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domingo, março 06, 2011

"Geração à Rasca"

60% dos jovens inscritos nos Centros de Emprego não têm acesso a qualquer subsídio

 

Hoje não me apetecem palavras rigorosas ou claras em que possa exprimir sentimentos próprios.
Falarei da confusão imensa que vai neste país, que vive entre o riso e o choro, entre a certeza da luta e a incerteza da vitória.
A vida é feita de intervalos e, afinal, começamos a vivê-la tão tarde.
Cada vez mais tarde, digo. E é ver a "geração à rasca" que dentro de dias se manifestará, lutando por emprego, por estabilidade na vida activa e pessoal. Os sonhos e a Família são adiados, o futuro já está penhorado em décadas de descontos extras, sustentando o agressivo deficit de hoje.
A dificuldade de conquistar o seu lugar na sociedade produtiva permitindo a construção de uma vida autónoma, apesar das qualificações, contrasta com a geração dos pais em que um diploma era a chave certa para o emprego e uma remuneração, digamos que decente. E mesmo sem a formação universitária havia emprego; função pública, banca, comércio. A esta geração de pais foi-lhe permitida a compra de casa própria e custear o estudo dos filhos.
Paralelamente e a esse tempo, multiplicaram-se pelo país Universidades e Institutos, fruto de uma ideia quiçá iluminada mas rasca, facilitando cursos sem grande credibilidade, sem grande saída profissional que servissem ao mercado de trabalho do país e onde o acesso era permitido com notas de 4 ou 5 valores.
Nesta "geração à rasca" investiram as famílias e o estado, o mesmo estado que afirma que até ao fim de 2011 o ordenado mínimo chegará aos 500 euros. Não andaremos (quase) todos à rasca?
Aos Jovens pede-se-lhes que trilhem o caminho da História como os de ontem fizeram e os de amanhã o farão.
Mas não será a recibos verdes, ou em call centers, vivendo na instabilidade, sem regalias sociais, ouvindo nas entrevistas um "não serve porque não tem experiência", que esse caminho terá um rumo positivista e proactivo.
60% dos jovens inscritos nos Centros de Emprego não têm acesso a qualquer subsídio. E são dezenas de milhares!
Deixar esta geração emigrar será a solução? De modo nenhum; o país ficará vazio de uma, de duas gerações de qualificados que, uma vez fora e estabilizados, é possível que não queiram voltar. Irão enriquecer outros países, onde pagarão os seus impostos e Portugal para além da crise económica terá uma crise social.
É pois legítimo que se manifestem pelo direito ao emprego, pelo fim da precariedade e, os que já estão a laborar lutem pelas regalias sociais e justa retribuição.
Estou convosco de alma e coração.

Maria Teresa Góis
 in :Diário Notícias da Madeira, 06.03.2011

2 comentários:

  1. Ainda não tive oportunidade de te dar os parabéns pelo artigo que escreveste.
    Gostei, embora o tema seja um pouco controverso e não sei mesmo se não haverá algum oportunismo a provocar estes movimentos de jovens.
    Claro que o desemprego é uma realidade, infelizmente. E eles são jovens.
    Um abração.

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