Investigadores italianos pretendem comprovar a teoria de que 'La Gioconda' é na verdade um auto-retrato do célebre pintor.
E se o quadro de Mona Lisa fosse, na verdade, um auto-retrato de Leonardo da Vinci? A teoria não é propriamente nova e tem gerado imensa polémica. Por isso, e para tentar acabar de vez com todas as dúvidas, uma equipa de investigadores italianos pretendem exumar o corpo de Leonardo da Vinci para determinar se existem efectivamente semelhanças físicas entre o artista e a figura retratada num dos seus mais célebres quadros.
A teoria é de que o quadro que se encontra em exposição no Museu do Louvre, em Paris, é, na verdade, um auto-retrato do artista. A hipótese surgiu quando, há uns anos, se fez uma sobreposição de um retrato do pintor renascentista com o rosto de Mona Lisa.
A identidade desta figura feminina sempre foi um mistério - um dos muitos que esta obra de arte inspira. E enquanto uns defendem que o quadro retrata a mãe do próprio Leonardo da Vinci, outros têm assegurado que La Gioconda é Lisa Gherardini, a mulher de um importante mercador de Florença. Apesar de cépticos, os cientistas querem investigar a hipótese de se tratar mesmo de um auto-retrato.
Uma equipa do Comité Nacional para a Valorização dos Bens Históricos, Culturais e Ambientais de Itália pediu já autorização para exumar as ossadas e, a partir da face de da Vinci, reconstruir a cabeça para depois se fazer a comparação. A equipa já obteve um consentimento prévio, mas a autorização oficial ainda deve demorar alguns meses.
Porém, e para adensar o mistério em torno da obra e do seu autor, o principal problema será encontrar os restos mortais do artista que morreu com 67 anos, em 1519, e que terá sido enterrado em França, no castelo de Ambroise, no vale do Loire. Contudo, e porque o local foi alvo de diversos saques ao longo dos séculos, não há certezas sobre a localização exacta da sepultura. Segundo o presidente do Comité, Silvano Vicenti, as novas tecnologias permitem, com recurso a micro-sondas e câmaras de filmar, avaliar as ossadas sem fazer grandes escavações.

O último passo será a reconstrução do crânio, que poderá estar fragmentado. A equipa de investigadores irá usar sistemas virtuais e métodos de morfologia para recompor as partes ausentes. Até porque, frisa Silvano Vicenti, "hoje podemos dar respostas que há dez anos não eram sequer imagináveis". A partir do crânio, a face será restaurada através de computador e depois modelada em plástico. "O rosto é modelado segundo um protocolo de antropologia forense que requer a mão artística para dar forma às partes moles, seguindo critérios anatómicos e científicos que não deixam espaço para a livre interpretação", explica Gruppioni.
Apesar das críticas, e algumas piadas, de que tem sido alvo, a equipa de investigadores está decidida a comprovar, ou não, esta teoria até ao fim.
? Anatomia deve ser respeitada através de um cuidado trabalho manual
? Reconstrução do crânio é fundamental para se poderem determinar parecenças
? Modelar o rosto através de um rigoroso processo de antropologia forense
Sem comentários:
Enviar um comentário