da criação é muito limitada. As leis, a filosofia, a matemática, a pintura, a arquitectura, a escultura, a música foram quase exclusivamente criadas por homens. A mulher aparece nalgumas artes como intérprete, raramente como autora.
Isto «parece mostrar» que a capacidade criadora da mulher só existe em planos secundários ou subsidiários.
Mas há uma excepção que nos coloca no centro do problema.
Esta excepção é a poesia.
Sapho, Emily Brontë, Emily Dickinson, Louise Labé são poetas na plenitude da criação. Para além do tempo e das mutilações, um fragmento de Sapho conserva aquele poder de invocação total que é a marca de fogo da grande poesia. E da nossa época não poderei deixar de citar Edith Sitwell, Nelly Sachs, que este ano recebeu o prémio Nobel, Gertrude Von Le Fort, que é um dos grandes poetas da transcendência, e Cecília Meireles que é um dos cimos da moderna poesia brasileira.
Esta excepção que a poesia é coloca-nos no centro do problema por duas razões: porque nos esclarece sobre a situação da mulher, porque nos esclarece sobre a natureza e a vocação de humanidade total da mulher.
A poesia é a arte que menos depende da contingência. Para escrever um poema é preciso ser poeta e depois basta um papel e um lápis.
A poesia pede a liberdade da alma que a alma por si mesma conquista, pede a escolha, a ascese, a atenção do ser a todos os seres e depois basta-lhe um papel e um lápis. O escultor ou o arquitecto para realizarem a sua vocação precisam duma longa aprendizagem com escola, mestre, atelier, público, encomenda e comprador. É por isso que, e isto nos esclarece sobre a situação da mulher, a escultura e a arquitectura, como a música, o teatro e a pintura, são artes que só florescem nos países onde existem circunstâncias propícias à cultura. Pelo contrário, a poesia é a arte que sobrevive e resiste nos países pobres, subdesenvolvidos e ocupados.
Se ao longo de tantos séculos a poesia foi quase a única arte onde a mulher mostrou capacidade criadora, isto não quer dizer que a mulher só era capaz de poesia, mas sim que para ela, como para um país subdesenvolvido ou ocupado, a poesia era a única arte possível. A única arte onde a pura liberdade do espírito criador podia resistir à pressão da contingência.
Se o nome Poesia deriva do verbo «poien» que significa criar é porque é na poesia que a criação se mostra no seu estado mais despojado e nu. O material do poeta é a palavra, a palavra que é por excelência o sinal humano. A poesia parte do verbo, do princípio, parte dum tempo anterior à contingência que é o puro tempo do ser. O espírito poético é o espírito daqueles que a si mesmos se reconhecem não como situação, mas como ser a caminho.
A poesia foi durante séculos a única excepção; mas a chegada do século XX traz consigo algo de novo.
A partir de então a capacidade artística e intelectual da mulher começa a mostrar-se em actividades que, embora não fossem em si mesmas masculinas, pareciam ultrapassar a possibilidade feminina. Todos conhecem o nome de Maria Curie, todos sabem que várias mulheres trabalharam nos cálculos matemáticos dos voos espaciais, todos conhecem a pintura de Maria Helena Vieira da Silva, a escultura de Bárbara Hepworth, Germaine Richier, Louise Nevelson.
No entanto as mulheres não fizeram uma revolução e ninguém fez, para elas, uma revolução. Simplesmente a humanidade avançou. Apesar das guerras, dos conflitos, dos crimes, dos abusos e da terrível pressão das forças de reacção, a nossa época tomou uma consciência nova do valor da vida humana. O nosso tempo não admite que existam vidas sacrificadas nem vidas diminuídas mas exige para cada ser humano o direito à plenitude da sua humanidade. E foi nesta consciência nova que a mulher acedeu àquele plano da criação onde a plenitude da vocação humana se mostra.
É evidente que a parte que a mulher tem tomado no trabalho do mundo moderno contribuiu para a sua emancipação. Mas só por si o trabalho não bastaria pois a mulher sempre trabalhou e em muitas épocas e lugares o trabalho para ela foi apenas uma duplicação da escravatura. Verdadeiramente a libertação da mulher a que estamos a assistir resulta da tomada de consciência da dignidade humana que é a grande e difícil tarefa do século XX.
Pois não existe o problema da mulher, mas sim o problema da humanidade. E é por isso que o Feminismo é um caminho errado e já ultrapassado. Aliás sempre à roda da mulher se criaram falsos problemas.
Assim muitas vezes se tem oposto vocação maternal e vocação criadora. Mas a maternidade é plenitude e não mutilação, é maioridade e não menoridade. E a maternidade que é natureza e vocação é também escolha e responsabilidade. Quanto mais responsável a mulher se sentir pelos filhos que tem, mais responsável se sentirá pelo mundo com que os seus filhos vão viver. E também através dos filhos a mulher compreende que verdadeiramente a sua causa não é a causa da mulher, mas sim a causa da humanidade.


SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

(in A Mulher na Sociedade Contemporânea - colóquios na A. A. da Faculdade de Direito, Prelo editora, 1969 - Cadernos de Hoje)

segunda-feira, agosto 01, 2011

a má educação de um Bêbado eleito

Nota da redacção - Não merece, esta besta quadrada, a figuração no meu blog. Contudo, e para elucidar os que virem o vídeo, reparem bem no último gesto que o presidente do governo da Madeira faz ao povo que vota nele, à comunicação social que o filmava (neste caso a SIC-TV). Merece este homem consideração? Não! Quem sabe se o gesto seria para o primeiro Ministro de Portugal que não quis estar presente nesta palhaçada de bêbados-senis e lambe botas?

Segredos


para Maria de Lourdes Pintasilgo
 

Segredos de uma espécie tão rara
na altura das grandes migrações
a vida pobre os bosques
o vento arrasa nuvens pelo céu
sem outro saber

O tempo era maior
do que se dizia
e ela dispunha-se a contar tudo
do mesmo modo delicado

José Tolentino Mendonça

(de De Igual para Igual, Assírio & Alvim, 2001)